Juzo final

SIDNEY SHELDON.


OBRAS DO AUTOR.
AS AREIAS DO TEMPO UM CAPRICHO DOS DEUSES UM ESTRANHO NO ESPELHO
A HERDEIRA A IRA DOS ANJOS* LEMBRANAS DA MEIA-NOITE
A OUTRA FACE
O OUTRO LADO DA MEIA-NOITE'
O REVERSO DA MEDALHA'
SE HOUVER AMANH*


SIDNEY SHELDON.
JUZO FINAL.
Traduo de A. B. PINHEIRO DE LEMOS.
EDITOR RECORD.

Ttulo original norte-americano THE DOOMSDAY CONSPIRACY.
Copyright (c) 1991 by Sheldon Litera Copyright da traduo (c) 1992 by
Este  para Jerry Davis
PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052 - Rio de Janeiro, RJ - 20922
Digitalizao de Airton Marques e correco de Maria Fernanda Pereira.

Agradecimentos.
Desejo expressar meus agradecimentos a James J. Hurtak, Ph.D., e sua esposa Desire, por colocarem  minha disposio seus valiosos conhecimentos tcnicos.

Que voc possa viver em tempos interessantes.
- antiga praga chinesa

Prlogo.
Uetendorf, Sua.
Domingo, 14 de outubro, 15:00

testemunhas  beira do campo olhavam num silncio horrorizado, atordoadas demais para falarem. A cena  sua frente era grotesca, um pesadelo primevo, arrancado das
profundezas tenebrosas do inconsciente coletivo do homem primitivo. Cada testemunha teve uma reao diferente. Uma desmaiou. Outra vomitou. Uma mulher tremia de
forma incontrolvel. Algum pensou: Vou ter um infarto! O idoso sacerdote apertou as contas do rosrio e fez o sinal-da-cruz. Ajude-me, Pai. Ajude a todos ns. Proteja-nos
contra esse mal encarnado. Finalmente vimos a face de Sat.  o fim do mundo. O Dia do Juzo Final chegou.
Armagedon est aqui... Armagedon... Armagedon...
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LIVRO UM
O CAADOR

Domingo, 14 de outubro, 21:00
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VICE-DIRETOR COMSEC
SEUS OLHOS APENAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
MENSAGEM: ATIVAR
NOTIFICAR NORAD, CIRVIS, GEPAN, DIS, GHG, VSAF, INS.
FIM DA MENSAGEM
Domingo, 14 de outubro, 21:15
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VICE-DIRETOR 
SERVIO SECRETO NAVAL 17? DISTRITO
SEUS OLHOS APENAS
ASSUNTO: COMANDANTE ROBERT BELLAMY PROVIDENCIAR TRANSFERNCIA TEMPORRIA ESTA AGNCIA,
EM VIGOR IMEDIATAMENTE.
PRESUME-SE SUA CONCORDNCIA COM O ACIMA
FIM DA MENSAGEM
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Captulo Um
Dia Um
Segunda-feira, 15 de outubro
le voltara  enfermaria apinhada na base de Cu Chi, no Vietnam, e Susan se inclinou sobre sua cama, adorvel no uniforme branco de enfermeira, sussurrando:
- Acorde, marujo. Voc no quer morrer.
E quando ouviu a magia de sua voz, ele pde quase esquecer a dor. Ela murmurava alguma coisa em seu ouvido, mas uma campainha alta ressoava, no conseguia entender 
direito as palavras. Estendeu as mos, a fim de pux-la para mais perto, mas agarrou apenas o ar.
Foi o som do telefone que despertou Robert Bellamy por completo. Ele abriu os olhos, relutante, sem querer renunciar ao sonho. O telefone na mesinha-de-cabeceira 
era insistente. Ele olhou para o relgio. Quatro horas da madrugada. Tirou o fone do gancho, irritado pela interrupo do sonho.
-- Sabe que horas so?
- Comandante Bellamy? Uma voz de homem, profunda.
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- Isso mesmo!
- Tenho uma mensagem para lhe transmitir, comandante. Deve se apresentar ao General Hilliard, na Agncia de Segurana Nacional, em Fort Meade, s seis horas desta 
manh. Mensagem entendida, comandante?
- Sim.
E no. Principalmente no.
O Comandante Robert Bellamy reps o fone no gancho, lentamente, perplexo. O que a ASN podia querer com ele? Servia no ONI, o servio secreto naval. E o que podia 
ser bastante urgente para se convocar uma reunio s seis horas da manh? Ele tornou a recostar a cabea no travesseiro, fechou os olhos, tentando retornar ao sonho. 
Fora to real... Claro que sabia o que o desencadeara. Susan telefonara na noite anterior.
- Robert...
O som de sua voz causou-lhe o que sempre causava. Ele respirou fundo, tremendo.
- Ol, Susan.
- Voc est bem, Robert?
- Muito bem. Fantstico. Como vai Monte de Grana?
- No comece, por favor.
- Est bem. Como vai Monte Banks?
Robert no era capaz de dizer "seu marido". Ele era seu
marido.
- Muito bem. S queria avis-lo que vamos nos ausentar por algum tempo. No queria que voc se preocupasse.
O que era tpico de Susan. Ele fez um esforo para manter
a voz firme.
- Para onde vo desta vez?
- Voaremos para o Brasil. No 727 particular do ricao.
- Monte tem alguns negcios l - acrescentou Susan.
-  mesmo? Pensei que ele era o dono do pas.
- Pare com isso, Robert. Por favor.
- Desculpe. Houve uma pausa.
- Eu gostaria que voc estivesse com um nimo melhor.
- Estaria se voc voltasse para mim.
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- Quero que encontre uma mulher maravilhosa e seja feliz.
- J encontrei uma mulher maravilhosa, Susan. - O aperto na garganta tornava difcil falar. - E sabe o que aconteceu? Eu a perdi.
- Se insistir nisso, nunca mais ligarei para voc. Ele foi dominado por um sbito pnico.
- No diga isso, por favor. - Susan era sua salvao. No podia suportar a perspectiva de nunca mais falar com ela. Tentou parecer jovial. - Vou sair e encontrar 
alguma loura sensual, trepar at a morte.
- Quero que encontre algum.
- Prometo.
- Estou preocupada com voc, querido.
- No precisa ficar. Estou muito bem.
Ele quase engasgou com a mentira. Se ao menos Susan soubesse a verdade... Mas no podia discutir o problema com ningum. Muito menos com Susan. No suportaria a 
compaixo que ela lhe ofereceria.
- Telefonarei do Brasil.
Houve um silncio prolongado. No podiam se despedir um do outro, porque havia muita coisa a dizer, coisas demais que era melhor no dizer, que no podiam ser ditas.
- Tenho de desligar agora, Robert.
- Susan...
- O que ?
- Eu amo voc, meu bem. Sempre amarei.
- Sei disso. E eu tambm o amo, Robert.
E essa era a ironia amarga e doce do que acontecera. Ainda se amavam muito.
Vocs dois tm o casamento perfeito, todos os amigos costumavam dizer. O que sara errado?
O Comandante Robert Bellamy saiu da cama e atravessou descalo a sala de estar silenciosa. A sala toda apregoava a ausncia de Susan. Havia dezenas de fotografias 
de Susan e dele em toda parte, momentos congelados no tempo. Os dois pescando nas terras altas da Esccia, parados na frente de um Buda,  margem de um klong tailands, 
passeando numa charrete pelos 
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jardins Borgueses, sob a chuva, em Roma. E em cada fotografia estavam sorrindo e se abraando, duas pessoas perdidamente apaixonadas.
Ele foi para a cozinha e fez um caf. O relgio ali marcava
4:15. Robert hesitou por um momento, depois discou um nmero. A campainha tocou seis vezes antes que ele ouvisse a voz do Almirante Whittaker, no outro lado da linha.
- Al?
- Almirante...
- Quem est falando?
- Sou eu, Robert. Lamento profundamente acord-lo, senhor. Acabei de receber um estranho telefonema da Agncia de
Segurana Nacional.
- A ASN? O que eles queriam?
- No sei. Recebi a ordem de me apresentar ao General Hilliard, s seis horas da manh.
Houve um momento de silncio.
- Talvez esteja sendo transferido para l.
- No  possvel, senhor. No faz sentido. Por que haveriam...?
-  bvio que se trata de algo urgente, Robert. Por que
no me liga depois da reunio?
- Farei isso, senhor. Obrigado.
A ligao foi cortada. Eu no deveria ter incomodado o velho, pensou Robert. O almirante se afastara do cargo de diretor do servio secreto naval dois anos antes. 
Foraforado a se afastar, era a expresso mais apropriada. O rumor era de que a Marinha, como um osso jogado para um cachorro, instalara-o numa. pequena sala em 
algum lugar, com a incumbncia de contar as cracas nos navios retirados do servio ativo e mantidos em reserva, ou qualquer merda parecida. O almirante no teria 
a menor noo das atividades atuais do servio secreto. Mas ele era o mentor de Robert. Era mais ntimo de Robert do que qualquer outra pessoa no mundo,  exceo, 
 claro, de Susan. E Robert precisava falar com algum. Com Susan ausente, ele tinha a impresso de que vivia num desvio de tempo. Fantasiava que em algum lugar, 
em outra dimenso de tempo e espao, ele e Susan ainda formavam um casal feliz, sempre rindo, despreocupados,
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 apaixonados. Ou talvez no, pensou Robert, cansado. Talvez eu apenas no saiba quando devo renunciar.
O caf estava pronto. Tinha um gosto amargo. Ele especulou se no seria caf do Brasil.
Levou a xcara para o banheiro e estudou sua imagem no espelho. Contemplava um homem de quarenta e poucos anos, alto e esguio, em boas condies fsicas, um rosto 
rude, queixo saliente, olhos escuros, inteligentes e penetrantes. Havia uma cicatriz longa e profunda no peito, lembrana do desastre de avio. Mas isso era o ontem. 
Era Susan. E agora era hoje. Sem Susan. Ele fez a barba, tomou um banho de chuveiro, deu uma olhada nas roupas no armrio. O que devo usar, especulou Robert, o uniforme 
da marinha ou um terno civil? E, por outro lado, quem se importa com isso? Ele acabou escolhendo um terno cinza escuro, uma camisa branca, e uma gravata cinza de 
seda. Sabia muito pouco sobre a Agncia de Segurana Nacional, exceto que o Palcio dos Enigmas, como era apelidado, suplantava todas as outras agncias de informaes 
americanas, e era a mais secreta de todas. O que querem comigo? Descobrirei em breve.
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Captulo Dois
A
_  Agncia de Segurana Nacional fica discretamente escondida em oitenta e dois acres de terreno irregular, em Fort Meade, Maryland, ocupando dois prdios que, juntos, 
tm o dobro do tamanho do complexo da CIA em Langley, Virgnia. A agncia, criada para oferecer apoio tcnico na proteo das comunicaes dos Estados Unidos, e 
obter dados de informaes eletrnicas no mundo inteiro, emprega milhares de pessoas. Suas operaes geram tantas informaes que mais de quarenta toneladas de documentos 
so destrudas todos
os dias.
Ainda estava escuro quando o Comandante Robert Bellamy chegou ao primeiro porto. Ele parou junto da cerca Cyclone, encimada por arame farpado. Havia uma guarita 
de sentinela ali, com dois guardas armados. Um deles permaneceu na guarita, vigiando, enquanto o outro se aproximava do carro.
- O que deseja?
- Sou o Comandante Bellamy. Vim falar com o General
Hilliard.
- Posso ver sua identificao, comandante?
Robert Bellamy tirou a carteira do bolso e extraiu o carto de identificao do 17? Distrito do Servio Secreto Naval. O guarda examinou-o com toda ateno, antes 
de devolv-lo.
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- Obrigado, comandante.
Ele acenou com a cabea para o guarda na guarita, e o porto foi aberto. O guarda na guarita pegou um telefone e avisou:
- O Comandante Bellamy est a caminho.
Um minuto depois, Robert Bellamy parou diante de um porto eletrificado, fechado. Um guarda armado aproximou-se do carro.
- Comandante Bellamy?
- Isso mesmo.
- Posso ver sua identificao, por favor?
Robert j ia protestar, mas pensou: Ora, que se dane. O espetculo  deles. Ele tornou a tirar a carteira do bolso, mostrou a identificao ao guarda.
- Obrigado, comandante.
O guarda fez algum sinal invisvel, e o porto foi aberto. Ao seguir em frente, Robert Bellamy avistou uma terceira cerca Cyclone  sua frente. Santo Deus, pensou 
ele, estou na Terra de Oz!
Outro guarda uniformizado aproximou-se do carro. Quando Robert Bellamy j estendia a mo para a carteira, o guarda olhou para a placa do carro e disse:
- Por favor, comandante, siga direto para o prdio da administrao, em frente. Haver algum ali para receb-lo.
- Obrigado.
O porto foi aberto, Robert seguiu pelo caminho, na direo de um enorme prdio branco. Um homem  paisana esperava do lado de fora, tremendo ao ar frio de outubro.
- Pode deixar seu carro aqui mesmo, comandante - disse ele. - Cuidaremos dele.
Robert Bellamy deixou as chaves no carro e saltou. O homem que o cumprimentou parecia estar na casa dos trinta anos, alto, magro e plido. Dava a impresso de que 
h anos no via a luz do sol.
- Sou Harrison Keller. Vou lev-lo ao General Hilliard. Entraram num saguo enorme, de teto alto. Outro homem
 paisana sentava por trs de uma mesa.
- Comandante Bellamy...
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Robert Bellamy virou-se. Ouviu o estalido de uma cmera.
- Obrigado, senhor.
Robert Bellamy virou-se para Keller.
- Mas o que...?
- S vai demorar um minuto - assegurou Harrison Keller. Sessenta segundos depois, Robert Bellamy recebeu um crach azul e branco, com sua fotografia.
- Por favor, comandante, use isso durante todo o tempo em que permanecer no prdio.
- Certo.
Comearam a avanar por um corredor comprido e branco. Robert Bellamy notou que havia cmeras de segurana instaladas a intervalos de seis metros, nos dois lados 
do corredor.
- Qual  o tamanho deste prdio?
- Quase duzentos mil metros quadrados.
- O qu?
-  isso mesmo. Este corredor  o mais longo do mundo... Tem trezentos metros. Somos completamente auto-suficientes aqui. Temos um shopping center, restaurante, 
agncia dos correios, oito lanchonetes, um hospital completo, inclusive com sala de operaes, consultrio dentrio, uma agncia do banco estadual Laurel, uma lavanderia, 
uma sapataria, uma barbearia, e mais algumas coisas.
 um lar longe do lar, pensou Robert, achando estranhamente depressivo.
Passaram por uma enorme rea aberta, ocupada por um vasto mar de computadores. Robert parou, espantado.
- No  impressionante? E esta  apenas uma de nossas salas de computadores. O complexo contm mquinas descodificadoras e computadores no valor de trs bilhes 
de dlares.
- Quantas pessoas trabalham aqui?
- Cerca de dezesseis mil.
Ento para que precisam de mim?, especulou Robert
Bellamy.
Ele foi conduzido a um elevador particular, que Keller acionou com uma chave. Subiram um andar, percorreram outro longo corredor, at alcanarem um conjunto de salas, 
na extremidade.
-  aqui, comandante.
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Entraram numa sala de recepo grande, com quatro mesas de secretrias. Duas das secretrias j haviam chegado para o trabalho. Harrison Keller acenou com a cabea 
para uma delas, que apertou um boto, abrindo uma porta interna, com um estalido.
- Entrem, por favor, senhores. O general est esperando.
- Vamos - disse Harrison Keller.
Robert Bellamy seguiu-o para a sala interna. Era ampla, o teto e as paredes  prova de som, mobiliada com conforto, com muitas fotografias e mementos pessoais. Era 
evidente que o homem por trs da mesa passava muito tempo ali.
O General Mark Hilliard, vice-diretor da ASN, parecia ter cinqenta e poucos anos, muito alto, o rosto firme, olhos frios, uma postura empertigada. Vestia um terno 
cinza, camisa branca, gravata cinza. Calculei certo, pensou Robert. Harrison Keller fez a apresentao:
- General Hilliard, este  o Comandante Bellamy.
- Obrigado por ter vindo, comandante.
Como se fosse um convite para algum ch da tarde. Os dois homens trocaram um aperto de mo.
- Sente-se. Aposto que gostaria de tomar um caf. O homem l pensamentos.
- Sim, senhor.
- Harrison?
- No, obrigado.
Ele foi sentar numa cadeira no canto. Uma campainha foi apertada, a porta se abriu, e um oriental com o jaleco do rancho entrou na sala, trazendo uma bandeja com 
caf e biscoitos. Robert notou que ele no usava um crach de identificao. Lamentvel. O caf foi servido. O aroma era maravilhoso.
- Como prefere o seu? - perguntou o General Hilliard.
- Puro, por favor.
O caf estava mesmo delicioso. Os dois homens estavam sentados de frente um para o outro, em cadeiras macias de couro.
- O diretor pediu que eu conversasse com voc.
O diretor. Uma figura lendria nos crculos da espionagem. Um manipulador brilhante e implacvel, a quem se creditava dezenas de golpes audaciosos, no mundo inteiro. 
Um homem 
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raramente visto em pblico, sobre o qual se sussurrava em particular.
- H quanto tempo est no servio secreto do 17? Distrito Naval, comandante? - perguntou o General Hilliard.
Robert foi franco na resposta:
- Quinze anos
Seria capaz de apostar um ms de soldo como o general era capaz de inform-lo sobre o dia exato em que ingressara no ONI.
- Antes disso, creio que comandou uma esquadrilha aeronaval no Vietnam.
- Isso mesmo, senhor.
- Foi derrubado. No esperavam que pudesse sobreviver.
O mdico estava dizendo: "Esquea-o. Ele no vai se recuperar. " E ele quisera morrer. A dor era insuportvel. At que de repente Susan se inclinava sobre sua cama. 
"Abra os olhos, marujo. Voc no quer morrer." Ele forara os olhos a se abrirem e, atravs do nevoeiro de dor, descobrira-se a contemplar a mulher mais linda que 
j vira. Ela tinha um rosto oval meigo, cabelos pretos abundantes, olhos castanhos faiscantes, e um sorriso que parecia uma bno. Ele tentara falar, mas o esforo
era demais.
O General Hilliard estava dizendo alguma coisa. Robert Bel
lamy trouxe a mente de volta ao presente.
- Como, general?
- Temos um problema, comandante. Precisamos de sua
ajuda.
- Pois no, senhor.
O general levantou-se, comeou a andar de um lado para
outro.
- O que vou lhe contar  extremamente delicado. Acima
de ultra-secreto.
- Sim, senhor.
- Ontem, um balo meteorolgico da OTAN caiu nos Alpes suos. Havia alguns artefatos militares experimentais no balo que so altamente secretos.
Robert descobriu-se a especular para onde aquela conversa
o levaria.
- O governo suo removeu esses artefatos do balo, mas
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parece que houve, infelizmente, algumas testemunhas do acidente.  de importncia vital que nenhuma delas fale com quem quer que seja sobre o que viu. Qualquer comentrio 
poderia proporcionar informaes valiosas a determinados outros pases. Est me entendendo?
- Acho que sim, senhor. Quer que eu fale com as testemunhas, advertindo-as a no comentarem o que viram.
- No exatamente, comandante.
- Ento no com...
- O que eu quero que faa agora  simplesmente localizar essas testemunhas. Outros conversaro com elas sobre a necessidade de silncio.
- Entendo. Todas as testemunhas esto na Sua? O General Hilliard parou na frente de Robert.
-  esse o nosso problema, comandante. No temos a menor idia do lugar em que se encontram. Ou de quem so.
Robert pensou que perdera alguma coisa.
- Como assim?
- A nica informao de que dispomos  que as testemunhas se encontravam num nibus de turismo. Por acaso passavam pelo local quando o balo meteorolgico caiu, 
perto de uma aldeia chamada...
Ele virou-se para Harrison Keller.
- Uetendorf.
O general tornou a se virar para Robert.
- Os passageiros saltaram do nibus por alguns minutos para olhar os destroos, depois seguiram viagem. Concluda a excurso, os passageiros dispersaram-se.
Robert indagou, falando bem devagar:
- General Hilliard, est querendo dizer que no h registro de quem so essas pessoas ou para onde foram?
- Correto.
- E quer que eu as descubra?
- Exatamente. Foi muito bem recomendado. Estou informado de que fala meia dzia de lnguas com fluncia, e tem os melhores antecedentes como agente de campo. O diretor 
providenciou a sua transferncia temporria para a ASN.
Incrvel!
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- Posso presumir que trabalharei em cooperao com o
governo suo?
- No. Ter de trabalhar sozinho.
- Sozinho? Mas,.
- No devemos envolver ningum nesta misso. No tenho palavras suficientes para ressaltar a importncia do que havia no balo, comandante. O tempo  essencial. 
Quero que me apresente um relatrio de progresso todos os dias.
O general escreveu um nmero num carto e entregou-o a
Robert.
- Posso ser alcanado atravs desse nmero, de dia ou de noite. H um avio esperando para lev-lo a Zurique. Ser escoltado a seu apartamento, a fim de pegar o 
que precisar para a viagem, e depois conduzido ao aeroporto.
Era o fim do "Obrigado por ter vindo". Robert sentiu-se tentado a perguntar "Algum vai alimentar meu peixinho dourado enquanto estou ausente?", mas teve o pressentimento 
de que a resposta seria "Voc no tem nenhum peixinho dourado".
- Em seu trabalho com o ONI, comandante, por acaso adquiriu contatos com a comunidade de informaes no exterior?
- Sim, senhor. Tenho alguns amigos que poderiam ser
teis...
- No est autorizado a entrar em contato com nenhum deles. As testemunhas que vai procurar com certeza so de vrias nacionalidades. - O general virou-se para Keller. 
-
Harrison...
Keller foi at um arquivo no canto e abriu-o. Tirou um envelope pardo grande, entregou-o a Robert.
- H cinqenta mil dlares aqui, em diferentes moedas europias, e mais vinte mil em dlares americanos. Tambm encontrar vrios jogos de documentos de identidade 
forjados, que
podero ser teis.
O General Hilliard estendeu um carto de plstico grosso, de um preto lustroso, com uma faixa branca.
- Aqui est um carto de crdito que...
- Duvido que eu v precisar, general. O dinheiro ser suficiente, e ainda tenho o carto de crdito do ONI.
- Pegue-o.
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- Est bem. - Robert examinou o carto. Era de um banco de que nunca ouvira falar. No fundo do carto, havia um nmero de telefone. - No tem nenhum nome aqui.
-  o equivalente a um cheque em branco. No exige identificao. Basta pedir que liguem para o telefone no carto quando efetuar um pagamento.  muito importante 
que o tenha com voc em todas as ocasies.
- Certo.
- E mais uma coisa, comandante...
- Pois no, senhor?
- Precisa encontrar as testemunhas. Todas, sem exceo. Comunicarei ao diretor que j iniciou a misso.
A reunio estava encerrada.
Harrison Keller acompanhou Robert  sala externa. Um fuzileiro uniformizado estava sentado ali. Levantou-se quando os dois homens entraram.
- Este  o Capito Dougherty. Ele o levar ao aeroporto. Boa sorte.
- Obrigado.
Os dois homens trocaram um aperto de mo. Keller virou-se e voltou  sala do General Hilliard.
- Est pronto, comandante? - perguntou o Capito Dougherty.
- Estou, sim.
Mas pronto para o qu? Ele j cuidara de misses difceis no passado, mas nunca de algo to absurdo assim. Esperavam que localizasse uma quantidade desconhecida 
de testemunhas desconhecidas de pases desconhecidos. Quais so as chances contra isso?, especulou Robert. Estou me sentindo como a Rainha Branca no Pas das Maravilhas. 
"Por que s vezes acredito em ateseis coisas impossveis antes do desjejum?" Pois o que aconteceu aqui equivaleu a todas as seis.
- Tenho ordens de lev-lo direto a seu apartamento, e depois  base Andrews, da fora area - informou o Capito Dougherty. - H um avio esperando para...
Robert sacudiu a cabea.
- Tenho de passar primeiro no meu escritrio.
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Dougherty hesitou.
- Est certo. Vou acompanh-lo e ficarei  sua espera. Era como se no confiassem nele, como se no quisessem
perd-lo de vista. S porque sabia que um balo meteorolgico cara? No fazia sentido. Robert entregou seu crach na recepo, deixou o prdio, para o frio do dia 
que raiava. Seu carro desaparecera. Em vez dele, uma limusine aguardava.
- Cuidaremos de seu carro, comandante - informou o Capito Dougherty. - Usaremos esta limusine agora.
Havia uma arbitrariedade em tudo aquilo que Robert achava vagamente desconcertante.
- Est certo.
Partiram para o escritrio do servio secreto naval. O sol plido do amanhecer logo desapareceu por trs de nuvens de chuva. Seria um dia horrvel. Sob mais de um 
aspecto, pensou Robert.
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Captulo Trs
Ottawa, Canad
24:00
S,
codinome era Janus. Falava para doze homens, numa sala fortemente guardada de um complexo militar.
- Como todos j foram informados, a Operao Juzo Final foi acionada. H diversas testemunhas que devem ser encontradas o mais depressa possvel, com absoluta discrio. 
No podemos tentar localiz-las atravs dos canais regulares de segurana por causa do perigo de um vazamento.
- Quem estamos usando?
O russo. Enorme. Estourado.
- Seu nome  Comandante Robert Bellamy.
- Como foi selecionado?
O alemo. Aristocrata Implacvel.
- O comandante foi escolhido depois de meticulosa busca de computador nos arquivos da CIA, FBI e meia dzia de outras agncias de segurana.
- Posso perguntar, por favor, quais so as suas qualificaes?
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O japons. Polido. Astucioso.
- O Comandante Bellamy  um experiente agente de campo, fala seis lnguas fluentemente e possui uma ficha exemplar. J demonstrou muitas vezes que  um homem bastante 
engenhoso.
- Ele est a par da urgncia da misso? O ingls. Esnobe. Perigoso.
- Est, sim. Tudo indica que ele ser capaz de localizar todas as testemunhas bem depressa.
- Ele sabe qual  o propsito da misso?
O francs. Propenso a discusses. Obstinado.
- No.
- E o que acontecer depois que ele encontrar as testemunhas?
O chins. Esperto. Paciente.
- Ser devidamente recompensado.
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Captulo Quatro
O quartel-general do ONI, o servio secreto naval, ocupa todo o quinto andar do vasto Pentgono, um enclave no meio do maior prdio de escritrios do mundo, com 
vinte e oito quilmetros de corredores e vinte e nove mil funcionrios, entre civis e militares.
O interior do ONI reflete as tradies navais. As escrivaninhas e arquivos so pintadas de verde-oliva, da era da Segunda Guerra Mundial, ou de cinza-couraado, 
da era do Vietnam. As paredes e os tetos so pintados de amarelo claro ou bege. No comeo, Robert ficara desolado com a decorao espartana, mas h muito que j 
se acostumara.
Agora, ao entrar no prdio e aproximar-se da mesa da recepo, o guarda familiar lhe disse:
- Bom dia, comandante. Posso ver seu passe? Robert trabalhava ali h sete anos, mas o ritual nunca mudava. Obediente, ele mostrou o passe.
- Obrigado, comandante.
A caminho de sua sala, Robert pensou no Capito Dougherty, esperando-o no estacionamento, na entrada  beira do rio. Esperando para escolt-lo ao avio que o levaria 
 Sua, onde iniciaria uma caada impossvel.
Quando chegou  sua sala, Robert j encontrou ali sua secretria, Barbara.
33

- Bom dia, comandante. O vice-diretor pediu que fosse 
sala dele.
- Ele pode esperar. Ligue-me para o Almirante Whitta
ker, por favor
- Pois no, senhor.
Um minuto depois, Robert estava falando com o almirante.
- Devo presumir que sua reunio j acabou, Robert?
- H poucos minutos.
- Como foi?
- Foi... interessante. Est livre para me fazer companhia
no desjejum, almirante?
Robert tentou manter a voz casual. No houve qualquer hesitao.
- Claro. Vamos nos encontrar a?
- Isso mesmo. Deixarei um passe de visitante  sua espera
na entrada.
- Combinado. Estarei a dentro de uma hora. Robert reps o fone no gancho e pensou:  irnico que eu
tenha de deixar um passe de visitante para o almirante. H poucos anos ele mandava em tudo aqui, o chefe do servio secreto naval. Como ele deve se sentir?
Robert tocou a campainha do interfone para falar com a
secretria.
- Pois no, comandante?
- Estou esperando o Almirante Whittaker. Providencie um
passe para ele.
- Cuidarei disso imediatamente.
Estava na hora de se apresentar ao vice-diretor. Dustin escroto Thornton.
34
Captulo Cinco

Fustin "Dusty Thornton, vice-diretor do servio secreto naval, conquistara sua fama como um dos maiores atletas que j sara de Annapolis  hornton devia sua atual 
posio elevada a uma partida de futebol americano. Uma partida entre o exrcito e a marinha, para ser mais preciso. Thornton, um homem enorme, monoltico, atuara 
como zagueiro, em seu ltimo ano em Annapolis, na partida mais importante da marinha naquele ano. No incio do quarto tempo, com o exrcito vencendo por 13 X), 
dois touchdowns e uma converso  frente, o destino interferira e mudara a vida de Dustin Thornton. Ele interceptara um passe do exrcito, girara, e arremetera pela 
falange do exrcito, a fim de marcar um touchdown, o lance em que a bola  jogada ao solo atravs da linha do gol adversrio. A marinha perdera o ponto extra, mas 
logo em seguida marcara um ponto de campo. Reiniciado o jogo, o ataque                e do exrcito fora detido. A contagem era exrcito 13, marinha
9, o tempo se aproximava do fim.
A partida recomeara, a bola fora passada para Thornton, que caiu sob uma pilha de uniformes do exrcito. Levara muito tempo para se levantar. Um mdico entrara 
correndo no campo. Thornton acenara para que ele se retirasse, irritado.
Faltando apenas alguns segundos para o jogo terminar, foram
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 dados os sinais para um passe lateral. Thornton pegou a bola em sua prpria linha de dez jardas. No houvera como det-lo. Avanara pela oposio como um tanque, 
derrubando todos os que foram bastante desafortunados para se interporem em seu caminho. A dois segundos do final da partida, Thornton cruzara a linha do gol para 
o touchdown vitorioso. Era a primeira vitria da marinha contra o exrcito em quatro anos. Isso, por si s, teria pouco efeito na vida de Thornton. O que tornara 
o evento significativo fora o fato de que, no camarote reservado s autoridades, estavam sentados Willard Stone e sua filha, Eleanor. Enquanto os espectadores se 
punham de p, aclamando freneticamente o heri da marinha, Eleanor virou-se para o pai e
disse:
- Quero conhec-lo.
Eleanor Stone era uma mulher de grandes apetites. Tinha o rosto feio, mas um corpo sensual e uma libido insacivel. Observando Dustin Thornton arremeter selvagemente 
pelo campo, ela fantasiara como ele seria na cama. Se sua virilidade fosse to grande quanto o resto do corpo... Eleanor no se desapontara.
Seis meses depois, Eleanor e Dustin Thornton casaram. Esse fora o comeo. Dustin Thornton passara a trabalhar com o sogro, ingressando num mundo arcano, que jamais 
sonhara que
existia.
Willard Stone, o novo sogro de Thornton, era um homem misterioso. Um bilionrio com poderosas ligaes polticas e um passado envolto em segredo, era um personagem 
furtivo que mandava e desmandava em capitais no mundo inteiro. Tinha sessenta e tantos anos, um homem meticuloso, cada movimento seu preciso e metdico. Tinha feies 
marcantes e olhos velados, que no deixavam transparecer coisa alguma. Willard Stone achava que no se devia desperdiar palavras nem emoes, e era implacvel no 
empenho em conseguir o que queria.
Os rumores a seu respeito eram fascinantes. Dizia-se que assassinara um concorrente na Malsia, e que tivera um trrido caso de amor com a esposa favorita de um 
emir. Dizia-se tambm que apoiara uma revoluo vitoriosa na Nigria. O governo j o indiciara meia dzia de vezes, mas as aes judiciais sempre eram misteriosamente 
arquivadas. Havia histrias de 
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subornos, senadores comprados, segredos industriais roubados, e testemunhas que desapareciam. Stone era conselheiro de presidentes e reis. Era o poder nu e cru. 
Entre suas muitas propriedades, havia um stio grande e isolado, nas montanhas do Colorado, onde cientistas, capites da indstria e lderes mundiais se reuniam 
todos os anos, em seminrios. Guardas armados mantinham a distncia os visitantes indesejveis.
Willard Stone no apenas aprovara o casamento da filha, mas tambm o encorajara. Seu novo genro era inteligente, ambicioso e, o mais importante, malevel.
Doze anos depois do casamento, Stone providenciara para que Dustin fosse nomeado embaixador na Coria do Sul. Vrios anos mais tarde, o Presidente dos Estados Unidos 
designara-o para embaixador na ONU. Quando o Almirante Ralph Whittaker fora subitamente afastado do cargo de diretor em exerccio do ONI, Thornton ficara no seu 
lugar.
E nesse dia Willard Stone chamara o genro para uma conversa.
- Isto  apenas o comeo - prometera Stone. - Tenho planos maiores para voc, Dustin. Grandes planos.
E ele passara a descrever seus planos.
Dois anos antes, Robert tivera seu primeiro encontro com o novo diretor em exerccio.
- Sente-se, comandante. - No havia qualquer cordialidade na voz de Dustin Thornton. - Vejo na sua ficha que  uma espcie de operador independente.
O que ele est querendo insinuar com isso?, especulara Robert. E decidira permanecer de boca fechada. Thornton fitara-o nos olhos, antes de acrescentar:
- No sei como o Almirante Whitakker dirigia este servio quando estava no comando, mas daqui por diante faremos tudo de acordo com as normas. Espero que minhas 
ordens sejam cumpridas ao p da letra. Estou sendo bem claro?
Santo Deus, pensara Robert, o que vamos ter aqui?
- Estou sendo bem claro, comandante?
- Est, sim. Espera que suas ordens sejam cumpridas ao p da letra.
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E ele se perguntara se Thornton esperava que batesse continncia.
- Isso  tudo.
Mas no era tudo.
Um ms depois, Robert fora enviado  Alemanha Oriental para buscar um cientista que queria desertar. Era uma misso perigosa, porque a Stasi, a polcia secreta alem 
oriental, tomara conhecimento da possvel desero e vigiava atentamente o cientista. Apesar disso, Robert conseguira levar o homem so e salvo pela fronteira, at 
uma casa segura. Providenciava a ida do cientista para Washington quando recebera um telefonema de Dustin Thornton, informando que a situao mudara e que deveria 
suspender a misso.
- No podemos larg-lo aqui - protestara Robert. - Eles
o matariam.
-  problema dele - respondera Thornton. - Suas ordens so para voltar imediatamente.
V-se foder!, pensara Robert. No vou abandonar o pobre coitado. Ele ligara para um amigo no MI6, o servio secreto britnico, e explicara a situao.
- Se ele voltar para a Alemanha Oriental, ser liquidado. No quer tomar conta dele?
- Verei o que se pode fazer, companheiro. Traga-o para
mim.
E o cientista recebera asilo na Inglaterra.
Dustin Thornton jamais perdoara Robert por desobedecer s suas instrues. Daquele momento em diante, houvera uma hostilidade manifesta entre os dois. Thornton discutira 
o incidente com o sogro.
- Operadores independentes como Bellamy so perigosos - advertira Willard Stone. - Constituem um risco de segurana. Homens assim so dispensveis. Lembre-se disso.
E Thornton se lembrara.
Agora, seguindo pelo corredor a caminho da sala de Dustin Thornton, Robert no podia deixar de pensar na diferena entre Thornton e Whittaker. Num trabalho como 
o seu, a confiana era indispensvel. E ele no confiava em Dustin Thornton.
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Thornton estava sentado atrs de sua mesa quando Robert entrou na sala.
- Queria falar comigo?
- Queria, sim. Sente-se, comandante.
O relacionamento nunca alcanara a fase de "Robert".
- Fui informado de sua transferncia temporria para a Agncia de Segurana Nacional. Quando voltar, tenho uma...
- No voltarei. Esta  minha ltima misso.
- O qu?
- Estou largando o servio.
Mais tarde, pensando a respeito, Robert no teve certeza de que reao exatamente esperava..Talvez alguma cena. Dustin Thornton poderia demonstrar surpresa, argumentar, 
ficar irritado ou aliviado. Em vez disso, limitou-se a acenar com a cabea e murmurar:
- Ento  isso, hem?
Ao voltar  sua sala, Robert disse  secretria
- Vou me ausentar por algum tempo. Partirei dentro de uma hora.
- H algum lugar em que poderei encontr-lo? Robert lembrou as ordens do General Hilliard.
- No.
- H algumas reunies que...
- Cancele-as.
Ele olhou para o relgio. Estava na hora de receber o Almirante Whittaker.
Foram tomar o caf no ptio central do Pentgono, no Caf Ponto Zero, assim chamado porque se pensava que o Pentgono seria o primeiro alvo de um ataque com bombas 
nucleares desfechado contra os Estados Unidos. Robert reservara uma mesa num canto, onde teriam alguma privacidade. O Almirante Whittaker foi pontual. Ao observ-lo 
se aproximar da mesa, Robert teve a impresso de que o almirante parecia mais velho e menor, como se a semi-reforma o tivesse de alguma forma envelhecido e encolhido. 
Ainda era um homem de aparncia impressionante, com as feies fortes, nariz aquilino, malares salientes, cabelos prateados. Robert servira sob o comando do almirante 
no
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Vietnam, e mais tarde no ONI, sentia a maior considerao por ele. Mais do que uma considerao pessoal, Robert admitiu para si mesmo. O Almirante Whittaker era 
seu pai substituto. O
almirante sentou.
- Bom dia, Robert. Foi mesmo transferido para a ASN?
Robert acenou com a cabea.
- Temporariamente.
A garonete chegou e os dois estudaram o cardpio.
- Eu tinha at esquecido como a comida aqui  horrvel - comentou o almirante, sorrindo.
Ele correu os olhos ao redor, o rosto refletindo uma nostalgia silenciosa. Ele gostaria de voltar para c, pensou Robert. Amm. Fizeram o pedido. Depois que a garonete 
se afastou,
Robert disse:
- Almirante, o General Hilliard est me enviando numa misso urgente, uma viagem de cinco mil quilmetros, a fim de localizar algumas testemunhas da queda de um 
balo meteorolgico. Acho isso muito estranho. E h algo que parece ainda mais estranho. "O tempo  essencial", disse o general, mas recebi a ordem de no recorrer, 
em busca de ajuda, a qualquer dos meus contatos na comunidade de informaes no exterior.
O Almirante Whittaker ficou perplexo.
- Imagino que o general deve ter seus motivos.
- No posso imaginar quais sejam.
O almirante estudou Robert. O Comandante Bellamy servira sob seu comando no Vietnam, fora o melhor piloto do esquadro. O filho do almirante, Edward, era o bombardeiro 
de Robert. Naquele dia terrvel, em que o avio fora derrubado, Edward morrera. Robert escapara por um triz. O almirante fora visit-lo no hospital.
- Ele no vai sobreviver - asseguraram os mdicos. Robert, estendido no leito, dominado por uma dor agonizante, balbuciara:
- Sinto muito por Edward... sinto muito...
O Almirante Whitakker apertara a mo de Robert.
- Sei que voc fez tudo o que podia. E agora tem de se recuperar. Vai ficar bom.
Ele queria desesperadamente que Robert vivesse. Na mente
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do almirante, Robert era seu filho, o filho que tomaria o lugar de Edward.
E Robert sobrevivera.
- Robert...
- Pois no, almirante?
- Espero que sua misso na Sua seja bem-sucedida.
- Eu tambm. Ser minha ltima.
- Ainda est decidido a sair?
O almirante era o nico a quem Robert podia confidenciar.
- J agentei demais.
- Thornton?
- No  apenas ele. Sou eu tambm. Estou cansado de interferir nas vidas de outras pessoas.
Estou cansado das mentiras e trapaas, das promessas violadas, que foram feitos sem a menor inteno de serem cumpridas. Estou cansado de manipular pessoas e ser 
manipulado. Estou cansado dos jogos, perigos e traies. Custa-me tudo a que j dei importncia na vida.
- Tem alguma idia do que vai fazer depois?
- Tentarei encontrar algo til para fazer com minha vida, algo positivo.
- E se no quiserem deix-lo?
- Eles no tm opo, no ?
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Captulo Seis
A limusine aguardava no estacionamento junto  entrada pelo rio. _
- Est pronto, comandante? - perguntou o Capito
Dougherty.
To pronto quanto jamais estarei, pensou Robert.
- Estou, sim.
O Capito Dougherty acompanhou Robert a seu apartamento para que ele pudesse fazer as malas. Robert no tinha a meno'r idia de quantos dias passaria na viagem. 
Quanto tempo demora uma misso impossvel? Ele pegou roupas suficientes para uma semana e, no ltimo instante, ps uma fotografia emoldurada de Susan na mala. Contemplou-a 
por um longo momento, especulando se ela estaria se divertindo no Brasil. E pensou: Espero que no. Toro para que ela esteja passando pelas piores coisas. E no 
instante seguinte sentiu-se envergonhado de tal pensamento. 
O avio aguardava quando a limusine chegou a base Andrews da fora area Era um jato C20A da fora area. O Capito Dougherty estendeu a mo.
- Boa sorte, comandante.
- Obrigado.
Vou mesmo precisar. Robert subiu os degraus para a cabime.
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A tripulao se encontrava em seus postos, concluindo a verificao que antecedia a decolagem. Havia um piloto, um co-piloto, um navegador e um comissrio de bordo, 
todos em uniformes da fora area. Robert conhecia o avio. Era carregado de equipamentos eletrnicos. No lado de fora, perto da cauda, havia uma antena de alta 
freqncia, que parecia uma enorme vara de pescar. Dentro da cabine, havia nas paredes doze telefones vermelhos e um branco, a linha que no era segura. As transmisses 
de rdio eram em cdigo, e o radar se achava sintonizado numa freqncia militar. A cor primria no interior era o azul da fora area, e a cabine estava equipada 
com poltronas confortveis. Robert descobriu que era o nico passageiro. O piloto cumprimentou-o.
- Bem-vindo a bordo, comandante. Gostaria que afivelasse o cinto de segurana, pois j temos autorizao para a decolagem.
Robert prendeu o cinto de segurana e recostou-se na poltrona, enquanto o avio taxiava pela pista. Um minuto depois, sentiu a presso familiar da gravidade, enquanto 
o jato alava vo. No pilotava um avio desde o desastre, quando o informaram que nunca mais poderia pilotar. Muito mais do que pilotar!, pensou Robert. Disseram 
que eu no sobreviveria. Foi um milagre... no, foi Susan...
Vietnam. Ele fora enviado para l com o posto de capito-de-corveta, estacionado no porta-avies Ranger como oficial ttico, responsvel pelo treinamento de pilotos 
de caa e o planejamento da estratgia de ataque. Comandara uma esquadrilha de bombardeiros Intruder A-6A, e quase no havia tempo de folga das presses da batalha. 
Uma de suas poucas licenas fora em Bangkok, durante uma semana, e nunca perdera tempo em dormir. A cidade era uma Disneylndia projetada para o prazer do animal 
macho. Conhecera uma refinada jovem tailandesa em sua primeira hora na cidade, ela permanecera ao seu lado durante todo o tempo, e lhe ensinara algumas frases em 
tai. Ele achara a lngua suave e doce.
Bom dia. Arun sawasdi,
De onde voc ? Khun na chak nai?
Para onde vai agora? Khun kamrant chain pai?
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Ela ensinara outras frases tambm, mas sem explicar o que significavam; e ria quando ele as dizia.
Quando Robert voltara ao Ranger, Bangkok parecia um sonho distante. A guerra era a realidade, e era um horror. Algum lhe mostrara um dos folhetos que os fuzileiros 
lanavam sobre o Vietnam do Norte. Dizia:
Caros Cidados:
Os fuzileiros dos Estados Unidos esto lutando ao lado das foras sul-vietnamitas em Duc Pho, a fim de proporcionarem ao povo vietnamita uma oportunidade de levar 
uma vida livre e feliz, sem medo da fome e sofrimento. Mas muitos vietnamitas pagaram com suas vidas, e suas casas foram destrudas, porque ajudaram os vietcongues.
Os povoados de Hai Mon, Hai Tan, S Bih, ,Ja Binh, e vrios outros foram destrudos por causa disso. No hesitaremos em destruir todo e qualquer povoado que ajudar 
os vietcongues, que so impotentes para conter o poderio combinado dos aliados. A escolha  de vocs. Se recusarem permisso para que os vietcongues usem suas aldeias 
e povoados como campo de batalha, suas casas e suas vidas estaro salvas.
Estamos salvando os pobres coitados, sem dvida, pensava Robert, deprimido. E ao mesmo tempo estamos destruindo seu pas.
O porta-avies Ranger era equipado com a tecnologia mais moderna. Era a base de dezesseis avies, quarenta oficiais e trezentos e cinqenta praas. Os planos de 
vo eram distribudos trs ou quatro horas antes do primeiro lanamento do dia.
Na seo de planejamento de vo do centro de informaes do navio, as ltimas informaes e fotos de reconhecimento eram entregues aos bombardeiros, que planejavam 
ento os padres de vo.
- Mas que beleza nos deram esta manh! - comentara Edward Whittaker, o bombardeiro de Robert.
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Edward Whittaker parecia uma verso mais jovem do pai, mas tinha uma personalidade completamente diferente. Enquanto o almirante era uma figura formidvel, distinto 
e austero, Edward era simples, efusivo e afvel. Conquistara o seu lugar como "apenas um dos homens". Os companheiros perdoavam-no por ser o filho do comandante. 
Era o melhor bombardeiro da "esquadrilha, havia se tornado grande amigo de Robert.
- Para onde vamos? - indagara Robert.
- Por nossos pecados, vamos para Pacote Seis.
Era a mais perigosa de todas as misses. Significava voar para o norte, at Hani, Haiphong e o delta do rio Vermelho, onde o fogo antiareo era o mais intenso. 
Havia um ardil-22 na situao. No tinham permisso para bombardear alvos estratgicos se houvesse civis nas proximidades; e os norte-vietnamitas, que no eram estpidos, 
imediatamente postaram civis em torno de todas as suas instalaes militares. Houvera muitos protestos entre os militares aliados, mas o Presidente Lyndon Johnson, 
so e salvo em Washington, dava as ordens.
Os doze anos em que soldados dos Estados Unidos lutavam no Vietnam constituam o perodo mais longo em que o pas ficara em guerra. Robert Bellamy entrara na guerra 
ao final de 1972, quando a marinha enfrentava grandes problemas. Suas esquadrilhas de F-4 estavam sendo destrudas. Apesar de seus avies serem superiores aos MiGs 
russos, a marinha americana estava perdendo um F-4 para cada dois MiGs derrubados. Era uma proporo inadmissvel.
Robert fora chamado ao quartel-general do Almirante Ralph Whittaker.
- Mandou me chamar, almirante?
- Tem a reputao de ser um piloto competente, comandante. Preciso de sua ajuda.
- Pois no, senhor.
- Estamos sendo assassinados pelo inimigo. Mandei fazer uma anlise meticulosa. No h nada de errado com nossos avies... o problema  o treinamento dos homens 
que os tripulam. Est me entendendo?
- Sim, senhor.
- Quero que pegue um grupo e o submeta a um novo treinamento de manobras e emprego de armamentos...
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O novo grupo foi chamado de Top Gun, e no demorou muito para que a proporo deixasse de ser dois para um e se tornasse de doze para um. Ou seja, a cada dois F-4 
perdidos, vinte e quatro MiGs eram derrubados. A misso consumira oito semanas de treinamento intensivo. O Comandante Bellamy finalmente retornara a seu navio. O 
Almirante Whittaker ali estava para cumpriment-lo.
- Fez um excelente trabalho, comandante.
- Obrigado, almirante.
- Agora, vamos voltar ao trabalho.
- Estou pronto, senhor.
Robert voara trinta e quatro misses do Ranger sem incidentes. Sua trigsima-quinta misso era o Pacote Seis.
Passaram por Hani e seguiam para noroeste, na direo de Phu Tho e Yen Bai. O fogo antiareo era cada vez mais intenso. Edward Whittaker sentava  direita de Robert, 
olhando para a tela do radar, escutando os tons sinistros dos radares de busca inimigos varrendo o cu.
Diretamente  frente, o cu parecia o espetculo de fogos de artifcio do Quatro de Julho, com a fumaa branca dos canhes leves l embaixo, as exploses em cinza 
escuro das granadas de cem milmetros, e as balas rastreadoras coloridas das metralhadoras pesadas.
- Estamos nos aproximando do alvo - informara Robert. Sua voz, atravs dos fones, parecia estranhamente distante.
- OK.
O Intruder A-6A voava a 450 ns, e nessa velocidade, mesmo com o arrasto e o peso da carga de bombas, tinha um desempenho extraordinrio, deslocando-se depressa 
demais para ser rastreado pelo inimigo.
Robert estendera a mo e acionara o controle mestre de armamento. As doze bombas de 250 quilos estavam agora prontas para serem lanadas. Ele seguia direto para 
o alvo. Uma voz surgira no rdio:
- Romeu... voc tem um espantalho s quatro horas. Robert virara-se para olhar. Um MiG se aproximava, da direo do sol. Robert efetuara uma manobra de inclinao 
late
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ral e iniciara um mergulho ngreme. O MiG permanecera em seu encalo. Lanara um mssil. Robert verificara o painel de instrumentos. O mssil se aproximava rapidamente. 
Trezentos metros de distncia... duzentos... cento e cinqenta...
- Mas que merda! - berrara Edward. - O que estamos esperando?
Robert aguardara at o ltimo segundo, depois lanara uma chuva de aparas de metal, ao mesmo tempo em que iniciava uma subida ngreme; o mssil seguiria as aparas, 
explodindo inofensivamente no solo.
- Obrigado, Deus - murmurara Edward. - E a voc tambm, companheiro.
Robert continuara a subir, indo se postar por trs do MiG. O piloto inimigo ainda tentara manobras evasivas, mas j era tarde demais. Robert lanara um mssil Sidewinder, 
observarao alcanar a cauda do MiG e explodir. Um instante depois, o cu estava coalhado de fragmentos de metal. Uma voz dissera pelo interfone:
- Bom trabalho, Romeu.
O avio se encontrava sobre o alvo agora.
- L vamos ns! - gritara Edward.
Ele apertara o boto vermelho que lanava as bombas, observara-as caindo para o alvo. Misso cumprida. Robert iniciara a viagem de volta ao porta-avies.
E fora nesse instante que eles haviam sentido o impacto. O bombardeiro veloz e gil se tornara subitamente lerdo.
- Fomos atingidos! - anunciara Edward.
As luzes vermelhas de alerta de incndio estavam piscando. O avio sacudia-se de maneira irregular, fora de controle. Uma voz soara pelo rdio:
- Romeu, aqui  Tigre. Quer que lhe demos cobertura? Robert tomara uma deciso de frao de segundo.
- No precisa. Prossigam para seus alvos. Tentarei voltar  base.
O avio perdera velocidade num grau considervel, era cada vez mais difcil comand-lo.
- Mais depressa - murmurara Edward, muito nervoso, -, ou vamos chegar atrasados para o almoo.
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Robert olhara para o altmetro. A agulha baixava rapidamente. Ele ativara seu microfone do rdio.
- Romeu para a base. Fomos atingidos.
- Base para Romeu. Qual a extenso dos danos?
- No tenho certeza. Acho que posso lev-lo para casa.
- Espere um instante. - A voz retornara um momento depois. - Seu sinal  "Charlie chegando".
Isso significava que estavam autorizados a pousar no portaavies imediatamente.
- Entendido.
- Boa sorte.
O avio comeara a entrar em rolamento. Robert esforara-se para corrigi-lo, ao mesmo tempo em que tentava ganhar altitude.
- Vamos, meu bem, voc pode conseguir. - O rosto de Robert estava tenso. Perdiam altitude muito depressa. - Qual  nosso ETA?
Edward verificara em seu painel.
- Sete minutos.
- Vou oferecer aquele almoo quente.
Robert conduzia o avio com toda a habilidade de que dispunha, usando o manete e o leme para tentar mant-lo num curso reto. A altitude ainda baixava de maneira 
alarmante. At que finalmente Robert avistara,  sua frente, as guas azuis faiscantes do golfo de Tonkin.
- Estamos em casa, companheiro - murmurara Robert. - S mais uns poucos quilmetros.
- Maravilhoso! Nunca duvidei...
E fora nesse instante que dois MiGs, surgindo do nada, atacaram o avio, com um barulho ensurdecedor. As balas comearam a acertar a fuselagem.
- Eddie! Salte!
Robert se virara para olhar. Edward arriara contra o cinto de segurana, o lado direito do corpo dilacerado, o sangue espalhando-se pela carlinga.
- No!
Era um grito. Um segundo depois, Robert sentira um golpe sbito e torturante no peito. O uniforme de vo ficara prontamente encharcado de sangue. O avio comeara 
a descer em 
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espiral. Ele sentira que estava perdendo a conscincia. Com o ltimo pingo de fora que lhe restava, soltara o cinto de segurana. Ainda se virar para um ltimo 
olhar a Edward, balbuciando:
- Sinto muito.
Apagara ento, e mais tarde no se lembrara como fora ejetado do avio, e cara de pra-quedas no mar l embaixo. Um chamado de Mayday fora transmitido, e um helicptero 
Sikorsky SH-3A Sea King, do Yorktown, circulava pela rea, esperando para recolh-lo. A distncia, a tripulao avistara juncos chineses se aproximando depressa, 
para o golpe de misericrdia; s que chegaram tarde demais.
Ao levarem Robert para o helicptero, um paramdico olhara para seu corpo dilacerado e comentara:
- Santo Deus, ele nem conseguir chegar ao hospital! Aplicaram-lhe uma injeo de morfina, puseram bandagens
de presso em seu peito, e transportaram-no para o 12? Hospital de Evacuao, na base de Cu Chi.
O 12 Evac", que servia s bases de Cu Chi, Tay Ninh e Dau Tieng, tinha quatrocentos leitos, em doze enfermarias, instaladas em galpes de metal, dispostos no formato 
de U, ligados por passagens cobertas. O hospital dispunha de duas unidades de tratamento intensivo, uma para casos de cirurgia, a outra de queimaduras, e cada unidade 
estava com excesso de lotao. Ao entrar, Robert deixara uma trilha de sangue no cho do hospital.
Um cirurgio assoberbado de trabalho removera as bandagens do peito de Robert, efetuara um exame rpido e dissera, cansado:
- Ele no vai sobreviver. Podem lev-lo para a enfermaria. E o mdico se afastara.
Robert, perdendo e recuperando os sentidos a todo instante, ouvira a voz do mdico de uma enorme distncia. Ento  isso, pensara ele. Que maneira horrvel de morrer.
- No quer morrer, no  mesmo, marujo? Abra os olhos. Vamos.
Ele abrira os olhos e vira uma imagem borrada de um uniforme branco e um rosto de mulher. Ela dissera mais alguma coisa, mas Robert no conseguira entender as palavras. 
Havia muito barulho na enfermaria, povoada por uma cacofonia de gritos e 
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gemidos dos pacientes, mdicos berrando ordens, enfermeiras correndo frenticas de um lado para outro, cuidando dos corpos dilacerados.
A lembrana de Robert das quarenta e oito horas seguintes era a de um nevoeiro de dor e delrio. S mais tarde  que ele soubera que a enfermeira, Susan Ward, persuadira 
um mdico a oper-lo, e doara seu prprio sangue para uma transfuso. Lutando para mant-lo vivo, colocaram trs tubos intravenosos no corpo devastado de Robert, 
bombeando sangue por todos ao mesmo tempo. Concluda a operao, o cirurgio no comando deixara escapar um suspiro.
- Desperdiamos o nosso tempo. Ele no tem mais do que dez por cento de chance de sobreviver.
Mas o mdico no conhecia Robert Bellamy. E no conhecia Susan Ward. Robert tinha a impresso de que sempre que abria os olhos Susan se encontrava ali, segurando 
sua mo, afagando sua testa, cuidando dele, querendo que ele vivesse. Durante a maior parte do tempo, Robert permanecera em delrio. Susan sentava a seu lado na 
enfermaria escura, ao longo das noites solitrias, escutando suas divagaes.
- ... O DOD est errado, no se pode seguir em perpendicular para o alvo, ou a gente acaba caindo no rio.... Diga a eles para calcularem os mergulhos alguns graus 
alm do curso do alvo. ... Diga a eles...
E Susan murmurava, suavemente:
- Eu direi.
O corpo de Robert ficava encharcado de suor. Ela o limpava com uma esponja.
- ... Voc tem de remover todos os cinco pinos de segurana, caso contrrio o assento no ser ejetado... Verifique-os...
- Est certo. Volte a dormir agora.
- ... As argolas do ejetor mltiplo esto com defeito... S Deus sabe onde as bombas caram...
Durante a metade do tempo, Susan Ward no conseguia entender o que seu paciente dizia.
Susan Ward era chefe das enfermeiras da sala de operaes de emergncia. Nascera numa pequena cidade de Idaho, crescera
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junto com o menino da casa ao lado, Frank Prescott, o filho do prefeito. Todos na cidade presumiam que os dois acabariam casando.
Susan tinha um irmo mais moo, Michael, a quem ela adorava. Ao completar dezoito anos, ele ingressara no exrcito, e fora mandado para o Vietnam. Susan escrevia-lhe 
todos os dias. Trs meses depois, a famlia de Susan recebera um telegrama; ela sabia o que continha antes mesmo que fosse aberto. Ao saber da notcia, Frank Prescott 
viera correndo.
- Lamento profundamente, Susan. Eu gostava muito de Michael. - E depois ele cometera o erro de dizer: - Vamos casar logo.
Susan fitara-o nos olhos e tomara uma deciso.
- No. Tenho de fazer algo importante com minha vida.
- Pelo amor de Deus! O que pode ser mais importante do que casar comigo?
A resposta era o Vietnam.
Susan Ward entrara na escola de enfermagem.
Estava no Vietnam h onze meses, trabalhando sem parar, quando o Comandante Robert Bellamy chegara ao hospital numa maa, condenado a morrer. A triagem era uma prtica 
comum nos hospitais de evacuao de emergncia. Os mdicos examinavam dois ou trs pacientes, e faziam julgamentos sumarios sobre qual tentariam salvar. Por razes 
que nunca ficaram muito claras para ela, Susan dera uma olhada no corpo dilacerado de Robert Bellamy, e conclura que no podia deix-lo morrer. Era seu irmo que 
ela tentava salvar? Ou seria outra coisa? Ela andava exausta, com excesso de trabalho, mas em vez de descansar nos momentos de folga, passava todo o tempo cuidando 
de Bellamy.
Susan dera uma olhada na ficha do paciente. Piloto e instrutor, um s da marinha, ganhara a Cruz Naval. Nascera em Harvey, Illinois, uma pequena cidade industrial, 
ao sul de Chicago. Ingressara na marinha depois de concluir os dois anos do colegial, fizera o curso em Pensacola. Era solteiro.
Todos os dias, enquanto Robert Bellamy se recuperava, caminhando na frgil linha entre a vida e a morte, Susan lhe sussurrava:
- Vamos, marujo. Estou  sua espera.
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Uma noite, seis dias depois de entrar no hospital, quando divagava em delrio, Robert sentara na cama subitamente, contemplara Susan e dissera, a voz firme e clara:
- No  um sonho. Voc  real. Susan sentira seu corao disparar.
- Isso mesmo, sou real.
- Pensei que estava sonhando. Pensei que fora para o paraso, e Deus me entregara a seus cuidados.
Ela fitara Robert nos olhos, muito sria.
- Eu seria capaz de mat-lo, se morresse. Ele correra os olhos pela enfermaria apinhada.
- Onde... onde estou?
- No 12, Hospital de Evacuao, em Cu Chi.
- H quanto tempo estou aqui?
- Seis dias.
- Eddie... ele...
- Sinto muito.
- Tenho de dizer ao almirante.
Susan pegara a mo de Robert e dissera, gentilmente:
- Ele sabe. J esteve aqui para visit-lo. Os olhos de Robert encheram-se de lgrimas.
- Odeio esta maldita guerra. No tenho palavras para expressar o quanto a odeio.
Daquele momento em diante, a recuperao de Robert espantara os mdicos. Todos os sinais vitais estabilizaram.
- Vamos tir-lo daqui muito em breve - comunicaram a Susan.
E ela sentira uma pontada de angstia.
Robert jamais tivera certeza de quando exatamente se apaixonara por Susan Ward. Talvez fosse no momento em que ela lhe fazia curativos, ouviram bombas caindo, e 
Susan murmurara:
- Esto tocando a nossa cano.
Ou talvez tenha sido no momento em que comunicaram a Robert que j se encontrava em condies de ser transferido para o Hospital Walter Reed, em Washington, a fim 
de concluir sua convalescena, e Susan declarara:
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- Acha mesmo que ficarei aqui, deixando que outra enfermeira cuide desse corpo maravilhoso? De jeito nenhum! Falarei com todo mundo para poder acompanh-lo!
Casaram duas semanas depois. Robert levara um ano para se recuperar por completo. Susan atendia a todas as suas necessidades, dia e noite. Ele jamais conhecera algum 
assim, nem sonhara que pudesse amar uma mulher com tanta intensidade. Amava sua compaixo e sensibilidade, sua paixo e vitalidade. Amava sua beleza e seu senso 
de humor. No primeiro aniversrio de casamento, ele dissera:
- Voc  a pessoa mais linda, mais maravilhosa e mais desprendida do mundo. No h ningum neste mundo com seu amor, esprito e inteligncia.
E Susan o abraara com fora, sussurrando, em sua voz anasalada de corista:
- Voc tambm  assim, tenho certeza. Partilhavam mais do que amor. Apreciavam sinceramente
e respeitavam um ao outro. Todos os amigos os invejavam, e com bons motivos. Sempre que se falava de um casamento perfeito, o exemplo invarivel apresentado era 
o de Robert e Susan. Eram compatveis sob todos os aspectos, almas irms que se completavam. Susan era a mulher mais sensual que Robert j conhecera, e eram capazes 
de inflamar um ao outro com um toque, uma palavra. Uma noite, quando tinham o compromisso de ir a um jantar formal, Robert se atrasara. Estava no chuveiro quando 
Susan entrara no banheiro, j maquilada, usando um adorvel vestido longo, sem alas.
- Puxa, como voc est atraente! - exclamara Robert. -  uma pena que no tenhamos mais tempo.
- Ora, no se preocupe com isso - murmurara Susan. E no instante seguinte ela tirara as roupas, entrara debaixo
do chuveiro,                                                                                                                                         com Robert. 
Nunca foram ao jantar.
Susan sentia as necessidades de Robert quase antes mesmo de conhec-las, e providenciava para que fossem satisfeitas. E Robert se mostrava igualmente atencioso com 
ela. Susan encontrava bilhetinhos de amor na penteadeira, ou em seus sapatos,
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quando ia cal-los. Flores e pequenos presentes lhe eram entregues por qualquer pretexto, no Dia da Marmota, no aniversrio de nascimento do Presidente Polk, no 
dia em que se comemorava a expedio de Lewis e Clark.
E o riso que partilhavam, o riso maravilhoso...
A voz do piloto soou pelo interfone:
- Estaremos pousando em Zurique dentro de dez minutos, comandante.
Os pensamentos de Robert Bellamy voltaram ao presente,  sua misso. Em quinze anos com o servio secreto naval, ele estivera envolvido em dezenas de operaes desafiadoras, 
mas aquela prometia ser a mais bizarra de todas. Viajava para a Sua com a incumbncia de descobrir os passageiros de um nibus lotado, testemunhas annimas que 
haviam desaparecido em pleno ar.  como procurar uma agulha num palheiro. E nem mesmo sei onde fica o palheiro. Onde se encontra Sherlock Holmes quando preciso dele?
- Pode prender o cinto de segurana, por favor?
O C20A voava sobre florestas escuras, e um momento depois deslizou sobre a pista delimitada pelas luzes de pouso do aeroporto internacional de Zurique. O avio taxiou 
para o lado leste do aeroporto, encaminhou-se para o pequeno prdio da General Aviation, longe do terminal principal. Ainda havia poas na pista de uma tempestade 
anterior, mas agora o cu noturno estava claro.
- Um tempo maluco - comentou o piloto. - Fez sol aqui no domingo, choveu durante todo o dia de hoje, e agora o cu limpou. No se precisa de um relgio aqui, mas 
apenas de um barmetro. Quer que eu lhe providencie um carro, comandante?
- No, obrigado.
Daquele momento em diante, ele estava sozinho, s devia contar consigo mesmo. Robert ficou observando at que o avio taxiou para longe, depois embarcou num mini-nibus 
para o hotel do aeroporto, onde arriou num sono sem sonhos.
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Captulo Sete
Dia Dois
08:00
Na manh seguinte, Robert aproximou-se do recepcionista por trs do balco da Europcar.
- Guten Tag.
Era um lembrete de que ele se encontrava na parte da Sua que falava alemo.
- Guten Tag. Tem um carro disponvel?
- Temos, sim, senhor. Por quanto tempo vai precisar? Boa pergunta. Uma hora? Um ms? Talvez um ou dois anos?
- No tenho certeza.
- Pretende devolver o carro neste aeroporto?
- Possivelmente.
O recepcionista lanou-lhe um olhar estranho.
- Muito bem. Pode preencher estes formulrios, por favor? Robert pagou o aluguel do carro com o carto de crdito
preto especial que o General Hilliard lhe dera. O recepcionista examinou-o, perplexo, depois murmurou:
- Com licena.
Ele desapareceu numa sala por trs do balco. Ao voltar, Robert perguntou:
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- Algum problema?
- No, senhor. Absolutamente nenhum.
O carro era um Opel Omega cinza. Robert pegou a estrada do aeroporto e seguiu para o centro de Zurique. Gostava da Sua. Era um dos pases mais bonitos do mundo. 
Esquiara ali anos antes. Em pocas mais recentes, efetuara misses no pas, como oficial de ligao com a Abteilung Espionagem, o servio de segurana suo. Durante 
a Segunda Guerra Mundial, a agncia fora organizada em trs departamentos, D, P e I, cobrindo respectivamente a Alemanha, Frana e Itlia. Agora, seu propsito principal 
relacionava-se com a descoberta de operaes conduzidas dentro dos vrios organismos da ONU instalados em Genebra. Robert tinha vrios amigos na Abteilung, mas lembrou 
as palavras do General Hilliard: "No deve entrar em contato com nenhum deles."
A viagem para a cidade demorou vinte e cinco minutos. Robert entrou na rampa de sada para o centro chamada Dbendorf, e seguiu para o Dolder Grand Hotel. Era exatamente 
como o recordava: um enorme chateou suo com torrinhas, imponente e impressivo, cercado por jardins, com uma vista para o lago Zurique. Ele estacionou o carro e 
entrou no saguo. A recepo ficava  esquerda.
- Guen Tag.
- Guten Tag. Haben Sie ein Zimmerfr eine Nacht?
- J. Wie mchten Sie bezahlen?
- Mit Kreditkarte.
O carto de crdito preto e branco entregue pelo General Hilliard. Robert pediu um mapa da Sua, e foi conduzido a um quarto confortvel, na ala nova do hotel. 
Tinha uma pequena varanda, dando para o lago. Robert saiu para a varanda, respirando o ar frio do outono, pensando na misso que tinha pela frente.
No tinha coisa alguma em que se basear. Absolutamente nada. Todos os fatores da equao daquela misso eram completamente desconhecidos. O nmero de passageiros. 
Seus nomes e paradeiros. "Todas as testemunhas esto na Sua?" "Esse  o nosso problema. No temos a menor idia de onde esto, ou quem so." A nica informao 
de que ele dispunha era o lugar e a data: Uetendorf, domingo, 14 de outubro.
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Precisava de uma ala, algo em que pudesse se segurar.
Se bem lembrava, os nibus tursticos partiam apenas de duas grandes cidades: Zurique e Genebra. Robert abriu uma gaveta na mesa e retirou o volumoso Telefonbuch. 
Eu deveria procurar em M, para milagre, pensou ele. Havia mais de meia dzia de companhias de excurses tursticas relacionadas: Sunshine Tours, Swisstour, Tour 
Service, Touralpino, Tourisma Reisen... Teria de verificar todas. Ele anotou os endereos das empresas, seguiu de carro para o escritrio da mais prxima.
Havia dois funcionrios por trs do balco, atendendo aos turistas. Assim que um deles ficou livre, Robert disse:
- Com licena. Minha esposa participou de uma de suas excurses no domingo passado, e esqueceu a bolsa no nibus. Acho que ficou excitada por ter visto o balo meteorolgico 
que caiu perto de Uetendorf.
o funcionrio franziu o rosto.
- Est tut mir viel leid. Deve estar enganado. Nossas excurses nem chegam perto de Uetendorf.
- Desculpe. Primeiro ponto.
A escala seguinte prometia ser mais proveitosa.
- Suas excurses passam por Uetendorf?
- Claro. - O homem sorriu. - Nossas excurses vo a todos os cantos da Sua. So as mais espetaculares. Temos uma excurso para Zermalt, muito especial. H tambm 
a Excurso das Geleiras. A Grande Excurso Circular parte dentro de quinze minutos...
- Teve uma excurso no domingo que parou para observar aquele balo meteorolgico que caiu? Sei que minha esposa se atrasou na volta ao hotel e...
O funcionrio por trs do balco protestou, indignado:
- Temos o maior orgulho do fato de que nossas excurses nunca atrasam. No fazemos paradas imprevistas.
- Quer dizer que um de seus nibus no parou para observar aquele balo meteorolgico?
- Claro que no!
- Obrigado. Segundo ponto.
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O terceiro escritrio visitado por Robert ficava na Bahnhofplatz, a placa na porta indicava Sunshine Tours. Robert aproximou-se do balco.
- Boa tarde. Eu queria perguntar sobre um de seus nibus de excurso. Soube que um balo meteorolgico caiu perto de Uetendorf, e seu motorista parou durante meia 
hora, a fim de que os passageiros pudessem dar uma olhada.
- No, no! Ele s parou por quinze minutos. Temos regras rigorosas.
Bingo!
- Posso lhe perguntar qual  o seu interesse nisso? Robert tirou do bolso um dos documentos de identificao
que recebera.
- Sou reprter e estou preparando uma reportagem para a revista Travei and Leisure sobre a eficincia dos nibus na Sua, em comparao com outros pases. Ser 
que eu poderia entrevistar o motorista?
- Seria de fato uma matria muito interessante. Ns, suos, nos orgulhamos de nossa eficincia.
- E esse orgulho  bem merecido - garantiu Robert.
- O nome de nossa empresa seria mencionado?
- Com destaque.
O recepcionista sorriu.
- Ento no vejo mal algum.
- Eu poderia falar com ele agora?
- Hoje  seu dia de folga.
Ele escreveu um nome num pedao de papel. Robert Bellamy leu-o de cabea para baixo. Hans Beckerman. O recepcionista acrescentou um endereo.
- Ele mora em Kappel.  uma pequena aldeia a cerca de quarenta quilmetros de Zurique. Deve encontr-lo em casa agora.
Robert Bellamy pegou o papel.
- Muito obrigado. Por falar nisso, s para termos todos os fatos da histria, tem um registro de quantas passagens vendeu para essa excurso em particular?
- Claro. Mantemos registros de todas as nossas excurses. Espere um instante. - Ele pegou um livro embaixo do balco
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e virou algumas pginas. - Ah, aqui est, domingo, Hans Beckerman. Havia sete passageiros. Ele guiou o Iveco naquele dia, o nibus pequeno.
Sete passageiros desconhecidos e o motorista. Robert resolveu disparar um tiro no escuro.
- Por acaso tem os nomes desses passageiros?
- Senhor, as pessoas vm da rua, compram a passagem, entram na excurso. No pedimos uma identificao.
Maravilhoso.
- Obrigado, mais uma vez.
Robert encaminhou-se para a porta. O recepcionista acrescentou:
- Espero que nos mande uma cpia da reportagem.
- Claro.
A primeira pea do quebra-cabeas era o nibus da excurso. Robert foi  Talstrasse, de onde os nibus partiam, como se pensasse que poderia encontrar ali alguma 
pista oculta. O nibus Iveco era marrom e prateado, bastante pequeno para percorrer as ngremes estradas alpinas, com assentos para quatorze passageiros. Quem so 
os sete, e para onde desapareceram? Robert voltou a seu carro. Estudou o mapa, fez as marcaes. Saiu da cidade pela Lavesneralle, entrou na Albis, no comeo dos 
Alpes, a caminho da aldeia de Kappel. Seguiu para o sul, passando pelas colinas baixas que cercavam Zurique, comeou a subir para a magnfica cordilheira que eram 
os Alpes. Passou por Adliswil, Langnau e Hausen, por povoados annimos, com chals e paisagens de carto-postal. Chegou a Kappel quase uma hora depois. A pequena 
aldeia consistia em um restaurante, uma igreja, uma agncia dos correios, e uma dzia ou pouco mais de casas, espalhadas pelas colinas. Robert estacionou o carro 
e entrou no restaurante. Uma garonete limpava uma mesa, perto da porta.
- Entschuldigen Sie bitte, Frulein. Welche Richtung ist das Haus von Herr Beckerman?
- J. - Ela apontou pela estrada. - An derKirche rechts.
- Danke.
Robert virou  direita ao chegar  igreja, seguiu at uma modesta casa de pedra, com dois andares, e telhado de cermica.
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 Saiu do carro e foi at a porta. No viu nenhuma campainha e bateu. Uma mulher corpulenta, com a insinuao de um bigode, abriu a porta.
- J?
- Desculpe incomod-la. O sr. Beckerman est? Ela fitou-o com uma expresso desconfiada.
- O que quer com ele?
Robert ofereceu-lhe um sorriso cativante.
- Deve ser a sra. Beckerman. - Ele tirou do bolso a carteira de identificao de reprter. - Estou fazendo uma reportagem para uma revista sobre os motoristas de 
nibus suos. Seu marido foi recomendado  minha revista como um dos que possuem os melhores registros de segurana no pas.
A mulher se animou no mesmo instante e declarou, orgulhosa:
- Meu Hans  um excelente motorista.
-  o que todos me disseram, sra. Beckerman. Eu gostaria de entrevist-lo.
- Uma entrevista com meu Hans para uma revista? - Ela estava atordoada. - Mas isso  emocionante! Entre, por favor!
Ela levou Robert a uma sala de estar pequena, mas impecvel.
- Espere aqui, bitte. Vou chamar Hans.
A casa tinha um teto baixo, as vigas  mostra, cho de madeira escura, mveis simples de madeira. Havia uma pequena lareira de pedra, cortinas de rendas nas janelas.
Robert ficou parado ali, pensando. Aquela era no apenas a sua melhor pista, mas tambm a nica. "As pessoas vm da rua, compram a passagem, entram na excurso. 
No pedimos identificao... "No h lugar para ir daqui, pensou Robert, sombriamente. Se isso no der certo, sempre posso publicar um anncio: Os sete passageiros 
do nibus de excurso que viram um balo meteorolgico cair no domingo devem se reunir em meu quarto de hotel, ao meio-dia de amanh. Ser servido um lanche.
Um homem magro e calvo apareceu. A pele era plida, e ostentava um enorme bigode preto que constitua uma enorme discordncia do resto de sua aparncia.
- Boa tarde, Herr...
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- Smith. Boa tarde. - A voz de Robert era animada. - No imagina como eu estava ansioso em conhec-lo, sr. Beckerman.
- Minha esposa me disse que est escrevendo uma matria sobre os motoristas.
Ele falava com um carregado sotaque alemo. Robert sorriu, insinuante.
- Isso mesmo. Minha revista est interessada em sua maravilhosa folha corrida...
- Scheissdreck! - interrompeu Beckerman, bruscamente, - Est interessado mesmo  na coisa que caiu na tarde de ontem, no ?
Robert conseguiu parecer desconcertado.
- Para ser franco, estou muito interessado em conversar sobre isso tambm.
- Ento por que no disse logo? Sente-se.
- Obrigado.
Robert sentou no sof. Beckerman disse:
- Lamento no poder lhe oferecer um drinque, mas no temos mais schnapps em casa. - Ele bateu com a mo na barriga. - lcera. Os mdicos no podem sequer me dar 
remdios para aliviar a dor. Sou alrgico a todos.
Ele sentou na frente de Robert, acrescentando:
- Mas no veio at aqui para falar sobre a minha sade, no ? O que deseja saber?
- Quero falar sobre os passageiros que estavam em seu nibus no domingo, quando parou perto de Uetendorf, no local da queda do balo meteorolgico.
Hans Beckerman fitou-o espantado.
- Balo meteorolgico? Que balo meteorolgico? Mas do que est falando?
- O balo que...
- Est se referindo  espaonave. Foi a vez de Robert ficar espantado.
- A... espaonavel
- J, o disco voador.
Robert levou um momento para absorver as palavras. Sentiu um calafrio.
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- Est me dizendo que viu um disco voador?
- J. Com corpos mortos l dentro.
"Ontem, um balo meteorolgico da OTAN caiu nos Alpes suos. Havia alguns artefatos militares experimentais no balo que so altamente secretos." Robert tentou 
parecer calmo.
- Si. Beckerman, tem certeza de que o que viu era mesmo um disco voador?
- Claro. O que eles chamam de OVNI.
- E havia pessoas mortas l dentro?
- Pessoas, no. Criaturas.  difcil descrev-las. - Ele estremeceu ligeiramente. - Eram muito pequenas, com olhos enormes e esquisitos. Vestiam trajes de uma cor 
prateada metlica. Foi bastante assustador.
A mente de Robert era um turbilho.
- Seus passageiros tambm viram isso?
- Oh, j. Todos viram. Fiquei parado ali durante cerca de quinze minutos. Eles queriam que eu ficasse por mais tempo, mas a companhia  muito rigorosa com os horrios.
Robert sabia que a pergunta era intil, antes mesmo de formul-la:
- Sr. Beckerman, por acaso sabe os nomes de seus passageiros?
- Mister, apenas dirijo um nibus. Os passageiros compram uma passagem em Zurique, e iniciamos uma excurso para sudoeste, at Interlaken, e depois para noroeste, 
at Berna. Eles podem desembarcar em Berna, ou voltar a Zurique. Ningum me d seu nome.
Robert insistiu, desesperado:
- No h a menor possibilidade de poder identificar nenhum deles?
O motorista do nibus pensou por um momento.
- Bom, posso lhe dizer que no havia crianas naquela excurso. Apenas homens.
- S homens?
Beckerman pensou mais um pouco.
- No. Isso no  o certo. Havia uma mulher tambm Sensacional. Isso reduz bastante as possibilidades, pensou
Robert. Prxima pergunta: Por que aceitei essa misso?
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- O que est dizendo, sr. Beckerman,  que um grupo de turistas embarcou em seu nibus, em Zurique, e depois, quando a excurso terminou, simplesmente se dispersou?
- Isso mesmo, sr. Smith.
Ento no havia sequer um palheiro.
- Lembra de qualquer coisa sobre os passageiros? Algo que eles disseram ou fizeram?
Beckerman sacudiu a cabea.
- Mister, ficamos to acostumados que nem prestamos mais qualquer ateno aos passageiros. A menos que eles causem algum problema. Como aquele alemo.
Robert ficou imvel, e perguntou baixinho:
- Que alemo?
- Affenarsch! Todos os outros passageiros ficaram excitados ao verem o OVNI e aquelas criaturas mortas no interior, mas o velho se queixou que tnhamos de nos apressar 
para chegar a Berna, porque precisava preparar uma palestra que faria na universidade pela manh.
Um comeo.
- Lembra mais alguma coisa a respeito dele?
- No.
- Absolutamente nada?
- Ele usava um sobretudo preto. timo.
- Sr. Beckerman, quero lhe pedir um favor. Importa-se de ir comigo at Uetendorf?
-  meu dia de folga. Estou ocupado...
- Terei o maior prazer em lhe pagar pelo servio.
- J?
- Duzentos marcos.
- Eu no...
- Aumentarei para quatrocentos marcos. Beckerman pensou por um momento.
- Por que no?  um belo dia para um passeio, nichtl Seguiram para o sul, passando por Luzern e as pitorescas
aldeias de Immensee e Meggen. A paisagem era de uma beleza deslumbrante, mas Robert tinha outras coisas na cabea. Passaram por Engelberg, com seu antigo mosteiro 
benedi-
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tino, e Brnig, o passo que levava a Interlaken. Passaram por Leissigen e Faulensee, com seu adorvel lago azul, pontilhado por barcos de velas brancas.
- Ainda est muito longe? - perguntou Robert.
- J estamos chegando - assegurou Hans Beckerman. Viajavam h quase uma hora quando chegaram a Spiez.
Hans Beckerman informou:
- No est longe agora. Fica logo depois de Thun.
Robert sentiu o corao comear a bater mais depressa. Estava prestes a testemunhar algo muito alm da imaginao, visitantes aliengenas das estrelas. Passaram 
pela pequena aldeia de Thun, e poucos minutos depois, ao se aproximarem de um agrupamento de rvores, no outro lado da estrada, Hans Beckerman apontou e disse:
- Ali!
Robert experimentava um crescente excitamento.
- Certo. Vamos dar uma olhada.
Um caminho se aproximava em grande velocidade. Depois que passou, Robert e Hans Beckerman atravessaram a estrada. Robert seguiu o motorista de nibus por um pequeno 
aclive para o meio das rvores.
A estrada se encontrava agora completamente fora de vista. Ao entrarem numa clareira, Beckerman anunciou:
-  bem ali.
No cho,  frente deles, havia os restos dilacerados de um balo meteorolgico.
64
Captulo Oito
 estou ficando velho demais para essas coisas, pensou Robert, cansado. J comeava realmente a acreditar no conto de fadas do disco voador.
Hans Beckerman olhava aturdido para o objeto no cho, com uma expresso confusa.
- Verfalschen! No  isso o que vimos! Robert suspirou.
- No ?
Beckerman sacudiu a cabea.
- Estava aqui ontem.
- Seus homenzinhos verdes provavelmente saram voando nele.
Beckerman era teimoso.
- No, no. Ambos estavam tot... mortos.
Tot... mortos.  um bom sumrio para minha misso. Minha nica pista  um velho maluco que v espaonaves.
Robert aproximou-se do balo para examin-lo mais atentamente. Era um envelope de alumnio enorme, com cerca de quatro metros de dimetro, as beiras serreadas, onde 
rasgara ao bater no solo. Todos os instrumentos haviam sido removidos, como o General Hilliard lhe dissera. "No tenho palavras suficientes para ressaltar a importncia 
do que havia no balo."
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Robert circulou o balo murcho, os sapatos guinchando na relva molhada, procurando por qualquer coisa que pudesse constituir uma pista, por menor que fosse. Nada. 
Era idntico a dezenas de outros bales meteorolgicos que ele j vira ao longo dos anos. O velho ainda no desistira, com uma tpica obstinao germnica.
- Essas coisas aliengenas... Fizeram com que parecesse assim. Podem fazer isso, j deve saber.
No h mais nada a se fazer aqui, concluiu Robert. Suas meias haviam ficado encharcadas, da passagem pela relva molhada. Ele comeou a se afastar, depois hesitou, 
um pensamento lhe ocorrendo. Voltou ao balo.
- Levante um canto disso, est bem? Beckerman fitou-o, surpreso.
- Deseja que eu levante?
- Bitte.
Beckerman deu de ombros. Pegou um canto do material muito leve e levantou, enquanto Robert suspendia outro canto. Robert ergueu o pedao de alumnio por cima da 
cabea, avanou por baixo, na direo do centro do balo. Os ps afundavam na relva.
- Est molhado aqui embaixo! - gritou ele.
- Claro. - O Dummkopf ficou por dizer. - Choveu durante todo o dia de ontem. O solo inteiro ficou molhado.
Robert saiu debaixo do balo.
- Deveria estar seco.
"Um tempo maluco", comentara o piloto. "Fez sol aqui no domingo." O dia em que o balo cara. "Choveu durante todo o dia de hoje, e agora o cu limpou. No se precisa 
de um relgio aqui, mas apenas de um barmetro."
- E da?
- Como estava o tempo quando vocs viram o OVNI? Beckerman pensou por um momento.
- Era uma tarde de sol.
- De sol?
- J. De sol.
- Mas choveu durante todo o dia de ontem'' Beckerman estava perplexo.
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- E da?
- Se o balo estivesse aqui durante toda a noite, o solo por baixo ficaria seco... ou mido, no mximo, atravs da osmose. Mas se encontra encharcado, como o resto 
desta rea.
Beckerman fitava-o fixamente.
- No entendo. O que isso significa?
- Pode significar que algum ps este balo aqui ontem, depois que a chuva comeou, e levou o que voc viu.
Ou haveria alguma outra explicao mais racional, em que ele no pensara?
- Quem poderia fazer uma coisa to absurda?
No  to absurda assim, pensou Robert. O governo suo pode ter feito isso, para enganar visitantes curiosos. O primeiro estratagema de uma operao para encobrir 
algo  a desinformao. Robert circulou pela relva molhada, examinando o terreno, censurando a si mesmo por ser um idiota to crdulo. Hans Beckerman observava-o 
com crescente desconfiana.
- Qual  mesmo a revista para a qual trabalha?
- Travei and Leisure. Hans Beckerman se animou.
- Ah, ento creio que vai querer uma fotografia minha, como o outro cara.
Robert sentiu um calafrio.
- Que outro cara?
- O fotgrafo que tirou fotos de todos ns junto aos destroos. Ele disse que nos mandaria cpias. E alguns passageiros tambm estavam com cmeras.
- Espere um instante - disse Robert, lentamente. - Est querendo dizer que algum tirou uma fotografia dos passageiros bem aqui, na frente do OVNI?
- Exatamente.
- E ele prometeu mandar uma cpia para cada um?
- Isso mesmo.
- Ento ele deve ter anotado os nomes e endereos.
- Claro. De outra maneira, como poderia saber para onde mandar as fotos?
Robert estava imvel, dominado por um sentimento de euforia. Um golpe de sorte, Robert, seu filho da puta afortunado!
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Uma misso impossvel tornava-se de repente muito fcil. Ele no mais procurava por sete passageiros desconhecidos. S precisava descobrir o fotgrafo.
- Por que no o mencionou antes, sr. Beckerman?
- Perguntou sobre os passageiros.
- E ele no era um passageiro? Hans Beckerman sacudiu a cabea.
- Nein. - Ele apontou. - Seu carro estava enguiado no outro lado da estrada. Um caminho-reboque comeava a suspend-lo. Houve o estrondo, ele atravessou correndo 
a estrada para ver o que estava acontecendo. Ao descobrir o que era, o cara voltou correndo para seu carro, a fim de buscar suas cmeras. E depois pediu a todos 
ns para posarmos na frente do disco voador.
- Esse fotgrafo disse o nome?
- No.
- Lembra alguma coisa sobre ele? Hans Beckerman concentrou-se.
- Ele era estrangeiro. Americano ou ingls.
- Disse que um caminho-reboque se preparava para levar o carro dele?
- Isso mesmo.
- Lembra em que direo o caminho seguiu?
- Foi para o norte, Calculei que rebocaria o carro at Berna. Thun fica mais perto, mas todas as suas oficinas esto fechadas aos domingos.
Robert sorriu.
- Obrigado. Ajudou-me muito.
- No vai esquecer de me mandar a reportagem quando
sair?
- Claro que no. Aqui est seu dinheiro, e mais cem marcos por ter sido to til. E agora vou lev-lo de volta para casa.
Encaminharam-se para o carro. Beckerman abriu a porta, parou, virou-se para Robert.
- Foi muito generoso.
Ele tirou do bolso um pequeno pedao de metal, retangular, do tamanho de um isqueiro, contendo um pequeno cristal branco.
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- O que  isto?
- Encontrei no cho, no domingo, antes de voltarmos ao nibus.
Robert examinou o estranho objeto. Era to leve quanto papel, da cor de areia. Uma beirada spera num lado indicava que podia ter sido parte de outra pea. Parte 
do equipamento que estava num balo meteorolgico. Ou parte de um OVNI?
- Talvez lhe d sorte - acrescentou Beckerman, enquanto guardava na carteira as notas que Robert lhe entregara. - Sem dvida trouxe para mim.
Ele sorriu satisfeito, e entrou no carro.
Estava na hora de fazer a si mesmo a pergunta objetiva: Acredito realmente em OVNIs? J lera muitas histrias delirantes nos jornais sobre pessoas que alegavam ter 
entrado em espaonaves, passando pelas experincias mais esquisitas, e sempre atribura tais relatos a gente que queria publicidade, ou devia ser entregue aos cuidados 
de um bom psiquiatra. Nos ltimos anos, porm, houvera relatos que no podiam ser descartados com tanta facilidade. Relatos de OVNIs avistados por astronautas, pilotos 
da fora area e policiais, pessoas com credibilidade, que detestavam a publicidade. Alm disso, houvera o relato perturbador do acidente com um OVNI em Roswell, 
Novo Mxico, quando se teria encontrado corpos de aliengenas. O governo, ao que se dizia, abafara o caso, removendo todas as provas. Durante a Segunda Guerra Mundial, 
pilotos haviam informado terem avistado estranhos objetos, a que chamavam de caas Foo, objetos no-identificados que passavam zunindo, para desaparecerem em seguida. 
Havia histrias de cidades visitadas por objetos inexplicveis, que haviam chegado a toda velocidade pelo cu. E se houver de fato aliengenas em OVNIs, procedentes 
de outra galxia?, especulou Robert. Como isso afetaria nosso mundo? Traria a paz? A guerra? O fim da civilizao como a conhecemos? Ele se descobriu quase a torcer 
para que Hans Beckerman fosse um luntico desvairado, e para que a coisa que cara ali fosse mesmo um balo meteorolgico. Teria de encontrar outra testemunha, para 
confirmar a histria de Becker ou refut-la.  primeira vista, a histria parecia inacreditvel; mas havia algo que
69

incomodava Robert. Se fosse apenas um balo meteorolgico que caiu aqui, mesmo que contivesse equipamentos especiais, por que fui convocado a uma reunio na Agncia 
de Segurana Nacional s seis horas da manh, e informado de que era urgente que todas as testemunhas fossem encontradas, o mais depressa possvel? Seria uma cobertura? 
E se fosse... por qu?
Captulo Nove
70
mais tarde, naquele mesmo dia, houve um encontro com a imprensa em Genebra, nas austeras dependncias do ministrio do interior suo. Havia mais de cinqenta reprteres 
na sala, e muitos outros que transbordavam para o corredor. Havia representantes de televiso, rdio e imprensa de mais de uma dzia de pases, muitos munidos de 
microfones e cmeras. Todos pareciam falar ao mesmo tempo.
- Recebemos informaes de que no foi um balo meteorolgico...
-  verdade que foi um disco voador?
- H rumores de que foram encontrados corpos de aliengenas na nave...
- Algum dos aliengenas estava vivo?
- O governo est tentando esconder a verdade do povo? O secretrio de imprensa alteou a voz para recuperar o
controle.
- Senhoras e senhores, houve um simples mal-entendido. Estamos sempre recebendo avisos. As pessoas vem satlites, estrelas cadentes... No  sintomtico que todos 
os relatos sobre OVNIs sejam feitos de forma annima? Talvez essa pessoa acreditasse sinceramente que era um OVNI, mas na verdade foi mesmo um balo meteorolgico 
que caiu. J providenciamos o
71

transporte de todos at o local. Se quiserem me acompanhar, por favor...
Quinze minutos depois, dois nibus cheios de reprteres e cmeras de televiso estavam a caminho de Uetendorf, a fim de observar o que restava da queda de um balo 
meteorolgico. Quando chegaram, pararam na relva molhada, contemplando o envelope metlico todo arrebentado. O secretrio de imprensa disse:
- Este  o misterioso disco voador. Foi lanado ao cu de nossa base area em Vevey. Ao nosso conhecimento, senhoras e senhores, no existem objetos voadores no-identificados 
que nosso governo no possa explicar de modo satisfatrio. Tambm ao nosso conhecimento, no existem extraterrestres visitando o nosso planeta. A poltica inabalvel 
de nosso governo  comunicar imediatamente ao pblico se encontrarmos alguma prova em contrrio. Se no h mais perguntas...
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Captulo Dez
o
hangar 17, na base da fora area em Langley, Virgnia, estava envolto pela mais rgida e absoluta segurana. No lado de fora, quatro fuzileiros armados guardavam 
o permetro do prdio; l dentro, oficiais superiores do exrcito mantinham turnos de vigia alternados, de oito horas para cada um, vigiando uma sala lacrada, no 
interior do hangar. Nenhum dos oficiais sabia o que estava guardando. Alm dos cientistas e mdicos que trabalhavam ali, apenas trs visitantes tiveram permisso 
para entrar na cmara.
O quarto visitante acabara de chegar. Foi recebido pelo General Paxton, o oficial no comando da segurana.
- Seja bem-vindo a nosso zoolgico.
- H muito tempo que eu aguardava por essa oportunidade.
- No ficar desapontado. Por aqui, por favor.
Do lado de fora da cmara lacrada havia uma prateleira com quatro trajes brancos, esterilizados, que cobriam inteiramente o corpo.
- Pode vestir um desses trajes, por favor? - pediu o general.
- Pois no.
Janus vestiu o traje por cima do terno. Apenas o rosto era
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visvel, atravs da mscara de vidro. Ele calou as chinelas brancas enormes por cima dos sapatos, e o general conduziu-o at a entrada da cmara secreta. O fuzileiro 
de guarda ali deu um passo para o lado, e o general abriu a porta.
- Pode entrar.
Janus entrou na cmara e olhou ao redor. No centro da sala estava a espaonave. Sobre as mesas brancas de autpsia, no outro, estavam os corpos dos dois aliengenas. 
Um patologista efetuava uma autpsia num deles.
O General Paxton orientou a ateno do visitante para a espaonave.
- Temos aqui o que acreditamos ser uma nave de reconhecimento - explicou o General Paxton. - Temos certeza de que possui alguma forma de comunicao com a nave-me.
Os dois homens se adiantaram para examinar a espaonave. Tinha cerca de dez metros de dimetro. O interior tinha o formato de uma prola, com um teto expansvel, 
e continha trs divs, que pareciam poltronas reclinveis. As paredes eram cobertas por painis, com discos de metal que vibravam.
- H muita coisa aqui que ainda no conseguimos entender - admitiu o General Paxton. - Mas o que j descobrimos  espantoso. - Ele apontou para um conjunto de equipamentos, 
em pequenos painis. - H um sistema tico integrado de campo de viso amplo, o que parece ser um sistema de exame de funes vitais, um sistema de comunicao com 
capacidade de sintetizar a voz, e um sistema de navegao que, para ser franco, est nos deixando perplexos. Achamos que funciona na base de alguma pulsao eletromagntica.
- Alguma arma a bordo? - perguntou Janus.
O General Paxton abriu os braos, num gesto de derrota.
- No temos certeza. H muitas coisas que ainda nem comeamos a entender
- Qual  a fonte de energia?
- Nosso melhor palpite  de que usa hidrognio monoatmico num circuito fechado, a fim de que o seu refugo, gua, possa ser continuamente reciclado em hidrognio 
para energia. Com toda essa energia perptua, pode percorrer o espao interplanetrio. Talvez se passem anos antes que decifremos todos
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os segredos aqui. E h mais uma coisa que  desconcertante. Os corpos dos dois aliengenas estavam presos nos divs. Mas as depresses no terceiro div indicam que 
tambm se achava ocupado.
- Est querendo dizer que um deles pode ter desaparecido?
-  o que parece.
Janus ficou imvel por um instante, o rosto franzido.
- Vamos dar uma olhada em nossos invasores.
Os dois homens se encaminharam para as mesas em que se encontravam os aliengenas. Janus parou, contemplando as es tranhas figuras. Era incrvel que coisas to diferentes 
da humanidade pudessem existir como seres conscientes. A testa dos aliengenas era maior do que ele esperava. As criaturas eram completamente calvas, sem pestanas 
nem plpebras. Os olhos pareciam bolas de pingue-pongue. O mdico que efetuava a autpsia levantou os olhos  aproximao dos dois homens, comentando:
-  fascinante. A mo de um dos aliengenas foi cortada. No h sinal de sangue, mas encontramos o que parecem ser veias, contendo um lquido verde. A maior parte 
foi drenada.
- Um lquido verde? - murmurou Janus.
- Isso mesmo. - O mdico hesitou. - Acreditamos que essas criaturas so uma forma de vida vegetal.
- Um vegetal pensante? Fala srio?
- Observe isto.
O mdico pegou um regador, e despejou um pouco de gua no brao do aliengena sem a mo. E-dcrepente, na extremidade do brao, uma matria verde escorreu, e lentamente 
comeou a se transformar numa mo. Os dois homens ficaram chocados.
- Santo Deus! Essas coisas esto mortas ou no?
-  uma pergunta interessante. Essas duas figuras no esto vivas, no sentido humano, mas tambm no se ajustam  nossa definio de morte. Eu diria que se encontram 
em hibernao.
Janus ainda olhava fixamente para a mo recm-formada.
- Muitas plantas demonstram vrias formas de inteligncia.
- Inteligncia?
- Isso mesmo. H plantas que se disfaram, se protegem. Neste momento, estamos realizando algumas experincias espantosas com a vida vegetal.
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- Eu gostaria de assistir a essas experincias - disse Janus.
- Claro. Terei o maior prazer em providenciar.
O enorme laboratrio-estufa ficava num complexo de prdios do governo, a cerca de cinqenta quilmetros de Washington, D.C. Na parede estava pendurada uma inscrio 
que dizia:
Os bordos e samambaias ainda no foram corrompidos, mas quando adquirirem a conscincia, sem a menor dvida, tambm vo maldizer e blasfemar.
- Ralph Waldo Emerson Nature, 1836
O Professor Rachman, que estava no comando do complexo, era um autntico gnomo sbio, transbordando de entusiasmo por sua profisso.
- Charles Darwin foi o primeiro a perceber a capacidade de pensar das plantas. Luther Burbank seguiu-o, conseguindo se comunicar com as plantas.
- Acha mesmo que isso  possvel?
- Sabemos que . George Washington Carver comunicavase com as plantas, que lhe deram centenas de novos produtos. Carver disse: "Quando toco numa flor, estou tocando 
no Infinito. As flores j existiam muito antes de haver seres humanos neste mundo, e continuaro a existir por milhes de anos depois. Atravs da flor, falo com 
o Infinito..."
Janus correu os olhos pela vasta estufa em que se encontravam. Estava cheia de plantas e flores exticas, com as cores do arco-ris. A mistura de perfumes era inebriante.
- Tudo aqui est vivo - acrescentou o Professor Rachman. - Estas plantas podem sentir amor, dio, dor, excitamento... exatamente como os animais. Sir Jagadis Chandra 
Bose provou que reagem a um tom de voz.
- Como se pode provar algo assim? - indagou Janus.
- Terei o maior prazer em demonstrar.
Rachman foi at uma mesa coberta por plantas. Ao lado
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da mesa havia um polgrafo. Ele pegou um dos eletrodos, prendeu-o numa planta. A agulha no mostrador do polgrafo estava imvel.
- Observe agora - disse Rachman. Ele inclinou-se para a planta e sussurrou:
- Acho voc muito bonita.  mais bonita do que todas as outras plantas aqui...
Janus viu a agulha se deslocar ligeiramente. E, de repente, o Professor Rachman gritou para a planta:
- Voc  horrvel! E vai morrer! Est me entendendo? Vai morrer!
A agulha comeou a tremer, depois subiu abruptamente.
- Santo Deus! - murmurou Janus. - No posso acreditar!
- O que est vendo aqui - explicou Rachman -  o equivalente aos gritos de um ser humano. Diversas revistas nacionais j publicaram artigos sobre estas experincias. 
Uma das mais interessantes foi conduzida por seis estudantes. Um deles, sem que os outros soubessem, foi escolhido para entrar numa sala em que havia duas plantas, 
uma das quais ligada a um polgrafo. Ele destruiu completamente a outra planta. Mais tarde, um a um, os estudantes entraram na sala.  entrada dos inocentes, o polgrafo 
nada registrou. Mas no momento em que o culpado apareceu, a agulha do polgrafo disparou.
-  inacreditvel!
- Mas verdadeiro. Tambm descobrimos que as plantas reagem a tipos diferentes de msica.
- Tipos diferentes!
- Isso mesmo. Realizaram uma experincia no Temple Buell College, em Denver, em que flores saudveis foram colocadas em trs caixas de vidro separadas. O chamado 
rock da pesada foi tocado numa caixa, uma suave msica indiana de citara na segunda, e na terceira no houve qualquer msica. Uma equipe da CBS registrou a experincia, 
usando a fotografia automtica a intervalos. Ao final de duas semanas, as flores expostas ao rock haviam morrido, o grupo sem msica se desenvolvia normalmente, 
e as que tinham ouvido a msica de citara se tornaram lindas, as flores e caules se projetando para a fonte do som. Walter
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Cronkite mostrou a experincia em seu programa. Se quiser conferir, foi no dia 26 de outubro de 1970.
- Est querendo dizer que as plantas possuem inteligncia?
- Elas respiram, comem, se reproduzem. Podem sentir dor, e podem utilizar defesas contra seus inimigos. Por exemplo, certas plantas usam terpeno para envenenar o 
solo ao seu redor, e desestimular as concorrentes. Outras plantas exsudam alcalides para torn-las intragveis aos insetos. Provamos que as plantas se comunicam 
entre si atravs de feromnios.
- J ouvi falar disso - comentou Janus.
- Algumas plantas so carnvoras. A dionia, por exemplo. Certas orqudeas parecem e cheiram como as abelhas fmeas, a fim de enganar os machos. Outras se assemelham 
s vespas fmeas, a fim de atrair os machos a visit-las e recolher o plen. Outro tipo de orqudea possui um aroma como o de carne podre, a fim de atrair as moscas 
varejeiras nas proximidades.
Janus escutava tudo atentamente.
- H uma espcie de orqudea que tem um lbio superior mvel, o qual se fecha quando uma abelha pousa, aprisionando-a. A nica sada  atravs de uma passagem estreita 
no fundo. Ao voar por ali, em busca da liberdade, a abelha fica coberta por uma camada de plen. H cinco mil plantas florescentes no nordeste, e cada espcie possui 
caractersticas prprias. No pode haver a menor dvida a respeito. J se provou incontveis vezes que as plantas vivas possuem uma inteligncia.
Janus estava pensando: E o aliengena desaparecido se encontra  solta em algum lugar.
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Captulo Onze
Dia Trs
Berna, Sua
Quarta-feira, 17 de outubro
"erna era uma das cidades prediletas de Robert. Era uma cidade elegante, com fascinantes monumentos e lindos prdios antigos de pedra, datando do sculo XVIII. Era 
a capital da Sua, uma de suas cidades mais prsperas, e Robert especulou se o fato dos bondes serem verdes tinha alguma relao com a cor do dinheiro. Ele descobrira 
que os bernenses eram mais descontrados do que os cidados de outras partes da Sua. Deslocavam-se com mais determinao, falavam mais devagar, e eram em geral 
mais tranqilos. Ele trabalhara em Berna em diversas ocasies, no passado, com o servio secreto suo, cujo quartel-general ficava na Waisenhausplatz. Tinha amigos 
ali que poderiam ser teis, mas suas instrues eram claras. Desconcertantes, mas claras.
Ele precisou dar quinze telefonemas para localizar a oficina que rebocara o carro do fotgrafo. Era pequena, na Fribourgstrasse, e o mecnico, Fritz Mandei, era 
tambm o proprietrio. Mandei parecia ter quarenta e tantos anos, um rosto chupado, com bura
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cos de acne, um corpo magro, e uma enorme barriga de cerveja. Trabalhava no poo de lubrificao quando Robert entrou.
- Boa tarde - disse Robert. Mandei levantou os olhos.
- Guten Tag. Em que posso ajud-lo?
- Estou interessado no carro que voc rebocou no domingo.
- Espere um minuto at eu terminar aqui.
Dez minutos depois, Mandei saiu do poo, limpou as mos sujas de leo numa estopa.
- Foi voc quem telefonou esta manh. Houve alguma queixa por aquele trabalho de reboque? No sou responsvel por...
- No h nenhuma queixa - Robert apressou-se em tranqiliz-lo. - Absolutamente nenhuma. Estou realizando uma pesquisa, e estou interessado no motorista do carro.
- Vamos ao escritrio.
Os dois entraram no pequeno escritrio, e Mandei abriu um arquivo.
- Domingo passado, no ?
- Isso mesmo. Mandei tirou um carto.
- J, Este foi o Arschficker que tirou nossa fotografia na frente daquele OVNI.
Robert sentiu as palmas das mos subitamente suadas.
- Voc viu o OVNI?
- J. E quase brachte aus.
- Pode descrev-lo? Mandei estremeceu.
- A coisa... parecia viva.
- Como assim?
- Havia... uma certa luz ao redor. E no parava de mudar de cor. Parecia azul... depois verde... no sei direito.  difcil descrever. E havia aquelas pequenas criaturas 
l dentro. No eram humanas, mas...
Ele parou de falar.
- Quantas?
- Duas.
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- Estavam vivas?
- Pareciam mortas para mim. - Ele enxugou o suor da testa. - Fico contente por voc acreditar em mim. Tentei contar a meus amigos, mas riram de mim. At minha mulher 
pensou que eu andara bebendo. Mas sei o que vi.
- Sobre o carro que rebocou...
- J. O Renault. Tinha um vazamento de leo, e os mancais queimaram. O reboque custou cento e vinte e cinco francos. Cobro o dobro aos domingos.
- O motorista pagou em cheque ou carto de crdito?
- No aceito cheques, nem cartes de crdito. Ele pagou em dinheiro.
- Francos suos?
- Libras.
- Tem certeza?
- Absoluta. Lembro que tive de consultar a tabela de cmbio.
- Sr. Mandei, por acaso tem um registro da placa do carro?
- Claro. - Mandei olhou para o carto. - Era um carro alugado. Da Avis. Ele alugou em Genebra.
- Importa-se de me dar o nmero da placa?
- Por que no? - Ele anotou o nmero num pedao de papel, e entregou-o a Robert. - Mas, afinal, o que est acontecendo?  aquele negcio do OVNI?
- No - respondeu Robert, em sua voz mais sincera. Ele tirou a carteira do bolso, pegou um carto de identificao. - Sou do IAC, o International Auto Club. Minha 
companhia est realizando uma pesquisa sobre caminhes de reboque.
- Ahn...
Robert saiu da oficina, pensando, atordoado: Tudo indica que temos uma porra de um OVNI, com dois aliengenas mortos em nossas mos. Ento por que o General Hilliard 
lhe mentira, quando sabia que Robert acabaria descobrindo que fora um disco voador que cara?
S podia haver uma explicao, e Robert sentiu um sbito calafrio.
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Captulo Doze
A
_  enorme nave-me flutuava
sem fazer qualquer barulho pelo espao escuro, aparentemente imvel, deslocando-se a uma velocidade de trinta e cinco mil quilnetros horrios, em sincronia exata 
com a rbita da Terra. Os seis aliengenas a bordo estudavam a teia tica do campo de viso tridimensional, que cobria toda uma parede da espaonave. No monitor, 
enquanto o planeta Terra girava, eles observavam as projees hologrficas do que se estendia l embaixo, ao mesmo tempo era que um espectgrafo eletrnico analisava 
os componentes das mensagens que apareciam. A atmosfera das massas terrestres que sobrevoavam estavam bastante poludas. Imensas fbricas sujavam  com gases densos, 
negros e venenosos, enquanto os refugos nlo-biodegradveis eram despejados em aterros e nos mares.
Os aliengenas contemplaram os oceanos, outrora puros e azuis, agora pretos de leo e marrons de sujeira. O coral da Grande^Barreira se tornava esbranquiado, os 
peixes morriam aos bilhes. Onde as rvores haviam sido derrubadas, na floresta tropical amaznica, havia uma cratera, vasta e rida. Os instrumentos na espaonave 
indicavam que a temperatura da Terra se elevara desde sua ltima explorao ali, trs anos antes. Podiam observar guerras sendo travadas no planeta l embaixo, lanando" 
novos venenos na atmosfera.
82.
Os aliengenas comunicavam-se por telepatia.
Nada mudou entre os terrqueos.
Eles no aprenderam nada.
Teremos de ensin-los.
J tentou entrar em contato com os outros?
J, sim. Alguma coisa est errada. No h resposta.
Deve continuar a tentar. Temos de encontrar a nave.
Na Terra, milhares de metros abaixo da rbita da espaonave, Robert deu um telefonema seguro para o General Hilliard. Ele atendeu quase que no mesmo instante.
- Boa tarde, comandante. Tem alguma coisa a comunicar? Tenho, sim. Eu gostaria de comunicar que voc  um filho
da puta mentiroso.
- Sobre aquele balo meteorolgico, general... parece que se transformou num OVNI.
Robert esperou.
- Sei disso. Havia importantes razes de segurana para que eu no lhe contasse tudo antes.
Conversa de burocrata. Houve um breve silncio, rompido pelo General Hilliard:
- Vou lhe revelar algo absolutamente confidencial, comandante. Nosso governo teve um encontro com os extraterrestres h trs anos. Eles pousaram em uma de nossas 
bases areas da OTAN. E conseguimos nos comunicar.
Robert sentiu que seu corao disparava.
- E o que eles disseram?
- Que tencionavam nos destruir. O choque foi terrvel.
- Nos destruir?
- Exatamente. Disseram que voltariam para dominar o planeta e nos converter em escravos, e que no havia nada que pudssemos fazer para impedi-los. Ainda no. Mas 
estamos desenvolvendo meios para det-los. Por isso  indispensvel que evitemos um pnico pblico, a fim de ganharmos tempo. Creio que pode compreender agora por 
que  to importante que as testemunhas sejam advertidas a no discutir o que viram. Se vazar a notcia sobre os Identes, como nos referimos a eles, seria um desastre 
mundial.
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- No acha que seria melhor preparar as pessoas e...
- Comandante, em 1938, um jovem ator chamado Orson Welles irradiou uma pea radiofnica intitulada "Guerra dos Mundos", sobre aliengenas invadindo a Terra. Em poucos 
minutos, houve pnico em cidades por todos os Estados Unidos. Uma populao histrica tentou fugir de invasores imaginrios. As linhas telefnicas ficaram congestionadas, 
as estradas obstrudas. Pessoas foram mortas. Houve um caos total. No, precisamos nos preparar para os aliengenas, antes de divulgarmos a notcia para o pblico. 
Queremos que voc descubra essas testemunhas, para proteo delas, a fim de podermos manter a situao sob controle.
Robert descobriu que estava suando.
- Eu... eu compreendo.
- timo. Pelo que estou percebendo, j conversou com uma das testemunhas, no ?
- Encontrei duas.
- Seus nomes?
- Hans Beckerman... era o motorista do nibus de excurso. Mora em Kappel...
- E a segunda testemunha?
- Fritz Mandei. Possui uma oficina em Berna. Foi o mecnico que rebocou o carro de uma terceira testemunha.
- O nome dessa terceira testemunha?
- Ainda no sei. Estou trabalhando nisso agora. Gostaria que eu conversasse com as testemunhas para no falarem com ningum sobre essa histria do OVNI?
- Negativo. Sua misso  apenas localizar as testemunhas. Depois disso, deixaremos que seus respectivos governos resolvam o problema com elas. J descobriu quantas 
testemunhas houve?
- J, sim. Sete passageiros, mais o motorista do nibus, o mecnico e um motorista de passagem.
- Deve localizar todas, as dez testemunhas que viram o acidente. Entendido?
- Entendido, general.
Robert desligou, a mente em turbilho. Os OVNIs eram reais. Os aliengenas eram inimigos. Um pensamento assustador.
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E, de repente, a sensao inquietante que Robert j experimentara antes voltou com toda fora. O General Hilliard incumbira-o daquela misso, mas eles no lhe haviam 
contado tudo. O que mais estariam escondendo?
A companhia de aluguel de carros Avis fica na Rue de Lausanne, 44, no centro de Genebra. Robert entrou no escritrio e aproximou-se de uma mulher, sentada atrs 
de uma mesa.
- Em que posso servi-lo?
Robert ps na mesa o pedao de papel em que estava anotada a placa do Renault.
- Alugaram este carro na semana passada. Quero saber o nome da pessoa que o alugou.
Seu tom de voz era irado. A recepcionista se encolheu.
- Lamento, mas no estamos autorizados a dar esse tipo de informao.
- O que  uma pena, porque neste caso terei de processar sua companhia, pedindo uma grande indenizao.
- No estou entendendo. Qual  o problema?
- Vou lhe explicar qual  o problema, madame. No domingo passado, esse carro bateu no meu na estrada, e causou muitos danos. Consegui anotar a placa, mas o homem 
fugiu antes que eu conseguisse det-lo.
- Ahn... - A mulher estudou o rosto de Robert por um momento. - Com licena, por favor.
Ela desapareceu numa sala nos fundos. Ao voltar, alguns minutos depois, trazia uma ficha na mo.
- Segundo os nossos registros, houve um problema com o motor do carro, mas no temos informao de qualquer acidente.
- Pois estou informando agora. E considero sua companhia responsvel pelo que aconteceu. Tero de pagar o conserto de meu carro.  um Porsche novinho, e vai custar 
uma fortuna...
- Lamento muito, senhor, mas no podemos assumir qualquer responsabilidade, j que o acidente no foi comunicado.
- Quero ser justo - disse Robert, num tom mais comedido. - No quero atribuir a responsabilidade  sua companhia. Tudo o que quero  que o homem pague os danos que 
causou
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a meu carro. E ele fugiu do local do acidente. Posso at chamar a polcia. Se me der o nome e endereo, posso falar direto com ele, resolveremos a questo, deixando 
sua companhia de fora. No acha que  bastante justo?
A recepcionista ficou imvel, pensando na deciso que tinha de tomar.
- Est certo. Preferimos assim. - Ela olhou para a ficha. - O nome do homem que alugou o carro  Leslie Mothershed.
- E o endereo?
- Grove Road, 213, Whitechapel, Londres. - Ela levantou os olhos. - Tem certeza que nossa companhia no ser envolvida em qualquer litgio judicial?
- Tem a minha palavra - assegurou Robert. -  uma questo particular entre mim e Leslie Mothershed.
O Comandante Robert Bellamy partiu no vo seguinte da Swissair para Londres.
Ele estava sentado no escuro, sozinho, concentrado, repassando meticulosamente cada fase do plano, certificando-se de que no havia falhas, que nada poderia sair 
errado. Seus pensamentos foram interrompidos pelo zumbido suave do telefone.
- Janus falando.
- Aqui  o General Hilliard, Janus.
- Pode falar.
- O Comandante Bellamy localizou as duas primeiras testemunhas.
- timo. Cuide disso imediatamente,
- Certo, senhor.
- Onde se encontra o comandante agora?
- A caminho de Londres. Deve ter a terceira testemunha confirmada muito em breve.
- Comunicarei os progressos dele ao comit. Continue a me manter informado. A condio desta operao deve permanecer Nova Vermelha.
- Compreendo, senhor. Gostaria de sugerir... O telefone estava mudo.
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MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA ASN PARA VICE-DIRETOR BUNDESANWALTSCHAFT
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
1. HANS BECKERMAN - KAPPEL
2. FRITZ MANOEL - BERNA
FIM DA MENSAGEM
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Captulo Treze
 meia-noite, numa pequena casa de fazenda, a vinte e cinco quilmetros de Uetendorf, a famlia Lagenfeld foi perturbada por uma sucesso de estranhos acontecimentos. 
O filho mais velho foi despertado por uma luz amarela tremeluzente, brilhando atravs da janela de seu quarto. Quando se levantou para investigar, a luz j desaparecera.
No quintal, Tozzi, o pastor-alemo, comeou a latir furiosamente, acordando o velho Lagenfeld. Com a maior relutncia, ele saiu da cama, a fim de aquietar o animal. 
Ao deixar a casa, ouviu o barulho de uma ovelha apavorada, chocando-se contra seu cercado, na tentativa de fugir. Ao passar pelo cocho, que a chuva recente deixara 
cheio at a borda, Lagenfeld notou que estava completamente seco.
Tozzi veio correndo para o seu lado, ganindo. Lagenfeld afagou a cabea do cachorro, distrado.
- Est tudo bem, Tozzi, est tudo bem...
E nesse momento todas as luzes da casa apagaram. Lagenfeld tornou a entrar, a fim de ligar para a companhia de eletricidade, e descobriu que o telefone ficara mudo.
Se as luzes ficassem acesas por mais um momento, ele poderia ver uma mulher de estranha beleza sair de seu quintal e se afastar pelo campo alm.
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Captulo Quatorze
O Bundesanwaltschaft - Genebra
13:00
o ministro, sentado no quartel-general do servio secreto suo, observou o vice-diretor terminar de ler a mensagem. Ele ps a mensagem numa pasta com o carimbo 
de Ultra-Secreto, guardou a pasta na gaveta da escrivaninha, trancou a gaveta.
- Hans Beckerman una Fritz Mandei.
- J.
- No tem problema, Herr Ministro. Pode deixar que cuidarei de tudo.
- Gut.
- Wann?
- Sofort. Imediatamente.
Na manh seguinte, a caminho do trabalho, Hans Beckerman sentia a lcera incomodando-o de novo. Eu deveria ter exigido que aquele reprter me pagasse pela coisa 
que encontrei no cho. Todas essas revistas so muito ricas. Provavelmente poderia ter conseguido algumas centenas de marcos. E poderia ento pro
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curar um mdico decente, para dar um jeito na minha lcera. Ele passava pelo lago Turler quando avistou,  sua frente,  beira da estrada, uma mulher acenando, tentando 
pegar uma carona. Beckerman diminuiu a velocidade para observ-la melhor. Era jovem e atraente. Hans parou no acostamento. A mulher aproximou-se do carro.
- Guten Tag - disse Beckerman. - Posso ajud-la? De perto, ela era ainda mais bonita.
- Danke. - Ela tinha um sotaque suo. - Briguei com meu namorado, e ele me largou aqui, no meio do nada.
-  uma coisa horrvel para se fazer.
- Importa-se de me dar uma carona at Zurique?
- Claro que no. Entre.
A mulher abriu a porta e sentou ao seu lado.
-  muita gentileza sua. Meu nome  Karen.
- Hans.
Ele deu a partida no carro.
- No sei o que faria se voc no tivesse aparecido, Hans.
- Ora, tenho certeza que qualquer um daria carona a uma mulher bonita como voc.
Ela chegou mais perto de Beckerman.
- Mas aposto que no seria to bonito quanto voc. Ele lanou um olhar para a mulher.
- J?
- Acho que voc  muito bonito. Hans sorriu.
- Deve dizer isso  minha esposa.
- Ah, voc  casado... - Ela parecia desapontada. - Por que todos os homens maravilhosos so casados? E voc parece inteligente tambm.
Ele se empertigou todo.
- Para ser sincera, lamento ter me envolvido com meu namorado. - Karen mudou de posio no banco, a saia subiu pelas coxas. Ele fez um esforo para no olhar. - 
Gosto de homens mais velhos, j maduros, Hans. Acho que so mais sensuais do que os jovens.
Ela aconchegou-se contra Beckerman, antes de sussurrar:
- Gosta de sexo, Hans?
90
Ele limpou a garganta.
- Se eu gosto? Ora, deve compreender... sou um homem...
- Claro que compreendo. - Ela acariciou a coxa de Beckerman. - Posso lhe dizer uma coisa? A briga com meu namorado me deixou cheia de teso. Gostaria que eu fizesse 
amor com voc?
Ele no podia acreditar em sua sorte. A mulher era linda e, pelo que podia ver, possua um corpo sensacional. Beckerman engoliu em seco.
- Eu gostaria muito, mas estou a caminho do trabalho e...
- S levaria alguns minutos. - Ela sorriu. - H uma estrada secundria  frente que passa por um bosque. Por que no vamos at l?
Beckerman sentia um excitamento crescente. Sicher. Espere at eu contar a histria ao pessoal do escritrio! No vo querer acreditar!
- Claro. Por que no?
Hans entrou na estradinha de terra que entrava por um bosque, onde no poderiam ser vistos dos carros que passavam pela auto-estrada. A mulher passou a mo pela 
coxa de Beckerman, lentamente.
- Mein Gott, como voc tem pernas fortes!
- Era corredor quando era mais jovem - gabou-se Beckerman.
- Vamos tirar sua cala.
Ela abriu o cinto, ajudou-o a baixar a cala. Hans j estava intumescido.
- Ach! Ein grosser!
Ela comeou a acarici-lo. Hans balbuciou:
- Leck mich doch am Schwanz.
- Gosta de ser beijado a?
- J.
A esposa nunca fizera isso para ele.
- Gut. Basta relaxar agora.
Beckerman suspirou e fechou os olhos. As mos macias da mulher acariciavam seus colhes. Ele sentiu a sbita picada de uma agulha em sua coxa, e arregalou os olhos.
- Wie...?
91

O corpo se contraiu, os olhos ficaram esbugalhados. Estava sufocando, incapaz de respirar. A mulher observava, enquanto Hans caa sobre o volante. Ela saiu do carro, 
deu a volta, empurrou o corpo de Beckerman para o outro banco, depois sentou ao volante, voltou pela estradinha de terra para a auto-estrada. Foi parar o carro  
beira de um precipcio, esperou at que no houvesse qualquer outro veculo  vista, depois abriu a porta, pisou no acelerador e saltou fora. Observou o carro rolar 
pela encosta. Cinco minutos depois, uma limusine preta parou ao seu lado.
- Irgendwelche Problem?
- Keins.
Fritz Mandei estava em seu escritrio, preparando-se para fechar a oficina, quando dois homens apareceram.
- Desculpem, mas estou fechando - disse ele. - No posso...
Um dos homens interrompeu-o:
- Nosso carro enguiou na estrada. Kaputt! Precisamos de um reboque.
- Minha mulher est me esperando. Vamos receber visitas esta noite. Posso lhe dar o nome de outro...
- Pagaremos duzentos dlares. Estamos com pressa.
- Duzentos dlares?
- Isso mesmo. E nosso carro no est bom. Gostaramos que fizesse uma reviso nele. O que provavelmente custaria mais duzentos ou trezentos dlares.
Mandei comeou a se interessar.
- J?
-  um Rolls - explicou um dos homens. - Vamos ver o tipo de equipamento que tem aqui.
Eles entraram na oficina, pararam  beira do poo de lubrificao.
- Seu equipamento  muito bom.
-  mesmo - declarou Mandei, orgulhoso. - O melhor. O estranho tirou uma carteira do bolso.
- Posso lhe dar algum dinheiro adiantado.
Ele removeu algumas notas, entregou-as a Mandei. Foi nesse
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instante que a carteira escapuliu de suas mos, caiu no poo.
- Verflucht!
- No se preocupe - disse Mandei. - Vou peg-la. Ele desceu para o poo. Um dos homens foi at o boto de
controle que acionava o elevador hidrulico e apertou-o. O elevador comeou a descer. Mandei levantou os olhos.
- Tomem cuidado! O que esto fazendo?
Ele tentou subir pelo lado do poo. No momento em que seus dedos alcanaram a beira, o segundo homem pisou-os com toda fora. Mandei caiu de volta no poo, gritando. 
O pesado elevador hidrulico descia, inexorvel.
- Deixem-me sair daqui! - gritou ele. - Hilfe!
O elevador acertou-o no ombro, passou a empurr-lo para o cho de cimento. Alguns minutos mais tarde, depois que os gritos terrveis cessaram, um dos homens apertou 
o boto que levantava o elevador. Seu companheiro desceu para o poo, pegou a carteira, tomando todo cuidado para no manchar as roupas de sangue. Os dois voltaram 
a seu carro e partiram pela noite sossegada.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ABTEILUNG ESPIONAGEM PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
1. HANS BECKERMAN - ARQUIVADO
2. FRITZ MANOEL - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
Ottawa, Canad
24:00
Janus falava ao grupo dos doze.
- O progresso realizado  satisfatrio. Duas das testemunhas
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 j foram silenciadas. O Comandante Bellamy est na pista de uma terceira.
- J houve alguma abertura com a SDI? O italiano. Impetuoso. Voltil.
- Ainda no, mas estamos confiantes de que a tecnologia de Guerra nas Estrelas ser lanada e estar em operao muito em breve.
- Devemos fazer tudo o que for possvel para apress-la. Se for uma questo de dinheiro...
O saudita. Enigmtico. Retrado.
- No. S precisamos fazer mais alguns testes.
- Quando ser o prximo teste? O australiano. Exuberante. Esperto.
- Dentro de uma semana. Voltaremos a nos reunir aqui em quarenta e oito horas.
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Captulo Quinze
Dia Quatro - Londres Quinta-feira, 18 de outubro
O modelo de Leslie Mothershed era Robin Leach. Um espectador vido de "Estilos de Vida dos Ricos e Famosos", Mothershed estudava com toda ateno a maneira como 
os convidados de Robin Leach andavam, falavam e se vestiam, porque sabia que um dia apareceria no programa. Desde que era garotinho, sentia que estava destinado 
a ser algum, a se tornar rico e famoso.
- Voc  muito especial - costumava lhe dizer a me. - Meu filho ser conhecido no mundo inteiro.
O menino dormia com essa afirmao ressoando em seus ouvidos, at que passou a acreditar.  medida que foi crescendo, Mothershed tornou-se consciente de que tinha 
um problema: no tinha a menor idia de como se tornaria rico e famoso. Durante algum tempo, ele aventou a possibilidade de se tornar artista de cinema, mas era 
extremamente tmido. Tambm pensou em se tornar um astro do futebol, mas no era um atleta. Pensou ainda em virar um cientista famoso, um grande advogado, cobrando 
honorrios espetaculares. Suas notas na escola, 
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infelizmente, eram medocres, e ele acabou deixando os estudos sem estar mais prximo da fama. A vida no era justa. Fisicamente, ele era pouco atraente, magro, 
a pele plida, com uma aparncia doentia, e baixo, tendo apenas um metro e sessenta e cinco centmetros e meio. Mothershed sempre fazia questo de ressaltar o meio. 
Consolava-se com o fato de que muitos homens famosos eram baixos: Dudley Moore, Dustin Hoffman, Peter Falk...
A nica profisso que realmente interessava Leslie Mothershed era a fotografia. Tirar fotografias era incrivelmente simples. Qualquer pessoa podia faz-lo. Bastava 
apertar um boto. A me lhe comprara uma cmera ao completar seis anos, e sempre fora muito exagerada no louvor das fotografias que ele tirava. Ao entrar na adolescncia, 
Mothershed estava absolutamente convencido de que era um fotgrafo brilhante. Dizia a si mesmo que era to bom quanto Ansel Adams, Richard Avedon ou Margaret Bourke-White. 
Com um emprstimo da me, Leslie Mothershed abrira seu prprio estdio, em seu apartamento em Whitechapel.
- Comece pequeno - a me lhe dissera - mas pense grande.
Era exatamente o que Leslie Mothershed fizera. Comeara bem pequeno e pensara muito grande, mas infelizmente no possua o menor talento para a fotografia. Fotografava 
desfiles, animais e flores, mandava as fotos, confiante, para jornais e revistas, mas eram sempre devolvidas. Mothershed consolava-se com o pensamento de todos os 
gnios que haviam sido rejeitados antes que sua competncia fosse reconhecida. Considerava-se um mrtir do filistinismo.
E de repente, da maneira mais inesperada possvel, sua grande oportunidade surgira. O primo da me, que trabalhava para a editora britnica HarperCollins, confidenciara 
a Mothershed que estavam pensando em fazer um livro de paisagens da Sua.
- Ainda no escolheram o fotgrafo, Leslie. Assim, se voc partir agora para a Sua, e voltar com algumas fotos sensacionais, o livro pode ser seu.
Leslie Mothershed apressou-se em arrumar seu equipamento, e partiu para a Sua. Sabia - tinha certeza absoluta - de
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que essa era a oportunidade pela qual tanto esperava. Finalmente os idiotas teriam de reconhecer seu talento. Ele alugou um carro em Genebra e saiu a percorrer o 
pas, tirando fotografias de chals suos, quedas-d'gua, picos nevados. Fotografou o nascer e o pr-do-sol, camponeses trabalhando nos campos. E de repente, no 
meio de tudo isso, o destino interferira, e mudara sua vida. Ele seguia para Berna quando o carro enguiara. Parara no acostamento, furioso. Por que eu?, lamentara 
Mothershed. Porque essas coisas sempre acontecem comigo? Ele ficara sentado ali, na maior raiva, pensando no precioso tempo perdido, e como seria caro o reboque 
do carro. Quinze quilmetros atrs ficava a aldeia de Thun. Chamarei um reboque de l, pensara Mothershed. No deve custar tanto. Ele fizera sinal para um caminho 
de gasolina que passava.
- Preciso de um reboque - explicara Mothershed. - Pode parar em alguma oficina em Thun, e pedir que venham me buscar?
O motorista do caminho sacudira a cabea.
-  domingo, mister. A oficina aberta mais prxima s em Berna.
- Berna? Fica a cinqenta quilmetros daqui. Vai me custar uma fortuna.
O motorista sorrira.
- J. Ali eles cobram pelo trabalho no domingo. Ele engrenara o caminho.
- Espere! - Fora difcil dizer as palavras. - Eu... eu pagarei por um reboque de Berna.
- Gut. Pedirei que mandem algum.
Leslie Mothershed sentara no carro enguiado, praguejando. Isto era tudo o que eu precisava, pensara, amargurado. J gastara dinheiro demais com filmes, e agora 
teria de pagar a algum ladro miservel para reboc-lo at uma oficina. O reboque demorara quase duas horas interminveis para chegar. Enquanto o mecnico prendia 
o cabo em seu carro, houvera um claro intenso no outro da estrada, seguido por uma tremenda exploso. Mothershed virara a cabea para ver o que parecia ser um objeto 
brilhante, caindo do cu. o nico outro veculo na estrada, naquele momento, era um nibus de excurso, que 
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parara num refgio um pouco atrs de seu carro. Os passageiros do nibus se encaminhavam apressados para o local do desastre. Mothershed hesitara, dividido entre 
a curiosidade e o desejo de sair logo dali. Acabara seguindo os passageiros do nibus atravs da estrada. E ficara paralisado ao alcanar o local do acidente. Santo 
Deus!, pensara ele.  irreal! Ele olhava para um disco voador. Leslie Mothershed j ouvira falar em discos voadores, lera muito a respeito, mas jamais acreditara 
que existiam de fato. Mas era o que contemplava agora, assustado com o espetculo fantstico. A fuselagem fora dilacerada, e ele avistara dois corpos l dentro, 
pequenos, com crnios enormes, olhos fundos, sem orelhas, quase sem queixo. Pareciam usar alguma espcie de traje metlico prateado.
O grupo do nibus de excurso estava parado ao seu redor, num silncio horrorizado. O homem a seu lado desmaiara. Outro homem se virara e vomitara. Um idoso sacerdote 
segurava as contas do rosrio e murmurava palavras incoerentes.
- Santo Deus! - exclamara algum. -  um disco voador!
E fora nesse instante que Mothershed tivera sua inspirao. Um milagre cara em seu colo. Ele, Leslie Mothershed, encontrava-se no local, com suas cmeras, para 
fotografar a histria do sculo! No haveria uma nica revista ou jornal do mundo que rejeitaria as fotografias que ele estava prestes a tirar. Um livro sobre paisagens 
da Sua? Ele quase rira da idia. Estava prestes a espantar o mundo inteiro. Todos os programas de entrevistas da televiso suplicariam sua presena, mas ele compareceria 
primeiro ao programa de Robin Leach. Venderia suas fotografias ao London Times, Sun, Ma/7, Mirror - a todos os jornais ingleses, assim como a jornais e revistas 
estrangeiros, como L Figaro, Paris-Match, Oggi e Der Tag. Sem falar em Time e USA Today. A imprensa de toda parte suplicaria por suas fotografias. Japo, Amrica 
do Sul, Rssia, China... no haveria fim. O corao de Mothershed palpitara de excitamento. Cada um ter de me pagar individualmente. Comearei a cem mil libras 
por fotografia, talvez duzentos mil. E as venderei muitas e muitas vezes. Ele se pusera a somar febrilmente o dinheiro que ganharia.
E Leslie Mothershed ficara to ocupado em calcular sua fortuna que quase esquecera de tirar as fotografias.
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- Oh, Deus! Com licena!
Ele falara sem se dirigir a ningum em particular, voltara correndo pela estrada para buscar o equipamento fotogrfico. O mecnico terminara de iar a frente do 
carro enguiado, pronto para reboc-lo.
- O que est acontecendo por l? - perguntara ele. Mothershed estava ocupado em arrumar o equipamento.
- V verificar pessoalmente.
Os dois homens atravessaram a estrada. Mothershed abrira caminho pelo crculo de turistas.
- Com licena, com licena...
Ele ajustara o foco da cmera e comeara a bater chapas do OVNI e seus estranhos passageiros. Tirara fotos em preto-ebranco e em cores. A cada estalido do obturador, 
Mothershed pensava: Um milho de libras... outro milho de libras... outro milho de libras.
O sacerdote fizera o sinal-da-cruz, murmurando:
-  a face de Sat.
Sat coisa nenhuma!, pensara Mothershed, exultante.  a face do dinheiro. Estas sero as primeiras fotografias aprovarem que os discos voadores realmente existem. 
E de repente lhe ocorrera um terrvel pensamento: E se as revistas pensarem que estas fotografias so falsas? J houve muitas fotografias forjadas de OVNIs. Sua 
euforia desaparecera. E se no acreditarem em mim? Fora nesse momento que Leslie Mothershed tivera sua segunda inspirao.
Havia nove testemunhas ao seu redor. Sem o saberem, aquelas pessoas proporcionariam autenticidade  sua descoberta. Mothershed virara-se para o grupo, dizendo:
- Senhoras e senhores, se quiserem tirar uma fotografia, todos alinhados, terei o maior prazer em enviar depois uma cpia para cada um, de graa.
Houvera exclamaes excitadas. Em poucos momentos, os passageiros do nibus de excurso,  exceo do padre, postaram-se ao lado dos destroos do OVNI. Ele relutara, 
alegando:
- No posso. Isso  coisa de Sat.
Mothershed precisava do padre. Ele seria a mais convincente de todas as testemunhas.
-  justamente essa a questo - insistira Mothershed, per-
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suasivo. - Ser que no percebe? Este ser seu testemunho sobre a existncia de espritos do mal.
Ao final, o padre se deixara convencer.
- Espalhem-se um pouco - ordenara Mothershed -, a fim de podermos ver o disco voador.
As testemunhas mudaram de posio.
- Assim est bom. Excelente. E agora fiquem quietos. Ele tirara mais meia dzia de chapas, depois pegara um lpis e um papel.
- Se escreverem seus nomes e endereos, providenciarei para que cada um receba uma cpia.
Ele no tinha a menor inteno de mandar qualquer cpia. Queria apenas testemunhas que confirmassem a histria. Deixarei que os jornais e revistas os procurem!
E de repente ele notara que vrias pessoas no grupo estavam com cmeras. No podia permitir mais nenhuma fotografia alm das suas! S podia haver fotos que tivessem 
o crdito de "Foto de Leslie Mothershed".
- Com licena - ele dissera ao grupo. - Se aqueles que esto com cmeras quiserem entreg-las a mim, baterei algumas chapas, a fim de que tenham fotos tiradas com 
seu prprio equipamento.
As cmeras foram logo entregues a Leslie Mothershed. Quando ele se ajoelhara para bater a primeira foto, ningum notara que abrira o compartimento do filme com o 
polegar, deixando-o assim por um momento. Pronto, um pouquinho da claridade intensa deste sol far bem s suas fotografias.  uma pena, meus amigos, mas s os profissionais 
tm permisso para registrar momentos histricos.
Dez minutos depois, Mothershed j tinha todos os nomes e endereos. Lanara um ltimo olhar para o disco voador e pensara, exultante: Mame tinha razo. Serei mesmo 
rico e famoso.
Ele mal podia esperar o momento de voltar  Inglaterra para revelar suas preciosas fotografias.
- Mas o que est acontecendo, afinal?
As delegacias de polcia na rea de Uetendorf foram inundadas de telefonemas durante toda a noite.
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- Algum est rondando minha casa...
- H luzes estranhas l fora...
- Meus animais esto enlouquecendo. Deve haver lobos por perto...
- Algum esvaziou meu cocho...
E o mais inexplicvel de todos os telefonemas:
- Chefe,  melhor mandar uma poro de reboques para a estrada principal imediatamente.  um pesadelo. Todo o trfego parou.
- Como? Por qu?
-- Ningum sabe. Os motores dos carros simplesmente pararam de repente.

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Captulo Dezesseis
qqqquanto tempo esta misso vai demorar? especulou Robert, enquanto afivelava o cinto de segurana, no avio da Swissair. Enquanto o avio corria pela pista, os 
enormes motores Rolls-Royce absorvendo sfregos o ar noturno, Robert relaxou e fechou os olhos. Ter sido mesmo h apenas uns poucos anos que embarquei neste mesmo 
vo para Londres, em companhia de Susan? No. Foi h mais de uma vida atrs.
O avio pousou em Heathrow s 6:29 da noite, no horrio previsto. Robert saiu do labirinto do aeroporto, e pegou um txi para a vasta cidade. Passou por uma centena 
de pontos de referncia familiares, podia ouvir a voz de Susan a coment-los, excitada. Naqueles dias ureos, no tinha a menor importncia o lugar em que se encontravam. 
Bastava que estivessem juntos. Levavam sua prpria felicidade, seu excitamento especial um pelo outro. Aquele era o casamento que teria um final feliz.
Quase.
Seus problemas haviam comeado de uma maneira bastante inocente, com um telefonema internacional do Almirante Whittaker, quando Robert e Susan se encontravam na 
Tailndia. H seis meses que Robert dera baixa da marinha, e no falara com
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o almirante durante todo esse tempo. A ligao, alcanando-os no Hotel Oriental, em Bangkok, fora uma surpresa.
- Robert? Almirante Whittaker.
- Almirante! Que prazer ouvir sua voz!
- No foi fcil localiz-lo. O que anda fazendo?
- Nada demais. Apenas levando uma vida tranqila. Tendo uma longa lua-de-mel.
- E como vai Susan?  Susan, no ?
- , sim. Ela vai bem, obrigado.
- Quando voltar a Washington?
- Como disse?
- Ainda no foi anunciado, mas fui designado para o novo cargo de diretor executivo do servio secreto do 17? Distrito Naval. Gostaria que embarcasse comigo.
Robert ficara confuso.
- Servio secreto naval? Ora, almirante, no sei nada a respeito...
- Pode aprender. Estaria prestando um importante servio a seu pas, Robert. Vir discutir o assunto comigo?
- Bem...
- timo. Espero-o em meu gabinete na segunda-feira, s nove horas da manh. E d minhas lembranas a Susan.
Robert relatara a conversa a Susan.
- Servio secreto naval? Parece emocionante.
- Talvez - respondera Robert, ainda desconfiado. - No tenho a menor idia do que pode envolver.
- Ento deve descobrir.
Ele a estudara por um momento.
- Quer que eu aceite, no ? Susan o abraara.
- Quero que faa o que quiser fazer. Acho que est pronto para voltar ao trabalho. Notei que nas ltimas semanas tem se mostrado bastante irrequieto.
- Pois eu acho que voc est tentando se livrar de mim - zombara Robert. - A lua-de-mel acabou.
Susan encostara os lbios nos dele.
- Nunca. J lhe disse alguma vez como sou louca por voc, marujo? Deixe-me mostrar...
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Pensando a respeito mais tarde - tarde demais -, Robert conclura que esse fora o incio do fim do casamento. O convite parecia maravilhoso na ocasio, e ele voltara 
a Washington para conversar com o Almirante Whittaker.
- Este trabalho exige inteligncia, coragem e iniciativa, Robert. Voc tem todas as trs. Nosso pas tornou-se o alvo de cada pequeno ditador que pode financiar 
um grupo terrorista ou construir uma fbrica de armas qumicas. Alguns desses pases j esto neste momento trabalhando no desenvolvimento de bombas atmicas, a 
fim de poderem nos chantagear. Meu trabalho  criar uma rede de informaes para descobrir o que exatamente eles andam fazendo, e tentar cont-los. Quero que voc 
me ajude.
Ao final, Robert aceitara o trabalho no servio secreto naval. Para sua surpresa, descobrira que gostava e at possua alguma aptido para as funes. Susan encontrara 
um lindo apartamento em Rosslyn, Virgnia, no muito longe do lugar em que Robert trabalhava, e se ocupara em decor-lo. Robert fora enviado para a Fazenda, o centro 
de treinamento da CIA para os agentes secretos.
Localizada numa rea fortemente guardada na regio rural da Virgnia, a Fazenda ocupa uma rea de cinqenta quilmetros quadrados, a maior parte coberta por uma 
floresta de pinheiros, com os prdios centrais numa clareira de trs acres, a trs quilmetros do porto principal. Estradas de terra atravessam a floresta, com 
barricadas mveis e cartazes de "Proibida a Entrada". Num pequeno aeroporto, avies no identificados decolam e pousam vrias vezes por dia. A Fazenda apresenta 
um cenrio enganadoramente buclico, com rvores frondosas, cervos correndo pelos campos, e pequenos prdios dispersos de forma inocente pela extensa rea. Dentro 
do permetro, no entanto, existe um mundo diferente.
Robert esperara fazer o treinamento junto com outros oficiais da marinha, mas para sua surpresa o grupo era formado por uma mistura de recrutas da CIA, fuzileiros 
e pessoal do exrcito, marinha e fora area. Cada estudante recebia um nmero, e era alojado num quarto tpico de dormitrio, em um dos
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vrios prdios espartanos de alvenaria, com dois andares. No alojamento dos oficiais solteiros, em que Robert ficara, cada homem tinha seu prprio quarto, e partilhava 
um banheiro com outro. O refeitrio era no outro lado do caminho, quase em frente a seu alojamento.
No dia em que se apresentara ali, Robert fora escoltado a um auditrio, com trinta outros recm-chegados. Um coronel negro, alto e forte, com o uniforme da fora 
area, falara ao grupo. Parecia ter cinqenta e poucos anos, e dava a impresso de uma inteligncia gil e fria. Falava de forma clara e incisiva, sem desperdiar 
palavras.
- Sou o Coronel Frank Johnson. Quero lhes dar as boasvindas. Durante sua permanncia aqui, usaro apenas seus primeiros nomes. Deste momento em diante, suas vidas 
sero um livro fechado. Todos j juraram sigilo. Aconselho a levarem esse juramento a srio, muito a srio. Nunca devem discutir seu trabalho com ningum... nem 
esposa, famlia ou amigos. Foram selecionados porque possuem qualificaes especiais. Tero um longo e rduo trabalho pela frente para desenvolver essas qualificaes, 
e nem todos conseguiro chegar ao fim. Sero envolvidos em coisas de que nunca ouviram falar antes. No tenho palavras para ressaltar o suficiente a importncia 
do trabalho que realizaro quando sarem daqui. Tornou-se moda em certos crculos liberais atacar nossos servios secretos, quer seja a CIA, exrcito, marinha ou 
aeronutica. Mas posso lhes assegurar, senhores, que sem pessoas dedicadas como vocs, este pas estaria metido num inferno de problemas. Caber a vocs ajudar para 
impedir isso. Aqueles que conseguirem concluir o treinamento vo se tornar oficiais controladores. Em termos mais simples, um controlador  um espio. Ele trabalha 
em segredo.
O coronel fizera uma pausa, correndo os olhos pela audincia.
- Enquanto estiverem aqui, recebero o melhor treinamento do mundo. Sero treinados em vigilncia e contravigilncia. Tero cursos de comunicao por rdio, codificao, 
armamentos e leitura de mapas. Faro um curso de relaes pessoais. Aprendero como desenvolver um relacionamento, como descobrir as motivaes de um indivduo, 
como fazer com que seu alvo fique  vontade.
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Os recrutas absorviam atentamente cada palavra.
- Aprendero a localizar e recrutar um agente. Sero treinados nas providncias para tornar seguro um ponto de encontro. Aprendero tudo sobre os pontos de entrega 
de correspondncia, como se comunicar discretamente com seus contatos Se forem bem-sucedidos, cumpriro suas misses sem serem notados nem descobertos.
Robert pudera sentir o excitamento que impregnava a atmosfera.
- Alguns de vocs atuaro sob cobertura oficial. Pode ser diplomtica ou militar. Outros atuaro sob cobertura extraoficial, como cidados particulares... executivos, 
arquelogos ou escritores... qualquer profisso que lhes proporcione acesso a lugares e tipos de pessoas que podem ter as informaes que procuramos. E agora vou 
entreg-los aos cuidados dos instrutores. Boa sorte.
Robert sentira-se fascinado pelo treinamento. Os instrutores eram homens que haviam trabalhado no campo, profissionais experientes. Robert absorvera com a maior 
facilidade as informaes tcnicas. Alm dos cursos mencionados pelo Coronel Johnson, houvera um curso intensivo de lnguas, e outro de cdigos secretos.
O Coronel Johnson era um enigma para Robert. Os rumores a seu respeito eram de que tinha fortes ligaes na Casa Branca, e se encontrava envolvido em atividades 
secretas de alto nvel. Ele desaparecia da Fazenda por dias a fio, e retornava to abruptamente quanto partira.
Um agente chamado Ron estava dando uma aula.
- H seis fases no processo operacional clandestino. A primeira fase  o reconhecimento. Quando voc sabe qual  a informao de que precisa, seu primeiro desafio 
 identificar e localizar os indivduos que tm acesso a essa informao A segunda fase  a avaliao. Depois de reconhecer o alvo,  preciso decidir se ele possui 
realmente a informao de que voc precisa, e se pode ser suscetvel ao recrutamento. O que o motiva? Ele  feliz em seu trabalho? Tem algum ressentimento contra 
o
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chefe? Est assoberbado por problemas financeiros? Se o alvo  acessvel, e h uma motivao que pode ser explorada, passa-se para a fase trs.
"A fase trs  o desenvolvimento. Cria-se um relacionamento com o alvo. D-se um jeito de se esbarrar nele como se fosse por acaso, tantas vezes quanto possvel, 
aprofunda-se o contato. A fase seguinte  o recrutamento. Quando se acha que ele est pronto, passa-se a trabalh-lo psicologicamente. Usa-se todas as armas psicolgicas 
que se puder obter... vingana contra o chefe, dinheiro, a emoo da aventura. Se um controlador trabalhou bem, o alvo geralmente diz sim.
"Tudo bem at aqui. Conta com um espio trabalhando para voc. A etapa seguinte  como manipul-lo.  preciso proteger no apenas voc mesmo, mas tambm o agente. 
Deve-se marcar reunies secretas, trein-lo no uso do microfilme e tambm, quando for o caso, da comunicao por rdio. Deve-se ensinar ainda ao agente como perceber 
qualquer vigilncia, o que responder se for interrogado, e assim por diante.
"A ltima fase  o desligamento. Depois de algum tempo, talvez o seu agente seja transferido para um trabalho diferente, no tenha mais acesso s informaes, ou 
talvez no precisemos mais das informaes a que ele tem acesso. Seja como for, o relacionamento est encerrado, mas  importante conclu-lo de tal maneira que o 
recrutado no sinta que foi usado, e passe a querer vingana...
O Coronel Johnson estava certo. Nem todos conseguiram chegar ao final do treinamento. Rostos familiares desapareciam constantemente. Ningum sabia por qu. E ningum 
perguntava. Um dia, quando o grupo se preparava para ir a Richmond, num exerccio de vigilncia, o instrutor de Robert dissera:
- Vamos descobrir se voc  mesmo bom, Robert. Vou mandar algum segui-lo. Quero que o despiste. Acha que pode conseguir?
- Creio que sim, senhor.
- Boa sorte.
Robert pegara o nibus para Richmond, e comeara a circular pelas ruas. Cinco minutos depois, j identificara os homens que
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o seguiam. Eram dois. Um deles estava a p, o outro de carro. Robert tentara se esquivar em restaurantes e lojas, saindo apressado pelas portas dos fundos, mas no 
conseguira despist-los. Tambm eram bem treinados. Finalmente, estava quase na hora de retornar  Fazenda, e Robert ainda no fora capaz de se desvencilhar de seus 
seguidores. Vigiavam-no com a maior ateno Robert entrara numa loja de departamentos, os dois homens ocuparam posies em que podiam vigiar as entradas e sadas. 
Robert subira na escada rolante para o departamento de roupas masculinas. Trinta minutos depois, ao descer, usava um terno diferente, sobretudo e chapu, conversava 
com uma mulher e carregava um beb no colo. Passara pelos vigilantes sem ser reconhecido.
Fora o nico naquele dia que conseguira se esquivar  vigilncia.
O jargo ensinado na Fazenda era uma lngua por si mesma.
- Provavelmente no usaro todos esses termos - dissera o instrutor -, mas  melhor conhec-los. H dois tipos diferentes de agentes: um "agente de influncia" e 
um "agente provocador". O agente de influncia tenta mudar a opinio no pas em que opera. Um agente provocador  enviado para atiar problemas e criar o caos. "Alavanca 
biogrfica"  o cdigo da CIA para chantagem. H tambm os "trabalhos da bolsa negra", que podem variar de suborno a arrombamento. Watergate foi um trabalho de bolsa 
negra.
Ele olhara ao redor, para se certificar de que toda a turma prestava ateno. Eles estavam fascinados.
- De vez em quando, alguns de vocs podem precisar de um "sapateiro"...  um homem que falsifica passaportes.
Robert se perguntara se algum dia teria de recorrer aos servios de um sapateiro.
- A expresso rebaixamento mximo  das mais terrveis. Significa expurgar pelo assassinato.  a mesma coisa da palavra arquivar. Se ouvirem algum falar sobre a 
Firma,  o apelido que usamos para nos referirmos ao servio secreto britnico. Se pedirem a vocs para "fumigar" um escritrio, no devem procurar por cupins, mas 
sim por artefatos de escuta.
As expresses misteriosas fascinavam Robert.
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- "Damas"  um eufemismo para as mulheres enviadas para comprometer a oposio. Um "mito"  a biografia forjada de um espio, para lhe proporcionar cobertura. "Virar 
particular" significar deixar o servio.
O instrutor tornara a correr os olhos pela turma.
- Algum de vocs sabe o que  um "domador de leo"? Ele esperara por uma resposta. Silncio.
- Quando um agente  dispensado, s vezes fica transtornado e ameaa revelar o que sabe. Um domador de leo  despachado para aquiet-lo. Tenho certeza que nenhum 
de vocs jamais precisar enfrentar algum.
Isso provocara risos nervosos.
- H tambm o termo sarampo. Se um alvo morre de sarampo, isso significa que foi assassinado com tanta eficincia que a morte pareceu ser acidental ou decorrente 
de causas naturais. Um mtodo de induzir o sarampo  usar o "Tabun". Trata-se de um composto lquido incolor ou num tom marrom, que causa a paralisia nervosa, quando 
absorvido atravs da pele. Se algum lhe oferece uma "caixa de msica", trata-se de um radiotransmissor. O operador do transmissor  chamado de msico. No futuro, 
alguns de vocs estaro operando "nus". No se apressem em tirar as roupas; significa simplesmente que estaro sozinhos, sem qualquer ajuda.
O instrutor fizera uma pausa.
- H mais uma coisa sobre a qual eu gostaria de falar hoje. A coincidncia. Em nosso trabalho, no existe esse animal. Geralmente representa perigo. Se deparar vrias 
vezes com a mesma pessoa, ou se a todo instante avistar o mesmo automvel, quando estiver em ao, trate de se proteger. Provavelmente se encontra metido numa encrenca. 
Creio que  o suficiente por hoje, senhores. Recomearemos amanh, do ponto em que paramos.
De vez em quando o Coronel Johnson chamava Robert a seu gabinete para "uma conversa amigvel", como ele dizia. Eram conversas enganadoramente informais e descontradas, 
mas Robert podia sentir que havia uma sondagem por trs.
- Soube que  feliz no casamento, Robert.
- Isso mesmo.
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Passaram a meia hora seguinte falando sobre casamento, fidelidade e confiana. Em outra ocasio:
- O Almirante Whittaker o considera como um filho, Robert. Sabia disso?
- Sabia.
A dor pela morte de Edward era algo que jamais desapareceria. E conversaram sobre lealdade, dever e morte.
- J enfrentou a morte mais de uma vez, Robert. Tem medo de morrer?
- No.
Mas morrer por um bom motivo, pensara Robert. No uma morte sem sentido.
As reunies eram frustrantes para Robert, porque eram como olhar para um espelho de fundo falso. O Coronel Johnson podia v-lo claramente, mas permanecia invisvel, 
um enigma envolto pelo sigilo.
O curso durara dezesseis semanas, e durante esse tempo nenhum dos homens tivera permisso para se comunicar com o mundo exterior. Robert sentira uma saudade desesperadora 
de Susan. Fora o perodo mais longo em que haviam ficado separados. Ao final dos quatro meses, o Coronel Johnson chamara Robert a seu gabinete.
- Esta  a nossa despedida. Fez um excelente trabalho aqui, comandante. Creio que vai descobrir que seu futuro ser muito interessante.
- Obrigado, senhor. Espero que sim.
- Boa sorte.
O Coronel Johnson ficara observando Robert se retirar. Continuara sentado ali por cinco minutos, imvel, depois tomara uma deciso. Fora at a porta e a trancara. 
Depois, pegara o telefone e fizera uma ligao.
Susan o aguardava. Abrira a porta do apartamento num neglig transparente, que nada ocultava. Jogara-se nos braos de Robert, apertando-o com toda fora.
- Oi, marujo. Quer se divertir um pouco?
- J estou me divertindo s de abra-la - respondera Robert, na maior felicidade.
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- Santo Deus, como senti saudade! - Susan recuara e acrescentara, com toda veemncia: - Se algum dia acontecesse alguma coisa com voc, acho que eu morreria.
- Nada jamais vai acontecer comigo.
- Promete?
- Prometo.
Ela o estudara por um momento, preocupada.
- Voc parece cansado.
- Foi um curso dos mais intensivos - admitira Robert.
Era muito aqum da realidade. Com todos os textos e manuais para estudar, alm das aulas prticas, nenhum dos recrutas jamais conseguira dormir por mais que umas 
poucas horas por noite. No houvera muitos protestos por um motivo bem simples: todos estavam conscientes de que aprendiam ali como poderiam um dia salvar suas vidas.
- Sei exatamente o que voc precisa - anunciara Susan. Robert sorrira.
- Posso lhe dizer.
Ele estendera as mos para a Susan.
- Espere um pouco. D-me cinco minutos. E pode se despir.
Robert observara-a se retirar e pensara: Como um homem pode ser to afortunado? Ele comeara a se despir. Susan voltara alguns minutos depois, murmurando:
- Hum... Gosto de voc nu.
Robert ouvira a voz do instrutor: "Alguns de vocs vo operar nus. Significa simplesmente que estaro sozinhos, sem qualquer ajuda." Em que me meti? Em que meti 
Susan?
Ela o levara para o banheiro. A banheira estava cheia, a gua quente e perfumada, as luzes apagadas, havia quatro velas acesas na pia.
- Bem-vindo ao lar, querido.
Ela tirara o neglig e entrara na banheira. Robert a acompanhara.
- Susan...
- No fale. Recoste-se em mim.
Ele sentira as mos de Susan acariciando suas costas e ombros, sentira as curvas suaves do corpo da mulher se comprimindo
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 contra o dele, e esquecera como se sentia cansado. Fizeram amor na gua quente. Depois de se enxugarem, Susan dissera:
- J chega de brincadeiras. Agora, vamos ao que  srio.
E fizeram amor outra vez. Mais tarde, um momento antes de adormecer, com Susan em seus braos, Robert pensara: Ser sempre assim. Por toda a eternidade.
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Captulo Dezessete
Na manh da segunda-feira seguinte, Robert se apresentara no Pentgono, para seu primeiro dia de trabalho no servio secreto naval. O Almirante Whittaker recebera-o 
calorosamente:
- Seja bem-vindo, Robert. Ao que parece, voc deixou o Coronel Johnson bastante impressionado.
Robert sorrira.
- Ele tambm impressiona qualquer um. Enquanto tomavam caf, o almirante perguntara:
- Est pronto para comear a trabalhar?
- Ansioso.
- timo. Temos um problema na Rodsia...
Trabalhar no servio secreto naval era ainda mais emocionante do que Robert imaginara. Cada misso era diferente, e incumbiam Robert das que eram consideradas as 
mais delicadas. Ele trouxera um desertor que revelara uma operao de trfico de drogas de Noriega no Panam, denunciara um agente trabalhando para Marcos no consulado 
americano em Manila, e ajudara a instalar um posto de escuta secreto no Marrocos. S uma coisa o perturbava: os longos perodos em que ficava longe de Susan. Detestava 
se ausentar, sentia uma tremenda saudade de Susan.
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Tinha o excitamento de seu trabalho para ocimoc,  mas Susan
no dispunha de nada. A carga de trabalho de Robert era cada
vez maior. Ele passava menos e menos tempo com ela.
Foi ento que o problema com Susan se tornara cada vez maior. 
Sempre que Robert voltava para casa, ele e  Susan corriam famintos para os braos um do outro, faziam  amor ardente Mas essas ocasies passaram a ser mais e maisdistanciadas 
Parecia a Susan que to logo Robert voltava de  -Aparecer,
  Logo seria
enviado em outra.
Para agravar a situao, Robert no podia ir para o trabalho com ela. Susan no tinha a menor ideia dos lugares para onde ele ia, ou o que fazia. Sabia apenas que 
Robert estava envolvido em algo perigoso, e sentia pavor de  um dia ele partir e nunca mais voltar. No ousava lhe fazer perguntas.  Experimentava a sensao de 
ser uma estranha, completamente excluda de uma parte importante da vida do marido. No posso continuar assim, decidira Susan.
Quando Robert retornara de uma misso de quatro semanas na Amrica Central, Susan lhe dissera:
- Robert, acho melhor termos uma conversa.

- Qual  o problema? - indagara Robert sabendo   qual era o problema. '
- Estou apavorada. Estamos nos afastando  cada vez mais um do outro, e no quero perd-lo. No foi..
- Susan... 
Espere um pouco Deixe-me acabar.  
O tempo que passamos juntos nos ltimos quatro meses  mnimo, semanas e semanas  ausente. Sempre que voc volta para casa, tenho a sensao de que e um visitante, 
no meu marido.
Ele abraara Susan, apertara-a com fora.
- Sabe o quanto a amo, Susan.
Ela encostara a cabea em seu ombro.
- Por favor, no deixe que nada acontea. " 
- No deixarei - prometera Robert. 
Ligou para a secretria do almirante: - preciso urgentemente de ter uma conversa com o Almirante Wmttaker.
- Quando?
- Imediatamente.
 
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- O almirante vai receb-lo agora, comandante.
- Obrigado.
O Almirante Whittaker estava sentado atrs de sua escrivaninha, assinando alguns documentos. Levantara os olhos quando Robert entrara, sorrindo.
- Seja bem-vindo de volta ao lar, Robert, e meus parabns. Fez um excelente trabalho em El Salvador.
- Obrigado, senhor.
- Sente-se. Aceita um caf?
- No, obrigado, almirante.
- Queria falar comigo? Minha secretria disse que era urgente. Em que posso ajud-lo?
Era difcil comear.
-  um assunto pessoal, senhor. Estou casado h menos de dois anos e...
- Fez uma excelente escolha, Robert. Susan  uma moa maravilhosa.
- Concordo plenamente, senhor. O problema  que estou ausente durante a maior parte do tempo, e ela se sente infeliz com isso. - Uma pausa e Robert se apressara 
em acrescentar:
- E tem todo o direito de se sentir assim. No  uma situao normal.
O Almirante Whittaker recostara-se em sua cadeira e comentara, pensativo:
- Claro que o seu trabalho no  uma situao normal. s vezes exige sacrifcios.
- Sei disso - murmurara Robert, obstinado. - Acontece que no estou disposto a sacrificar meu casamento. Significa demais para mim.
O almirante estudara-o, pensativo.
- Entendo. O que voc deseja?
- Esperava que pudesse me arrumar algumas misses em que no ficasse longe de casa por tanto tempo. Afinal, esta  uma operao grande, deve haver uma centena de 
coisas que eu poderia fazer mais perto de casa.
- Mais perto de casa...
- Isso mesmo.
- No resta a menor dvida de que voc merece isso 
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respondera o almirante, falando bem devagar. - No vejo por que no se pode providenciar algo assim. Robert sorrira, aliviado.
-  muita gentileza sua, almirante. Eu ficaria profundamente grato.
- Creio que podemos dar um jeito. Diga a Susan, por mim, que o problema est resolvido.
Robert se levantara, radiante.
- No sei nem como agradecer.
O almirante acenara com a mo, dispensando-o.
-  uma pea muito valiosa para eu deixar que algo lhe acontea, Robert. E agora volte para sua esposa.
Susan ficara feliz quando Robert lhe dera a notcia. Abraara-o, exclamando:
- Oh, querido, isso  maravilhoso!
- Pedirei a ele duas semanas de licena, a fim de podermos viajar para algum lugar. Ser uma segunda lua-de-mel.
- At j esqueci como  uma lua-de-mel - murmurara Susan. - Mostre-me.
E Robert mostrara.
O Almirante Whittaker mandara chamar Robert na manh seguinte.
- Queria apenas inform-lo que j estou tomando algumas providncias sobre o assunto que discutimos ontem.
- Obrigado, almirante. - Agora era o momento para pedir a licena. - Senhor...
O almirante no o deixara continuar.
- Aconteceu algo, Robert.
O Almirante Whittaker pusera-se a andar de um lado para outro. Havia um tom de profunda preocupao em sua voz quando continuou a falar:
- Acabo de ser informado que a CIA foi infiltrada. Parece que tem ocorrido um vazamento incessante de informaes ultra-secretas. Tudo o que sabem  que seu codinome 
 Raposa. Ele se encontra na Argentina neste momento. Precisam de algum de fora da agncia para cuidar da operao. O diretor da
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CIA pediu voc. Gostariam que localizasse o homem e o trouxesse de volta. Respondi que a deciso  sua. Quer aceitar a misso? Robert hesitara.
- Receio que terei de pass-la adiante, senhor.
- Respeito sua deciso, Robert. Esteve viajando constantemente, e nunca rejeitou uma misso. Sei que no tem sido fcil para seu casamento.
- Gostaria de aceitar o trabalho, senhor. Mas acontece...
- No precisa dizer nada, Robert. Minha opinio sobre seu trabalho e dedicao sempre permanecer a mesma. Apenas gostaria de lhe pedir um favor. 
- Pode pedir, almirante.
- O vice-diretor da CIA pediu para se reunir com voc, independente de sua deciso. Como uma cortesia. No se importa, no ?
- Claro que no, senhor.
No dia seguinte, Robert fora a Langley para a reunio com o vice-diretor.
- Sente-se, comandante - dissera o vice-diretor, quando Robert entrara na sala enorme. - J ouvi falar muito a seu respeito. E s coisas boas,  claro.
- Obrigado, senhor.
O vice-diretor era um homem de sessenta e poucos anos, magro, cabelos brancos lisos e um pequeno bigode, que subia e descia enquanto ele sugava o cachimbo. Um graduado 
de Yale, ingressara no OSS durante a Segunda Guerra Mundial, e depois se transferira para a CIA, por ocasio de sua criao, logo depois do conflito. Subira pela 
hierarquia at sua atual posio, numa das maiores e mais poderosas agncias de informaes do mundo.
- Quero que saiba, comandante, que respeito sua deciso. Bellamy acenara com a cabea.
- H um fato, no entanto, que precisa ser levado ao seu conhecimento.
- Qual, senhor?
- O Presidente est pessoalmente envolvido na operao para desmascarar Raposa.
- No sabia disso, senhor.
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- Ele considera... como eu tambm... que  uma das misses mais importantes que esta agncia j teve desde sua criao. Conheo sua situao domstica, e tenho certeza 
de que o Presidente tambm compreende as dificuldades. Afinal, ele  um homem devotado  famlia. Mas o fato de voc no aceitar esta misso poderia lanar... como 
posso dizer?... uma nuvem sobre o ONI e o Almirante Whittaker.
- O almirante nada teve a ver com a minha deciso, senhor.
- Eu compreendo, comandante, mas ser que o Presidente tambm vai compreender?
A lua-de-mel ter de ser adiada, pensara Robert.
Ao dar a notcia a Susan, Robert dissera, gentilmente:
- Esta  a minha ltima misso no exterior. Depois disso, passarei tanto tempo em casa que vai acabar enjoando de mim.
Ela sorrira.
- No h todo esse tempo no mundo. Ficaremos juntos para sempre.
A perseguio a Raposa fora a misso mais frustrante que Robert j realizara. Encontrara sua pista na Argentina, mas perdera a presa por um dia. A trilha o levara 
a Tquio, China e Malsia. Quem quer que fosse Raposa, deixava pistas suficientes para levar ao lugar em que estivera, mas nunca ao ponto em que se encontrava no 
momento.
Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses, e Robert estava sempre no encalo de Raposa. Ligava para Susan quase todos os dias. No comeo, dizia:
- Estarei em casa dentro de poucos dias, querida. Depois:
- Talvez eu esteja a na prxima semana. E finalmente:
- No sei quando poderei voltar.
Robert acabara desistindo. Passara dois meses e meio na pista de Raposa, sem o menor sucesso.
Susan parecia mudada quando ele chegara em casa. Um pouco mais fria.
- Desculpe, querida - dissera Robert. - No podia imaginar que levaria tanto tempo. Acontece apenas...
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- Eles nunca o deixaro sair, no , Robert?
- Como? Ah, sim, claro que deixaro. Ela sacudira a cabea.
- No creio. Aceitei um emprego no Memorial Hospital, em Washington.
Ele ficara desolado.
- Voc o qu?
- Voltarei a ser enfermeira. No posso passar o tempo todo sentada aqui, esperando que voc volte para casa, especulando onde se encontra, o que anda fazendo, se 
est vivo ou morto.
- Susan, eu...
- Est tudo bem, meu amor. Pelo menos farei algo til enquanto voc viaja. Tornar a espera mais fcil.
E Robert no tivera o que responder. Comunicara seu fracasso ao Almirante Whittaker, que se mostrara compreensivo.
- Foi culpa minha ter deixado que voc aceitasse a misso. Daqui por diante, deixaremos que a CIA resolva seus prprios problemas. Desculpe, Robert.
Robert contara que Susan aceitara um emprego como enfermeira.
- Provavelmente  uma boa idia - comentara o almirante, pensativo. - Vai aliviar a presso sobre seu casamento. Se aceitar algumas misses no exterior de vez em 
quando, tenho certeza que no ter tanta importncia.
De vez em quando se tornara quase constantemente. Fora ento que o casamento comeara a se desintegrar realmente.
Susan trabalhava no Memorial Hospital, em Washington, como enfermeira de sala de operaes. Sempre que Robert se encontrava em casa, ela tentava tirar folga para 
passar mais tempo em sua companhia, mas se descobria mais e mais absorvida em seu trabalho.
- Estou adorando, querido. Sinto que fao algo til. Ela falava sobre seus pacientes, e Robert lembrava todo o
desvelo que demonstrara com ele, como o cuidara na volta  sade, na volta  vida. Sentia-se satisfeito por ela estar realizando um trabalho importante e que amava, 
mas a verdade  que cada
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vez se viam menos. A distncia emocional entre os dois se alargava. Havia agora um constrangimento que no existia antes Eram como dois estranhos tentando desesperadamente 
manter uma conversa.
Ao voltar a Washington, depois de uma misso de seis semanas na Turquia, Robert levara Susan para jantar no Sans Souci. Ela comentara:
- Temos um novo paciente no hospital. Ele estava num grave desastre de avio, e os mdicos acharam que no poderia resistir, mas darei um jeito para que sobreviva.
Seus olhos brilhavam enquanto falava. Ela foi assim comigo, pensara Robert. E especulara se Susan se inclinara sobre o novo paciente e dissera: "Fique bom. Estou 
 sua espera." Mas rejeitara o pensamento.
- Ele  muito simptico, Robert. Todas as enfermeiras so loucas por ele.
Todas as enfermeiras?, especulara Robert outra vez. Havia uma pequena dvida angustiante no fundo de sua mente, mas ele conseguira reprimi-la. E pediram o jantar.
No sbado seguinte, Robert partira para Portugal. Ao retornar, trs semanas depois, Susan recebera-o no maior excitamento.
- Monte andou hoje pela primeira vez!
O beijo que ela dera em Robert fora superficial.
- Monte?
- Monte Banks.  o nome dele. Vai ficar bom. Os mdicos no podiam acreditar, mas ns no desistimos.
Ns.
- Fale-me sobre ele.
-  um homem maravilhoso. Est sempre nos dando presentes.  muito rico. Pilota seu prprio avio, sofreu um desastre terrvel, e...
- Que espcie de presentes?
- Ora, sabe como , pequenas coisas... bombons, flores, livros e discos. Tentou dar a todas ns relgios caros, mas  claro que tivemos de recusar.
- Claro...
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- Ele tem um iate, cavalos de plo...
Fora nesse dia que Robert comeara a cham-lo de Monte de Grana.
Susan falava a seu respeito cada vez que voltava do hospital.
- Ele  realmente um amor, Robert. Um amor  perigoso.
- E  muito atencioso. Sabe o que ele fez hoje? Mandou trazer almoo do Jquei Clube para todas as enfermeiras do andar.
O homem  nojento. Ridiculamente, Robert se descobrira irritado.
- Esse seu maravilhoso paciente  casado?
- No, querido. Por qu?
- Eu apenas queria saber. Susan rira.
- Pelo amor de Deus, no est com cime, no ?
- De algum velho que est aprendendo a andar? Claro que no.
Uma ova que no estou! Mas ele no daria a Susan a satisfao de dizer que estava.
Quando Robert estava em casa, Susan procurava no falar do paciente; mas se ela no levantava o assunto, Robert o fazia.
- Como est o velho Monte de Grana?
- O nome dele no  Monte de Grana - protestava Susan. -  Monte Banks.
- D na mesma.
Era uma pena que o filho da puta no tivesse morrido no desastre de avio.
 O dia seguinte era aniversrio de Susan.
- Vamos comemorar - propusera Robert, no maior entusiasmo. - Sairemos para jantar em algum lugar, e depois...
- Tenho de trabalhar no hospital at oito horas.
- No tem problema. Irei busc-la no hospital.
- timo. Monte est ansioso em conhec-lo. Falei tudo a seu respeito.
- Tambm estou ansioso em conhecer o velho. Quando Robert chegara no hospital, a recepcionista dissera:
- Boa noite, comandante. Susan est de planto na enfermaria ortopdica, no terceiro andar,  sua espera.
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Quando Robert saltara do elevador, Susan o aguardava ali, em seu melhor uniforme branco engomado. Ele sentira o corao disparar. Susan estava to linda...
- Ol, beleza.
Susan sorrira, estranhamente constrangida.
- Ol, Robert. Deixarei o servio em poucos minutos. Venha comigo. Vou apresent-lo a Monte.
Mal posso esperar.
Ela o conduzira a um quarto particular enorme, cheio de livros, flores e cestos com frutas, fizera a apresentao:
- Monte, este  meu marido, Robert.
Robert ficara imvel, olhando aturdido para o homem no leito. Era apenas trs ou quatro anos mais velho do que Robert, parecia com Paul Newman. Robert desprezara-o 
 primeira vista.
- Tenho o maior prazer em conhec-lo, comandante. Susan andou me contando tudo a seu respeito.
 sobre isso que conversam quando ela est ao lado de sua cama, durante a noite?
- Ela se orgulha muito de voc.
 isso a, companheiro, pode me jogar algumas migalhas. Susan olhava para Robert, torcendo para que ele fosse polido. Ele bem que se esforou.
- Soube que vai sair daqui em breve
- Isso mesmo, graas principalmente  sua esposa. Ela fez um milagre.
"Ora, marujo, acha mesmo que eu ficaria aqui, deixando que outra enfermeira cuide desse corpo maravilhoso?"
- Posso imaginar. Essa  a sua especialidade.
Robert no fora capaz de disfarar o tom de amargura em sua voz.
O jantar de aniversrio fora um fiasco. Susan s queria falar sobre seu paciente.
- Ele no lhe lembrou algum, querido?
- Boris Karloff.
- Por que tinha de ser to grosseiro com ele? Robert respondera friamente:
- Achei que fui muito corts. Acontece apenas que no gosto do homem.
Susan ficara aturdida.
- Nem mesmo o conhece direito. O que no gosta nele? No gosto da maneira como ele olha para voc. No gosto
da maneira como o nosso casamento est desmoronando. No quero perd-la.
- Desculpe. Acho que estou muito cansado. Terminaram o jantar em silncio.
Na manh seguinte, quando Robert se preparava para ir ao escritrio, Susan anunciara:
- Robert, tenho uma coisa a lhe dizer...
E fora como se ele tivesse levado um soco no estmago. No podia suportar que ela convertesse em palavras o que estava acontecendo.
- Susan...
- Voc sabe que o amo. E sempre o amarei.  o homem mais querido e mais maravilhoso que j conheci.
- Por favor...
- Deixe-me acabar. Isto  muito difcil para mim. Durante o ltimo ano, passamos apenas alguns minutos juntos. No temos mais um casamento. Estamos cada vez mais 
apartados.
Cada palavra era como uma faca cravada em seu corao.
- Tem toda razo - dissera Robert, desesperado. - Mas vou mudar isso. Deixarei o servio. Agora mesmo. Hoje. Iremos para algum outro lugar e...
Ela sacudira a cabea.
- No, Robert. Ambos sabemos que no daria certo. Voc est fazendo o que quer fazer. Se parasse de fazer por minha causa, sempre guardaria um ressentimento. No 
 culpa de ningum. Apenas... aconteceu. Quero o divrcio.
Fora como se o mundo tivesse desmoronado em cima de Robert. Ele sentira de repente uma nusea terrvel.
- No pode estar falando srio, Susan. Encontraremos um jeito de...
-  tarde demais. H muito tempo que venho pensando nisso. Enquanto voc viajava, eu ficava sentada em casa sozinha, esperando a sua volta, pensando a respeito. 
Temos levado
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vidas separadas. Preciso mais do que isso. Preciso de algo que voc no pode mais me dar.
Robert ainda tentara controlar suas emoes.
- Isso... isso tem algo a ver com Monte de Grana? Susan hesitara.
- Monte pediu-me em casamento.
Ele sentira suas entranhas se transformando em gua.
- E vai aceitar?
- Vou.
Era alguma espcie de pesadelo absurdo. Isso no est acontecendo, pensara Robert. No pode estar. Seus olhos encheram-se de lgrimas. Susan o abraara e apertara 
com fora.
- Nunca mais sentirei por qualquer outro homem o que sinto por voc. Amei voc com todo meu corao e alma. Sempre o amarei.  o meu amigo mais querido. - Ela recuara, 
fitando-o nos olhos. - Mas isso no  suficiente. Pode me entender?
Robert s podia compreender que ela o deixava arrasado.
- Podemos tentar outra vez. Comearemos tudo de novo e..
- Sinto muito, Robert. - A voz de Susan era trmula. - Sinto muito, mas est acabado.
Susan voara para um divrcio em Reno, enquanto o Comandante Robert Bellamy tomava um porre que se prolongara por duas semanas.
Os velhos hbitos no morrem fcil. Robert telefonara para um amigo no FBI. Al Traynor cruzara o seu caminho no passado por meia dzia de vezes, e Robert confiava 
nele.
- Tray, preciso de um favor.
- Um favor? Precisa  de um psiquiatra. Como pde deixar Susan escapar?
A notcia provavelmente j se espalhara por toda a cidade.
-  uma longa e triste histria.
- Lamento sinceramente, Robert. Ela era sensacional. Eu... ora, no importa. Em que posso ajud-lo?
- Gostaria que verificasse algum nos computadores para mim.
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- Claro. Basta me dar o nome.
- Monte Banks.  apenas uma verificao de rotina.
- Certo. O que voc quer saber?
-  bem provvel que ele nem esteja em seus arquivos, Tray, mas se estiver... alguma vez ele foi multado por estacionamento em local proibido, bateu no cachorro, 
avanou um sinal de trnsito vermelho? O de sempre.
- Certo.
- E estou curioso em saber de onde ele tirou seu dinheiro. Gostaria de conhecer seus antecedentes.
- Apenas rotina, hem?
- E isso deve ficar entre ns, Tray.  uma questo pessoal, entende?
- No tem problema. Ligarei para voc pela manh.
- Obrigado. Eu lhe devo um almoo.
- Jantar.
- Combinado.
Robert desligara, pensando: O retrato de um homem se agarrando  ltima palha. O que estou esperando, que ele seja Jack o Estripador, e Susan volte correndo para 
meus braos?
Dustin Thornton chamara Robert no incio da manh seguinte.
- Em que est trabalhando, comandante?
Ele sabe muito bem em que estou trabalhando, pensara Robert.
- Estou concluindo o levantamento da ficha daquele diplomata de Cingapura e...
- O que parece no ocupar todo o seu tempo.
- Como assim?
- Caso tenha esquecido, comandante, o ONI no tem jurisdio para investigar cidados americanos.
A perplexidade de Robert era total.
- Mas o que...?
- Fui informado pelo FBI que voc est tentando obter informaes que no tm nada a ver com o trabalho desta agncia.
Robert sentira um sbito mpeto de raiva. Fora trado pelo filho da puta do Traynor. Era o que se podia esperar da amizade.
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- Era uma questo pessoal. Eu...
- Os computadores do FBI no podem ser usados para sua convenincia pessoal, nem para ajud-lo a incomodar cidados particulares. Estou sendo claro?
- Muito.
- Isso  tudo.
Robert voltara correndo  sua sala. Seus dedos tremiam ao discar 202-324-3000. A ligao fora atendida no mesmo instante:
- FBI.
- Al Traynor.
- Um momento, por favor.
Um minuto depois, uma voz de homem entrara na linha.
- Em que posso ajud-lo?
- Quero falar com Al Traynor.
- Lamento, mas o agente Traynor no trabalha mais aqui. Robert sentira um terrvel choque.
- Como?
- O agente Traynor foi transferido.
- Transferido?
- Isso mesmo.
- Para onde?
- Boise. Mas no estar l por algum tempo. Um longo tempo, infelizmente.
- Como assim?
- Ele foi atropelado por um motorista que fugiu, ontem  noite, quando fazia sua corrida no Rock Creek Park. D para acreditar? Algum idiota deve ter tomado um tremendo 
porre. Passou com o carro na pista de corrida. O corpo de Traynor foi jogado a mais de dez metros de distncia. Talvez ele no sobreviva.
Robert desligara, a mente em turbilho. O que estava acontecendo? Monte Banks, o tpico americano de olhos azuis, estava sendo protegido. Do qu? Por quem? Santo 
Deus, pensara Robert, em que Susan est se metendo?
Ele fora visit-la naquela mesma tarde.
Ela estava em seu novo apartamento, um lindo dplex na M Street. Robert especulara se era Monte de Grana quem pagava
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o apartamento. H semanas que no se encontrava com Susan, e a simples viso dela o deixara atordoado.
- Peo perdo por me intrometer desse jeito, Susan. Sei que prometi no me envolver.
- Disse que era algo srio.
- E  mesmo.
Agora que estava ali, ele no sabia como comear. Susan, vim aqui para salv-la? Ela riria na sua cara.
- O que aconteceu?
-  sobre Monte. Ela franzira o rosto.
- O que h com Monte?
Essa era a parte mais difcil. Como podia contar a Susan o que ele prprio no sabia? Sabia apenas que havia algo terrivelmente errado. Monte Banks estava mesmo 
nos computadores do FBI, s que com um aviso: Nenhuma informao pode ser fornecida sem a devida autorizao. E sua indagao fora comunicada ao ONI. Por qu?
- Acho que ele... ele no  o que parece ser.
- No estou entendendo.
- Susan... de onde ele tira seu dinheiro? Ela ficara surpresa com a pergunta.
- Monte tem uma empresa de importao e exportao muito bem-sucedida.
A cobertura mais antiga do mundo.
Ele deveria ter imaginado que no poderia lanar sua carga com uma teoria meio indefinida. Fora um idiota. Susan esperava por uma resposta, e ele no tinha nenhuma.
- Por que est perguntando?
- Eu... apenas queria me certificar de que ele  o homem certo para voc - balbuciara Robert, confuso.
- Ora, Robert...
A voz de Susan estava impregnada de desapontamento.
- Acho que eu no deveria ter vindo. - Tinha esse direito, companheiro. - Desculpe.
Susan se adiantara para abra-lo, murmurando:
- Eu compreendo.
Mas ela no compreendia. No compreendia que uma 
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indagao inocente sobre Monte Banks fora interceptada, comunicada ao ONI, e que o homem que tentara obter a informao fora transferido para um posto remoto.
Havia outros meios de obter informaes, e Robert os tentara, discretamente. Telefonara para um amigo que trabalhava na revista Forbes.
- Robert! H quanto tempo que no o vejo! Em que posso ajud-lo?
Robert explicara.
- Monte Banks?  curioso que voc o mencione. Achamos que ele deve ser includo na lista dos quatrocentos mais ricos da Forbes, mas no conseguimos obter informaes 
concretas a seu respeito. Pode nos dizer alguma coisa?
Um zero.
Robert fora  biblioteca pblica e procurara Monte Banks no Who's Who. Ele no estava relacionado.
Fora  seo de microfilmes, e procurara em nmeros atrasados do Washington Post na ocasio em que Monte Banks sofrera o desastre de avio. Havia uma notcia pequena 
sobre o acidente. Referia-se a Banks como empresrio.
Tudo parecia bastante inocente. Talvez eu esteja enganado, pensara Robert. Talvez Monte Banks seja um homem inocente. Nosso governo no o protegeria,se ele fosse 
um espio, um criminoso, estivesse envolvido com o trfico de drogas... A verdade  que ainda estou tentando reconquistar Susan.
Ser solteiro outra vez significava a solido, o vazio, uma sucesso de dias movimentados e noites insones. Uma mar de desespero o envolvia de repente, e ele desatava 
a chorar. Chorava por si mesmo e por Susan, chorava por tudo o que haviam perdido. A presena de Susan estava em toda parte. O apartamento fervilhava de lembranas 
suas. Robert era amaldioado pela recordao total, e cada cmodo o atormentava, com memrias da voz de Susan, seu riso, seu amor. Lembrava as colinas e vales suaves 
de seu corpo, quando se estendia nua na cama,  sua espera, e a angstia que o dominava se tornava insuportvel. Seus amigos se mostravam preocupados.
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- No deve ficar sozinho, Robert. E passaram a ter um grito de guerra:
- Quero apresent-lo a uma garota sensacional!
Elas eram altas e bonitas, ou baixas e sensuais. Eram modelos e secretrias, executivas de publicidade, divorciadas e advogadas. Mas nenhuma delas era Susan. Robert 
nada tinha em comum com qualquer delas, e tentar manter uma conversa com estranhas, pelas quais no sentia o menor interesse, s servia para torn-lo ainda mais 
solitrio. Robert no tinha o menor desejo de ir para a cama com qualquer delas. Preferia ficar sozinho. Preferia rebobinar o filme at o incio, reescrever o roteiro. 
Com a viso posterior, era fcil perceber seus erros, compreender como deveria ter representado a cena com o Almirante Whittaker.
A CIA foi infiltrada por um homem conhecido como Raposa. O vice-diretor pediu para voc descobri-lo.
No, almirante. Sinto muito, mas estou levando minha esposa para uma segunda lua-de-mel.
Ele queria reeditar sua vida, dar-lhe um final feliz. Tarde demais. A vida no oferecia uma segunda oportunidade. Estava sozinho.
Fazia suas prprias compras, cozinhava as refeies, e ia  lavanderia automtica ali perto uma vez por semana, quando estava em casa.
Fora um perodo solitrio e angustiado na vida de Robert. Mas o pior ainda estava para acontecer. Uma linda designer que ele conhecera em Washington telefonara vrias 
vezes, convidando-o para jantar. Robert relutara, mas acabara aceitando. Ela preparara um delicioso jantar  luz de velas para os dois.
- Voc  uma excelente cozinheira - comentara Robert.
- Sou muito boa em tudo. - E no havia como se equivocar com a insinuao. Ela chegara mais perto, acrescentando: - Deixe-me provar.
Ela pusera as mos nas coxas de Robert, passara a lngua por seus lbios. J faz muito tempo, pensara Robert. Talvez tempo demais.
Foram para a cama. Um desastre, para consternao de Robert. Pela primeira vez em sua vida, Robert se descobrira impotente. E sentira-se humilhado.
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- No se preocupe, querido - dissera a mulher. - Tudo vai acabar dando certo.
S que ela se enganara.
Robert voltara para casa embaraado, com a sensao de que estava entrevado. Sabia que, de alguma forma absurda e distorcida, sentira que fazer amor com outra mulher 
era uma traio a Susan. Quo estpido posso me tornar?
Ele tentara fazer amor de novo, algumas semanas depois, com uma atraente secretria do ONI. Ela se mostrara ardente na cama, acariciando seu corpo, tomando-o em 
sua boca quente. Mas no adiantara. Ele queria apenas Susan. Depois disso, deixara de tentar. Pensara em consultar um mdico, mas sentira-se constrangido demais. 
Conhecia a resposta para seu problema, nada tinha a ver com conselhos mdicos. Despejara toda a sua energia no trabalho. Susan telefonava pelo menos uma vez por 
semana.
- No esquea de pegar suas camisas na lavanderia - dizia ela.
Ou ento:
- Mandarei uma faxineira para arrumar o apartamento. Deve estar uma baguna.
Cada telefonema fazia com que a solido de Robert se tornasse ainda mais intolervel.
Ela ligara na noite anterior a seu casamento.
- Robert, quero que saiba que vou casar amanh. Ele sentira dificuldade para respirar.
- Susan...
- Amo Monte... mas tambm amo voc. E continuarei a am-lo at o dia em que morrer. Quero que voc nunca se esquea disso.
O que havia para dizer?
- Voc est bem, Robert?
Claro. Estou muito bem. S que sou umafoda de um eunuco. Risque a qualificao.
- Robert?
Ele no suportaria punir Susan com seus problemas.
- Estou timo. Mas poderia me fazer um favor, meu bem?
- Qualquer coisa que eu puder.
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- No... no deixe que ele a leve na lua-de-mel a qualquer dos lugares a que ns fomos.
Ele desligara e sara para tomar outro porre.
Isso acontecera um ano antes. Era o passado. Ele fora forado a enfrentar a realidade de que Susan pertencia agora a outro homem. Precisava viver o presente. Tinha 
um trabalho a realizar. Estava na hora de ter uma conversa com Leslie Mothershed, o fotgrafo que batera uma chapa e anotara os nomes das testemunhas que Robert 
fora incumbido de descobrir, no que seria a sua ltima misso.
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Captulo Dezoito

/eslie Mothershed se encontrava num estado alm da euforia. No momento em que voltara a Londres, levando seu precioso filme, entrara apressado na pequena despensa 
que convertera em cmara escura, verificara se tinha ali tudo o que precisaria: tanque de processamento do filme, termmetro, pregadores de mola, quatro bqueres 
grandes, um cronometro, revelador, as solues qumicas, o fixador. Apagou a luz, e acendeu uma pequena lmpada vermelha por cima de sua cabea. As mos tremiam 
quando abriu os cartuchos e removeu o filme. Respirou fundo vrias vezes, a fim de se controlar. Nada devia sair errado desta vez, pensou ele. Absolutamente nada. 
Isto  por voc, me.
Com todo cuidado, ele enrolou o filme nos carretis. Ps no tanque, enchendo com o revelador, o primeiro dos lquidos que usaria. Seria preciso uma temperatura constante 
de 20C, assim como uma agitao peridica. Depois de onze minutos, ele esvaziou o contedo e despejou o fixador.
Estava ficando nervoso outra vez, com pavor de cometer um erro. Despejou o fixador para a primeira lavagem, e depois deixou o filme descansar numa bacia com gua 
por dez minutos. Em seguida houve dois minutos de constante agitao num agente de limpeza, e mais doze minutos na gua. Trinta segun
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dos numa soluo especial garantiram que no haveria riscos ou falhas nos negativos. Ao final, com todo cuidado, ele removeu o filme, pendurou-o com os pregadores, 
usou um rolo de borracha para tirar as ltimas gotas. Esperou impaciente que os negativos secassem.
Estava na hora de dar uma olhada. Prendendo a respirao, o corao disparado, Mothershed pegou a primeira tira de negativos, suspendendo contra a luz. Perfeito! 
Absolutamente perfeito!
Cada chapa era uma gema incomparvel, uma foto que qualquer fotgrafo do mundo teria se orgulhado de tirar. Cada detalhe da estranha espaonave estava bem delineado, 
inclusive os corpos das duas formas.aliengenas l dentro,
Duas coisas que no notara antes atraram a ateno de Mothershed, que as examinou cuidadosamente. Onde a espaonave se abrira, ele podia ver trs divs estreitos 
no interior... e, no entanto, havia apenas dois aliengenas. A outra coisa estranha era o fato de que uma das mos dos aliengenas fora cortada. No se via em parte 
alguma da fotografia. Talvez a criatura tivesse apenas uma mo, pensou Mothershed. Por Deus, estas fotografias so obras-primas! Mame tinha razo. Sou mesmo um 
gnio. Ele correu os olhos pelo pequeno cmodo e refletiu: Na prxima vez em que revelar um filme, ser num laboratrio grande e bonito, em minha manso em Eaton 
Square.
Ele ficou parado ali, acariciando seu tesouro, como um avarento com seu ouro. No haveria uma nica revista ou jornal no mundo que no fosse capaz de matar para 
obter aquelas fotografias. Durante todos aqueles anos os filhos da puta haviam rejeitado suas fotografias com bilhetinhos insultuosos: "Obrigado por apresentar as 
fotos, que estamos agora devolvendo. No atendem s nossas atuais necessidades." Ou ento: "Obrigado por nos submeter as fotos. So muito parecidas com outras que 
j publicamos." Ou apenas: "Estamos devolvendo as fotografias que nos enviou."
Durante anos ele suplicara emprego aos idiotas, e agora teriam de rastejar  sua procura, pagariam caro pela rejeio anterior.
Mothershed no podia esperar. Tinha de comear imedia-
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tamente. Como a desgraada da British Telecom cortara seu telefone, apenas porque se atrasara algumas semanas no ltimo pagamento, ele saiu  procura de um telefone. 
Num sbito impulso, decidiu ir ao Langan's, o ponto de encontro de celebridades, e presentear-se com um almoo bem merecido. O Langan's estava muito alm de seus 
recursos, mas no poderia haver uma ocasio melhor para comemorar. Afinal, no estava prestes a se tornar rico e famoso?
Um matre sentou Mothershed a uma mesa num canto do restaurante. Num reservado a no mais que trs metros de distncia, ele avistou dois rostos familiares. Compreendeu 
de repente quem eram, e experimentou alguma emoo. Michael Caine e Roger Moore, em pessoa! Ele desejou que a me ainda estivesse viva para poder lhe contar. Ela 
adorava ler sobre artistas de cinema. Os dois riam e se divertiam, sem a menor preocupao no mundo, e Mothershed no podia deixar de observ-los. Seus olhares passavam 
alm deles. Filhos da puta presunosos!, pensou Leslie Mothershed, irritado. Talvez esperem que eu me aproxime e pea seus autgrafos. Pois dentro de alguns dias 
eles  que pediro o meu. Todos estaro ansiosos em me apresentar a seus amigos. "Leslie, quero que conhea Charlie e Di, e estes so Fergie eAndrew. Leslie, vocs 
sabem,  o cara que tirou aquelas fotos famosas do OVNI." Ao terminar o almoo, Mothershed passou pelos dois artistas e subiu para a cabine telefnica. Informaes 
lhe daria o nmero do Sun.
- Eu gostaria de falar com o editor de fotos. Uma voz de homem atendeu um momento depois:
- Chapman.
- Quanto valeria para vocs ter fotos de um OVNI com os corpos de dois aliengenas no interior?
A voz no outro lado da linha respondeu:
- Se as fotos foram bastante boas, poderemos public-las como exemplo de um embuste hbil, e...
Mothershed interrompeu-o, irritado:
- Acontece que no  nenhum embuste. Tenho os nomes de nove testemunhas respeitveis que podero confirmar que  algo autntico, inclusive um padre.
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O tom do homem mudou.
-  mesmo? E onde essas fotos foram tiradas?
- No importa. - Mothershed era esperto, no se deixaria persuadir a revelar qualquer informao. - Esto interessados?
- Se pode provar que as fotos so autnticas - respondeu o homem, cauteloso -, claro que estamos interessados... e muito.
Nem poderia ser de outro modo, pensou Mothershed, alegremente.
- Voltarei a procur-lo.
Ele desligou. Os outros dois telefonemas foram igualmente satisfatrios. Mothershed teve de admitir para si mesmo que registrar os nomes e endereos das testemunhas 
fora um golpe de puro gnio. No havia agora a menor possibilidade de que algum pudesse acus-lo de tentar cometer uma fraude. Aquelas fotos apareceriam nas primeiras 
pginas de todos os jornais e revistas importantes do mundo. Com meu crdito: Fotos de Leslie Mothershed.
Ao deixar o restaurante, Mothershed no foi capaz de resistir ao impulso de se aproximar do reservado em que os dois artistas de cinema sentavam.
- Com licena. Desculpe incomod-los, mas poderiam me dar seus autgrafos?
Roger Moore e Michael Caine sorriram-lhe amavelmente. Escreveram seus nomes em pedaos de papel e entregaram ao fotgrafo.
- Obrigado.
Saindo do restaurante, Leslie Mothershed rasgou furioso os autgrafos, espalhou os pedacinhos de papel.
Eles que sefodam!, pensou Mothershed. SOU muito mais importante!
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Captulo Dezenove
pegou um txi para Whitechapel. Passaram pela City, o distrito financeiro de Londres, seguindo para leste, at alcanarem a Whitechapel Road, a rea que Jack o Estripador 
tornara infame um sculo antes. Ao longo da Whitechapel Road havia dezenas de barracas, vendendo de tudo, de roupas a legumes frescos e tapetes.
Enquanto o txi se aproximava do endereo de Mothershed, o bairro foi se tornando mais e mais dilapidado. Os pichadores haviam rabiscado todos os prdios velhos, 
com a tinta descascando. Passaram pelo Weaver's Arms Pub. Este deve ser o bar que Mothershed freqenta, pensou Robert. Outra placa informava: Walter Bookmaker... 
Mothershed provavelmente faz suas apostas nos cavalos a.
Finalmente chegou  Grover Road, 213A. Robert dispensou o txi, e estudou o prdio  sua frente. Era um prdio feio, de dois andares, que fora dividido em pequenos 
apartamentos. L dentro estava o homem que tinha a lista completa das testemunhas que Robert fora incumbido de descobrir.
Leslie Mothershed estava na sala, pensando em sua sorte inesperada, quando a campainha da porta tocou. Ele levantou os olhos, surpreso, dominado por um medo sbito 
e inexplicvel.
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A campainha tocou de novo. Mothershed recolheu suas preciosas fotografias, levando-as s pressas para a cmara escura adaptada. Meteu-as por baixo de uma pilha de 
fotografias antigas, depois voltou  sala e foi abrir a porta do apartamento. Olhou para o estranho parado ali.
- O que deseja?
- Leslie Mothershed?
- Isso mesmo. Em que posso ajud-lo?
- Posso entrar?
- No sei. O que deseja?
Robert tirou do bolso uma identificao do Ministrio da Defesa e mostrou-a.
- Estou aqui em carter oficial, sr. Mothershed. Podemos conversar em seu apartamento ou no ministrio.
Era um blefe, mas ele percebeu o medo repentino no rosto do fotgrafo. Leslie Mothershed engoliu em seco.
- No sei o que pode querer comigo, mas... entre. Robert entrou na sala miservel. Era inspida, sombria, jamais um lugar em que algum viveria por opo.
- Pode me fazer a gentileza de explicar o que o trouxe aqui? - indagou Mothershed, com o tom apropriado de exasperao inocente.
- Estou aqui para interrog-lo sobre algumas fotografias
que voc tirou.
Ele sabia! Soubera desde o momento em que ouvira a campainha. Os filhos da puta vo tentar me tirar essa fortuna! Mas no deixarei!
- De que fotografias est falando?
- Das que tirou no local do acidente do OVNI - respondeu Robert, paciente.
Mothershed olhou fixamente para Robert por um momento, como se estivesse surpreso, depois forou uma risada.
- Ah, isso! Eu bem que gostaria de poder entreg-las a voc.
- No tirou as fotos?
- Tentei.
- Como assim?
- No saiu nada. - Mothershed teve uma tosse nervosa. - O filme velou.  a segunda vez que isso me acontece. - Ele
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balbuciava agora. - At joguei fora os negativos. No prestavam para nada. Foi um total desperdcio de filme. E sabe como os filmes esto caros hoje em dia.
Ele  um pssimo mentiroso, pensou Robert. E est  beira do pnico. Robert disse, suavemente:
-  uma pena. Aquelas fotos seriam bastante teis. Ele nada disse sobre a lista de passageiros. Se Mothershed
mentira sobre as fotos, tambm mentiria sobre a lista. Robert olhou ao redor. As fotografias e a lista deviam estar escondidas em algum lugar por ali. No deveria 
ser difcil encontr-las. O apartamento consistia em uma pequena sala, um quarto, um banheiro, e o que parecia ser um closet. Ele no tinha como obrigar o homem 
a entregar o material. No possua uma autoridade real. Mas queria as fotografias e a lista de testemunhas antes que o SIS aparecesse e as levasse. Precisava daquela 
lista.
- Tem razo. - Mothershed suspirou. - Aquelas fotografias valeriam uma fortuna.
- Fale-me sobre a espaonave - pediu Robert. Mothershed teve um tremor involuntrio. A cena fantstica ficaria gravada em sua mente para sempre.
- Jamais esquecerei... A nave parecia... pulsar, como se estivesse viva. Havia algo maligno nela. E l dentro estavam dois aliengenas mortos.
- Pode me dizer alguma coisa sobre os passageiros do nibus?
Claro que posso, pensou Mothershed, exultante. Tenho os nomes e endereos de todos.
- No, infelizmente no. - Mothershed continuou a falar, a fim de esconder seu nervosismo. - E no posso ajud-lo com os passageiros porque eu no estava no nibus. 
Eram todos estranhos.
- Entendo. Bom, obrigado por sua cooperao, sr. Mothershed. Lamento que tenha perdido as fotos.
- Eu tambm.
Mothershed observou a porta fechar por trs do estranho e pensou, feliz: Eu consegui! Fui mais esperto do que os filhos da puta!
L fora, no corredor, Robert examinava a fechadura da porta. Uma Chubb. E modelo antigo ainda por cima. S precisaria
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de uns poucos segundos para abri-la. Iniciaria a vigilncia no meio da noite, e esperaria que o fotgrafo deixasse o apartamento pela manh. Depois que eu me apoderar 
da lista de passageiros, o resto da misso ser simples.
Robert registrou-se num pequeno hotel, perto do apartamento de Mothershed. Telefonou para o General Hilliard.
- Tenho o nome da testemunha inglesa, general.
- S um instante. Muito bem, pode falar, comandante.
- Leslie Mothershed. Ele mora em Whitechapel, na Grove Road, 213A.
- Excelente. Providenciarei para que as autoridades britnicas falem com ele.
Robert no mencionou a lista de passageiros nem as fotografias. Eram o seu trunfo.
O Reggie's, um restaurante especializado em peixe e batata frita, ficava num pequeno beco sem sada, junto da Brompton Road. Era pequeno, a freguesia constituda 
principalmente por escriturrios e secretrias que trabalhavam nos arredores. As paredes eram cobertas por cartazes de futebol, e as partes  mostra no viam uma 
mo de tinta desde o conflito de Suez.
O telefone por trs do balco tocou duas vezes, antes de ser atendido por um homem enorme, vestindo uma suter de l ensebada. O homem parecia um tpico habitante 
do East End de Londres, exceto pelo monculo de aro de ouro, fixado sobre o olho esquerdo. O motivo para o monculo era evidente para qualquer um que examinasse 
o homem mais atentamente: seu outro olho era feito de vidro, e de uma cor azul que geralmente se encontrava nos cartazes de viagens.
- Reggie falando.
- Aqui  o Bispo.
- Pois no, senhor - disse Reggie, baixando a voz para
um sussurro.
- O nome de nosso cliente  Mothershed. Nome de batismo, Leslie. Reside na Grove Road, 213A. Precisamos que a encomenda seja despachada rapidamente. Entendido?
- J est feito, senhor.
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Captulo Vinte

/eslie Mothershed estava perdido num devaneio feliz. Era entrevistado por representantes da imprensa internacional. Interrogavam-no sobre o enorme castelo que acabara 
de comprar na Esccia, o chateou no sul da Frana, seu enorme iate. "E  verdade que a Rainha o convidou para ser o fotgrafo real oficial?" ", sim. Eu disse a 
ela que daria a resposta mais tarde. E agora, senhoras e senhores, se me do licena, j estou atrasado para o meu programa na BBC..." O devaneio foi interrompido 
pela campainha da porta. Ele olhou para o relgio. Onze horas. Ser que aquele homem voltou? Mothershed foi at a porta e abriu-a, cauteloso. Ali estava um homem 
mais baixo (foi a primeira coisa que ele notou), culos de lentes grossas, rosto magro e plido.
- Com licena - disse o homem, timidamente. - Peo desculpas por incomod-lo a esta hora. Moro no final do quarteiro. A placa l fora diz que  um fotgrafo
- E da?
- Tira fotos para passaportes?
Leslie Mothershed tira fotos para passaportes? O homem que est prestes a possuir o mundo?  como pedir a Michelangalo para pintar o banheiro.
- No - respondeu ele, bruscamente, comeando a fechar a porta.
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- Juro que detesto incomod-lo, mas estou numa situao terrvel. Meu avio decola para Tquio s oito horas da manh. H poucos minutos, quando peguei o passaporte, 
descobri que a fotografia desprendera. J a procurei por toda parte. Desapareceu mesmo. No vo me deixar embarcar sem uma foto no passaporte.
O homenzinho estava quase em lgrimas.
- Sinto muito, mas no posso ajud-lo - declarou Mothershed.
- Eu estaria disposto a lhe pagar cem libras.
Cem libras? Para um homem com um castelo, um chteau e um iate?  um insulto. O homenzinho pattico acrescentou:
- Posso at pagar mais. Duzentas ou trezentas libras. Precisa compreender que tenho de embarcar naquele avio, ou perderei meu emprego.
Trezentas libras para tirar um retrato de passaporte? Sem incluir a revelao, levaria cerca de dez segundos. Mothershed comeou a fazer clculos. Isso representaria 
800 libras por minuto. Ou seja, 10.800 libras por hora. Se trabalhasse oito horas por dia, seriam 94.000 libras por dia. Em uma semana, daria...
- Vai aceitar?
O ego de Mothershed entrou em conflito com a ganncia, e a ganncia venceu. Sempre posso aproveitar uns trocados.
- Entre - disse Mothershed. - Fique de p junto daquela parede.
- Obrigado. No sabe o que isso significa para mim. Mothershed desejou ter uma cmera Polaroid. Tornaria tudo
muito simples. Ele pegou a Vivitar e disse:
- No se mexa.
Dez segundos depois estava acabado.
- Vai demorar um pouco para revelar - informou Mothershed. - Se quiser voltar...
- Se no se importa, esperarei aqui.
- Como quiser.
Mothershed levou a cmera para a cmara escura, desligou a luz por cima, acendeu a lmpada vermelha, removeu o filme da mquina. Teria de trabalhar depressa. De 
qualquer forma, os retratos de passaporte eram sempre horrveis. Quinze minutos
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 depois, quando o filme se encontrava na bacia de revelao, Mothershed comeou a sentir um cheiro de queimado. Ficou imvel. Seria sua imaginao? No. O cheiro 
era cada vez mais forte. Ele virou-se para abrir a porta. Parecia emperrada. Mothershed empurrou a porta com toda fora. No conseguiu abri-la.
- Ei! - gritou ele. - O que est acontecendo a? No houve resposta.
- Ol? - Ele empurrou a porta com o ombro, mas parecia haver alguma coisa pesada no outro lado, mantendo-a fechada. - Ei, mister"
No houve resposta. O nico som que ele podia ouvir era um crepitar alto. O cheiro se tornava cada vez mais sufocante. O apartamento estava em chamas. Provavelmente 
foi por isso que ele saiu. Foi buscar ajuda. Leslie Mothershed bateu com o ombro na porta, mas no conseguiu tir-la do lugar.
- Socorro! - gritou ele. - Tirem-me daqui!
A fumaa comeava a entrar por baixo da porta, e Mothershed podia sentir o calor das chamas que a lambiam. A respirao se tornava mais e mais difcil. Ele estava 
sufocando. Abriu o colarinho, ofegando. Os pulmes ardiam. Comeava a perder os sentidos. Caiu de joelhos.
- Oh, Deus, por favor, no me deixe morrer agora, quando ia me tornar rico e famoso...
- Reggie falando.
- A encomenda foi despachada?
- Foi, sim, senhor. Um pouco cozida demais, mas entregue no prazo.
- Excelente!
Ao chegar  Grove Road, s duas horas da madrugada, a fim de iniciar a vigilncia, Robert deparou com um enorme engarrafamento. A rua estava cheia de veculos oficiais, 
caminhes dos bombeiros, ambulncias, e trs carros da polcia. Robert abriu caminho pela multido de espectadores, encaminhando-se para o centro das atividades. 
O prdio inteiro fora engolfado pelo fogo. Ek pde ver que o apartamento ocupado pelo fotgrafo, no primeiro andar, fora completamente destrudo.
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- Como isso aconteceu? - perguntou Robert a um bombeiro.
- Ainda no sabemos. Recue, por favor.
- Meu primo mora naquele apartamento. Ele est bem?
- Receio que no. - O tom era de compaixo. - Esto tirando-o do prdio neste momento.
Robert observou dois atendentes empurrarem uma maa com um corpo para uma ambulncia.
- Eu estava hospedado com ele - disse Robert. - Deixei todas as minhas roupas l dentro. Gostaria de entrar e...
O bombeiro sacudiu a cabea.
- No adiantaria, senhor. Nada sobrou do apartamento alm de cinzas.
Nada sobrou alm de cinzas. Nem as fotografias, nem a preciosa lista de passageiros, com seus nomes e endereos.
 o que se pode esperar da sorte inesperada, pensou Robert, amargurado.
Em Washington, trs dias depois, Dustin Thornton almoava com o sogro, na suntuosa sala de almoo particular do escritrio de Willard Stone. Dustin Thornton estava 
nervoso. Sempre se sentia nervoso na presena do poderoso sogro. Willard Stone demonstava bastante satisfao.
- Jantei com o Presidente ontem. Ele me disse que est muito satisfeito com o seu trabalho, Dustin.
- Fico feliz em saber disso.
- Vem realizando um excelente trabalho. Tem ajudado a nos proteger contra as hordas.
- As hordas?
- Aqueles que tentam pr este grande pas de joelhos. Mas no  apenas contra o inimigo alm das muralhas que devemos nos precaver. Temos de nos preocupar tambm 
com aqueles que fingem servir nosso pas, que deixam de cumprir seu dever. Aqueles que no executam as ordens.
- Os independentes.
- Isso mesmo, Dustin. Os independentes. Eles devem ser punidos. Se...
Um homem entrou na sala.
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- Com licena, sr. Stone. Os cavalheiros chegaram. Esto  sua espera.
- Certo. - Stone virou-se para o genro. - Termine seu almoo, Dustin. Tenho de cuidar de um problema importante. Um dia talvez eu possa lhe contar tudo.
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Captulo Vinte e Um
As ruas de Zurique estavam cheias de criaturas de aparncia fantstica, com contornos estranhos, gigantes disformes, com corpos grotescos e olhos pequenos, a pele 
da cor de peixe cozido. Eram carnvoras, e ela detestava os cheiros ftidos que exalavam de seus corpos. Algumas das fmeas usavam peles de animais, os restos de 
criaturas que haviam assassinado. Ela ainda se sentia atordoada pelo terrvel acidente que tirara a essncia vital de seus companheiros.
Encontrava-se na Terra h quatro ciclos do que aqueles seres de aparncia estranha chamavam de luna, e ainda no comera durante todo esse tempo. S conseguira tomar 
a gua fresca de chuva no cocho do fazendeiro, e no tornara a chover desde a noite em que chegara. O resto da gua na Terra era insuportvel. Bem que entrara num 
centro de alimentao aliengena, mas no fora capaz de suportar o fedor. Tentara comer seus legumes e frutas crus, mas eram sem gosto, muito diferentes dos alimentos 
suculentos em seu planeta.
Era chamada a Graciosa, alta, imponente e bela, com olhos verdes luminosos. Adotara a aparncia de uma terrquea depois que deixara o local do acidente, e caminhara 
entre as multides despercebida.
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Estava sentada agora a uma mesa, numa cadeira desconfortvel, construda para o corpo humano, e lia as mentes das criaturas ao seu redor. Dois seres sentavam a uma 
mesa ao lado. Um deles falou em voz alta:
-  a oportunidade de uma vida, Franz! Por cinqenta mil francos, voc pode entrar no incio. Tem cinqenta mil francos, no ?
Ela leu os pensamentos na cabea do homem. Vamos, seu idiota, preciso da comisso.
- Claro, mas no sei...
Terei de tomar emprestado de minha mulher.
- Alguma vez j lhe dei um mau conselho sobre investimentos?
Tome logo essa deciso!
-  muito dinheiro.
Ela nunca vai me dar tudo isso.
- Mas o que me diz do potencial? H uma possibilidade de ganhar milhes.
Diga sim!
- Est certo. Eu entro.
Talvez eu possa vender algumas jias dela. Ele est na minha mo!
- Garanto que nunca vai se arrepender, Franz. Ele sempre pode arcar com o prejuzo.
A Graciosa no tinha a menor idia do que significava a conversa.
No outro lado do restaurante, um homem e uma mulher estavam sentados a uma mesa. Conversavam em voz baixa. Ela projetou a mente para ouvi-los.
- Santo Deus! - disse o homem. - Como pde engravidar?
Sua sacana estpida!
- Como acha que engravidei? Seu pau  o culpado!
Aqueles seres se reproduziam pela gravidez, procriando de foi ma desajeitada com os rgos genitais, como seus animais nos campos.
- O que pretende fazer, Tina?
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Tem de fazer um aborto! Hoje!
- O que espera que eu faa? Disse que ia contar tudo  sua esposa.
Seu filho da puta mentiroso!
- E vou mesmo contar, meu bem, mas esta  a pior ocasio. Fui um louco ao me envolver com voc. Deveria saber que
s me causaria problemas.
-  uma pssima ocasio para mim tambm, Paul. Acho at que voc no me ama.
Por favor, diga que me ama.
- Claro que eu a amo. Acontece apenas que minha esposa est passando por um perodo difcil neste momento.
No tenho a menor inteno de perd-la.
- Tambm estou passando por um perodo difcil. Ser que no compreende? Vou ter um filho seu.
E  melhor casar comigo. A gua escorria dos olhos da mulher.
- Fique calma, meu bem. Tudo vai dar certo. Quero essa criana tanto quanto voc.
Terei de persuadi-la a fazer um aborto.
Um macho sentava sozinho a uma mesa perto deles.
Eles me prometeram. Gqrantiram que a corrida estava combinada, que eu no poderia perder. Como um idiota, entregueilhes todo o meu dinheiro. Tenho de encontrar um 
meio de replo antes que os auditores cheguem. No poderia suportar se me metessem na cadeia. Eu me mataria antes. Juro por Deus que me mataria.
Em outra mesa, um macho e uma fmea estavam no meio de uma discusso.
- ...no  nada disso. Acontece apenas que tenho um lindo chal nas montanhas, e achei que seria timo para voc passar o fim de semana ali e relaxar.
Passaremos muito tempo relaxando na minha cama, querida.
- No sei, Claude... Nunca antes viajei com um homem. Ser que ele vai acreditar nisso?
- Oui, mas isso nada tem a ver com sexo. Apenas pensei no chal porque voc disse que precisava de um descanso. Pode pensar em mim como seu irmo.
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E vamos experimentar um gostoso e antiquado incesto.
A Graciosa no sabia que as vrias pessoas falavam em lnguas diferentes, pois era capaz de filtrar a todas atravs de sua percepo e compreender o que diziam.
Preciso encontrar uma maneira de entrar em contato com a nave-me, pensou ela. Tirou da bolsa o pequeno transmissor prateado de controle manual. Era um sistema neurnico 
misto, a metade formada por material orgnico vivo, a outra metade constituda por um composto metlico de outra galxia. O material orgnico era formado por milhares 
de clulas individuais, o que permitia que  medida que algumas morressem outras se multiplicassem, mantendo constantes as conexes. Infelizmente, o cristal de diltio 
que ativava o transmissor se soltara e sumira. Ela j tentara se comunicar com a nave, mas o transmissor era intil sem o cristal.
Ela tentou comer outra folha de alface, mas no conseguiu mais suportar o mau cheiro. Levantou e se encaminhou para a porta. A caixa chamou-a:
- Ei, dona, espere um instante! No pagou a refeio!
- Desculpe. No disponho do instrumento de troca de vocs.
- Pode dizer isso  polcia.
A Graciosa fitou a caixa nos olhos e observou-a murchar. Virou-se e deixou o ponto de alimentao.
Preciso encontrar o cristal. Eles esto esperando por notcias minhas. Precisava se concentrar em focalizar os sentidos. Mas tudo parecia borrado e distorcido. Sem 
gua, ela sabia, morreria em breve.
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Captulo Vinte e Dois
Dia Cinco Berna, Sua

Robert chegara a um beco sem sada. No percebera o quanto contava com a obteno da lista de nomes de Mothershed. Tudo se desmanchou em fumaa, pensou ele Literalmente. 
A trilha desaparecera agora. Eu deveria ter apanhado a lista quando estive no apartamento de Mothershed. Isso vai me ensinar... ensinar... Mas  claro! Um pensamento 
que aflorara no fundo de sua mente entrou em foco de repente. Hans Beckerman dissera: "Affernasch! Todos os outros passageiros ificaram excitados ao verem o OVNI 
e aquelas criaturas mortas no interior, mas o velho se queixou que tnhamos de nos apressar para chegar a Berna, porque precisava preparar uma palestra que faria 
na universidade pela manh." Era um tiro no escuro, mas era tudo o que Robert tinha.
Ele alugou um carro no aeroporto de Berna, e seguiu para a universidade. Deixou a Rathausgasse, a rua principal de Berna, e entrou na Lnggassestrasse, onde ficava 
a Universidade de Berna. A universidade  formada por vrios prdios, o principal um enorme prdio de quatro andares, com duas alas e enormes
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 grgulas de pedra adornando o telhado. Em cada lado do ptio, na frente da entrada, h clarabias de vidro sobre salas de aula, e nos fundos da universidade existe 
um vasto estacionamento,  beira do rio Are.
Robert subiu os degraus na frente do prdio da administrao e entrou no saguo. A nica informao obtida de Beckerman fora a de que o passageiro era alemo e preparava 
uma palestra que faria na segunda-feira.
Um estudante indicou-lhe onde ficava a secretaria. A mulher sentada por trs da escrivaninha era uma figura formidvel. Usava um costume austero, culos de aros 
pretos, os cabelos presos num coque. Levantou os olhos quando Robert entrou em sua sala.
- Bitte?
Robert tirou do bolso seu carto de identificao.
- Interpol. Estou realizando uma investigao, e agradeceria sua cooperao, srta...
- Frau. Frau Schreiber. Que tipo de investigao?
- Procuro um professor. Ela franziu o rosto.
- O nome?
- No sei.
- No sabe o nome?
- no.  um professor visitante. Fez uma palestra aqui h poucos dias. Montag.
- Muitos professores visitantes vm aqui todos os dias para fazerem palestras. Qual  a disciplina dele? O que ele ensina? - O tom da mulher era de crescente impacincia. 
- Sobre que assunto ele fez a palestra?
- No sei.
Ela deixou transparecer sua irritao.
- Tut mir leid. No posso ajud-lo. E estou ocupada demais para perguntas frvolas como essas...
A mulher comeou a se virar.
- No tm nada de frvolas. Es ist sehr dringend. - Robert inclinou-se para a frente, e acrescentou em voz baixa: - Vou lhe revelar algo confidencial. O professor 
que estamos procurando se encontra envolvido numa rede de prostituio.
A boca de Frau Schreiber se contraiu num pequeno "o" de surpresa.
- A Interpol est em sua pista h meses. A nica informao a seu respeito de que dispomos  de que se trata de um alemo e fez uma palestra aqui no dia 15. - Robert 
se empertigou. - Se no quer ajudar, podemos conduzir uma investigao oficial na universidade.  claro que a publicidade...
- Nein, nein! A universidade no deve ser envolvida em qualquer coisa assim. - Ela parecia preocupada. - Diz que ele fez uma palestra aqui... em que dia?
- No dia 15, segunda-feira.
Frau Schreiber levantou-se e foi at um arquivo. Abriu-o e examinou alguns papis. Tirou umas folhas de uma pasta.
- Aqui est. Trs professores convidados fizeram palestras aqui no dia 15.
- O homem que eu procuro  alemo.
- Todos so alemes. - Frau Schreiber sacudiu os papis em sua mo. - Uma palestra foi sobre economia, outra sobre qumica e a terceira sobre psicologia.
- Posso dar uma olhada?
Relutante, ela entregou os papis a Robert. Ele estudou-os. Cada um tinha um nome escrito, o endereo residencial e um telefone.
- Posso tirar uma cpia, se quiser.
- No, obrigado. - Robert j memorizara os nomes e nmeros. - Nenhum desses  o homem que procuro.
Frau Schreiber deixou escapar um suspiro de alvio.
- Graas a Deus! Prostituio! Nunca poderamos nos envolver em algo assim!
- Desculpe incomod-la por nada.
Robert saiu e procurou uma cabine telefnica na rua. A primeira ligao foi para Berlim.
- Professor Streubel?
- J.
- Aqui  da companhia de nibus de excurso Sunshine. Esqueceu seus culos em nosso nibus no ltimo domingo, quando excursionava conosco pela Sua e...
- No sei do que est falando.
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O homem parecia irritado.
- No estava na Sua no dia 14, professor?
- No. S cheguei no dia 15, para fazer uma palestra na universidade de Berna.
- E no andou em um de nossos nibus de excurso?
- No tenho tempo para essas bobagens. Sou um homem ocupado.
O professor desligou. A segunda ligao foi para Hamburgo.
- Professor Heinrich?
- Aqui  o Professor Heinrich.
- Estou falando da companhia de nibus de excurso Sunshine. Esteve na Sua no dia 14 deste ms?
- Por que deseja saber?
- Porque encontramos uma pasta sua em um de nossos nibus, professor, e...
- Est falando com a pessoa errada. No andei em nenhum nibus de excurso.
- No fez uma excurso nossa para o Jungfrau?
- Acabei de dizer que no.
- Desculpe t-lo incomodado.
A terceira ligao foi para Munique.
- Professor Otto Schmidt?
- Sou eu mesmo.
- Professor Schmidt, aqui  da companhia de nibus de excurso Sunshine. Temos uns culos que deixou em nosso nibus h poucos dias e...
- Deve haver algum engano.
Robert sentiu um frio no corao. Errara o alvo. Nada lhe restava para continuar. A voz acrescentou:
- Estou com meus culos aqui. No os perdi. Robert se reanimou.
- Tem certeza, professor? Esteve naquela viagem para Jungfrau no dia 14, ou no esteve?
- Estive, sim, j lhe disse, mas no perdi coisa alguma.
- Muito obrigado, professor. Robert desligou. Bingo!
Robert discou outro nmero, e dois minutos depois estava falando com o General Hilliard.
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- Tenho duas coisas a comunicar - disse Robert. - A primeira, sobre a testemunha em Londres de que falei.
- O que houve com ela?
- Morreu num incndio ontem  noite.
-  mesmo? Lamentvel!
- Tambm acho, senhor. Mas creio que localizei outra testemunha. Eu o avisarei assim que confirmar.
- Ficarei esperando, comandante.
O General Hilliard entrou em contato com Janus.
- O Comandante Bellamy localizou outra testemunha.
- timo. O grupo est cada vez mais irrequieto. Todos se preocupam com a possibilidade da histria aflorar antes que o SDI se torne operacional.
- Terei mais informaes em breve.
- No quero informaes. Quero resultados.
- Certo, Janus.
A Plattenstrasse, em Munique,  uma rua residencial tranqila, com prdios antigos e dilapidados, todos agrupados, como se em busca de proteo mtua. O nmero 5 
era igual aos vizinhos. Dentro do saguo, havia uma fileira de caixas de correspondncia. Um pequeno carto por baixo de uma delas dizia: "Professor Otto Schmidt." 
Robert apertou a campainha.
A porta do apartamento foi aberta por um homem alto e magro, com os cabelos brancos desgrenhados. Usava uma suter desfiada e fumava um cachimbo. Robert especulou 
se ele criara a imagem de um arqutipo de professor universitrio, ou se a imagem o criara.
- Professor Schmidt?
- Sou eu mesmo.
- Gostaria de lhe falar por um momento. Sou da...
- J nos falamos.  o homem que me telefonou esta manh. Sou um perito em reconhecer vozes. Entre.
- Obrigado.
Robert entrou numa sala apinhada de livros. Havia estantes nas paredes, do cho ao teto, com centenas de volumes. Tambm havia livros empilhados por toda parte: 
em mesas, no cho,
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em cadeiras. Os poucos mveis na sala pareciam ser secundrios.
- No  da companhia sua de nibus de excurso, no  mesmo?
- Bem, eu...
-  americano.
-  isso mesmo.
- E esta visita nada tem a ver com meus culos perdidos que no foram perdidos.
- Ahn... no, senhor.
- Est interessado no OVNI que eu vi. Foi uma experincia muito desconcertante. Sempre acreditei que podiam existir, mas nunca pensei que veria um.
- Deve ter sido um choque terrvel.
- Foi mesmo.
- Pode me dizer alguma coisa a respeito?
- Parecia... quase vivo. Havia uma espcie de luz tremeluzente ao redor. Azul. No, talvez mais cinza. No tenho certeza.
Robert lembrou a descrio de Mandei: "Mudava de cor a todo instante. Parecia azul... depois verde."
- Rompera-se e pude avistar dois corpos l dentro. Pequenos... olhos enormes. Usavam um traje prateado.
- Pode me dizer alguma coisa sobre os outros passageiros?
- Os passageiros do nibus?
- Isso mesmo.
O professor deu de ombros.
- Nada sei sobre eles. Eram todos estranhos. Eu me concentrava numa palestra que faria na manh seguinte, e no prestava muita ateno aos outros passageiros.
Robert esperou, observando-o.
- Se ajudar em alguma coisa, posso lhe dizer de que pases eram alguns. Sou professor de qumica, mas meu passatempo  o estudo da fontica.
- Agradeceria qualquer coisa que possa lembrar.
- Havia um padre italiano, um hngaro, um americano com sotaque do Texas, um ingls, uma jovem russa...
- Russa?
- Exatamente. Mas ela no era de Moscou. Pelo sotaque,
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 dpiahqu era de Kiev, ou algum lugar nas proximidades. Robert tornou a esperar, mas houve apenas silncio.
No ouviu nenhum deles mencionar seu nome, ou falar de sua profisso?
- Lamento, mas no sei mais nada. J expliquei que me concentrava na palestra que faria no dia seguinte. O texano e o padre sentavam juntos. O texano no parava 
de falar. Era muito aborrecido. No sei Se o padre entendeu alguma coisa.
- O padre...
- Tinha um sotaque romano.
Pod me dizer mais alguma coisa sobre qualquer deles? O professor deu de ombros.
- Infelizmente, no. - Ele tirou outra baforada do cachimbo. - Lamento no poder ajud-lo.
Robert teve uma idia sbita.
- Disse" que  qumico?
- Isso mesmo.
Gostaria que desse uma olhada numa coisa, professor. Robert enfiou a ruo no bolso e tirou o pedao de metal que Beckerman lhe dera. - Pode me dizer o que  isto?
O Professor Schmidt pegou o objeto, sua expresso mudou enquanto o examinava.
- Onde... onde encontrou isto?
- Lamento, mas no posso dizer. Sabe o que ?
- Parece ser parte de um artefato de transmisso.
- Tem certeza?
O professor revistou o objeto na mo.
- O cristal  diltio, muito raro. Est vendo estes entalhes aqui? Sugerem que Se encaixa numa unidade maior. O metal ... Por Deus, nunca vi nada parecido! - A voz 
estava impregnada de excitamento. _ pode me emprestar isto por alguns dias? Gostaria de efetuar alguns estudos espectogrficos.
- Lamento, mas no  possvel.
- Mas..,
- Sinto muito.
Robert recuperou o pedao de metal. O professor tentou disfarar seu desapontamento.
- Talvez possa traze-lo de volta mais tarde. Por que no
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me d seu carto? Posso lhe telefonar se me lembrar de mais alguma coisa.
Robert tateou nos bolsos.
- Acho que no trouxe nenhum carto. O Professor Schmidt murmurou:
- Era o que eu imaginava...
- O Comandante Bellamy est na linha. O General Hilliard atendeu.
- Pois no, comandante?
- O nome da ltima testemunha  o Professor Schmidt. Mora na Plattenstrasse, 5, em Munique.
- Obrigado, comandante. Comunicarei imediatamente s autoridades alems.
Robert j ia dizer "E receio que ser a ltima testemunha que conseguirei descobrir", mas algo o conteve. Detestava admitir o fracasso. E, no entanto, a trilha sumira 
por completo. Um texano e um padre. O padre era de Roma. Ponto final. Assim como um milho de outros padres. E no havia como identific-lo. Tenho uma opo, pensou 
Robert. Posso desistir e voltar a Washington, ou posso ir a Roma e fazer uma ltima tentativa...
O Bundesverfassungsschutzamt, o quartel-general do Servio de Proteo da Constituio, fica no centro de Berlim, na Neumarkterstrasse.  um prdio grande e cinzento, 
sem qualquer caracterstica marcante, sem nada para distingui-lo dos prdios ao redor. L dentro, no segundo andar, na sala de reunies, o chefe do departamento, 
Inspetor Otto Joachim, estudava uma mensagem. Leu-a duas vezes, depois estendeu a mo e pegou o telefone vermelho em cima da mesa.
Dia Seis
Munique, Alemanha
Na manh seguinte, ao se encaminhar para seu laboratrio de qumica, Otto Schmidt pensava na conversa que tivera com o americano na noite anterior. De onde teria 
vindo aquele pedao
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 de metal? Era espantoso, alm de qualquer coisa em sua experincia. E o americano o deixara perplexo. Dissera que estava interessado nos passageiros do nibus. 
Por qu? Porque todos foram testemunhas do disco voador? Sero advertidos a no falarem coisa alguma? Se era esse o caso, por que o americano no o advertira? Havia 
alguma coisa estranha acontecendo, concluiu o professor. Ele entrou no laboratrio, tirou o palet, pendurouo. Ps o avental para evitar que as roupas ficassem sujas, 
foi at a bancada em que vinha trabalhando h muitos meses, numa experincia qumica. Se isto der certo, pensou ele, pode me valer um prmio Nobel. Ele levantou 
o bquer de gua esterilizada e comeou a derramar num recipiente com um lquido amarelo.  estranho. No me lembro de ser um amarelo to brilhante. O estrondo da 
exploso foi tremendo. O laboratrio se transformou numa fornalha gigantesca, fragmentos de vidro e carne humana salpicaram as paredes.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
BFV PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
4. OTTO SCHMIDT - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
Robert perdeu a notcia da morte do professor. Estava a bordo de um avio da italia, a caminho de Roma.
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Captulo Vinte e Trs

Dustin Thornton estava se tornando irrequieto. Tinha o poder agora, e era como uma droga. Queria mais. O sogro, Willard Stone, sempre prometia que o introduziria 
num misterioso crculo interior, mas at agora no cumprira a promessa.
Foi por puro acaso que Thornton descobriu que o sogro desaparecia todas as sextas-feiras. Thornton ligou para almoar com ele
- Lamento - disse a secretria particular de Willard Stone -, mas o sr. Stone estar ausente durante o dia inteiro
-  uma pena. Pode marcar um almoo ento na prxima sexta-feira?
- Sinto muito, sr. Thornton, mas o sr. Stone tambm estar ausente na prxima sexta-feira.
Estranho. E se tornou ainda mais estranho quando Thornton telefonou duas semanas depois, e obteve a mesma resposta Para onde o velho desaparece toda sexta-feira? 
Ele no era um golfista, ou homem que se dedicasse a qualquer hobby.
A resposta bvia era uma mulher. A esposa de Willard Stone era uma socialite e muito rica. Era uma mulher autoritria, quase to forte,  sua maneira, quanto o marido. 
No era o tipo de mulher que toleraria uma ligao extraconjugal do marido
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Se ele est tendo um caso, pensou Thornton, ficar sob meu controle. Thornton sabia que precisava descobrir.
Com todos os recursos  sua disposio, Dustin Thornton poderia ter descoberto muito depressa o que o sogro andava fazendo. S que Thornton no era nenhum tolo. 
Estava bem consciente que teria os maiores problemas se desse um nico passo em falso. Willard Stone no era o tipo de homem que admitisse qualquer interferncia 
em sua vida. Thornton decidiu investigar o mistrio pessoalmente.
s cinco horas da manh, na sexta-feira seguinte, Dustin Thornton estava arriado por trs do volante de um Ford Taurus annimo, a meio quarteiro da manso de Willard 
Stone. Era uma manh fria e horrvel, Thornton se perguntava a todo instante o que fazia ali. Era mais do que provvel que houvesse alguma explicao perfeitamente 
razovel para o estranho comportamento de Stone. Estou desperdiando meu tempo, pensou Thornton. Mas alguma coisa o mantinha ali.
s sete horas os portes foram abertos, e um carro saiu. Willard Stone sentava ao volante. Em vez da limusine habitual, ele estava num pequeno furgo preto, geralmente 
usado pelos criados. Thornton foi dominado por um sentimento de exultao. Sabia que se encontrava na pista de algo importante. As pessoas viviam de acordo com seu 
padro, e Stone naquele momento quebrava seu padro. S podia ser outra mulher.
Guiando com todo cuidado, permanecendo bem atrs do furgo, Thornton seguiu o sogro pelas ruas de Washington, at a estrada que levava para Arlington.
Terei de cuidar do assunto com o maior cuidado, pensou Thornton. No quero pression-lo demais. Obterei todas as informaes que puder sobre sua amante, e depois 
o confrontarei. Direi que meu nico interesse  o de proteg-lo. Ele vai compreender. A ltima coisa que ele quer  um escndalo pblico.
Dustin Thornton se achava to absorvido em seus pensamentos que quase perdeu a curva que Willard Stone fizera. Estavam num bairro residencial exclusivo. O furgo 
preto desapareceu abruptamente por um caminho entre rvores.
Thornton parou o carro, tentando decidir o que era melhor
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Deveria confrontar Willard Stone com sua infidelidade agora? Ou deveria esperar at que Stone se retirasse, e falar com a mulher primeiro? Ou seria melhor obter 
discretamente todas as informaes de que precisava, e s depois conversar com o sogro? Ele resolveu fazer um reconhecimento.
Deixou o carro numa rua transversal, deu a volta para a viela nos fundos da casa de dois andares. Uma cerca de madeira bloqueava a passagem para o quintal dos fundos, 
mas isso no era problema. Thornton abriu o pequeno porto na cerca e entrou. Deparou com um jardim, enorme, bonito, muito bem-cuidado.
Avanou sem fazer barulho para a sombra das rvores  beira do gramado, ficou parado ali, olhando para a porta dos fundos, tentando decidir qual deveria ser seu 
prximo movimento. Precisava de provas do que estava acontecendo. Sem isso, o velho riria em sua cara. E o que quer que estivesse acontecendo l dentro, naquele 
momento, poderia ser a chave para seu futuro. Ele tinha de descobrir.
Com todo cuidado, Thornton foi at a porta dos fundos, e experimentou a maaneta. A porta no estava trancada. Ele entrou, descobrindo-se numa cozinha grande e antiquada. 
No havia ningum por ali. Thornton encaminhou-se para a porta de servio, entreabriu-a. Avistou um enorme vestbulo. Na outra extremidade, havia uma porta fechada, 
que podia levar a uma biblioteca. Thornton foi andando para l, em silncio. Parou por um momento, escutando. No havia sinal de vida na casa. O velho provavelmente 
est l em cima, no quarto.
Thornton alcanou a porta fechada, abriu-a. E ficou imvel, aturdido. Havia uma dzia de homens sentados na sala, em torno de uma mesa grande.
- Entre, Dustin - disse Willard Stone. - Estvamos  sua espera.
Captulo Vinte e Quatro
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roma provou ser muito difcil para Robert, uma provao emocional que o deixou esgotado. Passara a lua-de-mel ali com Susan, as recordaes eram angustiantes. Roma 
era Roberto, que dirigia o Hotel Hassler para a me, e era parcialmente surdo, mas podia ler lbios em cinco lnguas. Roma era os jardins de Villa d'Este, em Tivoli, 
o Restaurante Sibilla, e a alegria de Susan com os cem chafarizes criados pelo filho de Lucrcia Brgia. Roma era Otello, ao p da Escadaria Espanhola, o Vaticano, 
o Coliseu, o Frum, o Moiss de Michelangelo. Roma era partilhar um tartufo no Tre Scalini, o som do riso de Susan, e sua voz murmurando:
- Por favor, Robert, prometa que seremos sempre felizes assim.
O que estou fazendo aqui?, especulou Robert. No tenho a menor idia de quem  o padre, nem mesmo se ele est em Roma. Est na hora de cair fora, voltar para casa, 
esquecer tudo isso.
Mas alguma coisa em seu ntimo, algum veio de obstinao herdado de um ancestral h muito morto, no o deixava partir. Tentarei por um dia, decidiu Robert. S mais 
um dia.
O aeroporto Leonardo da Vinci estava apinhado, e Robert tinha a impresso de que uma em cada duas pessoas era um pa-
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dre. Procurava por um padre numa cidade que tinha... quantos? Cinqenta mil padres? Cem mil? No txi, a caminho do Hotel Hassler, ele notou multides de padres de 
batina nas ruas.  impossvel, pensou Robert. Devo ter perdido o juzo.
Ele foi recebido no saguo do Hotel Hassler pelo gerenteassistente.
- Comandante Bellamy! Que prazer tornar a v-lo!
- Obrigado, Pietro. Tem um quarto para mim por uma noite?
- Para o senhor... claro! Sempre!
Robert foi conduzido a um quarto que j ocupara antes.
- Se precisar de alguma coisa, comandante, por favor... Preciso de um milagre, pensou Robert. Ele sentou na cama, recostou-se nos travesseiros, tentando clarear 
a mente.
Por que um padre de Roma viajaria at a Sua? Havia diversas possibilidades. Podia ter ido de frias, ou talvez houvesse ali uma reunio de padres. Ele era o nico 
padre no nibus de excurso. O que isso significava? Nada. Exceto, talvez, que no viajava com um grupo. Portanto, podia ter sido uma viagem para visitar amigos 
ou a famlia. Ou talvez ele integrasse um grupo, s que os outros preferiram fazer coisas diferentes naquele dia. Os pensamentos de Robert davam voltas num crculo 
intil.
De volta ao incio. Como o padre chegou  Sua? As possibilidades maiores so de que ele no tenha um carro. Algum pode ter lhe dado uma carona, mas  mais provvel 
que ele tenha viajado de avio, trem ou nibus. Se estava deferias, no disporia de muito tempo. Portanto, vamos presumir que viajou de avio. Essa linha de raciocnio 
no levava a parte alguma. As empresas areas no registravam as ocupaes de seus passageiros. O padre seria apenas mais um nome na lista de passageiros. Mas se 
fosse parte de um grupo...
O Vaticano, a residncia oficial do Papa, ergue-se imponente na colina Vaticano, na margem oeste do Tibre, na extremidade noroeste de Roma. O domo da baslica de 
So Pedro, projetada por Michelangelo, paira acima da vasta piazza, lotada dia e noite por turistas ansiosos de todas as fs.
A piazza  cercada por duas colunatas semicirculares, com-
162
cludas em 1667 por Bernini, com 284 colunas de mrmore tra vertino, dispostas em quatro fileiras, encimadas por uma balaus trada em que se encontram 140 esttuas. 
Robert j visitara o lugar uma dzia de vezes, mas a vista sempre o deixava emocionado
O interior do Vaticano,  claro, era ainda mais espetacular. A Capela Sistina, o museu e a Sala Rotonda eram de uma beleza indescritvel.
Mas naquele dia Robert no se encontrava ali para admirar o lugar.
Ele localizou o departamento de relaes pblicas do Vaticano na ala do prdio devotada aos assuntos seculares. O jovem por trs da escrivaninha foi polido.
- Em que posso ajud-lo?
Robert mostrou um documento de identidade.
- Trabalho na revista Time. Estou escrevendo uma reportagem sobre alguns padres que compareceram a uma reunio na Sua, h uma ou duas semanas. Gostaria de obter 
informaes a respeito.
O jovem estudou-o em silncio por um momento, depois franziu o rosto.
- Tivemos alguns padres numa reunio em Veneza no ms passado. Nenhum de nossos padres esteve na Sua recentemente. Lamento, mas no posso ajud-lo.
-  realmente muito importante - insistiu Robert, com uma expresso aflita. - Onde eu poderia obter essa informao?
- O grupo que est procurando... que ramo da Igreja eles representam?
- Como?
- H muitas ordens catlicas romanas. H franciscanos, maristas, beneditinos, trapistas, jesutas, dominicanos, e vrias outras ordens. Sugiro que procure a ordem 
a que eles pertencem e pergunte ali.
Mas onde poder ser "ali"?, especulou Robert.
- Tem alguma outra sugesto?
- Infelizmente, no.
Nem eu, pensou Robert. Descobri o palheiro. No posso encontrar a agulha.
Ele deixou o Vaticano e vagueou pelas ruas de Roma, indi-
163

ferente s pessoas ao redor, absorvido em seu problema. Na Piazza dei Popolo, sentou num caf ao ar livre e pediu um Cinzano. Ficou na sua frente, intacto.
Por tudo o que sabia, o padre podia estar ainda na Sua. A que ordem ele pertence? No sei. E s tenho a palavra do professor de que ele era romano.
Robert tomou um gole do Cinzano.
Havia um avio que decolava para Washington no final da tarde. Embarcarei nele, decidiu Robert. Desisto. O pensamento deixou-o mortificado. Fora, no com uma vitria, 
mas com um fracasso. Mas estava na hora de ir embora.
- // conto, perfavore.
- Si, signore.
Robert correu os olhos pelapiazza. No outro lado do caf, passageiros embarcavam num nibus. Havia dois padres na fila. Robert observou os passageiros pagarem, e 
se deslocarem para o fundo do nibus. Quando chegou a vez dos padres, eles sorriram para o trocador e foram ocupar seus lugares sem pagar a passagem.
- Sua conta, signore - disse o garom.
Robert nem mesmo ouviu. Sua mente estava em disparada. Ali, no corao da Igreja Catlica, os padres tinham certos privilgios. Era possvel, apenas possvel...
O escritrio da Swissair fica na Via P, 10, a cinco minutos da Via Veneto. Robert foi cumprimentado pelo homem por trs do balco.
- Posso falar com o gerente, por favor?
- Sou o gerente. Em que posso servi-lo? Robert exibiu um carto de identificao.
- Michael Hudson, da Interpol.
- Em que posso ajud-lo, sr. Hudson?
- Algumas transportadoras internacionais esto se queixando de descontos ilegais na Europa... principalmente em Roma. De acordo com as convenes internacionais...
- Desculpe, sr. Hudson, mas a Swissair no concede descontos. Todos pagam as tarifas integrais.
- Todos?
- Com exceo dos funcionrios da companhia,  claro.
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- No h um desconto para padres?
- No. Em nossa companhia, eles pagam a tarifa integral. Em nossa companhia.
- Obrigado por seu tempo.
Robert se retirou. A prxima parada - e sua ltima esperana - foi na Alitalia.
- Descontos ilegais? - O gerente olhou perplexo para Robert. - S concedemos descontos a nossos funcionrios.
- No do descontos a padres? O rosto do gerente se iluminou.
- Ah, isso... claro que sim. Mas no  ilegal. Temos um convnio com a Igreja Catlica.
Robert sentiu-se animado.
- Quer dizer que se um padre quisesse voar de Roma para a Sua, por exemplo, escolheria esta companhia?
- Claro. Seria mais barato para ele.
- A fim de atualizar nossos computadores, seria muito til se pudesse me informar quantos padres voaram para a Sua nas duas ltimas semanas. Teria um registro 
disso, no ?
- Claro. Somos obrigados a mant-los, por questes fiscais.
- Eu agradeceria se me prestasse essa informao.
- Deseja saber quantos padres voaram para a Sua nas duas ltimas semanas?
- Isso mesmo. Zurique ou Genebra.
- Espere um instante. Vou verificar em nosso computador. O gerente voltou cinco minutos depois com um impresso de
computador.
- Houve apenas um padre que voou pela Alitalia para a Sua nas duas ltimas semanas. - Ele consultou o impresso. - Ele partiu de Roma no dia 7, voando para Zurique. 
Pegou um vo de volta h dois dias.
Robert respirou fundo.
- E qual  seu nome?
- Padre Romero Patrini.
- E o endereo?
O gerente tornou a consultar o papel.
- Ele mora em Orvieto. Se precisar de mais alguma coisa... O homem levantou os olhos. Robert no estava mais ali.
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Captulo Vinte e Cinco
Dia Sete Orvieto, Itlia
fie parou o carro numa curva na rota S-71. Ah, podia ter uma vista espetacular da cidade, no outro lado do vale, no alto de um afloramento de rocha vulcnica. Era 
um antigo centro etrusco, com uma catedral famosa no mundo inteiro, meia dzia de igrejas, e um padre que testemunhara um acidente com um OVNI.
A cidade no fora afetada pelo tempo, as ruas caladas com pedras, prdios antigos e adorveis, e um mercado ao ar livre, onde os camponeses podiam vender seus legumes 
frescos e galinhas
Robert encontrou um lugar para estacionar na Piazza dei Duomo. Atravessou a praa at a catedral e entrou. O enorme interior estava deserto, exceto por um idoso 
padre, que naquele instante deixava o altar.
- Com licena, padre - disse Robert. - Estou procurando um padre desta cidade que esteve na Sua na semana passada. Talvez possa.
O padre recuou, com uma expresso hostil
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- No posso falar sobre isso. Robert ficou surpreso.
- No compreendo. Quero apenas descobrir..
- Ele no  desta igreja, mas sim da igreja de San Giovenale.
E o padre passou apressado por Robert. Porque ele se mostra to hostil?
A igreja de San Giovenale ficava no Quartiere Vecchio, uma rea pitoresca, com igrejas e torres medievais. Um jovem padre cuidava do jardim ao lado. Levantou os 
olhos quando Robert se aproximou.
- Buon giorno, signore.
- Bom dia. Estou procurando um padre que esteve na Sua na semana passada. Ele..
- J sei, j sei. O pobre Padre Patrini. Foi uma coisa terrvel o que lhe aconteceu.
- No compreendo. Que coisa terrvel?
- Ver a carruagem do demnio. Foi mais do que ele pde suportar. O pobre coitado sofreu um colapso nervoso.
- Lamento saber disso. Onde ele est agora? Eu gostaria de conversar com ele.
- Est no hospital, perto da Piazza di San Patrizio, mas duvido que os mdicos permitam que algum o visite.
Robert ficou imvel, preocupado. Um homem que sofrera um colapso nervoso no seria de muita ajuda.
- Entendo. Muito obrigado.
O hospital era um prdio simples, de um s andar, nos arredores da cidade. Robert parou o carro na frente e entrou no pequeno saguo. Havia uma enfermeira por trs 
de uma mesa de recepo.
- Bom dia - disse Robert. - Eu gostaria de falar com o Padre Patrini.
- Miscusi, ma.,, isso  impossvel. Ele no pode falar com ningum.
Robert estava determinado a no ser detido agora. Tinha de seguir a pista que o Professor Schmidt lhe dera.
- Voc no compreende - insistiu ele, suavemente. - O
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Padre Patrini pediu para falar comigo. Vim a Orvieto a seu pedido.
- Ele pediu para lhe falar?
- Isso mesmo. Escreveu para mim na Amrica. E viajei at aqui s para v-lo.
A enfermeira hesitou.
- No sei o que dizer. Ele est muito doente. Molto.
- Tenho certeza que melhoraria se me visse.
- O doutor no est aqui... - Ela tomou uma deciso. - Muito bem. Pode entrar no quarto dele, signore, pias s pode ficar por alguns minutos.
- Isso  tudo de que preciso
- Por aqui, per placere.
Eles seguiram por um corredor curto, com pequenos quartos nos lados. A enfermeira conduziu Robert a uma das portas.
- S alguns minutos, signore.
- Grazie.
Robert entrou no quarto. O homem no leito parecia uma sombra plida, estendido sobre lenis brancos. Robert aproximou-se e murmurou:
- Padre...
O sacerdote virou-se para fit-lo. Robert nunca vira tanta agonia nos olhos de um homem.
- Padre, meu nome ...
Ele segurou o brao de Robert, balbuciando:
- Ajude-me! Tem de me ajudar! Minha f desapareceu. Passei a vida inteira pregando sobre Deus e o Esprito Santo, e agora sei que Deus no existe. S h o demnio, 
e ele veio nos buscar...
- Padre, se quiser...
- Vi com meus prprios olhos. Eram dois, na carruagem do demnio, mas haver mais, muito mais! Espere s para ver! Estamos todos condenados ao inferno!
- Padre... escute-me. No era o demnio o que viu. Era um veculo espacial que...
O padre largou o brao de Robert e fitou-o, com sbita lucidez.
- Quem  voc? O que deseja?
168
- Sou um amigo. Vim aqui para saber algumas coisas sobre a viagem de nibus que fez na Sua.
- O nibus... Eu gostaria de nunca ter chegado nem perto dele.
O padre se mostrava agitado de novo. Robert detestava a idia de pression-lo, mas no tinha opo.
- Sentou ao lado de um homem naquele nibus. Um texano. Teve uma longa conversa com ele, lembra?
- Uma conversa. O texano. Lembro, sim.
- Ele mencionou onde morava no Texas?
- Lembro dele. Era da Amrica.
- Isso mesmo. Do Texas. Ele lhe contou onde morava?
- Contou, sim.
- Onde, padre? Onde ele morava?
- Texas. Ele falou do Texas.
Robert acenou com a cabea, encorajador.
-  isso mesmo.
- Eu os vi com meus prprios olhos. Gostaria que Deus me tivesse cegado. Eu...
- Padre... o homem do Texas. Ele disse de onde era? Mencionou um nome?
- Texas, isso mesmo. Ponderosa. Robert tentou de novo.
- Isso  na televiso. Aquele era um homem real. Sentou ao seu lado no...
O padre recomeava a delirar.
- Eles esto chegando! Armagedon est aqui! A Bblia mente!  o demnio que invadir a Terra! - Ele berrava agora. - Olhem! Olhem! Posso v-los!
A enfermeira entrou correndo no quarto. Olhou para Robert com uma expresso de desaprovao.
- Ter de se retirar, signore.
, - S preciso de mais um minuto...
- No, signore. Adesso!
Robert lanou um ltimo olhar para o padre. Ele balbuciava incoerente. Robert virou-se para sair. No havia mais nada que pudesse fazer ali. Apostara que o padre 
lhe daria uma pista para o texano, e perdera.
169

Robert voltou ao carro e seguiu para Roma. Finalmente acabara As nicas pistas que lhe restavam - se  que podiam ser chamadas de pistas - eram as referncias a 
uma jovem russa, um texano e um hngaro. Mas no havia como investig-las. Xeque exeque-mate. Era frustrante chegar at aquele ponto, e ter de parar. Se ao menos 
o padre tivesse permanecido coerente pelo tempo suficiente para prestar a informao de que precisava... Estivera to perto! O que fora mesmo que o padre dissera? 
Ponderosa. O velho padre andara assistindo televiso demais e, em seu delrio, obviamente associara o Texas ao outrora popular seriado de televiso "Bonanza". Ponderosa, 
onde vivia a mtica famlia Cartwright. Ponderosa. Robert diminuiu a velocidade, levou o carro numa curva em U na estrada, acelerou para voltar a Orvieto.
Meia hora depois, Robert conversava com o bartender, numa pequena trattoria na Piazza delia Repubblica
- Esta  uma linda cidade - comentou Robert. - Bastante tranqila.
- Si, signore. Estamos muito contentes aqui. J tinha visitado a Itlia antes?
- Passei parte de minha lua-de-mel em Roma.
"Voc faz com que todos os meus sonhos se transformem em realidade, Robert. Eu queria conhecer Roma desde que era pequena."
- Ah, Roma. Muito grande. Muito barulhenta.
- Concordo.
- Levamos vidas simples aqui, mas somos felizes. Robert comentou, casual:
- Notei antenas de televiso em muitos telhados por aqui.
-  verdade. Estamos bastante atualizados, sob esse aspecto.
- D para perceber. Quantos canais de televiso a cidade pode captar?
- Apenas um.
- E exibe muitos programas americanos?
- No.  um canal do governo. Aqui s recebemos programas feitos na Itlia.
Bingo!
- Obrigado.
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Robert telefonou para o Almirante Whittaker. Uma secretria atendeu:
- Gabinete do Almirante Whittaker.
Robert podia visualizar o gabinete. S podia ser o tipo de cubculo annimo que o governo mantinha para no-pessoas que no tinham mais qualquer utilidade.
- Eu poderia falar com o almirante, por favor? Aqui  o Comandante Robert Bellamy.
- Um momento, comandante.
Robert se perguntou se algum se daria ao trabalho de manter contato com o almirante, agora que a figura outrora poderosa pertencia  esquadra de reserva. Provavelmente 
no.
- Robert,  um prazer ouvi-lo. - A voz do velho parecia cansada. - Onde voc est?
- No posso dizer, senhor. Houve uma pausa.
- Eu compreendo. H alguma coisa em que eu posso ajud-lo?
- H, sim, senhor.  uma situao um pouco constrangedora, porque recebi a ordem de no me comunicar com ningum. Mas preciso de alguma ajuda externa. Ser que poderia 
verificar uma coisa para mim?
- Posso tentar. O que gostaria de saber?
- Preciso saber se em algum lugar do Texas existe um rancho chamado Ponderosa.
- Como em Bonanza!
- Isso mesmo, senhor.
- Posso descobrir. Como voltarei a entrar em contato com voc?
- Acho que ser melhor eu lhe telefonar de novo, almirante.
- Est certo. D-me uma ou duas horas. E pode deixar que isto ficar entre ns dois.
- Obrigado.
Robert tinha a impresso de que o cansao desaparecera da voz do velho. Finalmente haviam lhe pedido para fazer alguma coisa, mesmo sendo algo to trivial quanto 
localizar um rancho.
171

Duas horas depois, Robert tornou a ligar para o Almirante Whittaker.
- Eu estava esperando sua ligao, Robert. - Havia uma evidente satisfao na voz do almirante. - Tenho a informao que queria.
- E qual ?
Robert prendeu a respirao.
- H mesmo um rancho Ponderosa no Texas. Fica nos arredores de Waco, e pertence a Dan Wayne.
Robert deixou escapar um profundo suspiro de alvio.
- Muito obrigado, almirante. Eu lhe devo um jantar quando voltar.
- Estarei aguardando ansioso, Robert.
A ligao seguinte de Robert foi para o General Hilliard.
- Localizei outra testemunha, na Itlia. Padre Patrini.
- Um padre?
- Isso mesmo. Em Orvieto. Ele est no hospital, muito doente. Receio que as autoridades italianas no podero se comunicar com ele.
- Passarei a informao. Obrigado, comandante.
Dois minutos depois, o General Hilliard falava ao telefone com Janus.
- Recebi mais informaes do Comandante Bellamy. A ltima testemunha  um padre. Padre Patrini, de Orvieto.
- Cuidarei disso.
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ULTRA-SECRETA
ASN PARA DIRETOR SIFAR
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUlZO FINAL
5. PADRE PATRINI - ORVIETO
FIM DA MENSAGEM
O quartel-general do SIFAR  na Via delia Pineta, nos arredores meridionais de Roma, numa rea cercada por propriedades rurais. Algum de passagem s lanaria um 
segundo olhar para os prdios inocentes, de aparncia industrial, ocupando dois quarteires, por causa do muro alto que cercava o complexo, encimado com arame farpado, 
com cabines de segurana em cada canto. Oculta no conjunto militar, est uma das mais secretas agncias de segurana do mundo, e uma das menos conhecidas. H placas 
alm do conjunto dizendo: Vietate passare Oltre i Limiti.
Dentro de uma sala espartana, no primeiro andar do prdio principal, o Coronel Francesco Csar estudava a mensagem urgente que acabara de receber. O coronel era 
um homem de cinqenta e poucos anos, um corpo musculoso, um rosto de buldogue, bexiguento. Leu a mensagem pela terceira vez.
Ento a Operao Juzo Final est finalmente acontecendo. E una bella fregatura. Ainda bem que nos preparamos para isso, pensou Csar. Ele tornou a olhar para a 
mensagem. Um padre.
J era mais de meia-noite quando a freira passou pelo posto das enfermeiras do planto noturno no pequeno hospital de Orvieto.
- Acho que ela vai ver a Signora Fillipi - comentou a enfermeira Tomasino.
- Ou ento o velho Rigano. Os dois esto nas ltimas.
A freira dobrou silenciosamente o canto do corredor e seguiu direto para o quarto do padre. Ele dormia, sereno, as mos unidas sobre o peito, quase como se estivesse 
em orao. Uma aixa de luar entrava pelas venezianas, projetando um brilho dourado no rosto do padre.
A freira removeu uma pequena caixa de baixo do hbito. Com todo cuidado, pegou um rosrio de contas de vidro, ajeitouo nas mos do padre. Ajustando as contas, ela 
passou a ponta de uma conta no polegar do padre. Um filete de sangue apareceu no mesmo instante. A freira tirou um pequeno vidro da caixa, usou um conta-gotas para 
pingar trs gotas no talho.
Levou apenas alguns minutos para que o veneno mortfero e de ao rpida surtisse efeito. A freira suspirou ao fazer o sinal
172
173

da-cruz sobre o morto. E depois se retirou, to silenciosamente quanto chegara.
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SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
5. PADRE PATRINI - ORVIETO - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
174
 Captulo Vinte e Seis

rank Johnson foi recrutado porque fora um Boina-Verde no Vietnam, e era conhecido entre seus companheiros como Mquina Assassina. Ele gostava de matar. Era motivado, 
e possua uma inteligncia excepcional.
- Ele  perfeito para ns - assegurou Janus. - Abordemno com todo cuidado. No quero perd-lo.
A primeira reunio ocorreu num quartel do exrcito. Um capito conversava com Frank Johnson.
- No se preocupa com o nosso governo? - indagou o capito. -  dirigido por um bando de maricas, que esto nos entregando aos estrangeiros. Este pas precisa da 
energia nuclear, mas os filhos da puta dos polticos tm nos impedido de construir novas usinas. Dependemos da porra dos rabes para o petrleo, mas o governo permite 
que faamos novas perfuraes no mar? De jeito nenhum. Esto mais preocupados com os peixes do que com a gente. Isso faz sentido para voc?
- Entendo seu argumento - disse Frank Johnson.
- Eu sabia que entenderia, porque  inteligente. - Ele observou atentamente o rosto de Johnson, enquanto acrescentava: - Se o Congresso no faz porra nenhuma para 
salvar nosso pas, ento cabe a alguns de ns fazer o que  necessrio.
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Frank Johnson ficou perplexo.
- Alguns de ns!
- Isso mesmo. - J chega, por enquanto, pensou o capito. - Conversaremos a respeito mais tarde.
A conversa seguinte foi mais especfica.
- H um grupo de patriotas, Frank, que est interessado em proteger nosso mundo. So homens de muita influncia. Criaram um comit. O comit pode ser obrigado a 
violar algumas regras para realizar seu trabalho, mas ao final valer a pena. Est interessado?
Frank Johnson sorriu.
- Estou muito interessado.
Esse foi o incio. A reunio seguinte ocorreu em Ottawa, Canad, e Frank Johnson conheceu alguns dos membros do comit. Representavam interesses poderosos de uma 
dzia de pases.
- Somos bem organizados - explicou um membro a Frank Johnson. - Temos uma cadeia de comando rigorosa. H divises de propaganda, recrutamento, ttica, ligao... 
e um esquadro da morte. - Uma pausa e ele acrescentou: - Quase todos os servios secretos do mundo participam.
- Est querendo dizer que os diretores...
- No, no os diretores. Os vices. As pessoas que controlam os servios, sabem o que est acontecendo, conhecem o perigo que nossos pases correm.
As reunies eram realizadas pelo mundo inteiro - Sua, Marrocos, China - e Johnson comparecia a todas.
Seis meses transcorreram antes que o Coronel Johnson se encontrasse com Janus, que mandara cham-lo.
- Tenho recebido excelentes informaes a seu respeito, coronel.
Frank Johnson sorriu.
- Gosto do meu trabalho.
- Foi o que ouvi dizer. Encontra-se numa posio vantajosa para nos ajudar.
Frank Johnson ficou ainda mais empertigado na cadeira.
- Farei tudo o que puder.
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- timo. Na Fazenda, est encarregado de supervisionar o treinamento dos agentes secretos de vrios servios.
- Isso mesmo.
- E passa a conhec-los e a suas capacidades muito bem.
- A fundo.
- Eu gostaria que recrutasse aqueles que considerar mais teis  nossa organizao. S nos interessamos pelos melhores.
-  bem fcil. No tem o menor problema. - O Coronel Johnson hesitou. - Mas eu gostaria...
- O qu?
- Posso fazer isso com a mo esquerda. Na verdade, eu gostaria de algo mais, algo maior. - Ele inclinou-se para a frente. - Ouvi falar da Operao Juzo Final.  
o meu caminho. Gostaria de participar, senhor.
Janus ficou em silncio por um momento, estudando-o. Depois, acenou com a cabea e disse:
- Muito bem, voc est dentro. Johnson sorriu.
- Obrigado. No vai se arrepender.
O Coronel Frank Johnson saiu muito feliz da reunio. Agora teria uma oportunidade de mostrar a eles o que era capaz de fazer.
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Captulo Vinte e Sete
Dia Oito Waco, Texas
D.
ran Wayne no estava tendo um bom dia. Na verdade, tinha um pssimo dia. Acabara de voltar do tribunal do condado de Waco, onde enfrentava um processo de falncia. 
A esposa, que mantivera uma ligao amorosa com seu jovem mdico, estava se divorciando, empenhada em arrancar a metade de tudo o que ele possua (e que podia ser 
a metade de nada, informara o advogado dela). E um de seus touros premiados teve de ser sacrificado. Dan Wayne sentia que o destino o chutava nos colhes. Nada fizera 
para merecer tudo aquilo. Sempre fora um bom marido e um bom rancheiro. Sentado em seu escritrio, ele pensava no futuro sombrio.
Era um homem orgulhoso. Conhecia todas as piadas sobre os texanos arrogantes e fanfarres, mas acreditava sinceramente que tinha do que se gabar. Nascera em Waco, 
na rica regio agrcola do vale do rio Brazos. Waco era uma cidade moderna, mas ainda conservava um certo clima do passado, quando vivia do gado, algodo, milho, 
estudantes e cultura. Wayne amava Waco com toda a fora de seu corao e alma. Ao conhecer o
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padre italiano, na excurso de nibus na Sua, passara quase cinco horas falando de sua cidade natal. O padre lhe dissera que queria praticar seu ingls, mas na 
verdade, como podia perceber agora, ao recordar, Dan falara durante quase todo o tempo.
- Waco tem tudo - ele garantira ao padre. - Nosso clima  maravilhoso. No deixamos que fique quente demais ou frio demais. Temos vinte e trs escolas no distrito, 
e mais a Universidade Baylor. Temos quatro jornais, dez emissoras de rdio, e cinco emissoras de televiso. Temos uma Galeria da Fama dos Rangers do Texas que o 
deixaria impressionado. Falo srio,  a prpria histria que est ali. Se gosta de pescar, padre, o rio Brazos ser uma experincia que nunca mais esquecer. Temos 
tambm um rancho safri e um grande centro de arte. Waco  uma das cidades mais extraordinrias do mundo. Deve nos visitar um dia.
E o velho padre sorria e acenava com a cabea, levando Wayne a especular o quanto ele de fato entendia o ingls.
O pai de Dan Wayne lhe deixara mil acres de pastagens, e o filho aumentara seu rebanho de duas mil para dez mil cabeas de gado. Havia tambm um touro premiado que 
valia uma fortuna. Mas agora os desgraados estavam tentando lhe arrancar tudo. No era culpa sua que o mercado de gado tivesse despencado, ou que tivesse se atrasado 
nos pagamentos da hipoteca. Os bancos se preparavam para o golpe de misericrdia, e sua nica oportunidade de se salvar era encontrar algum que comprasse o rancho, 
pagasse os credores e o deixasse com um pequeno lucro.
Wayne ouvira falar sobre um rico suo que procurava um rancho no Texas, e voara para Zurique a fim de encontr-lo. Ao final, descobrira que fora um esforo intil. 
A idia que o idiota fazia de um rancho era um ou dois acres, com uma pequena horta. Merda!
Fora assim que Dan Wayne se encontrava por acaso no nibus de excurso, quando aquela coisa extraordinria acontecera. Ele j lera sobre discos voadores, mas jamais 
acreditara que existissem de fato. Agora, por Deus, claro que acreditava. Assim que voltara para casa, ele ligara para o editor do jornal local.
- Johnny, vi um disco voador de verdade, com algumas pessoas de aparncia esquisita mortas l dentro.
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-  mesmo? Tem alguma foto, Dan?
- No. Tirei algumas, mas o filme velou.
- No importa. Mandaremos um fotgrafo.  no seu rancho?
- No. Para dizer a verdade, aconteceu na Sua. Houvera um momento de silncio.
- Certo. Se encontrar algum em seu rancho, Dan, ligue-me de novo.
- Espere um instante! Vou receber uma cpia de um sujeito que tirou algumas fotos.
Mas John j desligara.
E isso fora tudo.
Wayne quase desejava que houvesse mesmo uma invaso de aliengenas. Talvez matassem os seus malditos credores. Ele ouviu o barulho de um carro subindo pelo caminho, 
levantou-se, foi at a janela. Parecia algum do Leste. Provavelmente outro credor. Hoje em dia eles apareciam aos montes.
Dan Wayne abriu a porta da frente.
- Ol.
- Daniel Wayne?
- Meus amigos me chamam de Dan. O que deseja? Dan Wayne no era absolutamente o que Robert esperava.
Imaginara um esteretipo do texano corpulento. Dan Wayne era franzino, com uma aparncia aristocrtica, um comportamento quase tmido. A nica coisa que denunciava 
sua herana era o sotaque.
- Poderia me dispensar alguns minutos de seu tempo?
- Isso  praticamente tudo o que me resta - disse Wayne. - Por falar nisso, voc no  um credor, no  mesmo?
- Um credor? No, no sou.
- timo. Entre.
Os dois foram para a sala de estar. Era grande, confortavelmente mobiliada, ao estilo do oeste americano.
- Tem uma bela casa - comentou Robert.
- , sim. Nasci nesta casa. Posso lhe oferecer alguma coisa? Talvez um drinque gelado?
- No, obrigado.
- Sente-se
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Robert sentou num sof de couro macio.
- Por que veio me procurar?
- No esteve num nibus de excurso na Sua, na semana passada?
- Estive, sim. Minha ex-esposa mandou me seguir? No trabalha para ela, no ?
- No, senhor.
- Ahn... - Ele compreendeu subitamente. - Est interessado naquele OVNI. A coisa mais esquisita que j vi. No parava de mudar de cor. E aqueles aliengenas! - Dan 
Wayne estremeceu. - Sempre sonho com isso.
- Sr. Wayne, pode me falar alguma coisa sobre os outros passageiros que estavam no nibus?
- Desculpe, mas no posso ajud-lo neste ponto. Eu viajava sozinho.
- Sei disso, mas no conversou com outros passageiros?
- Para dizer a verdade, eu tinha muita coisa na cabea. No prestei muita ateno aos outros.
- Lembra alguma coisa sobre qualquer deles? Dan Wayne ficou em silncio por um momento.
- Havia um padre italiano. Conversei bastante com ele. Parecia muito simptico. Mas aquele disco voador deixou o homem abalado. Ele no parou mais de falar sobre 
o demnio.
- Falou com mais algum? Dan Wayne deu de ombros.
- No... Ei, espere um instante! Conversei um pouco com um sujeito que possui um banco no Canad. - Ele passou a lngua pelos lbios. - Para ser franco, estou tendo 
um problema financeiro aqui no rancho. Parece que posso perd-lo. Odeio os banqueiros. So todos uns sanguessugas. Seja como for, achei que aquele camarada poderia 
ser diferente. Quando descobri que era um banqueiro, conversei com ele sobre a possibilidade de obter um emprstimo para o rancho. Mas ele era igualzinho aos outros. 
No podia se mostrar menos interessado.
- Disse que ele era do Canad?
- Isso mesmo. Dort Smith, nos Territrios do Noroeste. Infelizmente, isso  tudo o que posso lhe dizer.
Robert fez um esforo para esconder seu excitamento.
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- Obrigado, sr. Wayne. Foi de grande valia. Robert se levantou.
- Isso  tudo?
- , sim.
- No gostaria de ficar para o jantar?
- No, obrigado. Tenho de seguir viagem. Boa sorte com o rancho.
- Obrigado.
Fort Smith, Canad Territrios do Noroeste
Robert esperou at que o General Hilliard entrasse na linha.
- Pois no, comandante?
- Encontrei outra testemunha. Dan Wayne. Ele possui o rancho Ponderosa, nos arredores de Waco, Texas.
- timo. Mandarei o pessoal do nosso escritrio no Texas conversar com ele.
MENSAGEM URGENTE
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ASN PARA VICE-DIRETOR CIA
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE <UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
6. DANIEL WAYNE - WACO
FIM DA MENSAGEM
Em Langley, Virgnia, o vice-diretor da CIA estudou a mensagem, pensativo. Nmero seis. As coisas estavam indo muito bem. O Comandante Bellamy realizava um trabalho 
extraordinrio.
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A deciso de escolh-lo fora das mais sensatas. Janus acertara em cheio. O homem sempre acertava. E tinha o poder para que seus desejos fossem executados. Tanto 
poder... O vice-diretor tornou a olhar para a mensagem. Fazer com que parea um acidente, pensou ele. No deve ser difcil. Ele apertou uma campainha.
Os dois homens chegaram ao rancho num furgo azul escuro. Pararam no ptio e saltaram, olhando ao redor com todo cuidado. O primeiro pensamento de Dan Wayne foi 
o de que se encontravam ali para tomar posse do rancho. Abriu a porta para eles.
- Dan Wayne?
- Sou eu mesmo. Em que posso...? Foi o mximo que ele conseguiu dizer.
O segundo homem postara-se por trs dele, e acertou-o no crnio com toda fora, usando um pequeno cassetete.
O maior dos dois homens pendurou o rancheiro inconsciente no ombro, carregou-o para o estbulo. Havia oito cavalos no estbulo. Os homens ignoraram-nos, seguiram 
at a ltima baia, onde estava um lindo garanho preto. O homem maior disse:
-  este.
Ele largou o corpo de Wayne no cho. O outro homem pegou um aguilho eltrico pendurado na parede, foi at a porta da baia, encostou o aguilho no cavalo. O animal 
relinchou e empinou. O homem tornou a atingi-lo, no focinho. O garanho corcoveava frentico agora, confinado no pequeno espao, chocando-se contra as paredes da 
baia, os dentes  mostra, o branco dos olhos faiscando.
- Agora - disse o homem menor.
Seu companheiro levantou o corpo de Dan Wayne, jogouo por cima da meia porta da baia. Ficaram assistindo a cena sangrenta por vrios momentos, e depois, satisfeitos, 
viraram as costas e foram embora.
183

MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA CIA PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
6. DANIEL WAYNE - WACO - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
Captulo Vinte e Oito
Dia Nove
Fort Smith, Canad
184
ort Smith, nos Territrios do Noroeste,  uma prspera cidadezinha de dois mil habitantes, quase todos agricultores e criadores de gado, com um punhado de comerciantes. 
O clima  terrvel, com invernos longos e rigorosos, e a cidade  a prova viva da teoria de Darwin sobre a sobrevivncia dos mais aptos.
William Mann era um dos mais aptos, um sobrevivente. Nascera em Michigan, mas com trinta e poucos anos passara por Fort Smith, uma viagem de pescaria, e conclura 
que a comunidade precisava de outro bom banco. Ele aproveitara a oportunidade. Havia apenas um outro banco ali, e William Mann precisou de menos de dois anos para 
afastar o concorrente. Mann dirigia seu banco como um banco deve ser dirigido. Seu deus era a matemtica, e sempre dava um jeito para que os nmeros o beneficiassem. 
Sua histria predileta era a piada do homem que procurou um banqueiro, suplicando um emprstimo para que o filho pudesse fazer uma operao imediata, que lhe salvaria 
a vida. Como o candidato ao emprstimo no pudesse oferecer qualquer garantia, o banqueiro mandou que ele fosse embora.
185

- Eu irei - disse o homem -, mas quero que saiba que em toda a minha vida jamais conheci algum de corao to frio quanto voc.
- Espere um instante - respondeu o banqueiro. - Vamos fazer uma aposta. Um dos meus olhos  de vidro. Se for capaz de descobrir qual deles, eu lhe darei o emprstimo.
O homem respondeu sem a menor hesitao:
-  o esquerdo.
O banqueiro ficou espantado.
- Ningum sabia disso. Como descobriu?
- Foi muito fcil. Por um momento, tive a impresso de que havia um brilho de compaixo em seu olho esquerdo. Assim, eu sabia que s podia ser um olho de vidro.
Para William Mann, essa era a histria de um bom homem de negcios. No se conduzia um negcio na base da compaixo. Era preciso sempre verificar os lucros. Enquanto 
outros bancos no Canad e Estados Unidos caam como pinos de boliche, o banco de William Mann estava mais forte do que nunca. Sua filosofia era simples: Nada de 
emprstimos para iniciar um negcio. Nada de investimentos em ttulos arriscados. Nada de emprstimos a vizinhos cujos filhos estivessem precisando desesperadamente 
de uma operao.
Mann sentia um respeito que beirava a reverncia pelo sistema bancrio suo. Os homens de Zurique eram os banqueiros dos banqueiros. Por isso, William Mann decidira 
um dia ir  Sua para conversar com alguns banqueiros ali, a fim de descobrir se havia alguma coisa que estava perdendo, alguma maneira de espremer mais alguns 
centavos do dlar canadense. Fora recebido com toda gentileza, mas no final no aprendera nada de novo. Seus prprios mtodos de administrao bancria eram admirveis, 
e os banqueiros suos no hesitaram em lhe dizer isso.
No dia em que deveria retornar ao Canad, Mann decidira se presentear com uma excurso pelos Alpes. Achara a excurso muito chata. As paisagens eram interessantes, 
mas no mais bonitas do que as que se podia ver nos arredores de Fort Smith. Um dos passageiros, um texano, se atrevera a tentar persuadi-lo a conceder um emprstimo 
a um rancho  beira da falncia. ele
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rira na cara do homem. A nica coisa de algum interesse na excurso fora o acidente do suposto disco voador. Mann no acreditara na realidade daquilo por um instante 
sequer. Tinha certeza de que fora um espetculo encenado pelo governo suo para impressionar os turistas. J estivera em Disneyworld, e vira coisas similares, que 
pareciam reais, mas eram falsas.  o olho de vidro da Sua, pensara ele, sardnico.
William Mann sentira-se feliz ao voltar para casa.
Todos os minutos do dia do banqueiro eram meticulosamente programados. Por isso, quando sua secretria informou que um estranho desejava lhe falar, o primeiro instinto 
de Mann foi o de descart-lo.
- O que ele quer?
- Diz que quer fazer uma entrevista. Est escrevendo uma reportagem sobre banqueiros.
O que tornava a questo muito diferente. A publicidade do tipo certo era sempre boa para os negcios. William Mann endireitou o palet, alisou os cabelos, e disse:
- Mande-o entrar.
O visitante era um americano. Vestia-se bem, o que indicava que trabalhava para uma das melhores revistas ou jornais.
- Sr. Mann?
- Isso mesmo.
- Meu nome  Robert Bellamy.
- Minha secretria disse que quer escrever uma matria a meu respeito.
- No exclusivamente a seu respeito, mas pode estar certo de que ter um lugar de destaque. Meu jornal..
- Que jornal?
- O Wall Street Journal. Mas isso ser maravilhoso!
- O Journal acha que a maioria dos banqueiros se mantm isolada do que acontece no resto do mundo. Raramente viajam, no vo a outros pases. Mas a sua reputao 
 de ser um homem viajado, sr. Mann.
- Acho que sou mesmo - respondeu Mann. - Para dizer a verdade, voltei de uma viagem  Sua na semana passada.
187

-  mesmo? E gostou?
- Gostei muito. Reuni-me com diversos banqueiros. Discutimos a economia internacional.
Robert tirara um caderninho do bolso, estava tomando anotaes.
- Encontrou tempo para se divertir?
- No muito. Fiz apenas uma pequena excurso num desses nibus de turismo. Nunca tinha visto os Alpes antes.
Robert escreveu outra anotao.
- Uma excurso.  justamente o tipo de coisa que estamos procurando - disse Robert, encorajador. - Imagino que conheceu uma poro de pessoas interessantes no nibus.
- Interessantes? - Mann pensou no texano que tentara lhe arrancar um emprstimo. - Nem tanto.
- Nenhuma?
Mann fitou-o. Era evidente que o reprter esperava que ele falasse mais alguma coisa. "Pode estar certo de que ter um lugar de destaque."
- Havia uma jovem russa. Robert fez uma anotao.
- Fale-me sobre ela.
- Comeamos a conversar, expliquei a ela como a Rssia era atrasada, os problemas para os quais se encaminhavam, a menos que mudassem.
- Ela deve ter ficado muito impressionada - comentou Robert.
- E ficou mesmo. Parecia uma garota inteligente. Isto , para uma russa. Afinal, eles vivem isolados demais.
- Ela mencionou seu nome?
- No... espere! Era Olga alguma coisa.
- Por acaso ela disse de onde era?
- Disse, sim. Ela trabalha na principal biblioteca de Kiev. Era sua primeira viagem ao exterior, creio que por causa da glasnost. Se quer saber minha opinio... 
- Ele fez uma pausa, para se certificar de que Robert anotava tudo. - Gorbatchov mandou a Rssia para o inferno num cesto. A Alemanha Oriental foi entregue a Bonn 
numa bandeja. Na frente poltica, Gorbatchov avanou depressa demais, e na econmica foi muito lento.
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- Isso  fascinante! - murmurou Robert.
Ele passou mais meia hora com o banqueiro, escutando seus comentrios sobre tudo, do Mercado Comum ao controle de armamentos. No conseguiu obter mais informaes 
sobre os outros passageiros.
Voltando ao hotel, Robert telefonou para o General Hilliard.
- Um momento, por favor, Comandante Bellamy.
Ele ouviu uma srie de estalidos, e depois o General Hilliard entrou na linha.
- Pois no, comandante?
- Descobri outro passageiro, general.
- O nome?
- William Mann. Ele possui um banco em Fort Smith, Canad.
- Pedirei as autoridades canadenses que falem com ele imediatamente.
- Por falar nisso, ele me deu outra pista. Voarei para a Rssia esta noite. Preciso de um visto da Intourist.
- De onde est ligando?
- De Fort Smith.
- Passe pelo Visigoth Hotel, em Estocolmo. Haver um envelope  sua espera na recepo.
- Obrigado.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VICE-DIRETOR CGHQ
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE <UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
7. WILLIAM MANN - FORT SMITH
FIM DA MENSAGEM
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Naquela noite, s*onze horas, a campainha da porta de William Mann tocou. Ele no esperava ningum, e detestava visitas inesperadas. Sua empregada j fora embora, 
e a esposa dormia no quarto l em cima. Irritado, Mann foi abrir a porta da frente. Dois homens vestindo ternos pretos estavam ali.
- William Mann?
- Isso mesmo.
Um dos homens exibiu um carto de identificao.
- Somos do Banco do Canad. Podemos entrar? Mann franziu o rosto.
- Qual  o problema?
- Preferimos discutir l dentro, se no se importa.
- Est bem.
Ele levou os homens para a sala de estar.
- No esteve recentemente na Sua? A pergunta pegou-o de surpresa.
- Como? Estive, sim, mas o que isso...
- Enquanto viajava, foi feita uma auditoria em seus livros, sr. Mann. Sabia que h um dficit em seu banco de um milho de dlares?
William Mann olhou consternado para os dois homens.
- Mas do que esto falando? Verifico os livros pessoalmente todas as semanas. Nunca houve um nico centavo faltando!
- Um milho de dlares, sr. Mann. Achamos que  o responsvel pelo desvio.
O rosto de Mann estava ficando vermelho. Ele se descobriu a balbuciar.
- Como... como se atrevem? Saiam daqui antes que eu chame a polcia!
- De nada lhe adiantaria. O que queremos  que se arrependa.
Ele estava agora totalmente confuso.
- Arrepender-me? Arrepender-me do qu? Vocs esto doidos!
- No, senhor.
Um dos homens sacou um revlver.
- Sente-se, sr. Mann.
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Oh, Deus, estou sendo assaltado!
- Podem levar o que quiserem - balbuciou Mann. - No h necessidade de violncia e...
- Sente-se, por favor.
O segundo homem foi at o armrio de bebidas. Estava trancado. Ele quebrou o vidro para abri-lo. Pegou um copo de gua grande, encheu-o de scotch, levou para o lugar 
em que Mann sentava.
- Beba isto. Vai servir para relax-lo.
- Eu... nunca bebo depois do jantar. Meu mdico...
O outro homem encostou o revlver na tmpora de William Mann.
- Beba logo, ou o copo ficar cheio dos seus miolos. Mann compreendeu agora que se encontrava em poder de
dois manacos. Pegou o copo com a mo trmula e tomou um gole.
- Tome tudo.
Ele tomou um gole maior.
- O que... o que vocs querem?
Mann alteou a voz, na esperana de que a esposa o ouvisse e descesse, mas era intil. Sabia como ela tinha um sono pesado. Era evidente que aqueles homens se encontravam 
ali para assaltar a casa. Por que ento eles no pegam logo tudo e vo embora?
- Levem tudo o que quiserem - disse ele. - No vou impedi-los.
- Termine de tomar o que est no copo.
- Isso no  necessrio. Eu...
O homem desferiu-lhe um soco violento, por cima do ouvido. Mann ofegou com a dor.
- Beba tudo.
Ele engoliu o resto do usque de um s gole, sentiu-o arder enquanto descia. J comeava a se sentir tonto.
- Meu cofre est l em cima. - As palavras saam engroladas. - Vou abri-lo para vocs.
Talvez isso Acordasse a esposa, que chamaria a polcia.
- No h pressa - disse o homem com o revlver. - Voc tem bastante tempo para outro drinque.
191

O segundo homem voltou ao bar e tornou a encher o copo at a borda.
- Tome aqui.
- No d - protestou William Mann. - No quero beber mais nada.
O copo foi empurrado em sua mo.
- Beba logo.
- Eu no...
Um punho acertou no mesmo lugar, por cima do ouvido. Mann quase desmaiou com a dor.
- Beba.
Se  isso o que vocs querem, por que no? Quanto mais depressa este pesadelo acabar, melhor. Ele tomou um gole grande, engasgou.
- Se eu beber mais, acabarei vomitando. O homem disse calmamente:
- Se vomitar, eu vou mat-lo.
Mann olhou para ele, e depois para seu parceiro. Parecia haver dois de cada um.
- O que vocs querem, afinal?
- J lhe dissemos, sr. Mann. Queremos que se arrependa. William Mann balanou a cabea, embriagado.
- Est bem, eu me arrependo. O homem sorriu.
- Est vendo? Isso  tudo o que pedimos. Agora... - Ele ps um papel na mo de Mann. - S precisa escrever "Sinto muito. Perdoem-me".
William Mann levantou os olhos injetados.
- Isso  tudo?
- , sim. E depois iremos embora.
Ele experimentou um sbito senso de exultao. Ento  esse o problema. Eles so fanticos religiosos. Assim que sassem, ele telefonaria para a polcia e mandaria 
prend-los. E cuidarei para que os filhos da puta sejam enforcados.
- Escreva, sr. Mann.
Ele tinha dificuldade para focalizar.
- O que foi mesmo que disse que quer que eu escreva?
- Basta escrever "Sinto muito. Perdoem-me."
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- Certo.
No foi fcil segurar a caneta. Ele concentrou-se ao mximo, comeou a escrever. "Sinto muito. Perdoem-me." O homem tirou o papel de sua mo, segurando-o pela beira.
- Est timo, sr. Mann. Viu como foi fcil? A sala comeava a girar rapidamente.
- Tem razo. Obrigado. J me arrependi. Agora vocs vo embora?
- Vejo que  canhoto.
- Como?
-  canhoto.
- Sou, sim.
- Tem havido muitos crimes por aqui ultimamente, sr. Mann. Vamos lhe deixar esta arma para se defender.
Ele sentiu o revlver sendo posto em sua mo esquerda.
- Sabe usar um revlver?
- No.
-  muito simples. Basta fazer isto...
Ele levantou o revlver para a tmpora de William Mann, puxou o dedo do banqueiro no gatilho. Houve um estampido abafado. O bilhete manchado de sangue caiu no cho.
- Isso  tudo - disse um dos homens. - Boa noite, sr. Mann.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
CGHQ PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
7. WILLIAM MANN - FORT SMITH - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
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Dia Dez
Fort Smith, Canad
Na manh seguinte, os auditores constataram o desaparecimento de um milho de dlares do banco de Mann. A polcia registrou a morte de Mann como suicdio.
O dinheiro desaparecido nunca foi encontrado.
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Captulo Vinte e Nove
Dia Onze Bruxelas, 03:00
O General Shipley, o comandante do quartel-general da OTAN, foi despertado por seu ajudante-de-ordens.
- Desculpe acord-lo, general, mas parece que temos uma situao crtica nas mos.
O General Shipley sentou na cama, esfregando os olhos para afugentar o sono. Fora dormir tarde, recebendo um grupo de senadores visitantes dos Estados Unidos.
- Qual  o problema, Billy?
- Acabo de receber um aviso da torre de radar, senhor. Ou todo o nosso equipamento enlouqueceu, ou estamos recebendo estranhos visitantes.
O General Shipley saiu da cama.
- Diga-lhes que estarei l em cinco minutos.
A sala de radar s escuras estava cheia de praas e oficiais, reunidos em torno das telas iluminadas no centro. Todos se viraram e assumiram posio de sentido quando 
o general entrou.
-  vontade. - Ele se encaminhou para o oficial no co-
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mando, Capito Miller. - O que est acontecendo, Lewis? O Capito Miller coou a cabea.
- No consigo entender. Conhece algum avio que seja capaz de voar a trinta e cinco mil quilmetros horrios, parar numa frao de segundo, e inverter o curso?
O General Shipley ficou aturdido.
- Mas do que est falando?
- Segundo nossas telas de radar,  isso o que vem acontecendo h meia hora. A princpio, pensamos que fosse alguma espcie de artefato eletrnico sendo testado, 
mas conferimos com os russos, os britnicos e os franceses, e todos esto captando a mesma coisa em suas telas de radar.
- Portanto, no pode ser alguma falha no equipamento - comentou o General Shipley, sombrio.
- No, senhor, a menos que se queira presumir que todos os radares do mundo enlouqueceram ao mesmo tempo.
- Quantos sinais desses apareceram na tela?
- Mais de uma dzia. Deslocam-se to depressa que  difcil at acompanh-los. Ns os captamos, mas eles tornam a desaparecer em seguida. J eliminamos a possibilidade 
de condies atmosfricas, meteoros, bales meteorolgicos, e qualquer tipo de mquinas voadoras conhecidas do homem. Pensei em despachar alguns avies, mas esses 
objetos... o que quer que sejam... voam to alto que nunca conseguiramos chegar nem perto.
O General Shipley foi at uma das telas de radar
- H alguma coisa nas telas neste momento?
- No, senhor. Desapareceram. - O tcnico hesitou por um instante, mas acabou acrescentando: - Mas tenho o terrvel pressentimento, general, de que voltaro em breve.
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Captulo Trinta
Ottawa, 05:00
juando Janus terminou de
ler em voz alta o relatrio do GenerafShipley, o italiano levantou-se e disse, muito excitado:
- Eles esto se preparando para nos invadir!
- J nos invadiram - comentou o francs.
- Chegamos tarde demais! - exclamou o russo. -  uma catstrofe! No h a menor possibilidade...
Janus interveio:
- Senhores,  uma catstrofe que podemos evitar.
- Como? - O ingls. - Conhece as exigncias deles.
- E essas exigncias so inadmissveis. - O brasileiro. - No  da conta deles o que fazemos com as nossas rvores. O suposto efeito estufa no passa de lixo cientfico, 
totalmente sem provas.
- E o que ns vamos fazer? - O alemo. - Se nos obrigarem a purificar o ar por cima de nossas cidades, teramos de fechar as fbricas. No sobraria nenhuma indstria.
- E ns teramos de interromper a produo de carros, - O japons. - E o que aconteceria ento com o mundo civilizado?
- Estamos todos na mesma situao. - O russo. - Se 
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tivssemos de parar com toda a poluio, como eles exigem, isso destruiria a economia internacional. Devemos ganhar mais tempo, at que Guerra na Estrelas esteja 
pronto para entrar em ao. Janus disse, incisivo:
- Todos concordamos com isso. Nosso problema imediato  manter o povo calmo, evitar que o pnico se espalhe.
- Como est indo o Comandante Bellamy? - indagou o canadense.
- Vem fazendo um excelente progresso. Deve terminar em um ou dois dias.
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Captulo Trinta e Um
Kiev, Unio Sovitica
ccomo a maioria de suas compatriotas, Olga Romanchanko se desencantara com aperestroika. No incio, todas as mudanas prometidas que iriam ocorrer na Me Rssia 
pareciam emocionantes. Os ventos da liberdade sopravam pelas ruas, o ar estava impregnado de esperana. Havia promessas de carne e legumes frescos nas lojas, lindos 
vestidos e sapatos de couro genuno, e uma centena de outras coisas maravilhosas. Mas agora, seis anos depois que tudo comeara, a desiluso amarga assentara. Os 
bens de consumo se tornavam mais escassos do que nunca. Era impossvel sobreviver sem o mercado negro. Havia uma escassez de tudo praticamente, os preos haviam 
disparado. As ruas principais ainda tinham incontveis rytvina - enormes crateras. Havia manifestaes de protesto nas ruas, o crime aumentava. A perestroika e a 
glasnost comeavam a parecer to vazias quanto as promessas dos polticos que as promoviam.
Olga trabalhara na biblioteca na praa Lenkomsomol, no centro de Kiev, durante sete anos. Tinha trinta e dois e nunca viajara para fora da Unio Sovitica. Era razoavelmente 
atraente, com algum excesso de peso, mas isso no era considerado uma desvan-
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tagem na Rssia. J estivera noiva duas vezes, de homens que foram embora, abandonando-a: Dmitri, que partira para Leningrado; e Ivan, que se mudara para Moscou. 
Olga bem que tentara se transferir para Moscou com Ivan, mas sem umapropiska, uma permisso de residncia em Moscou, isso no era possvel.
Ao se aproximar o seu trigsimo terceiro aniversrio, Olga decidira que conheceria alguma coisa do mundo exterior, antes que a Cortina de Ferro tornasse a se fechar 
ao seu redor. Procurara a chefe das bibliotecrias, que por acaso era sua tia.
- Eu gostaria de tirar minhas frias agora - dissera Olga.
- Quando quer partir?
- Na prxima semana.
- Divirta-se.
Fora simples assim. Nos tempos anteriores  perestroika, tirar frias significaria ir para o Mar Negro, Samarkand ou Tiblis, ou qualquer de uma dzia de outros lugares 
dentro da Unio Sovitica. Mas agora, se ela fosse bastante rpida, o mundo inteiro se abria  sua frente. Olga pegara um atlas e o examinara. O mundo l fora era 
to vasto! Havia a frica e a sia, a Amrica do Norte e a do Sul... Ela sentira medo de se arriscar to longe. E se concentrara no mapa da Europa. Sua, pensara 
Olga.  para l que eu irei.
Jamais admitiria para nenhuma pessoa no mundo, mas o principal motivo para que a Sua a atrasse era o fato de ter provado uma ocasio um chocolate suo, e nunca 
mais o esquecera. Adorava chocolate. O chocolate russo - quando se conseguia obt-lo - era sem acar e tinha um gosto horrvel.
O gosto por chocolate haveria de lhe custar a vida.
A viagem pela Aeroflot para Zurique fora um comeo emocionante. Olga nunca voara antes. Pousara no aeroporto internacional de Zurique na maior expectativa. Havia 
algo no ar que era diferente. Talvez fosse o cheiro da verdadeira liberdade, pensara Olga. Seus recursos eram bastante limitados, e ela fizera uma reserva num hotel 
pequeno e barato, o Leonhare, em Limmatquai, 136. Olga fora se registrar na recepo.
- Esta  a primeira vez que visito a Sua - dissera ela, num ingls precrio. - Poderia me sugerir algumas coisas para fazer?
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- Claro - respondera o recepcionista. - H muita coisa para se fazer aqui. Talvez queira comear por uma excurso pela cidade. Providenciarei tudo.
- Obrigada.
Olga achara Zurique extraordinria. Ficara impressionada com as vistas e sons da cidade. As pessoas nas ruas vestiam roupas de luxo e andavam em automveis suntuosos. 
Parecia a Olga que todos em Zurique deviam ser milionrios. E as lojas! Ela percorrera a Bahnhofstrasse, a principal rua comercial de Zurique, e ficara maravilhada 
com a incrvel cornucpia de mercadorias nas vitrines. Havia vestidos, casacos, sapatos, lingerie, jias, louas, mveis, carros, livros, aparelhos de televiso 
e rdio, brinquedos e at pianos. Parecia no haver fim para as mercadorias  venda. E depois Olga descobrira a Sprngli's, famosa por seus confeitos e chocolates. 
E que chocolates! Quatro enormes vitrines estavam repletas com uma exposio deslumbrante de chocolates. Havia caixas grandes de chocolates mistos, coelhinhos de 
chocolate, pes de chocolate, nozes com cobertura de chocolate. Havia bananas cobertas de chocolate, e pequenos bombons com licor. Era um banquete s olhar para 
as vitrines. Olga queria comprar tudo, mas ao saber dos preos se contentara com uma pequena caixa de bombons sortidos e uma barra grande de chocolate.
Durante a semana seguinte, Olga visitara os jardins Zurichhorn, o museu Rietberg, o Grossmnster, a igreja construda no sculo XI, e uma dzia de outras atraes 
tursticas maravilhosas. Finalmente, a viagem se aproximava do fim. O recepcionista do Leonhare lhe dissera:
- A companhia de nibus de turismo Sunshine oferece uma excelente excurso pelos Alpes. Creio que gostaria de realiz-la, antes de ir embora.
- Obrigada - respondera Olga. - Farei isso.
Ao deixar o hotel, Olga passara primeiro pela Sprngli's, mais uma vez, depois fora ao escritrio da Sunshine, onde se inscrevera numa excurso. E fora de fato emocionante. 
As paisagens eram deslumbrantes, e no meio da excurso avistaram a exploso do que ela pensara ser um disco voador, mas o banqueiro canadense sentado ao seu lado 
explicara que era apenas
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um espetculo encenado pelo governo suo para os turistas, que no existia nenhum disco voador. Olga no ficara totalmente convencida. Ao voltar a Kiev, discutira 
o assunto com a tia.
- Claro que existem discos voadores - garantira a tia. - Voam sobre a Rssia durante todo o tempo. Deveria vender sua histria a um jornal.
Olga pensara nessa possibilidade, mas ficara com medo de que rissem dela. O Partido Comunista no gostava que seus membros atrassem publicidade, ainda mais do tipo 
que poderia sujeit-los ao ridculo. Em tudo e por tudo, Olga chegara  concluso de que, pondo de lado Dmitri e Ivan, aquelas frias haviam sido o ponto alto de 
sua vida. Seria difcil assentar no trabalho de novo.
A viagem pela estrada recm-construda, do aeroporto ao centro de Kiev, levou uma hora, no nibus da Intourist. Era a primeira vez que Robert visitava Kiev, e ficou 
impressionado com as incontveis construes ao longo da estrada, os enormes prdios de apartamentos que pareciam aflorar por toda parte. O nibus parou na frente 
do Hotel Dnieper, e as duas dzias de passageiros desembarcaram. Robert olhou para o relgio. Oito horas da noite. A biblioteca j devia ter fechado. Teria de esperar 
at a manh seguinte. Registou-se no imenso hotel, onde fora feita uma reserva em seu nome, tomou um drinque no bar, foi para o restaurante austero, todo pintado 
de branco, para um jantar de caviar, pepino e tomate, acompanhado por um ensopado de batatas com pequenos pedaos de carne, coberto por uma massa saborosa, tudo 
acompanhado por vodca e gua mineral.
O visto o esperava no hotel em Estocolmo, como o General Hilliard prometera. Foi uma pequena amostra de cooperao internacional, pensou Robert. Mas para mim no 
haver cooperao. "Nu"  o termo operacional.
Depois do jantar, Robert fez algumas indagaes na recepo, caminhou at a praa Lenkomsomol. Kiev era uma surpresa para ele. Uma das cidades mais antigas da Rssia, 
era bastante aprazvel, com uma aparncia europia,  margem do rio Dnieper, com parques de muita vegetao e ruas arborizadas. Havia
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igrejas por toda parte, e eram exemplos espetaculares da arquitetura religiosa. Havia as igrejas de So Vladimir, Santo Andr e Santa Sofia, a ltima concluda em 
1037, toda branca, com um campanrio azul, e o mosteiro Pechersk, a estrutura mais alta da cidade. Susan adoraria tudo isso, pensou Robert. Ela nunca estivera na 
Rssia. Ele especulou se Susan j teria voltado do Brasil. Num sbito impulso, ao retornar a seu quarto no hotel, telefonou para ela. Para sua surpresa, a ligao 
foi efetuada quase que no mesmo instante.
- Al?
Aquela voz gutural, to sensual...
- Oi. Como foi o Brasil?
- Robert! Liguei para voc vrias vezes. Ningum atendia.
- No estou em casa.
- Ahn... - Ela era bastante bem treinada para no perguntar onde ele se encontrava. - Est passando bem?
Para um eunuco, estou numa forma maravilhosa.
- Claro. Muito bem. Como est... Monte?
- timo. Partiremos para Gibraltar amanh, Robert. Na porra do iate de Monte de Grana,  claro. Como era mesmo o nome? Ah, sim, Halcyon.
- No iate?
- Isso mesmo. Pode ligar para mim ali. Lembra do nmero?
Robert lembrava. WS 337. O que representavam as letras WS? Wonderful Susan, a maravilhosa Susan?... Whyseparate? Por que separar?... Wife stealer? Ladro de esposa?
- Robert?
- Claro que lembro. Whiskey Sugar 337.
- Vai me ligar? Apenas para me dizer que est bem.
- Certo. Sinto muita saudade de voc, meu bem.
Um silncio longo e angustiante. Robert esperou. O que imaginava que ela poderia dizer? Venha me salvar desse homem encantador que parece com Paul Newman e me obriga 
a passear em seu iate de 250 ps, a viver em nossos miserveis palcios em Monte Cario, Marrocos, Paris, Londres, e s Deus sabia onde mais. Como um idiota, ele 
se descobriu a sentir alguma esperana pelo que Susan poderia dizer.
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- Tambm sinto saudade de voc, Robert. Cuide-se. E a ligao foi desfeita. Ele estava na Rssia, sozinho.
Dia Doze
Kiev, Unio Sovitica
No incio da manh seguinte, dez minutos depois da biblioteca abrir, Robert entrou no prdio enorme e escuro, aproximou-se da mesa da recepo.
- Bom dia - disse ele.
A mulher por trs da mesa levantou os olhos.
- Bom dia. Em que posso ajud-lo?
- Estou procurando uma mulher que creio que trabalha aqui, Olga...
- Olga? Claro. - A mulher apontou para outra sala. - Vai encontr-la ali.
- Obrigado.
Fora muito fcil. Robert entrou na outra sala, passando por grupos de estudantes, sentados solenemente em mesas compridas, estudando. Preparando-se para que tipo 
de futuro? especulou Robert. Ele chegou a uma sala de leitura menor e entrou. Uma mulher estava ocupada a arrumar livros.
- Com licena - disse Robert. Ela virou-se.
- Pois no?
- Olga?
- Isso mesmo. O que deseja comigo? Robert sorriu, insinuante.
- Estou escrevendo uma reportagem sobre a perestroika, e como afeta a vida do russo comum. Fez muita diferena em sua vida?
A mulher deu de ombros.
- Antes de Gorbatchov, tnhamos medo de abrir a boca. Agora podemos abrir a boca, mas no temos nada para meter dentro dela.
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Robert tentou outra ttica.
- Mas deve haver algumas coisas que mudaram para melhor. Por exemplo, agora voc pode viajar.
- Deve estar brincando. Com um marido e seis filhos, quem tem condies de viajar?
- Mesmo assim, foi  Sua e...
- Sua? Nunca estive na Sua, em toda a minha vida.
- Nunca esteve na Sua?
-  o que acabei de dizer. - Ela acenou com a cabea para uma mulher de cabelos escuros, que recolhia livros em outra mesa. - Ela  a sortuda que foi  Sua.
Robert lanou um olhar rpido.
- Como ela se chama?
- Olga, como eu, Ele suspirou.
- Obrigado.
Um minuto depois, Robert estava falando com a segunda Olga.
- Com licena. Estou escrevendo uma reportagem de jornal sobre a perestroika, e o efeito que causou nas vidas dos russos.
Ela fitou-o, cautelosa.
- E o que deseja?
- Qual  o seu nome?
- Olga... Olga Romanchanko.
- Diga-me, Olga, a perestroika fez alguma diferena para voc?
Seis anos antes, Olga Romanchanko teria medo de falar com um estrangeiro, mas agora era permitido.
- No muito - respondeu ela, ainda cautelosa. - Tudo continua quase igual.
O estrangeiro era persistente.
- No mudou absolutamente nada em sua vida? Ela sacudiu a cabea.
- Absolutamente nada. - E depois acrescentou, num rasgo de patriotismo: -  verdade que agora podemos viajar para o exterior.
Ele parecia interessado.
- E voc viajou para fora do pas?
205

- Viajei - respondeu Olga, orgulhosa. - Acabo de voltar da Sua.  um lindo pas.
- Concordo. Teve a oportunidade de conhecer algum no
pas?
- Muitas pessoas. Andei de nibus, excursionamos pelas
montanhas mais altas, os Alpes.
Olga compreendeu subitamente que no deveria ter dito isso, porque o estrangeiro poderia querer interrog-la sobre a espaonave, e ela no queria falar a respeito. 
S podia met-la em
encrenca.
-  mesmo? Fale-me sobre as pessoas no nibus. Aliviada, Olga disse:
- Eram muito cordiais. E se vestiam... - Ela gesticulou. - Muito ricas. At conheci um homem da capital de seu pas, Washington, D.C.
- No nibus?
- Isso mesmo. Muito simptico. Ele at me deu seu carto. Robert sentiu o corao parar por uma frao de segundo.
- Ainda tem esse carto?
- No. Joguei fora. - Ela olhou ao redor. -  melhor no guardar essas coisas.
Droga! E depois Olga acrescentou:
- Lembro do seu nome. Parker, como a sua caneta americana. Kevin Parker. Muito importante na poltica. Ele diz aos senadores como devem votar.
Robert ficou aturdido.
- Foi isso o que ele lhe disse?
- Foi, sim. Leva os senadores em viagens e d presentes, depois eles votam pelas coisas que seus clientes precisam.  assim que a democracia funciona na Amrica.
Um lobista. Robert deixou Olga falar por mais quinze minutos, mas no conseguiu obter informaes teis sobre os outros passageiros.
Robert telefonou para o General Hilliard de seu quarto no hotel.
- Descobri a testemunha russa. Seu nome  Olga Romanchanko. Trabalha na principal biblioteca de Kiev.
- Pedirei s autoridades russas para conversarem com ela.
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MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VtCE-DIRETOR GRU
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
8. OLGA ROMANCHANKO - KIEV
FIM DA MENSAGEM
Naquela tarde, Robert estava no jato Tupolev Tu-154, da Aeroflot, a caminho de Paris. Ao chegar  capital francesa, trs horas e vinte e cinco minutos depois, transferiu-se 
para um vo da Air France, de partida para Washington, D.C.
s duas horas da madrugada, Olga Romanchanko ouviu o ranger de freios, quando um carro parou na frente do prdio de apartamentos em que morava, na rua Vertryk. As 
paredes eram to finas que ela podia ouvir as vozes l fora, na rua. Saiu da cama e foi olhar pela janela. Dois homens  paisana estavam saltando de um Chaika preto, 
do modelo usado pelas autoridades do governo. Encaminharam-se para a entrada de seu prdio. A viso dos homens provocou-lhe um calafrio. Ao longo dos anos, alguns 
de seus vizinhos haviam desaparecido, para nunca mais serem vistos. Alguns tinham sido mandados para os Gulags na Sibria. Olga se perguntou a quem a polcia secreta 
estaria procurando desta vez. No momento mesmo em que pensava isso, houve uma batida na porta, deixando-a aturdida. O que querem comigo? especulou ela. Deve ser 
um engano.
Quando ela abriu a porta, os dois homens estavam parados ali.
- Olga Romanchanko?
- Sou eu.
- Glavnoye Razvedyvatemoye Upravleniye. O temido GRU.
Os homens passaram por ela, entrando no apartamento.
- O que... o que vocs querem?
207

- Ns faremos as perguntas. Sou o Sargento Yuri Gromkov. Este  o Sargento Vladimir Zemsky.
Ela experimentou uma sbita sensao de terror.
- O que... qual  o problema? O que eu fiz? Zemsky aproveitou a deixa:
- Ah, ento voc sabe que fez alguma coisa errada!
- No, claro que no - balbuciou Olga. - No sei por que esto aqui.
- Sente-se! - gritou Gromkov. Olga sentou.
- Acaba de voltar de uma viagem  Sua, nyet?
- Eu... sim... mas... obtive permisso da...
- Espionagem no  legal, Olga Romanchanko.
- Espionagem? - Ela estava horrorizada. - No sei do que esto falando!
O homem maior olhava para seu corpo, e Olga compreendeu subitamente que usava apenas uma camisola fina.
- Vamos embora. Voc ir conosco.
- Mas h um terrvel engano! Sou apenas uma bibliotecria! Pergunte a qualquer um aqui...
Ele obrigou-a a se levantar.
- Vamos.
- Para onde esto me levando?
- Para o quartel-general. Querem interrog-la.
Permitiram que ela vestisse um casaco por cima da camisola. Desceram a escada e entraram no Chaika. Olga pensou em todas as pessoas que j haviam viajado antes em 
carros como aquele e nunca mais voltaram, ficou atordoada de tanto medo.
O homem maior, Gromkov, estava ao volante. Olga sentava no banco traseiro, com Zemsky. Por algum motivo, ele lhe parecia menos assustador, mas ainda assim sentia-se 
apavorada pelo que eram aqueles homens, pelo que podia lhe acontecer.
- Por favor, acreditem em mim! - balbuciou Olga, frentica. - Nunca trairia meu...
- Cale-se! - ordenou Gromkov.
- No h motivo para trat-la com grosseria - protestou Vladimir Zemsky. - Para dizer a verdade, acredito nela.
Olga sentiu o corao disparar de esperana.
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- Os tempos mudaram - continuou o camarada Zemsky. - O camarada Gorbatchov no gosta que pressionemos pessoas inocentes. Esses dias pertencem ao passado.
- E quem disse que ela  inocente? - resmungou Gromkov. - Talvez seja, talvez no. Eles descobriro muito em breve, quando chegarmos ao quartel-general.
Olga ficou escutando os dois homens discutirem a seu respeito, como se ela no estivesse ali.
- Ora, Yuri, voc sabe que no quartel-general ela vai confessar, quer seja culpada ou no - disse Zemsky. - No gosto disso.
- O que  uma pena. No h nada que possamos fazer.
- H, sim.
- O qu?
O homem sentado ao lado de Olga ficou em silncio por um longo momento, antes de explicar:
- Por que simplesmente no a deixamos ir embora? Podemos dizer que ela no estava em casa. Vamos cozinh-los por um ou dois dias, e eles acabaro esquecendo-a, porque 
tm muitas outras pessoas para interrogarem.
Olga tentou dizer alguma coisa, mas a garganta estava ressequida demais. Desejou desesperadamente que o homem ao seu lado ganhasse a discusso. Gromkov resmungou:
- Por que deveramos arriscar nossos pescoos por ela? O que ganharamos com isso? O que ela faria por ns?
Zemsky virou a cabea e olhou para Olga, inquisitivo. Ela recuperou o uso da voz, balbuciando:
- No tenho dinheiro.
- Quem precisa do seu dinheiro? Temos bastante dinheiro.
- Ela tem algo mais - sugeriu Gromkov.
Antes que Olga pudesse responder, Zemski declarou:
- Ora, Yuri Ivanovitch, no pode esperar que ela faa isso.
- A deciso  dela. Pode ser boazinha para ns, ou ir para o quartel-general e ser espancada por uma ou duas semanas. Talvez at a ponham numa linda shizo.
Olga j ouvira falar sobre as shizos. Eram celas de um metro e meio por dois metros e meio, sem aquecimento, a cama de tbuas, sem cobertas. "Ser boazinha para ns." 
O que isso significava?
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- Depende da ideia.
Zemsky tornou a se virar para Olga.
- O que voc prefere?
- Eu... eu no compreendo.
- O que meu parceiro est dizendo  que se for boazinha para ns, podemos ignorar as ordens. Dentro de pouco tempo,  bem provvel que eles at se esqueam de voc.
- O que... o que eu teria de fazer? Gromkov sorriu para ela, pelo espelho retrovisor.
- Basta nos dar alguns minutos de seu tempo. - Ele recordou algo que lera uma ocasio. - Basta deixar e pensar no czar.
O homem soltou uma risadinha. Olga compreendeu de repente o que eles queriam. Sacudiu a cabea.
- No. Eu no poderia fazer isso.
- Tudo bem. - Gromkov acelerou. - Eles vo se divertir com voc no quartel-general.
- Espere!
Ela estava em pnico, sem saber o que fazer. Ouvira histrias de horror sobre o que acontecia com as pessoas que eram presas, e se tornavam zeks. Pensara que tudo 
isso acabara, mas podia perceber agora que se enganara. Aperestroika ainda era apenas uma fantasia. No lhe permitiriam ter um advogado ou falar com algum. No passado, 
amigas suas haviam sido estupradas e assassinadas pelo GRU. Ela estava acuada. Se fosse para a priso, poderiam mant-la ali por semanas, espancando-a e violentando-a, 
talvez pior. Com aqueles dois homens, pelo menos acabaria em poucos minutos, e depois eles a deixariam ir embora. Olga tomou uma deciso.
- Est bem - murmurou ela, angustiada. - Querem voltar a meu apartamento?
- Conheo um lugar melhor - disse Gromkov. Ele fez a volta com o carro. Zemsky sussurrou:
- Lamento essa situao, mas ele est no comando. No posso impedi-lo.
Olga no disse nada.
Passaram pelo teatro lrico Shevchenko, todo pintado de vermelho, seguiram para um parque enorme, cercado por rvores. Estava deserto quela hora. Gromkov levou 
o carro entre as rvores, apagou os faris, desligou o motor.
210
- Vamos sair - disse ele.
Os trs saltaram do carro. Gromkov olhou para Olga.
- Voc tem muita sorte. Vamos deix-la escapar. Espero que saiba demonstrar seu reconhecimento.
Olga balanou a cabea, apavorada demais para falar. Gromkov seguiu na frente para uma pequena clareira.
- Tire a roupa.
- Est frio - murmurou Olga. - No podemos...? Gromkov esbofeteou-a.
- Faa o que estou mandando, antes que eu mude de idia. Olga hesitou por mais um instante, mas quando Gromkov
levantou o brao, para agredi-la de novo, comeou a desabotoar o casaco.
- Tire logo.
Ela deixou o casaco cair no cho.
- Agora, a camisola.
Lentamente, Olga levantou a camisola por cima da cabea e tirou-a, estremecendo no ar frio da noite, nua ao luar.
- Belo corpo - murmurou Gromkov, apertando seu. mamilos.
- Por favor...
- Se fizer qualquer barulho, vamos lev-la para o quartel general.
Ele empurrou-a para o cho.
No vou pensar nisso. Fingirei que estou na Sua, na excurso de nibus, contemplando todas aquelas lindas paisagens.
Gromkov arriara a cala, estava abrindo as pernas de Olga.
Posso ver os Alpes cobertos de neve. L est um tren descendo, com um rapaz e uma moa.
Ela sentiu-o pr as mos em seus quadris, penetr-la com violncia, machucando-a.
H carros bonitos na estrada. Mais carros do que jamais vi em toda a minha vida. Na Sua, todos tm um carro.
Ele arremetia com mais fora agora, beliscava-a, soltava grunhidos animais.
Terei uma casinha nas montanhas. Como  mesmo que os suos as chamam? Chals. E comerei chocolate todos os dias. Caixas e mais caixas.
211

Gromkov estava se retirando agora, a respirao ofegante. Levantou e virou-se para Zemsly<
-  a sua vez.
Casarei e terei filhos, e vamos todos esquiar nos Alpes durante o inverno.
Zemsky abrira a cala e a estava montando.
Ser uma vida maravilhosa, nnunca mais voltarei  Rssia. Nunca. Nunca. Nunca.
Ele estava dentro dela agora) machucando-a mais do que o outro homem, apertando suas ndegas, comprimindo seu corpo contra o cho frio, at que a dor era quase insuportvel.
Vamos morar numa fazenda onde haver paz e sossego durante todo o tempo, e teremos um' jardim com lindas flores.
Zemsky terminou, olhou para seu companheiro, sorriu e disse:
- Aposto que ela gostou,
E depois estendeu as mos e torceu o pescoo de Olga.
No dia seguinte saiu uma pequena notcia no jornal local, sobre uma bibliotecria que fora violada e estrangulada no parque. As autoridades alertavam que e^ perigoso 
para as mulheres irem ao parque sozinhas  noite.
MENSAGE^ URGENTE
ULTRA SECRETA VICE-DIRETOR GRU Ppx VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM De (ljMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
8. OLGA ROMANCHANK- KIEV - ARQUIVADA
FIM DA MENSAGEM
212
 Captulo Trinta e Dois
w.
illard Stone e Monte Banks eram inimigos naturais. Ambos eram predadores implacveis, e a selva em que rondavam eram os desfiladeiros de concreto de Wall Street, 
com suas operaes de tomada do controle acionrio, vendas sob presso e negociaes com aes.
O primeiro conflito entre os dois ocorrera durante uma tentativa de tomada do controle acionrio de uma enorme companhia de servios pblicos. Willard Stone dera 
o primeiro lance, sem prever qualquer dificuldade. Era to poderoso e sua reputao to assustadora que bem poucas pessoas ousavam desafilo. Por isso, fora uma 
grande surpresa quando soubera que um jovem arrivista, chamado Monte Banks, estava contestando seu lance. Stone fora obrigado a aumentar sua oferta, e a disputa 
continuara. Ao final, Willard Stone adquirira o controle da companhia, mas por um preo muito maior do que esperava pagar.
Seis meses depois, ao tentar assumir o controle de uma grande firma eletrnica, Stone fora confrontado outra vez por Monte Banks. As ofertas foram aumentando, e 
desta vez Banks acabara vencendo.
Ao saber que Monte Banks tencionava competir com ele pelo controle de uma companhia de computadores, Willard Stone conclura que estava na hora de conhecer seu concorrente. 
Os dois
213

se encontraram em territrio neutro, a Paradise Island, nas Bahamas. Willard Stone mandara efetuar uma investigao completa dos antecedentes de seu concorrente, 
descobrindo que Monte Banks vinha de uma rica famlia do petrleo, e conseguira de forma brilhante expandir sua herana para um vasto conglomerado internacional.
Os dois sentaram para almoar: Willard Stone, velho e sbio; Monte Banks, jovem e ansioso. Willard Stone iniciou a conversa:
- Voc est se tornando um p no saco. Monte Banks sorriu.
- Partindo de voc,  um grande elogio.
- O que voc quer? - perguntou Stone.
- O mesmo que voc, possuir o mundo. Willard Stone comentou, pensativo:
-  um mundo bastante grande.
- E o que isso significa?
- H espao suficiente para ns dois.
Foi nesse dia que se tornaram scios. Cada um dirigia seus negcios separadamente, mas quando se tratava de novos projetos - madeira, petrleo, imveis - entravam 
juntos nas transaes, em vez de competirem um com o outro. Em diversas ocasies, a Diviso Anti-Truste do Departamento de Justia tentou impedir suas operaes, 
mas as ligaes de Willard Stone sempre prevaleciam. Monte Banks possua companhias qumicas responsveis por uma poluio macia de lagos e rios, mas, sempre que 
era indiciado, os processos acabavam sendo misteriosamente arquivados.
Os dois tinham um relacionamento simbitico perfeito.
A Operao Juzo Final era algo natural para eles, e ambos se achavam totalmente envolvidos. Estavam prestes a fechar um contrato de compra de dez milhes de acres 
na exuberante floresta tropical amaznica. Seria um dos negcios mais lucrativos de todos os tempos.
No podiam permitir que nada interferisse com a transao.
214
Captulo Trinta e Trs
Dia Treze Washington, D.C.
o
Senado dos Estados Unidos estava reunido em sesso plenria. O senador mais novo de Utah ocupava a tribuna.
- ...e o que est acontecendo com a nossa ecologia  uma desgraa nacional. Chegou o momento do Senado compreender que tem o dever de preservar a preciosa herana 
que nossos antepassados nos confiaram. No apenas  nosso dever, mas tambm o privilgio, proteger a terra, o ar e os mares dos interesses escusos que os destroem, 
com um egosmo inadmissvel. E  o que estamos fazendo? Em s conscincia, podemos proclamar que fazemos o melhor possvel? Ou permitimos que a voz da ganncia nos 
influencie?
Kevin Parker, sentado na galeria dos visitantes, olhou para seu relgio, pela terceira vez em cinco minutos. E se perguntou por quanto tempo mais o discurso se prolongaria. 
S se encontrava sentado ali porque ia almoar com o senador, e precisava de um favor dele. Kevin Parker gostava de circular pelos corredores do poder, confraternizando 
com deputados e senadores, dispensando benefcios, em troca de favores polticos.
215

*>
Fora criado na pobreza em Eugene, Oregon. O pai era um alcolatra que possua uma pequena serraria. Como um empresrio inepto, ele transformara o que poderia ser 
um prspero negcio num desastre. Kevin tivera de trabalhar desde os quatorze anos de idade; e como sua me fugira com outro homem, anos antes, ele no tinha qualquer 
vida familiar. Poderia facilmente se tornar um vagabundo e terminar como o pai, mas sua graa salvadora fora o fato de ser excepcionalmente bonito e simptico. Era 
louro, com feies aristocrticas, que devia ter herdado de algum ancestral h muito esquecido. Uns poucos moradores prsperos da cidade se compadeceram do garoto, 
dando-lhe empregos e estmulo, empenhando-se em ajud-lo. O homem mais rico da cidade, Jeb Goodspell, mostrava-se particularmente ansioso em ajudar Kevin, oferecendo-lhe 
um emprego em meio expediente numa de suas companhias. Solteiro, Goodspell convidava com freqncia o jovem Parker a jantar em sua casa.
- Voc pode ser algum na vida - dizia Goodspell -, mas no conseguir nada sem amigos.
- Sei disso, senhor. E sou profundamente grato por sua amizade. Trabalhar para o senhor est me salvando a vida.
- Eu poderia fazer muito mais por voc.
Nessa ocasio, estavam sentados no sof da sala de estar, depois do jantar. Goodspell passara a mo pelos ombros do rapaz, acrescentando:
- Mas muito mais mesmo. - Ele apertara o ombro de Kevin - Sabia que tem um lindo corpo?
- Obrigado, senhor.
- Nunca se sente solitrio?
Kevin sentia-se solitrio durante todo o tempo.
- Claro que me sinto, senhor.
- Pois no precisa mais se sentir solitrio. - Ele acariciara o brao do rapaz. - Eu tambm me sinto solitrio. Voc precisa de algum para abra-lo e confort-lo.
- Sim, senhor.
- J andou com garotas?
- Namorei Sue Ellen por algum tempo.
- Foi para a cama com ela? Kevin ficara vermelho.
216
- No, senhor.
- Quantos anos voc tem, Kevin?
- Dezesseis, senhor.
-  uma idade maravilhosa, a idade em que deve iniciar uma carreira. - Ele estudara o rapaz por um momento. - Aposto que voc se daria muito bem na poltica.
- Poltica? No sei nada a respeito, senhor.
-  por isso que voc vai para a escola, para aprender as coisas. E eu vou ajud-lo.
- Obrigado.
- H muitas maneiras de agradecer s pessoas. - Goodspell passara a mo pela coxa do rapaz. - Muitas maneiras. - Ele fitara Kevin nos olhos. - Sabe o que estou querendo 
dizer?
- Sei, sim, Jeb.
E esse fora o comeo.
Depois que Kevin Parker se formara na escola secundria Churchl, Goodspell mandara-o para a universidade do Oregon. O rapaz estudara cincia poltica, e Goodspell 
providenciara para que seu protegido conhecesse muitas pessoas. E todas ficaram impressionadas com o atraente jovem. Com suas ligaes, Parker descobrira que era 
capaz de prestar favores a pessoas importantes e reunir interesses comuns. Tornar-se um lobista em Washington era um passo natural, e Parker era competente nesse 
trabalho.
Goodspell morrera dois anos antes, mas quela altura Parker j adquirira um talento e um gosto pelo que seu mentor lhe ensinara. Gostava de pegar rapazes, e lev-los 
para hotis remotos, onde no seria reconhecido. O senador de Utah finalmente conclua seu discurso:
- ...e lhes digo agora que devemos aprovar este projeto, se queremos salvar o que resta de nossa ecologia. Neste momento, eu gostaria de pedir uma votao nominal.
Graas a Deus, a sesso interminvel estava quase acabando. Kevin Parker pensou na noite  sua frente, e comeou a ter uma ereo. Na noite anterior, conhecera um 
rapaz no Danny's, na P Street Station, um conhecido bar de gays. Infelizmente, o rapaz estava com um companheiro. Mas haviam passado a noite inteira trocando olhares. 
Antes de ir embora, Parker escrevera um bilhete
217

 e deixara na mo do rapaz, discretamente. Dizia simplesmente: "Amanh de noite!' O jovem sorrira e acenara com a cabea.
Kevin Parker estava se vestindo apressado para sair. Queria estar no bar quando o rapaz chegasse. Era um jovem muito atraente, e Parker no queria que fosse apanhado 
por outro. A campainha da porta da frente tocou. Droga! Parker foi abrir a porta. Era um estranho.
- Kevin Parker?
- Isso mesmo.
- Meu nome  Bellamy. Gostaria de conversar com voc por um momento.
Parker disse, impaciente:
- Ter de marcar uma reunio com minha secretria. No falo de negcios depois do expediente.
- No se trata exatamente de negcios, sr. Parker. Diz respeito  sua viagem  Sua, h duas semanas.
- Minha viagem  Sua? Qual  o problema?
- Minha agncia est interessada em algumas das pessoas
que pode ter conhecido l.
Kevin Parker estudou o homem com mais ateno. O que a CIA podia querer com ele? Eram bisbilhoteiros demais. Ser que deixei meu rabo de fora? No havia sentido 
em hostilizar o homem. Parker sorriu.
- Entre. Estou atrasado para um encontro, mas no disse que vai demorar sum momento?
- Isso mesmo, senhor. Pegou um nibus de excurso em Zurique?
Ento  esse o problema. Aquela histria do disco voador. Fora a coisa mais estranha que ele j vira.
- Quer saber Sobre o OVNI, no ? Pois devo lhe dizer que foi uma experincia das mais fantsticas.
- Imagino que sim. Mas, para ser franco, ns na agncia no acreditamos em discos voadores. Estou aqui para descobrir o que pode me dizer sobre os outros passageiros 
do nibus.
Parker ficou surpreso.
- Infelizmente, no posso ajud-lo muito nesse ponto. Eram todos estrangeiros.
218
- Sei disso, sr. Parcker - murmurou Robert, paciente -, mas deve lembrar alguma coisa sobre eles.
Parker deu de ombros.
- Algumas coisas... Lembro que troquei algumas palavras com um ingls que tirou uma fotografia nossa. Lestie Mothershed.
- Quem mais?
- Tambm conversei um pouco com uma jovem russa. Muito simptica. Acho que ela disse que era bibliotecria em algum lugar.
Olga Romanchanko.
- Excelente. Pode se lembrar de mais algum?
- No, acho que isso  tudo... havia mais dois homens com quem falei. Um deles era americano, um texano.
Dan Wayne.
- E o outro?
- Era um hngaro. Possua um parque de diverses, ou circo, ou algo parecido, na Hungria. - Parker pensou por um instante. - Era um parque de diverses.
- Tem certeza, sr. Parker?
- Absoluta. Ele me contou algumas histrias sobre o negcio de parque de diverses. E ficou na maior excitao ao ver o OVNI. Se pudesse, acho que ele o apresentaria 
em seu parque de diverses, como um espetculo secundrio. Devo admitir que foi uma viso impressionante. Eu gostaria de comunicar o incidente, mas no posso me 
misturar com todos os malucos que alegam terem visto discos voadores.
- Por acaso ele mencionou seu nome?
- Mencionou, sim, mas era um desses nomes estrangeiros impronunciveis. No h jeito de recordar.
- Lembra mais alguma coisa sobre ele?
- S que tinha pressa em voltar a seu parque de diverses. - Parker olhou para o relgio. - H mais alguma em que eu possa ajud-lo? Estou um pouco atrasado.
- No, no h mais nada. Muito obrigado, sr. Parker. Foi bastante til.
- O prazer foi meu. -Ele ofereceu um sorriso jovial a Robert. - Aparea em meu escritrio. Teremos uma boa conversa.
219

- Farei isso.
Est quase acabando,  pensou Robert. Eles podero agora pegar meu mempro e enfiar no rabo. Chegou o momento de juntar os fragmentos de minha vida e recomear tudo.
Robert telefonou para o general Hilliard.
- Estou quase terminando, general. Descobri Kevin Parker. Ele  um lobista em Washington, D.C. Partirei agora para identificado ltimo passageiro.
- No imagina como estou satisfeito - disse o General Hilliard. - Tem feito um trabalho excelente, comandante. Torne a me procurar o mais depressa que puder.
- Pois no, senhor.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA ASN PARA VICE-DIRETOR CIA
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
PARKER - WASHINGTON, D.C.
FIM DA MENSAGEM
9.
Ao chegar ao Banny's, Kevin Parker descobriu que estava mais apinhado do que na noite anterior. Os homens mais velhos vestiam ternos conservadores, enquanto a maioria 
dos jovens usava calas Levis, blazers e botinas. Havia uns poucos que pareciam deslocados, em trajes de couro preto, e Kevin achou que tais elementos eram  jovens 
cujo contato bruto era perigoso, e ele jamais aceitara esse tipo de  comportamento bizarro. Discrio, esse sempre fora o Seu lema_ Discrio. O rapaz bonito ainda 
no chegara, mas ele tambm no esperava encontr-lo to cedo. Ele s entraria em cena mais tarde, lindo e vioso, quando os outros no bar ja estariam cansados e 
suados. Kevin Parker
220

foi at o balco, pediu um drinque, correu os olhos, Havia aparelhos de televiso nas paredes, sintonizados na MTV. O Danny's era um bar de a e p,  - Aparea. e 
poses. Os mais jovens assumiam poses para parecerem to atraentes quanto possvel, enquanto os mais velhos - os compradores _ examinavam-nos vrias vezes, at fazerem 
suas escolhas. os bares de A e P eram os de mais classe. Nunca havia brigas neles, pois a maioria dos clientes tinha dentes encapados, e no podia correr o risco 
de perd-los.
Kevin Parker notou que muitos dos freqentadores j haviam escolhido seus parceiros. Escutou as conversas familiares ao redor. Fascinava-o que as conversas fossem 
sempre as mesmas, quer ocorressem nos bares do couro, bares de dana, bares de vdeo, ou clubes clandestinos, que mudavam de localizao todas as semanas. Havia 
um jargo prprio que ele podia ouvir agora.
- Aquela bicha no  ningum, mas se julga Miss Coisa. .
- Ele explodiu comigo sem nenhum motivo. Fica completamente transtornado.  to sensvel...
- Voc  de cima ou de baixo?
- De cima, garota - estalando os dedos. - Gosto de dar as ordens.
- timo. Gosto de obedec-las...
- Ele me leu sujeira... Ficou parado ali me criticando... meu peso, minha pele, minha atitude. Eu disse ento: "Mary, est tudo acabado entre ns." Mas doeu.  por 
isso que estou aqui esta noite .. para tentar esquec-lo. Posso tomar outro drinque?
O rapaz entrou no bar  uma hora da madrugada. Olhou ao redor, avistou Parker, aproximou-se. Era mais lindo do que Parker se lembrava.
- Boa noite.
- Boa noite. Desculpe o atraso.
- No tem problema. No me importei de esperar.
O jovem tirou um cigarro, esperou que o homem mais velho acendesse para ele.
- Estive pensando em voc - disse Parker.
-  mesmo?
221

As pestanas do garoto eram incrveis.
- , sim. Posso lhe pagar um drinque?
- Se isso o deixar feliz. Parker sorriu.
- Est interessado em me fazer feliz? O garoto fitou-o nos olhos e murmurou:
- Acho que sim.
- Vi o homem com quem voc estava aqui na noite passada. Ele  errado para voc.
- E voc  certo para mim?
- Posso ser. Por que no descobrimos? No gostaria de dar um passeio?
, - Parece uma boa idia.
Parker experimentou um arrepio de excitamento.
- Conheo um lugar aconchegante em que poderemos ficar a ss.
- timo. Deixarei o drinque para depois.
Quando chegavam  sada, a porta foi aberta abruptamente, e dois jovens enormes entraram no bar. Pararam na frente do rapaz, bloqueando sua passagem.
- Ah, encontrei-o finalmente, seu filho da puta! Onde est o dinheiro que me deve?
O rapaz ficou aturdido.
- No sei do que est falando. Nunca o vi...
- No me venha com essa merda.
O homem agarrou-o pelo ombro, comeou a arrast-lo para a rua. Parker no saiu do lugar, furioso. Sentiu-se tentado a interferir, mas no podia se envolver em qualquer 
coisa que pudesse terminar em escndalo. Permaneceu onde estava, observando o rapaz desaparecer na noite. O segundo homem sorriu para Kevin Parker, com uma expresso 
de simpatia.
- Deveria escolher suas companhias com mais cuidado. Ele
 uma bomba.
Parker olhou com mais ateno para seu interlocutor. Era louro e atraente, com feies quase perfeitas. Parker teve o pressentimento de que a noite podia no ser 
uma perda total, no final das contas.
- Talvez voc tenha razo - murmurou ele.
222
- Nunca sabemos o que o destino nos reserva, no  mesmo?
O homem fitava Parker nos olhos.
- No, no sabemos. Meu nome  Tom. Como se chama?
- Paul.
- Por que no me deixa lhe pagar um drinque, Paul?
- Obrigado.
- Tem algum plano especial para esta noite?
- Vai depender de voc.
- No gostaria de passar a noite comigo?
- Parece divertido.
- De quanto dinheiro estamos falando?
- Gostei de voc. Por isso, duzentos.
- Parece razovel.
- E  mesmo. Garanto que no vai se arrepender. Meia hora depois, Paul levava Kevin Parker para um velho
prdio de apartamentos, na Jefferson Street. Subiram pela escada para o terceiro andar, entraram num pequeno aposento. Parker olhou ao redor.
- No  grande coisa, hem? Um hotel teria sido melhor. Paul sorriu.
- Podemos ter mais intimidade aqui. Alm do mais, s precisamos da cama.
- Tem razo. Por que no se despe? Quero ver o que estou comprando.
- Claro.
Paul comeou a se despir. Tinha um corpo espetacular. Parker observava-o, sentindo o velho mpeto familiar se tornar cada vez mais intenso.
- Agora voc  que tem de se despir - sussurrou Paul. - E depressa, pois quero voc.
- Eu tambm quero voc, Mary. Parker comeou a tirar as roupas.
- O que voc gosta? - indagou Paul. - Lbios ou quadris?
- Vamos fazer um coquetel. Temos a noite inteira.
- Claro - respondeu Paul. - Vou at o banheiro. Volto j.
223

Parker deitou nu na cama, antecipando os prazeres requintados que estavam prestes a acontecer. Ouviu seu companheiro sair do banheiro e aproximar-se da cama. Estendeu 
os braos.
- Venha para mim, Paul.
- Estou indo.
E Parker sentiu uma pontada de agonia quando uma faca foi cravada em seu peito. Arregalou os olhos no mesmo instante, balbuciando:
- Mas o que...? Paul estava se vestindo.
- No se preocupe com o dinheiro - disse ele. -  por
conta da casa.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA CIA PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
9. KEVIN PARKER - WASHINGTON, D.C. - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
Robert Bellamy perdeu o noticirio porque se encontrava num avio, a caminho da Hungria, em busca de um homem que possua um parque de diverses.
224
Captulo Trinta e Quatro
Dia Quatorze Budapeste
O vo de Paris para Budapeste, pela empresa area Malv, levava duas horas e cinco minutos. Robert sabia muito pouco sobre a Hungria, exceto que durante a Segunda 
Guerra Mundial fora aliada do Eixo, e mais tarde se tornara satlite da Unio Sovitica. Ele pegou o nibus do aeroporto para o centro de Budapeste, e ficou impressionado 
com o que viu. Os prdios eram antigos, na melhor arquitetura clssica. O prdio do Parlamento era uma vasta estrutura neogtica, dominando a cidade. Muito acima 
da cidade propriamente dita, na colina do Castelo, situava-se o Palcio Real. As ruas estavam repletas de carros e pessoas fazendo compras.
O nibus parou na frente do Hotel Duna Intercontinental. Robert entrou no saguo, foi at a recepo.
- Com licena - disse ele ao recepcionista. - Voc fala ingls?
- Igan. Sim. Em que posso ajud-lo?
- Um amigo meu esteve em Budapeste h poucos dias, e me contou que visitou um maravilhoso parque de diverses. J
225

que tive de vir  cidade, pensei em dar uma olhada, Pode me informar onde fica?
O recepcionista franziu o rosto.
- Parque de diverses? - Ele pegou um papel e ps-se a estud-lo. - Vamos ver... No momento, em Budapeste, temos pera, vrias produes teatrais, bale, excurses 
dia e noite pela cidade, excurses pelos campos... - Ele levantou os olhos. - Desculpe, mas no tem nenhum parque de diverses.
- Tem certeza?
O recepcionista estendeu a lista para Robert.
- Pode verificar pessoalmente.
Estava escrita em hngaro. Robert devolveu-a.
- Certo. H mais algum com quem eu possa conversar a respeito?
- O Ministrio da Cultura talvez possa ajud-lo. Trinta minutos depois, Robert falava com um funcionrio
do Ministrio da Cultura.
- No h nenhum parque de diverses em Budapeste. Tem certeza que seu amigo viu um na Hungria?
- Tenho, sim.
- Mas ele no disse onde?
- No, no disse.
- Sinto muito, mas no posso ajud-lo. - O funcionrio estava impaciente. - Se no h mais nada...
- No. Obrigado. - Robert levantou-se. Hesitou por um instante. - Se eu quisesse trazer um circo ou um parque de diverses para a Hungria, teria de obter uma autorizao?
- Claro.
- Onde?
- Na Administrao de Licenas de Budapeste.
O prdio era localizado em Buda, perto da muralha medieval da cidade. Robert esperou meia hora, antes de ser introduzido na sala de um funcionrio formal e pomposo.
- Posso ajud-lo? Robert sorriu.
- Espero que possa. Detesto ocupar seu tempo com algo to trivial, mas estou aqui com meu filho pequeno, e ele ouviu
226
falar de um parque de diverses instalado em algum lugar da Hungria. Prometi que o levaria. E sabe como so as crianas quando metem uma idia na cabea. O homem 
estava perplexo.
- E sobre o que queria me falar?
- Para ser franco, parece que ningum sabe onde se pode encontrar um parque de diverses, e a Hungria  um pas to
grande e bonito... Fui informado de que se algum sabe tudo o que acontece na Hungria,  justamente o senhor. O homem balanou a cabea.
-  isso mesmo. Nada assim pode funcionar por aqui sem que este departamento emita uma licena.
Ele apertou uma campainha. A secretria entrou, houve um dilogo rpido, em hngaro. Ela saiu, e voltou dez minutos depois com alguns papis. Entregou-os ao chefe. 
Ele examinou, e disse a Robert:
- Nos ltimos trs meses, concedemos duas licenas para parques de diverses. Um fechou no ms passado.
- E o outro?
- O outro se encontra no momento em Sopron, uma cidadezinha perto da fronteira alem.
- Tem o nome do proprietrio?
O funcionrio tornou a consultar o papel.
- Bushfekete... Laslo Bushfekete.
Laslo Bushfekete estava tendo um dos melhores dias de sua vida. Poucas pessoas so bastante afortunadas para passarem a vida fazendo exatamente o que querem, e Laslo 
Bushfekete era uma delas. Com mais de um metro e noventa de altura e pesando cento e trinta quilos, Bushfekete era um homem enorme. Usava um relgio de pulso cravejado 
de diamantes, anis de diamantes, e uma imensa pulseira de ouro. Seu pai possura um pequeno parque de diverses. Ao morrer, o filho assumira o controle. Era a nica 
vida que ele j conhecera.
Laslo Bushfekete tinha sonhos grandiosos. Tencionava expandir seu pequeno parque de diverses, transformando-o no maior e melhor da Europa. Queria ser conhecido 
como o P.T. Barnum dos parques de diverses. No momento, porm, s 
227

podia oferecer as atraes habituais: a Mulher Gorda e o Homem Tatuado, os Gmeos Siameses e a Mmia de Mil Anos, "desenterrada das entranhas de tmulos do antigo 
Egito". Havia tambm o Engolidor de Espada e o Comedor de Fogo, alm da pequena e atraente Encantadora de Serpentes, Marika. No final, porm, tudo isso se somava 
para fazer apenas mais um parque de diverses itinerante.
Agora, da noite para o dia, tudo isso mudaria. O sonho de Laslo Bushfekete estava prestes a se converter em realidade.
Ele fora  Sua para assistir  audio de um artista de fuga de que muito ouvira falar. Apice de rsistance do nmero era uma rotina em que se vendava o artista, 
algemava, trancava num pequeno ba, que por sua vez era trancado num ba maior, que era baixado para um tanque cheio de gua. Parecia fantstico pelo telefone, mas 
ao voar para a Sua, a fim de assisti-lo, Bushfekete descobrira que havia um problema insupervel: o artista demorava trinta minutos para escapar. Nenhuma audincia 
do mundo passaria meia hora olhando para um ba dentro de um tanque cheio de gua.
Parecia que a viagem fora um desperdcio de tempo. Laslo Bushfekete resolvera fazer uma excurso para ocupar o dia at o momento de pegar seu avio. E aquela excurso 
mudara sua
vida.
Como os demais passageiros do nibus, Bushfekete vira a exploso e correra pelo campo para ajudar possveis sobreviventes, no que todos pensavam ser um desastre 
de avio. Mas a viso com que ele se defrontara ali fora incrvel. No podia haver a menor dvida de que se tratava de um disco voador, e em seu interior estavam 
dois corpos pequenos, de estranha aparncia. Os outros passageiros ficaram parados ali, boquiabertos. Laslo Bushfekete dera a volta para descobrir como parecia a 
traseira do OVNI. E tambm ficara imvel, aturdido. A cerca de trs metros dos destroos, cada no cho, fora das vistas dos outros turistas, havia uma pequena mo, 
decepada, com seis dedos e dois polegares se opondo. Sem nem mesmo pensar, Bushfekete tirara o leno do bolso, recolhera a mo, e a guardara em sua bolsa. O corao 
estava disparado. Tinha em seu poder a mo de um genuno extraterrestre! Daqui por diante, voc pode 
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esquecer todas as suas mulheres gordas, homens tatuados, engolidores de espada e comedores de fogo, pensara ele. Aproximem-se, senhoras e senhores, para a maior 
emoo de suas vidas. O que vero agora  algo que nenhum mortal jamais contemplou antes.  um dos objetos mais incrveis do universo. No  um animal. No  um 
vegetal. No  um mineral. O que  ento?  parte dos restos mortais de um extraterrestre... uma criatura do espao exterior... No  fico cientfica, senhoras 
e senhores,  a coisa real... Por quinhentos florins, podem tirar uma fotografia junto..."
E isso lembrou-o de uma coisa. Esperava que o fotgrafo que aparecera no local do acidente no esquecesse de mandar a fotografia que prometera. Seria ampliada e 
exibida ao lado da barraca. O toque de mestre. A vida  um espetculo, nada mais do que isso,
Ele mal pudera aguardar o momento de retornar  Hungria, e comear a realizar seus sonhos grandiosos.
Ao chegar em casa e abrir o leno, descobrira que a mo murchara. Mas depois que Bushfekete a limpara, a mo, espantosamente, recuperara a firmeza original.
Bushfekete escondera a mo com toda segurana, e encomendara uma redoma de vidro imponente, com um umidificador especial adaptado. Depois de exibi-la em seu parque 
de diverses, planejava viajar com a mo por toda a Europa. Pelo mundo inteiro. Faria exposies em museus. Haveria apresentaes particulares para cientistas; talvez 
at para chefes de estado. E ele cobraria de todos. No haveria fim para a fabulosa fortuna que o aguardava.
No contara a ningum sobre sua boa sorte, nem mesmo  namorada, Marika, a pequena e sensual danarina que trabalhava com najas e vboras africanas, que figuravam 
entre os ofcios mais perigosos.  verdade que as bolsas venenosas haviam sido removidas, mas a audincia no sabia disso, porque Bushfekete tambm mantinha uma 
naja com o saco de veneno intacto. Ele exibia a cobra de graa para o pblico, que a observava matar ratos. No era de surpreender que as pessoas se sentissem excitadas 
ao observarem a linda Marika deixar que suas serpentes de estimao deslizassem por seu corpo sensual, seminu. Duas ou trs noites por semana, Marika ia  tenda 
de Laslo Bushfe-
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kete e rastejava por cima de seu corpo, usava a lngua como se fosse uma das serpentes. Haviam feito amor na noite anterior, e Bushfekete ainda se sentia exausto 
da incrvel ginstica de Marika. Suas reminiscncias foram interrompidas por um visitante.
- Sr. Bushfekete?
- Falando com ele. Em que posso servi-lo?
- Soube que esteve na Sua na semana passada. Bushfekete tornou-se cauteloso no mesmo instante. Ser que
algum me viu pegar a mo?
- O que... qual  o problema?
- Viajou num nibus de excurso no ltimo domingo? Bushfekete ficou ainda mais cauteloso.
- Viajei.
Robert Bellamy relaxou. Finalmente acabara. Aquele homem era a ltima testemunha. Ele fora incumbido de uma misso impossvel, e realizara um excelente trabalho. 
Um trabalho bom demais, se me permito o elogio. "No temos a menor idia de onde esto. Ou quem so." E ele encontrara todos. Experimentava a sensao de que um 
tremendo fardo fora removido de seus ombros. Estava livre agora. Livre para voltar para casa e iniciar vida nova.
- O que h com a minha viagem, senhor?
- No  importante - assegurou Robert Bellamy; e no era mesmo, no mais. - Estava interessado em seus companheiros de excurso, sr. Bushfekete, mas creio que j 
disponho agora de todas as informaes de que preciso. Por isso...
- Pois posso lhe falar tudo sobre eles - declarou Laslo Bushfekete. - Havia um padre italiano de Orvieto, Itlia; um alemo... acho que era um professor de qumica 
de Munique; uma garota russa que trabalhava numa biblioteca em Kiev; um rancheiro de Waco, Texas; um banqueiro canadense dos Territrios; e um lobista chamado Parker, 
de Washington, D.C.
Essa no!, pensou Robert. Se eu o encontrasse em primeiro lugar, poderia ganhar muito tempo. O homem  espantoso. Recordou todos eles.
- Tem uma excelente memria - comentou Robert.
-  verdade. - Bushfekete sorriu. - Ah, sim, havia tambm aquela outra mulher.
230
- A russa.
- No, no, a outra mulher. A alta e magra, vestida de branco.
Robert pensou por um momento. Nenhum dos outros mencionara uma segunda mulher.
- Acho que est enganado.
- No estou, no. - Bushfekete era insistente. - Havia duas mulheres l.
Robert efetuou uma contagem mental. No era possvel.
- No podia haver.
Bushfekete reagiu como se tivesse sido insultado.
- Quando aquele fotgrafo bateu as fotos de todos ns na frente do OVNI, ela estava parada bem ao meu lado. Era muito bonita. - Ele fez uma pausa. - O mais curioso 
 que no me recordo de t-la visto no nibus. Provavelmente ela sentava l atrs. Lembro que parecia bastante plida. Fiquei um pouco preocupado com ela.
Robert franziu o rosto.
- Quando voltaram ao nibus, ela os acompanhou?
- Agora que penso nisso, no me lembro de ver a mulher depois. Mas a verdade  que fiquei to excitado com aquele OVNI, que no prestei muita ateno.
Havia algo ali que no se ajustava. Seria possvel que houvesse onze testemunhas, em vez de dez? Terei de verificar, pensou Robert.
- Obrigado, sr. Bushfekete.
- De nada.
- Boa sorte. Bushfekete sorriu.
- Obrigado.
Ele no precisava de sorte. No mais. No com a mo de um genuno aliengena em seu poder.
Naquela noite, Robert Bellamy apresentou seu relatrio final ao General Hilliard.
- Tenho o nome dele.  Laslo Bushfekete. Possui um parque de diverses nos arredores de Sopron, Hungria.
-  a ltima testemunha?
231

Robert hesitou por um instante.
- , sim, senhor.
Ele ia mencionar a oitava passageira, mas decidiu esperar at conseguir confirmar a sua existncia. Parecia improvvel demais.
- Obrigado, comandante. Fez um timo trabalho.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VICE-DIRETOR HRQ
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
10. LASLO BUSHFEKETE - SOPRON
FIM DA MENSAGEM
Eles chegaram de madrugada, quando o parque de diverses estava fechado. Partiram quinze minutos depois, to silenciosamente quanto chegaram.
Laslo Bushfekete sonhou que se encontrava de p na entrada de uma enorme tenda branca, observando a vasta multido entrar em fila na bilheteria, a fim de comprar 
os ingressos de quinhentos florins.
" por aqui, senhoras e senhores, vejam a parte genuna do corpo de um aliengena do espao exterior. No  um desenho, no  uma fotografia,  de fato a parte do 
corpo de um ET. Apenas quinhentos florins pela emoo de uma vida inteira, uma viso que jamais esquecero."
E depois ele estava na cama com Marika, ambos nus, podia sentir os mamilos dela se comprimindo contra seu peito, a lngua deslizando por seu corpo, ela se contorcia 
por cima dele, e teve uma ereo. Bushfekete estendeu os braos para agarr-la, mas suas mos se fecharam sobre outra coisa, fria e escorregadia, e ele despertou 
e abriu os olhos, soltando um grito... e foi nesse instante que a naja deu o bote.
232
Encontraram seu corpo pela manh. A caixa da cobra venenosa estava vazia.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA HRQ PARA VICE-DIRETOR ASN
SEUS OLHOS APENAS
CPIA. UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
10. LASLO BUSHFEKETE - SOPRON - ARQUIVADO
FIM DA MENSAGEM
O General Hilliard fez uma ligao pelo telefone vermelho.
- Janus, acabei de receber o relatrio final do Comandante Bellamy. Ele descobriu a ltima das testemunhas. J cuidamos de todas.
- Excelente. Informarei aos outros. Quero que prossiga imediatamente com o resto de nosso plano.
- Certo.
MENSAGEM URGENTE
ULTRA-SECRETA
ASN PARA VICE-DIRETORES:
SIFAR, MI6, GRU. CIA, COMSEC, DCI, CGHQ, BFV
SEUS OLHOS APENAS
CPIA UM DE (UMA) CPIAS
ASSUNTO: OPERAO JUZO FINAL
11. COMANDANTE ROBERT BELLAMY - ARQUIVAR
FIM DA MENSAGEM
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LIVRO DOIS
O CAADO

Captulo Trinta e Cinco
Dia Quinze
Robert Bellamy estava num dilema. Poderia haver uma dcima primeira testemunha? E se houvesse, por que nenhum dos outros a mencionara antes? O funcionrio que vendera 
as passagens do nibus lhe dissera que eram apenas sete passageiros. Robert estava convencido de que o proprietrio do parque de diverses hngaro se enganara. E 
seria fcil ignorar sua declarao, presumir que era inverdica, s que o treinamento de Robert no o permitia. Fora bem disciplinado demais. Era preciso conferir 
a histria de Bushfekete. Como? Robert pensou a respeito por um momento. Hans Bec kerman. O motorista do nibus deve saber.
Ele fez uma ligao para a Sunshine. O escritrio estava fechado. No havia ningum na lista telefnica em Kappel com o nome de Hans Beckerman. Tenho de voltar  
Sua e esclarecer a questo, decidiu Robert. No posso deixar nenhum fio solto.
J era tarde da noite quando Robert chegou a Zurique. O ar estava frio, havia lua cheia. Ele alugou um carro, seguiu pelo caminho agora familiar para a pequena aldeia 
de Kappel. Passou pela igreja e parou na frente da casa de Hans Beckerman, com-
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vencido de que se empenhava em uma busca sem sentido. A casa estava s escuras. Robert bateu na porta e esperou. Bateu de novo, tremendo ao ar frio da noite.
A sra. Beckerman finalmente abriu a porta, usando um robe desbotado de flanela.
- Bitte?
- Sra. Beckerman, por acaso se lembra de mim? Sou o reprter que est escrevendo o artigo sobre Hans. Lamento incomodar a esta hora, mas  importante que eu fale 
com seu marido.
As palavras foram recebidas com silncio.
- Sra. Beckerman?
- Hans est morto. Robert sentiu um choque.
- O qu?
- Meu marido morreu.
- Eu... sinto muito. Como?
- Seu carro rolou pela encosta da montanha. - A voz estava impregnada de amargura. - A Dummkopf Polizei disse que aconteceu porque ele havia tomado drogas.
- Drogas?
"lcera. Os mdicos no podem nem me dar remdios para aliviar a dor. Sou alrgico a todos."
- A polcia disse que foi um acidente?
- J.
- Efetuaram uma autpsia?
- Fizeram e encontraram drogas. No faz sentido. Robert no tinha qualquer resposta.
- Lamento profundamente, sra. Beckerman. Eu...
A porta foi fechada, Robert ficou sozinho na noite escura.
Uma testemunha desaparecera. No... duas. LeslieMothershed morrera num incndio. Robert ficou parado ali, pensando, por um longo tempo. Duas testemunhas mortas. 
Ele podia ouvir a voz de seu instrutor na Fazenda: "H mais uma coisa sobre a qual eu gostaria de falar hoje. A coincidncia. Em nosso trabalho, no existe esse 
animal. Geralmente representa perigo. Se deparar vrias vezes com a mesma pessoa, ou se a todo instante avistar o mesmo automvel, quando estiver em ao, trate 
de se proteger. "Provavelmente se encontra metido numa encrenca."
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"Provavelmente se encontra metido numa encrenca." Robert foi dominado por uma srie de emoes conflitantes. O que acontecera tinha de ser coincidncia, mas... Preciso 
conferir a passageira misteriosa.
Sua primeira ligao foi para Fort Smith, Canad. Uma mulher com a voz transtornada atendeu.
- Al?
- William Mann, por favor. A voz disse, chorosa:
- Lamento, mas meu marido... no est mais conosco.
- No estou entendendo.
- Ele cometeu suicdio.
Suicdio? Aquele banqueiro intransigente? Mas o que ser que est acontecendo?, perguntou-se Robert. Era inconcebvel o que ele estava pensando, e, no entanto... 
Ele passou a fazer uma ligao depois de outra.
- Professor Schmidt, por favor.
- Ach! O professor morreu numa exploso em seu laboratrio...
- Eu gostaria de falar com Dan Wayne.
- Pobre coitado... Seu garanho escoiceou-o at a morte...
- Laslo Bushfekete, por favor.
- O parque de diverses est fechado. Laslo morreu...
- Fritz Mandei, por favor.
- Fritz morreu num estranho acidente... Os alarmes soavam a todo volume agora.
- Olga Romanchanko.
- Pobre coitada. E era to jovem...
Patrini.
Estou ligando para saber como est o Padre
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- O pobre coitado morreu enquanto dormia.
- Gostaria de falar com Kevin Parker.
- Kevin foi assassinado...
Mortas. Todas as testemunhas estavam mortas. E fora ele quem as descobrira e identificara. Por que no percebera o que acontecia? Porque os filhos da puta haviam 
esperado que deixasse cada pas antes de executar suas vtimas. Ele s se reportara ao General Hilliard. "No devemos envolver mais ningum nesta misso... Quero 
que me apresente relatrios de progresso todos os dias."
Haviam-no usado para chegar s testemunhas. O que h por trs de tudo isso? Otto Schmidt fora morto na Alemanha, Hans Beckerman e Fritz Mandei na Sua, Olga Romanchanko 
na Rssia, Dan Wayne e Kevin Parker nos Estados Unidos, William Mann no Canad, Leslie Mothershed na Inglaterra, Padre Patrini na Itlia, e Laslo Bushfekete na Hungria. 
Isso significava que as agncias de segurana em mais de meia dzia de pases se encontravam empenhadas na maior operao de encobrimento da histria. Algum, num 
nvel muito alto, decidira que todas as testemunhas do acidente do OVNI deviam morrer. Mas quem? E por qu?
 uma conspirao internacional, e eu estou no meio dela.
Prioridade: Cair na clandestinidade. Era difcil para Robert acreditar que tencionavam mat-lo tambm. Era um deles. Mas at ter certeza, no podia correr nenhum 
risco. A primeira providncia a tomar era obter um passaporte falso. O que significava Ricco, em Roma.
Robert embarcou no primeiro vo disponvel, e descobriu-se a lutar para permanecer acordado. No percebera antes como estava exausto. A presso dos ltimos quinze 
dias, sem falar em todo o cansao das viagens, deixara-o esgotado.
Pousou no aeroporto Leonardo da Vinci. Ao entrar no terminal, Susan foi a primeira pessoa com quem deparou. Robert parou, chocado. Ela estava de costas, e por um 
momento Robert ainda pensou que podia estar enganado. Mas, depois, ouviu sua voz:
- Obrigada, mas um carro vir me buscar.
240
Ele se adiantou.
- Susan...
Ela virou-se, aturdida.
- Robert! Mas... que coincidncia! E que surpresa agradvel!
- Pensei que estivesse em Gibraltar. Susan sorriu, contrafeita.
- Seguamos para l, mas Monte tinha de resolver alguns problemas aqui primeiro. Partiremos esta noite. O que est fazendo em Roma?
Fugindo para salvar minha vida.
- Estou concluindo um trabalho.
 minha ltima misso, querida. Vou largar tudo. Poderemos ficar juntos daqui por diante, e nunca mais nada ser capaz de nos separar. Deixe Monte e volte para mim. 
Mas Robert no podia dizer as palavras. J fizera demais a Susan. Ela sentia-se feliz em sua nova vida. Deixe-a em paz, pensou ele. Susan observava-o.
- Voc parece cansado. Ele sorriu.
- Andei correndo um pouco.
Fitaram-se nos olhos, e a magia ainda persistia. O desejo ardente, as recordaes, o riso, o afeto. Ela pegou a mo de Robert, murmurando:
- Oh, Robert, como eu gostaria que ns...
- Susan...
E nesse momento um homem corpulento, metido num uniforme de motorista, aproximou-se de Susan.
- O carro est pronto, sra. Banks. O encantamento foi rompido.
- Obrigada. - Ela virou-se para Robert. - Desculpe, mas tenho de ir agora. Por favor, trate de se cuidar.
- Claro.
Robert observou-a se afastar. Havia muitas coisas que queria dizer a Susan. A vida tem um pssimo senso de oportunidade. Fora maravilhoso rever Susan, mas o que 
o perturbava? Claro! Coincidncia. Outra coincidncia.
Ele pegou um txi para o Hotel Hassler.
241
-~- Seja bem-vindo, comandante.
- Obrigado.
- Mandarei algum levar sua bagagem.
- Espere um instante.
Robert olhou para o relgio. Dez horas da noite. Sentiu-se tentado a subir e dormir um pouco, mas devia primeiro providenciar o passaporte.
- No vou subir agora - acrescentou Robert. - Agradeceria se mandasse minha bagagem para o quarto.
- Pois no, comandante.
No instante em que Robert se virou para sair, a porta do elevador se abriu e alguns americanos saram, rindo e conversando. Era evidente que haviam tomado alguns 
drinques. Um deles, corpulento, de cara vermelha, acenou para Robert.
- Oi, companheiro... est se divertindo?
- Maravilhosamente - respondeu Robert.
Ele atravessou o saguo, saiu e foi at o ponto de txi. Quando se preparava para embarcar, notou um Opel cinza indefinvel estacionado no outro lado da rua. Era 
indefinvel demais. Ressaltava entre os carros enormes e luxuosos ao redor.
- Via Monte Grappa - disse Robert ao motorista do txi. Durante o percurso, ele olhou pela janela traseira. Nada do Opel cinza. Estou ficando nervoso demais, pensou 
Robert. Ao chegarem  Via Monte Grappa, ele saltou na esquina. Ia pagar ao motorista quando avistou, pelo canto dos olhos, o Opel cinza, a meio quarteiro de distncia, 
embora pudesse jurar que no fora seguido. Pagou a corrida e ps-se a andar, afastando-se do carro, em passos lentos, parando a todo instante para olhar as vitrines. 
No reflexo de  uma vitrine, percebeu o Opel, andando devagar em sua esteira. Ao  chegar  rua seguinte, Robert constatou que era de mo nica. Entrou nela, seguindo 
no sentido contrrio ao trfego intenso. O Opel  hesitou na esquina, depois acelerou para alcanar Robert na outra  extremidade da rua. Robert inverteu seu curso, 
retornou  Via Monte Grappa. O Opel sumira. Ele fez sinal para um txi. - Via Monticelli.
O prdio era velho e negligenciado, uma relquia de tempos melhores. Robert j o visitara muitas vezes antes, em diversas misses. Ele desceu trs degraus para o 
poro e bateu na porta. Algum espiou pelo olho mgico, e um momento depois a porta foi escancarada.
- Roberto! - exclamou um homem, abraando Robert. - Como tem passado, mi amicol
Ele era gordo, na casa dos sessenta anos, barba branca por fazer, sobrancelhas espessas, dentes amarelados, vrias papadas. Depois que Robert entrou, o homem fechou 
e trancou a porta
- Estou timo, Ricco.
Ricco no tinha um segundo nome. "Para um homem como eu," ele gostava de se gabar, "um nico nome  suficiente. Como Garbo."
- Em que posso ajud-lo hoje, meu amigo?
- Estou trabalhando num caso, e tenho pressa. Pode me arrumar um passaporte?
Ricco sorriu.
- O Papa  catlico? - Ele foi at um armrio no canto e abriu-o. - De que pas gostaria de ser?
Ele tirou do armrio um punhado de passaportes, com capas em cores diferentes, comeou a examin-los.
- Temos um passaporte grego, turco, iugoslavo, ingls...
- Americano - disse Robert.
Ricco separou um passaporte de capa azul.
- Aqui est. O nome Arthur Butterfield lhe agrada?
-  perfeito.
- Se ficar de p naquela parede, tirarei seu retrato num instante.
Robert foi at a parede. Ricco abriu uma gaveta e tirou uma cmera Polaroid. Um minuto depois, Robert olhava para seu
retrato.
- Eu no estava sorrindo - comentou Robert Ricco fitou-o, perplexo.
- Como?
- Eu no estava sorrindo. Tire outro. Ricco deu de ombros.
- Claro. Como quiser.
Robert sorriu enquanto o segundo retrato para o passaporte era tirado. Olhou-o e disse:
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- Assim est melhor.
Casualmente, ele guardou a primeira fotografia no bolso.
- Agora vem a parte de alta tecnologia - anunciou Ricco.
Robert ficou observando Ricco se encaminhar para uma bancada de trabalho em que havia uma mquina de corte. Ele ajeitou a fotografia no passaporte.
Robert foi at uma mesa em que havia um amplo sortimento de canetas, tintas e outras parafernlias, meteu no bolso do palet uma lmina e um pequeno vidro de cola. 
Ricco estudava seu trabalho.
- Nada mal. - Ele entregou o passaporte a Robert. - Vai custar cinco mil dlares.
- E bem que vale - comentou Robert, contando dez notas de quinhentos dlares.
-  sempre um prazer fazer negcios com seu pessoal. Sabe como me sinto em relao a voc.
Robert sabia exatamente como ele se sentia. Ricco era um competente sapateiro, que trabalhava para meia dzia de governos diferentes... e no era leal a nenhum. 
Ele guardou o passaporte no bolso do palet.
- Boa sorte, sr. Butterfield - disse Ricco, sorrindo.
- Obrigado.
No momento em que a porta se fechou por trs de Robert, Ricco estendeu a mo para o telefone. Uma informao sempre valia algum dinheiro para algum.
L fora, a vinte metros do prdio, Robert tirou o novo passaporte do bolso e largou-o numa lata de lixo. A barragem de aparas de metal. A tcnica que ele usara como 
piloto para lanar trilhas falsas a serem perseguidas pelos msseis inimigos. Deixe que eles procurem por Arthur Butterfield.
O Opel cinza estava estacionado a meio quarteiro de distncia. Esperando. Impossvel. Robert tinha certeza que o carro era o nico em seu encalo. E tinha certeza 
tambm que conseguira despist-lo. Apesar disso, continuava a encontr-lo. S podiam ter alguma maneira de determinar constantemente a sua localizao. E s havia 
uma resposta neste caso: estavam usando um transmissor de sinais. Preso em suas roupas No. No haviam tido essa oportunidade. O Capito Dougherty permane-
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cera com ele enquanto arrumava as malas, mas no poderia saber que roupas Robert levaria. Robert fez um inventrio mental do que estava carregando - dinheiro, chaves, 
uma carteira, leno, carto de crdito. O carto de crdito! "Aqui est um carto de crdito." "Duvido que eu v precisar, general" "Pegue-o.  muito importante 
que o tenha com voc em todas as ocasies."
O filho da puta traioeiro! No era de admirar que tivessem conseguido encontr-lo com tanta facilidade.
O Opel cinza no se encontrava mais  vista. Robert tirou o carto do bolso e examinou-o. Era um pouco mais grosso que um carto de crdito comum. Apertando-o, ele 
pde sentir uma camada interna. Teriam um controle remoto para ativar o carto. timo, pensou Robert. Vamos manter os desgraados bem ocupados.
Havia diversos caminhes estacionados ao longo da rua, carregando e descarregando mercadorias. Robert passou a verificar as placas. Ao alcanar um caminho vermelho, 
com placas da Frana, ele olhou ao redor, para se certificar de que no era observado, e jogou o carto na traseira do veculo. Fez sinal para um txi.
- Hassler, perfavore.
No saguo, Robert foi falar com o gerente.
- Por favor, verifique se h algum vo que parte esta noite para Paris.
- Pois no, comandante. Tem preferncia por alguma empresa area?
- Nenhuma. S quero o primeiro vo.
- Terei o maior prazer em providenciar.
- Obrigado.
Robert encaminhou-se para a recepo.
- Minha chave, por favor. Quarto 314. Devo ir embora dentro de poucos minutos.
- No tem problema, Comandante Bellamy. - O recepcionista estendeu a mo para um escaninho, tirou a chave e um envelope. - Entregaram uma carta para o senhor.
Robert se empertigou. O envelope estava lacrado e endereado apenas ao "Comandante Robert Bellamy". Ele tateou-o, procurando sentir qualquer plstico ou metal dentro. 
Abriu-o
245

com o maior Cuidado. O contedo era um carto impresso de propaganda de um restaurante italiano. Bastante inocente... exceto,  claro, por seu nome no envelope.
- Por acaso lembra quem lhe deu isto?
- Desculpe, senhor - respondeu o recepcionista -, mas estivemos to ocupados hoje...
No era importante. Seria um homem sem rosto. Pegara o carto em algum lugar, metera no envelope, permanecera junto da recepo, ^ fim de descobrir em que escaninho 
o envelope era guardado. Estaria esperando l em cima agora, no quarto de Robert. Chegara o momento de ver a face do inimigo.
Robert ouviu vozes alteadas, e virou-se para avistar os mesmos convencionais americanos que j vira antes, entrando no saguo, rindo e cantando. Era evidente que 
haviam tomado ainda mais drinques, o homem corpulento disse:
- Ei, companheiro, perdeu uma grande festa! A mente de Robert estava em disparada.
- Voc gosta de festas?
- E conio!
- Pois h uma festa sensacional l em cima... com muita bebida, mulheres, qualquer coisa que quiser. Basta me seguirem, todos vocs!
- Esse  o esprito americano, companheiro. - O homem deu um tapa ^as costas de Robert. - Ouviram isso, rapazes? Nosso amigo aqui est oferecendo uma festa!
Espremeram-se todos no elevador e subiram para o terceiro andar. O Convencional comentou:
- Esses italianos sem dvida sabem como viver. Acho que eles inventaram as orgias, hem?
- Pois  vou lhes mostrar uma orgia de verdade - prometeu Robert.
Todos seguiram-no pelo corredor at seu quarto. Robert enfiou a chave ha fechadura e virou-se para o grupo.
- Esto todos prontos para se divertirem um pouco? Houve um coro de "sins"...
Robert girou a chave, empurrou a porta, e deu um passo para o lado. O quarto estava escuro. Ele acendeu a luz. Um homem alto e magro se encontrava parado no meio 
do quarto, 
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comeando a sacar uma Mauser equipada com silenciador. Olhou para o grupo com uma expresso espantada e rapidamente tornou a enfiar a arma no bolso.
- Ei, onde esto as bebidas? - indagou um dos americanos.
Robert apontou para o homem.
- Esto com ele. Podem pedir  vontade. O grupo arremeteu para o homem.
- Onde esto as bebidas?
- Onde esto as mulheres?
- Vamos comear logo essa festa!
O homem magro ainda tentou alcanar Robert, mas o bando bloqueava sua passagem. Ele se limitou a observar, impotente, enquanto Robert se retirava, para descer pela 
escada, de dois em dois degraus. L embaixo, no saguo, ele se encaminhava apressado para a sada quando o gerente chamou-o.
- J fiz a sua reserva, Comandante Bellamy. Est no vo
312 da Air France para Paris. Parte  uma hora da madrugada.
- Obrigado.
Robert deixou o hotel, saindo para a pequena praa que levava  Escadaria Espanhola. Um txi desembarcava um passageiro. Ele embarcou, e disse ao motorista:
- Via Monte Grappa.
J tinha sua resposta agora. Eles tencionavam mesmo matlo. Mas vo descobrir que no ser fcil. Era a caa agora, em vez do caador, mas contava com uma grande 
vantagem. Fora bem treinado. Conhecia todas as tcnicas que eles usavam, suas foras e fraquezas, pretendia usar esse conhecimento para impedilos. Primeiro, precisava 
encontrar uma maneira de despist-los. Os homens em seu encalo haviam ouvido alguma histria. Provavelmente lhes disseram que ele era procurado por trfico de drogas, 
assassinato ou espionagem. E teriam sido advertidos: Ele  perigoso. No corram riscos. Atirem para  matar. Robert disse ao motorista:
- Roma Termini.
Estava sendo caado, mas ainda no houvera tempo para distribuir sua fotografia. At agora, era um homem sem rosto, O txi parou na Via Giovanm Giolitti, 36, e o 
motorista anunciou:
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- Stazione Termini, signore.
- Vamos esperar aqui por um minuto.
Robert ficou sentado no txi, observando a entrada da estao ferroviria. Parecia haver apenas a atividade usual. Tudo dava a impresso de estar normal. Txis e 
limusines chegavam e partiam, desembarcando e recolhendo passageiros. Os carregadores levavam bagagens de um lado para outro. Um guarda se ocupava em ordenar que 
os carros deixassem a rea de estacionamento restrito. Mas havia alguma coisa que perturbava Robert. E de repente ele compreendeu o que havia de errado na cena  
sua frente. Bem na frente da estao, na rea de estacionamento proibido, havia trs sedas parados, sem ningum l dentro. O guarda ignorava-os.
- Mudei de idia - disse Robert ao motorista. - Vamos para a Via Veneto, 110-A.
Era o ltimo lugar do mundo em que iriam procur-lo.
A embaixada e o consulado americanos ficavam num prdio de estuque rosa, na Via Veneto, com um porto preto de ferro batido. A embaixada se encontrava fechada quela 
hora, mas a diviso de passaportes do consulado funcionava vinte e quatro horas por dia, a fim de atender a emergncias. No saguo, no primeiro andar, havia um fuzileiro 
sentado por trs de uma mesa. Ele levantou os olhos quando Robert se aproximou.
- O que deseja, senhor?
- Quero saber como posso conseguir um novo passaporte. Perdi o meu.
-  cidado americano?
- Sou, sim.
O fuzileiro indicou uma sala na outra extremidade.
- Cuidaro de tudo ali, senhor. ltima porta.
- Obrigado.
Havia meia dzia de pessoas na sala, solicitando passaportes, comunicando a perda, obtendo renovaes e vistos.
- Preciso de um visto para visitar a Albnia. Tenho parentes ali...
- Preciso que meu passaporte seja renovado esta noite. Tenho de pegar um avio...
- No sei o que aconteceu. Devo ter esquecido em Milo...
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- Tiraram o passaporte de minha bolsa...
Robert ficou parado num canto, escutando. Roubar passaportes era uma prspera indstria na Itlia. Algum ali deveria estar recebendo um novo passaporte. Na frente 
da fila, um homem bem-vestido, de meia-idade, estava recebendo um passaporte americano.
- Aqui est seu novo passaporte, sr. Cowan. Lamento que tenha passado por uma experincia to terrvel. Infelizmente, h muitos punguistas em Roma.
- Cuidarei para que no me levem este tambm - declarou Cowan.
-  o melhor, senhor.
Robert observou Cowan guardar o passaporte no bolso do palet e virar-se para ir embora. Avanou em sua direo. Ao passar por uma mulher, Robert esbarrou em Cowan, 
como se tivesse sido empurrado, quase derrubando-o.
- Lamento profundamente - desculpou-se Robert, inclinando-se para endireitar o palet do homem.
- No foi nada - respondeu Cowan.
Robert foi para o banheiro, com o passaporte do estranho em seu bolso. Certificou-se de que se achava sozinho l dentro, entrou num dos reservados. Pegou a lmina 
e o vidro de cola que roubara de Ricco. Com todo cuidado, levantou a cobertura de plstico e removeu a fotografia de Cowan. Inseriu o seu retrato que Ricco tirara. 
Passou cola na cobertura de plstico, fechou-a, examinou o trabalho. Perfeito. Era agora Henry Cowan. Cinco minutos depois estava na Via Veneto, embarcando num txi.
- Leonardo da Vinci.
Era meia-noite e meia quando Robert chegou ao aeroporto. Passou algum tempo parado do lado de fora, atento a qualquer coisa fora do usual. Aparentemente, tudo estava 
normal. No havia carros da polcia, nem homens de aparncia suspeita. Robert entrou no terminal e tornou a parar, junto da porta. Havia diversos balces de empresas 
areas espalhados pelo vasto terminal. Parecia no haver ningum  espreita, ou escondido por trs de colunas. Mesmo assim, ele permaneceu onde estava. No podia 
explicar, nem para si mesmo, mas o fato  que as coisas pareciam normais demais.
249


Havia um balco da Air France no outro lado do terminal. "Est no vo 312 da Air France para Paris. Parte  uma hora da madrugada." Robert passou pelo balco, aproximou-se 
de uma mulher de uniforme por trs do balco da Alitalia.
- Boa noite.
- Boa noite. Posso ajud-lo, signore?
- Pode, sim. Poderia fazer o favor de pedir ao Comandante Robert Bellamy para ir ao telefone de cortesia?
- Pois no.
Ela pegou o microfone. A poucos passos de distncia, uma mulher gorda, de meia-idade, conferia algumas malas, numa discusso acalorada com um dos atendentes da empresa 
pela taxa de excesso de peso.
- Sinto muito, madame, mas se deseja que todas estas malas sejam embarcadas, ter de pagar pelo excesso.
Robert chegou mais perto. Ouviu a voz da mulher no balco da Alitalia pelo sistema de alto-falantes:
- Comandante Robert Bellamy, comparea por favor ao telefone branco de cortesia. Comandante Robert Bellamy, comparea por favor ao telefone branco de cortesia.
O comunicado ressoou pelo terminal. Um homem com uma mochila estava passando por Robert.
- Com licena - disse Robert. O homem virou-se.
- Pois no?
- Minha esposa est me procurando no telefone, mas... - Ele indicou as malas da mulher de meia-idade. - No posso deixar a bagagem aqui.
Robert tirou uma nota de dez dlares do bolso, estendeu-a para o homem e acrescentou:
- Poderia fazer o favor de ir at aquele telefone branco, e avisar a ela que irei busc-la no hotel dentro de uma hora? Eu ficaria profundamente agradecido.
O homem pegou a nota de dez dlares.
- Claro.
Robert observou-o se encaminhar para o telefone de cortesia e atender.
- Al? Al?
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No instante seguinte, quatro homens enormes, todos vestindo um terno preto, surgiram do nada e cercaram o infeliz, espremendo-o contra a parede.
- Ei, mas o que  isso?
- No vamos criar confuso - disse um dos homens.
- O que pensam que esto fazendo? Tirem as mos de mim!
- No reaja, comandante. No vai adiantar...
- Comandante? Vocs pegaram o homem errado! Meu nome  Melvyn Davis, e sou de Omaha!
- No tente nos enganar...
- Esperem um pouco! Ca numa armadilha! O homem que vocs procuram est ali!
Ele apontou para o lugar em que Robert o abordara. No havia ningum ali.
Na frente do terminal, um nibus do aeroporto estava prestes a partir. Robert embarcou, misturando-se com os outros passageiros. Sentou no fundo, pensando no que 
faria em seguida.
Sentia-se ansioso em falar com o Almirante Whittaker, a fim de tentar obter respostas para o que estava acontecendo, descobrir quem era o responsvel pelo assassinato 
de pessoas inocentes que haviam testemunhado algo que no deveriam ter visto. Seria o General Hilliard? Dustin Thornton? Ou o sogro de Thornton, Willard Stone, o 
homem misterioso? Ser que ele estava envolvido, de alguma forma? E Edward Sanderson, o diretor da ASN? Todos estariam trabalhando juntos? E a conspirao envolveria 
os mais altos escales, incluindo at o Presidente dos Estados Unidos? Robert precisava de respostas.
A viagem de nibus para Roma levou uma hora. Quando o nibus parou, na frente do Hotel den, Robert desembarcou.
Preciso sair do pas, pensou ele. S havia um homem em Roma em quem podia confiar. O Coronel Francesco Csar, diretor do SIFAR, o servio secreto italiano. Ele ajudaria 
Robert a escapar da Itlia.
O Coronel Csar estava trabalhando at tarde. Havia mensagens urgentes sendo transmitidas entre as agncias de segurana estran-
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geiras, e todas envolviam o Comandante Robert Bellamy. O Coronel Csar j trabalhara com Robert no passado, e gostava muito dele. Csar suspirou ao olhar para a 
ltima mensagem na sua frente. Arquivar. Ele a lia quando a secretria entrou na sala.
- O Comandante Bellamy est na linha, querendo lhe falar. O Coronel Csar levantou os olhos, surpreso.
- Bellamy? Em pessoa? No importa.
Ele esperou que a secretria se retirasse, antes de pegar o telefone.
- Robert?
- Chao, Francesco. O que est acontecendo?
- Diga-me voc, amigo. Tenho recebido os mais diversos comunicados urgentes a seu respeito. O que voc fez?
-  uma histria comprida, e no tenho tempo para contla agora. O que voc ouviu?
- Que voc caiu fora, e est cantando como um canrio.
- O qu?
- Fui informado que fez um acordo com os chineses e...
- Mas isso  ridculo!
-  mesmo? Por qu?
- Porque uma hora depois eles estariam ansiosos por mais informaes.
- Pelo amor de Deus, Robert, isso no  motivo para
piadas!
- Sei disso, Francesco. Mandei dez pessoas inocentes para a morte. E fui marcado para ser a dcima primeira vtima.
- Onde voc est?
- Em Roma. E parece que no consigo sair da porra da sua cidade.
- Cacatura! - Houve um momento de silncio. - O que posso fazer para ajud-lo?
- Providencie uma casa segura em que possamos conversar, e encontrarei uma maneira de escapar. Pode dar um jeito?
- Posso, sim, mas voc tem de tomar muito cuidado. Irei busc-lo pessoalmente.
Robert deixou escapar um profundo suspiro de alvio.
- Obrigado, Francesco. No pode imaginar como fico agradecido.
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- Como dizem os americanos, fica me devendo uma. Onde vou encontr-lo?
- No bar do Lido, em Trastevere.
- Espere a mesmo. Irei busc-lo dentro de uma hora exatamente.
- Obrigado, amigo,
Robert desligou. Seria uma longa hora de espera.
Trinta minutos depois, dois carros pararam a dez metros do bar do Lido. Havia quatro homens em cada carro, e todos carregavam armas automticas. O Coronel Csar 
saltou do primeiro carro.
- Vamos agir depressa. No queremos que mais ningum saia machucado. Andate ai dietro, sbito.
Metade dos homens deu a volta, sem fazer qualquer barulho, para cobrir os fundos do bar.
Robert Bellamy observava do telhado do prdio no outro lado da rua, enquanto Csar e seus homens levantavam as armas, e investiam contra o bar.
Muito bem, seus filhos da puta, pensou Robert, sombriamente, vamos jogar como vocs querem.
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Captulo Trinta e Seis
Dia Dezesseis Roma, Itlia
Robert ligou para o Coronel Csar de uma cabine telefnica na Piazza dei Duomo.
- O que aconteceu com a amizade? - perguntou ele.
- No seja ingnuo, meu amigo. Estou sob ordens, assim como voc. Posso lhe assegurar que no adianta fugir. Est em primeiro lugar nas listas dos mais procurados 
de todos os servios secretos. Metade dos governos do mundo est  sua procura.
- Mas acredita que sou um traidor? Csar suspirou.
- No importa o que eu acredito, Robert. No  nada pessoal. Tenho minhas ordens.
- Para me liquidar.
- Poderia tornar tudo mais fcil se quisesse se entregar.
- Obrigado, paesano. Se precisar de mais conselhos, ligarei para um consultrio sentimental.
Robert bateu o telefone. Sabia que maior seria o perigo que corria, quanto mais tempo permanecesse  solta. Haveria agentes de segurana de meia dzia de pases 
em sua perseguio.
Tem de Haver uma rvore, pensou Robert. A frase vinha
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da histria de um caador que relatava sua experincia num safri.
- Aquele leo enorme corria em minha direo, todos os meus carregadores de armas haviam fugido. Eu me encontrava desarmado, no tinha onde me esconder. Nem uma 
moita ou rvore  vista. E o leo vinha correndo, cada vez mais perto.
- Como escapou? - indagou um ouvinte.
- Corri para a rvore mais prxima e subi.
- Mas disse que no havia rvores.
- Voc no entende. Tem de haver uma rvore!
E eu tenho de encontr-la, pensou Robert. Ele correu os olhos pela praa. Estava quase deserta quela hora. Decidiu que chegara o momento de conversar com o homem 
que desencadeara aquele pesadelo, o General Hilliard. Mas precisaria tomar muito cuidado. O moderno rastreamento eletrnico de telefone era quase instantneo. Robert 
verificou que as duas cabines telefnicas ao lado se encontravam vazias. Perfeito. Ignorando o nmero particular que o General Hilliard lhe dera, discou para a mesa 
telefnica da ASN. Quando uma telefonista atendeu, Robert disse:
- General Hilliard, por favor.
Um momento depois, ouviu a voz de uma secretria:
- Gabinete do General Hilliard.
- Por favor, aguarde uma chamada do exterior. Robert largou o fone, e correu para a cabine ao lado. Discou rapidamente. Outra secretria atendeu:
- Gabinete do General Hilliard.
- Por favor, aguarde uma chamada do exterior - disse Robert.
Deixou o fone pendurado, entrou na terceira cabine, tornou a discar. Quando uma terceira secretria atendeu, Robert disse:
- Aqui  o Comandante Bellamy. Quero falar com o General Hilliard.
Houve um ofego de surpresa.
- Espere um momento, comandante. - A secretria tocou o interfone. - General, o Comandante Belamy est na linha trs.
O General Hilliard virou-se para Harrison Keller.
- Bellamy est na linha trs. Comece o rastreamento, depressa.
255

Harrison Kellr foi at um telefone numa mesa no lado da sala, ligou para o centro de operaes telefnicas, guarnecido vinte e quatro horas por dia. O oficial de 
planto atendeu.
- COT. Adams.
- Quanto tempo leva para fazer o rastreamento de emergncia de uma chamada recebida? - sussurrou Kellr.
- Entre um e dois minutos.
- Comece. Gabinete do General Hilliard, linha trs. Ficarei esperando.
Ele olhou para o general e acenou com a cabea. O General
Hilliard pegou o telefone.
- Comandante...  mesmo voc?
No centro de operaes, Adams apertou um nmero num computador.
- L vamos ns! - murmurou ele.
- Achei que estava na hora de termos uma conversa,
general.
- Fico contente que tenha ligado, comandante. Por que no vem at aqui para discutirmos a situao? Providenciarei um avio, e poder estar aqui...
- No, obrigado. Acidentes demais acontecem em avies,
general.
Na sala de comunicaes, o sistema de rastreamento eletrnico fora ativado. A tela de computador se iluminou. AX121-B... AX122-C... AX123-C...
- O que est acontecendo? - sussurrou Kellr ao telefone.
- O centro de operaes em New Jersey est verificando os troncos da rea de Washington, D.C., senhor. Aguarde um instante.
A tela ficou vazia. Um momento depois surgiram as palavras Linha Um Tronco Internacional.
- A chamada vem de algum lugar da Europa. Estamos rastreando o pas...
O General Hilliard dizia ao telefone:
- Creio que houve um mal-entendido, Comandante Bellamy. Tenho uma sugesto...
Robert desligou. O General Hilliard olhou para Keller.
- Descobriu?
Harrison Keller perguntou a Adams pelo telefone:
256
- O que aconteceu?
- Ns o perdemos.
Robert entrou na segunda cabine e pegou o fone pendurado. A secretria do General Hilliard informou:
- O Comandante Bellamy est chamando na linha dois. Os dois homens se entreolharam. O General Hilliard apertou o boto da linha dois.
- Comandante?
- Eu farei uma sugesto - disse Robert. O General Hilliard ps a mo sobre o bocal.
- Recomece o rastreamento. - Harrison Keller levantou o fone e disse a Adams:
- Ele est ligando de novo. Linha dois. Ande depressa.
- Certo.
- Minha sugesto, general,  que chame de volta todos os seus homens. Agora.
- Creio que no est entendendo a situao, comandante. Podemos resolver esse problema se...
- Eu lhe direi como podemos resolv-lo. H uma ordem para me arquivar. Quero que a cancele.
No centro de operaes, a tela do computador transmitia uma nova mensagem: AX155-C Subtronco A21 confirmado. Circuito 301 para Roma. Tronco Atlntico 1.
- J o pegamos - anunciou Adams pelo telefone. - Rastreamos o tronco at Roma.
- Obtenha o nmero e a localizao - ordenou Keller. Em Roma, Robert olhou para o relgio.
- Encarregou-me de uma misso. Eu a cumpri.
- E cumpriu muito bem, comandante. Aqui est... A linha ficou muda. O general virou-se para Keller.
- Ele desligou de novo. Keller perguntou ao telefone:
- Conseguiu?
- No deu tempo, senhor.
Robert foi para a terceira cabine telefnica e pegou o fone. A secretria do General Hilliard avisou pelo interfone:
- O Comandante Bellamy est na linha um, general. O general berrou:
257

- Descubram o filho da puta! - Ele atendeu a ligao. - Comandante?
- Quero que me escute, general, e com toda ateno. Assassinou pessoas inocentes. Se no chamar de volta seus homens, procurarei os meios de comunicao e contarei 
o que est acontecendo.
- Eu o aconselharia a no fazer isso, a menos que queira provocar um pnico mundial. Os aliengenas so genunos, e somos indefesos contra eles. Esto se preparando 
para entrar em ao. Voc no tem idia do que aconteceria se a notcia vazasse.
- Nem voc - respondeu Robert. - No vou lhe dar alternativa. Suspenda o contrato contra mim. Se houver mais um atentado contra a minha vida, sairei em pblico.
- Certo - disse o General Hilliard. - Voc ganhou. Suspenderei o contrato. Tenho uma idia. Por que no podemos...
- Seu rastreamento deve estar quase completo agora - interrompeu-o Robert. - Tenha um bom dia, general.
A ligao foi desfeita.
- Conseguiu? - berrou Keller pelo telefone.
- Quase, senhor - disse Adams. - Ele estava ligando de uma rea no centro de Roma. Trocou de telefone para nos atrasar.
O general olhou para Keller.
- E ento?
- Sinto muito, general. Tudo o que sabemos  que ele se encontra em algum lugar de Roma. Acredita em sua ameaa? Vamos cancelar o contrato?
- No. Vamos elimin-lo.
Robert repassou suas opes mais uma vez. Eram deploravelmente mnimas. Estariam vigiando os aeroportos, estaes ferrovirias, terminais rodovirios e agncias 
de aluguel de automveis. No podia se registrar em nenhum hotel porque o SIFAR j deveria ter transmitido um alerta vermelho. Mas tinha de sair de Roma. Precisava 
de uma cobertura. Uma companheira. No procurariam por um homem e uma mulher juntos. Era um comeo.
Havia um txi parado na esquina. Robert desmanchou os cabelos, afrouxou a gravata, cambaleou como se estivesse bbado na direo do txi.
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- Ei, voc a!
O motorista fitou-o com uma expresso de repulsa. Robert tirou do bolso uma nota de vinte dlares e ps na mo do homem.
- Ei, cara, estou a fim de uma trepada! Sabe o que isso significa? Entende alguma porra de ingls?
O motorista olhou para a nota.
- Quer uma mulher?
-  isso a, cara. Quero uma mulher.
- Andiamo - disse o motorista.
Robert embarcou e o txi partiu. Ele olhou para trs. No estava sendo seguido. A adrenalina era bombeada com a maior intensidade. "Metade dos governos do mundo 
est  sua procura. " E no haveria apelao. As ordens eram para assassin-lo.
Vinte minutos depois chegaram a Tor di Ounto, a zona do meretrcio de Roma, habitada por prostitutas e cafetes. Passaram pela Passeggiata Archeologica, e logo depois 
o motorista parou numa esquina, avisando:
- Encontrar uma mulher aqui.
- Obrigado, cara.
Robert pagou a quantia indicada no taxmetro, saiu cambaleando do carro, que partiu no instante seguinte, rangendo pneus.
Robert olhou ao redor, avaliando o ambiente. No havia polcia. Uns poucos carros e um punhado de pedestres. Havia mais de uma dzia de prostitutas circulando pela 
rua. No esprito de "vamos recolher os suspeitos", a polcia efetuara sua limpeza bimensal, para satisfazer as vozes da moral, retirando as prostitutas da cidade 
da Via Veneto, onde tinham uma alta visibilidade, e transferindo para aquela rea, onde no ofenderiam as matronas que tomavam ch no Doney's. Por esse motivo, a 
maioria das mulheres era atraente e bem-vestida. Havia uma em particular que atraiu a ateno de Robert.
Ela parecia ter vinte e poucos anos. Tinha cabelos compridos, escuros, usava uma elegante saia preta e blusa branca, sobre a qual vestia um casaco de pele de camelo. 
Robert calculou que ela devia trabalhar tambm como atriz ou modelo. A mulher o observava. Robert cambaleou em sua direo e balbuciou:
- Oi, meu bem. Voc fala ingls?
- Falo.
259

- timo. Ento vamos ter uma festa.
Ela sorriu, indecisa. Os bbados podiam criar problemas.
- Talvez seja melhor voc ficar sbrio primeiro. A mulher tinha um suave sotaque italiano.
- J estou bastante sbrio.
- Vai lhe custar cem dlares.
- Tudo bem, boneca.
Ela tomou uma sbita deciso.
- V bene. Venha comigo. H um hotel logo depois da esquina.
- Maravilhoso! Qual  o seu nome, meu bem?
- Pier.
- O meu  Henry. - Um carro da polcia apareceu a distncia, aproximando-se. - Vamos sair daqui.
As outras mulheres lanaram olhares invejosos, enquanto Pier e seu fregus americano se afastavam.
O hotel no era nenhum Hassler, mas o garoto cheio de espinhas na recepo no pediu um passaporte. Na verdade, mal levantou os olhos ao entregar uma chave a Pier.
- Cinqenta mil liras.
Pier olhou para Robert. Ele tirou o dinheiro do bolso e entregou ao garoto.
O quarto tinha uma cama grande no canto, uma mesa pequena, duas cadeiras de madeira, e um espelho por cima da pia. Havia ganchos para pendurar as roupas atrs da 
porta.
- Deve me pagar adiantado.
- No tem problema. Robert contou cem dlares.
- Grazie.
Pier comeou a se despir. Robert foi at a janela. Puxou a beira da cortina e espiou. Tudo parecia normal. Esperava que quela altura a polcia estivesse seguindo 
o caminho vermelho de volta  Frana. Robert largou a cortina e virou-se. Pier estava nua. Possua um corpo surpreendentemente adorvel. Seios firmes, quadris arredondados, 
cintura fina, pernas compridas e bem torneadas. Olhava para Robert.
- No vai se despir, Henry? Aquela era a parte difcil.
260
- Para dizer a verdade, acho que bebi demais. No posso lhe oferecer qualquer ao.
Ela assumiu uma expresso cautelosa.
- Ento por que...?
- Se eu ficar aqui e dormir para passar o porre, podemos fazer amor pela manh.
Ela deu de ombros.
- Preciso trabalhar. Ficar aqui a noite toda me custaria muito dinheiro.
- No se preocupe. Cuidarei disso. - Robert pegou vrias notas de cem dlares e entregou-as  mulher. - D para cobrir?
Pier olhou o dinheiro, tomando uma deciso. Era tentador. Fazia frio l fora, o movimento era pequeno. Por outro lado, havia algo estranho naquele homem. Em primeiro 
lugar, no parecia estar realmente de porre. Vestia-se bem e, com tanto dinheiro, teriam ido para um bom hotel. E da?, pensou Pier. Questo cazzo se nefrega?
- Est bem, mas s tem uma cama para ns dois.
-  suficiente.
Pier ficou observando, enquanto Robert voltava  janela, e tornava a puxar a cortina para espiar a rua l fora.
- Est procurando alguma coisa?
- O hotel tem alguma sada pelos fundos?
Em que estou me metendo?, especulou Pier. Sua melhor amiga fora assassinada por se envolver com criminosos. Pier considerava-se sbia em relao aos homens, mas 
aquele a desconcertava. No parecia um criminoso, mas ainda assim...
- Tem, sim.
Houve um sbito grito, e Robert virou-se rapidamente.
- Dio! Dio! Sono venuta tre volte! Era uma voz de mulher, vindo do quarto ao lado, atravs da parede fina como papel.
- O que foi isso? - indagou ele, o corao disparado. Pier sorriu.
- Ela est se divertindo. Disse que acaba de gozar pela terceira vez.
Robert ouviu o rangido das molas da cama.
- No vem para a cama?
Pier estava parada ali, nua, sem o menor constrangimento, observando-o.
261

- Claro.
Robert sentou na cama.
- No vai se despir?
- No.
- Como preferir. - Pier subiu na cama, deitou ao lado de Robert. - Espero que voc no ronque.
- Poder me dizer pela manh.
Robert no tinha a menor inteno de dormir. Queria vigiar a rua durante a noite, para ter certeza de que eles no viriam ao hotel. Acabariam investigando aqueles 
pequenos hotis de terceira classe, mas levaria algum tempo para chegarem a esse ponto. Tinham muitos outros lugares em que procurar antes. Ele deitou, exausto, 
e fechou os olhos para descansar por um momento. E dormiu. Voltou para casa,  sua prpria cama, sentiu o corpo quente de Susan ao lado do seu. Ela est de volta, 
pensou ele, feliz. Veio para mim. Ah, meu amor, tenho sentido tanta saudade...
Dia Dezessete Roma, Itlia
Robert foi despertado pelo sol batendo em seu rosto. Sentou abruptamente, olhando ao redor por um instante em alarme, desorientado. Ao ver Pier, a memria retornou. 
Ele relaxou. Pier se encontrava na frente do espelho, escovando os cabelos.
- Buon giorno - disse ela. - Voc no ronca. Robert olhou para o relgio. Nove horas. Desperdiara horas preciosas.
- Quer fazer amor agora? J est pago.
- No precisa.
Pier, nua e provocante, aproximou-se da cama.
- Tem certeza?
Eu no poderia, mesmo que quisesse, menina.
- Tenho, sim.
- V bene. - Ela comeou a se vestir. - Quem  Susan? A indagao pegou-o desprevenido.
- Susan? Por que pergunta?
262
- Voc fala no sono.
Robert recordou o sonho. Susan voltara para ele. Talvez fosse um sinal.
-  uma amiga.
 minha esposa. Vai acabar se cansando de Monte de Grana e algum dia voltar para mim. Isto , se eu ainda estiver vivo at l.
Robert foi at a janela. Puxou a cortina e espiou. A rua estava agora apinhada de pessoas a p, comerciantes abriam suas lojas. No havia qualquer sinal de perigo. 
Estava na hora de acionar seu plano. Ele virou-se para a mulher.
- Pier, gostaria de fazer uma pequena viagem comigo? Ela fitou-o desconfiada.
- Uma viagem... para onde?
- Preciso ir a Veneza, a negcios, e detesto viajar sozinho. Gosta de Veneza?
- Gosto...
- timo. Pagarei pelo seu tempo, e tiraremos umas pequenas frias juntos. - Ele olhou outra vez pela janela. - Conheo um hotel maravilhoso em Veneza. O Cipriani.
Anos antes, ele e Susan haviam se hospedado no Royal Danieli, mas Robert estivera l depois, e descobrira que o hotel entrara em decadncia, as camas eram insuportveis. 
A nica coisa que restava da antiga classe era Luciano, na recepo.
- Vai lhe custar mil dlares por dia.
Pier estava disposta a se contentar com quinhentos.
- Negcio fechado. - Robert contou dois mil dlares. - Comearemos com isto.
Pier hesitou. Tinha a premonio de que havia algo errado. Mas o incio do filme em que lhe haviam prometido um pequeno papel fora adiado, e ela precisava do dinheiro.
- Est certo.
- Vamos embora.
L embaixo, Pier observou-o esquadrinhar a rua com toda ateno, antes de sair para chamar um txi. Ele  um alvo para algum, pensou Pier.  melhor eu cair fora.
- Escute... no tenho certeza se quero ir para Veneza com voc. Eu...
263

- Vamos nos divertir um bocado.
Havia uma joalheria no outro lado da rua. Robert pegou a mo de Pier.
- Vamos at l. Comprarei uma coisa bem bonita para voc.
- Mas...
Ele levou-a at a joalheria. O vendedor por trs do balco
disse:
- Buon giorno, signore. Posso ajud-lo?
- Pode, sim. Estamos procurando algo adorvel para a dama. - Ele virou-se para Pier. - Gosta de esmeraldas?
- Eu... gosto.
Robert perguntou ao vendedor:
- Tem uma pulseira de esmeraldas?
- Si, signore. Tenho uma linda pulseira de esmeraldas. - Ele foi at um mostrurio e voltou com uma pulseira. - Esta  a nossa melhor. Quinze mil dlares.
Robert olhou para Pier.
- Gosta?
Ela estava incapaz de falar. Acenou com a cabea.
- Vamos lev-la.
Robert entregou seu carto de crdito do ONI.
- Um momento, por favor. - O vendedor desapareceu na sala no fundo. Ao voltar, perguntou: - Quer que eu embrulhe, ou...?
- No precisa. Minha amiga vai us-la.
Robert ps a pulseira no pulso de Pier. Ela ficou olhando, atordoada. Ele acrescentou:
- No acha que ficar linda em Veneza? Pier sorriu.
- E muito!
Quando saram para a rua, Pier murmurou:
- No sei como agradecer.
- S quero que voc se divirta - disse Robert. - Tem carro?
- No. Tinha um carro velho, mas foi roubado.
- Mas ainda tem a carteira de motorista? Ela ficou perplexa.
- Tenho, sim, mas de que adianta sem um carro?
- J vai ver. Vamos sair daqui.
264
Robert fez sinal para um txi.
- Via Po, por favor.
Sentada no txi, Pier estudou-o. Por que ele se mostrava to ansioso por sua companhia? E nem mesmo a tocara. Seria possvel que...?
- Qui! - gritou Robert para o motorista.
Estavam a cem metros da agncia de aluguel de carros Maggiore.
- Vamos saltar aqui - ele acrescentou para Pier. Pagou ao motorista, e esperou que o txi desaparecesse. Entregou um mao de notas a Pier.
- Quero que alugue um carro para ns. Pea um Fiat ou um Alfa Romeo. Diga que ficaremos com o carro por quatro ou cinco dias. Este dinheiro cobrir o depsito. Alugue 
o carro em seu nome. Esperarei por voc naquele bar no outro lado da rua.
A menos de oito quarteires dali, dois detetives interrogavam o desventurado motorista de um caminho vermelho com placas da Frana.
- Vous mefaites chier. No tenho a menor idia de como essa porra desse carto foi parar na traseira do meu caminho. Deve ter sido algum italiano maluco que o jogou 
ali.
Os dois detetives trocaram um olhar, e um deles murmurou:
- Vou telefonar para avisar.
Francesco Csar estava sentado  sua mesa, pensando no ltimo desenvolvimento. Antes, a misso parecia muito simples. "No haver qualquer dificuldade para encontr-lo. 
Quando chegar o momento, vamos ativar o transmissor de sinais, que o levar direto a ele." Era bvio que algum subestimara o Comandante Bellamy.
O Coronel Frank Johnson estava sentado no gabinete do General Hilliard, o corpo enorme ocupando toda a cadeira.
- Temos metade dos agentes na Europa  sua procura - disse o General Hilliard. - At agora, no tiveram sorte.
- Ser preciso mais do que sorte -- comentou o Coronel Johnson. - Bellamy  muito bom.
265

- Sabemos que ele est em Roma. O filho da puta acaba de nos debitar o custo de uma pulseira de quinze mil dlares. Mas ele se acha acuado. No tem a menor possibilidade 
de deixar a Itlia. Sabemos o nome que ele usa em seu passaporte... Arthur Butterfield.
O Coronel Johnson sacudiu a cabea.
- Se bem conheo Bellamy, vocs no tm a menor indicao do nome que ele est usando. A nica coisa com que pode contar  que Bellamy no far o que espera que 
ele faa. Estamos atrs de um homem que  to bom quanto o mehor no ofcio. Talvez at ainda melhor. Se houver algum lugar para fugir, Bellamy aproveitar. Se houver 
algum lugar para se esconder, ele se esconder ali. Acho que nossa melhor possibilidade  atra-lo para campo aberto, usar a fumaa para obrig-lo a sair da toca. 
Neste momento, ele controla todos os movimentos. Precisamos lhe tirar a iniciativa.
- Ou seja, sair em pblico? Entregar  imprensa?
- Exatamente.
O General Hilliard contraiu os lbios.
- Seria muito arriscado. No podemos nos expor.
- Nem ser necessrio. Divulgaremos um comunicado de que ele  procurado por trfico de drogas. Assim, podemos atrair a Interpol e todos os departamentos de polcia 
da Europa sem nos expormos.
O General Hilliard pensou a respeito por um momento.
- Gosto da idia.
- timo. Vou para Roma - anunciou o Coronel Johnson. - Assumirei pessoalmente o comando da caada.
Ao voltar para sua sala, o Coronel Frank Johnson estava pensativo. Empenhava-se num jogo perigoso, no restava a menor dvida quanto a isso. Tinha de descobrir o 
Comandante Bellamy.
266
Captulo Trinta e Sete
Robert ficou escutando a
campainha do telefone tocar vrias vezes. Eram seis horas da manh em Washington. Estou sempre acordando o velho, pensou ele. O almirante atendeu ao sexto toque 
da campainha.
- Al?
- Almirante, eu...
- Robert! O que...?
- No diga nada. Seu telefone provavelmente est grampeado. Falarei depressa. Queria apenas lhe dizer para no acreditar em qualquer coisa que esto dizendo a meu 
respeito. Gostaria que tentasse descobrir o que est acontecendo. Posso precisar de sua ajuda mais tarde.
- Claro. Qualquer coisa que eu puder fazer, Robert.
- Sei disso.
- Ligarei depois para voc.
Robert desligou. No houvera tempo para um rastreamento. Ele viu um Fiat azul parar na frente do bar. Pier se achava ao volante.
- Chegue para o lado - disse Robert. - Eu guio Pier se afastou para que ele sentasse ao volante.
- Vamos seguir logo para Veneza? - perguntou ela.
- Tenho de ir a dois lugares primeiro.
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Estava na hora de lanar mais uma barragem de despistamento. Ele entrou na Viale Rossini. Mais  frente, ficava a agncia de viagens Rossini. Robert encostou no 
meio-fio.
- Voltarei num minuto.
Per observou-o entrar na agncia. Eu poderia simplesmente ir embora, pensou ela. Ficaria com o dinheiro, e ele nunca me encontraria. Mas a porcaria do carro est 
alugado em meu nome. Cacchio!
Dentro da agncia, Robert aproximou-se da mulher por trs
do balco.
- Bom dia. Em que posso ajud-lo?
- Sou o Comandante Robert Bellamy. Preciso viajar, e gostaria de fazer algumas reservas.
Ela sorriu.
-  para isso que estamos aqui, signore. Para onde planeja viajar?
- Gostaria de fazer uma reserva de passagem de avio para Pequim, primeira classe, s de ida.
A mulher anotou o pedido.
- E quando gostaria de partir?
- Nesta sexta-feira.
- Certo. - Ela bateu nas teclas de um computador. - H um vo da Air China que sai de Roma s sete e quarenta da noite de sexta-feira.
- Est timo.
A mulher bateu em mais algumas teclas.
- Pronto. Sua reserva est confirmada. Vai pagar em dinheiro ou...?
- Ainda no acabei. Quero tambm reservar uma passagem de trem para Budapeste.
- Para quando, comandante?
- A prxima segunda-feira.
- Em que nome?
- O mesmo.
Ela fitou-o, estranhando.
- Vai voar para Pequim na sexta-feira e...
- Ainda no acabei - disse Robert, jovialmente. - Quero tambm uma passagem de avio s de ida para Miami, Flrida, no domingo.
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A perplexidade da mulher era total agora.
- Signore, se isso  alguma espcie de...
Robert tirou do bolso o carto de crdito do ONI e entregou  mulher.
- Debite as passagens neste carto. Ela estudou-o por um momento.
- Com licena.
A mulher foi para uma sala nos fundos. Voltou alguns minutos depois.
- Est tudo certo. Teremos o maior prazer em providenciar tudo o que nos pediu. Deseja que todas as reservas sejam feitas no mesmo nome?
- Isso mesmo. Comandante Robert Bellamy.
- Muito bem.
Robert observou, enquanto ela apertava mais teclas no computador. Um minuto depois, trs passagens apareceram. Ela tirou-as da impressora.
- Ponha as passagens em envelopes separados - pediu Robert.
- Pois no. Gostaria que eu as mandasse para...?
- Levarei agora.
- Si signore.
Robert assinou a fatura do carto de crdito, a mulher entregou-lhe sua cpia.
- A est. Tenha uma boa viagem... viagens... Robert sorriu.
- Obrigado.
Um minuto depois, ele sentava outra vez ao volante do carro.
- Para onde vamos agora? - indagou Pier.
- Ainda temos mais algumas paradas.
Pier observou-o esquadrinhar a rua com toda ateno, antes de partir.
- Quero que faa uma coisa por mim - disse Robert. O momento chegou, pensou Pier. Ele vai me pedir para fazer algo terrvel.
- O que 
Haviam parado na frente do Hotel Victoria. Robert entregou um dos envelopes a Pier.
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- Quero que v at a recepo e reserve uma sute, em nome do Comandante Robert Bellamy. Diga que  sua secretria e que ele chegar dentro de uma hora, mas quer 
subir at a sute para aprov-la. Quando estiver l, deixe este envelope na mesa da sala.
Ela fitou-o, surpresa.
- Isso  tudo?
- , sim.
O homem no fazia o menor sentido.
- Bene.
Ela desejou saber o que o americano maluco andava fazendo. E quem  o Comandante Robert Bellamy? Pier saltou do carro e entrou no saguo do hotel. Sentia-se um pouco 
nervosa. No exerccio de sua profisso, j fora expulsa de alguns hotis de primeira classe. Mas o recepcionista cumprimentou-a polidamente.
- Em que posso ajud-la, signora?
- Sou a secretria do Comandante Robert Bellamy. Gostaria de reservar uma sute para ele. Dever estar aqui dentro de uma hora.
O recepcionista consultou o quadro de reservas.
- Por acaso temos uma excelente sute disponvel.
- Posso v-la, por favor?
- Claro. Mandarei algum acompanh-la.
Um assistente da gerncia escoltou Pier at l em cima. Entraram na sala de estar da sute, e ela correu os olhos ao redor.
-  uma sute satisfatria, signora? Pier no tinha a menor idia.
- Esta serve. - Ela tirou o envelope da bolsa, ps numa mesinha de caf. - Deixarei isto aqui para o comandante.
- Bene.
A curiosidade prevaleceu. Pier abriu o envelope. L dentro, havia uma passagem de avio para Pequim, s de ida, em nome de Robert Bellamy. Ela tornou a guardar a 
passagem no envelope, deixou-o em cima da mesa e desceu.
O Fiat azul estava estacionado na frente do hotel.
- Algum problema? - perguntou Robert.
- Nenhum.
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- Temos apenas mais duas paradas, e depois pegaremos a estrada - informou Robert, jovialmente.
A parada seguinte foi no Hotel Valadier. Robert entregou outro envelope a Pier.
- Quero que reserve uma sute aqui, em nome do Comandante Robert Bellamy. Diga a eles que chegarei dentro de uma hora. E depois...
- Deixo o envelope l em cima.
- Isso mesmo.
Desta vez Pier entrou no hotel com mais confiana. Basta agir como uma dama, pensou ela. Voc tem dignidade. Essa  a porra do segredo.
Havia uma sute disponvel no hotel.
- Eu gostaria de dar uma olhada - declarou Pier.
- Pois no, signora.
Um assistente da gerncia acompanhou-a.
- Esta  uma de nossas melhores sutes. Era mesmo muito bonita. Pier disse, altiva:
- Acho que serve. O comandante  muito exigente. Ela tirou o segundo envelope da bolsa, abriu-o, deu uma
olhada. Continha uma passagem de trem para Budapeste, em nome do Comandante Robert Bellamy. Pier ficou confusa. Mas que jogo ser esse? Ela deixou o envelope na 
mesinha-decabeceira. Quando ela voltou ao carro, Robert perguntou:
- Como foi?
- Tudo bem.
- Vamos  ltima parada.
Agora foi o Hotel Leonardo da Vinci. Robert entregou o terceiro envelope a Pier.
- Eu gostaria...
- J sei.
Dentro do hotel, um recepcionista disse:
- Temos de fato uma excelente sute, signora. Quando foi mesmo que disse que o comandante vai chegar?
- Daqui a uma hora. Eu gostaria de examinar a sute, para verificar se  satisfatria.
- Pois no, signora.
A sute era mais suntuosa do que as outras duas em que Pier
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estivera. O assistente da gerncia mostrou-lhe o quarto enorme, com a cama de baldaquino no centro. Que desperdcio!, pensou Per. Em uma noite, eu poderia ganhar 
uma fortuna aqui. Ela tirou da bolsa o terceiro envelope e deu uma olhada. Continha uma passagem de avio para Miami, Flrida. Pier deixou o envelope na cama. O 
assistente da gerncia conduziu-a de volta  sala de estar.
- Temos TV em cores - anunciou ele.
O homem foi ligar o aparelho. Uma fotografia de Robert apareceu na tela. O locutor estava dizendo:
- .. .e a Interpol acredita que ele se encontra no momento em Roma.  procurado para interrogatrio numa operao internacional de trfico de drogas. Aqui  Bernard 
Shaw, da CNN News.
O assistente da gerncia desligou a televiso.
- Achou tudo satisfatrio?
- Achei - murmurou Pier. Um traficante de drogas!
- Aguardaremos ansiosos a chegada do comandante. Ao se encontrar com Robert no carro l embaixo, Pier fitou
o com olhos diferentes.
- Agora podemos ir - declarou Robert, sorrindo.
No Hotel Victoria, um homem de terno escuro estudava o registro de hspedes. Levantou os olhos para o recepcionista.
- A que horas o Comandante Bellamy se registrou?
- Ele ainda no chegou. A secretria reservou a sute. Disse que ele estaria aqui em uma hora.
O homem virou-se para seu companheiro.
- Mande vigiar o hotel. Pea reforos. Vou subir at a sute. - Ele virou-se para o recepcionista. - Mande algum abrir a porta para mim.
Trs minutos depois, um assistente da gerncia abria a porta da sute. O homem de terno escuro entrou, cauteloso, o revlver na mo. A sute estava vazia. Ele avistou 
o envelope na mesa e pegou-o. Estava escrito na frente: "Comandante Robert Bellamy". Ele abriu o envelope. Um momento depois, ligou para o quartel-general do SIFAR.
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Francesco Csar se achava reunido com o Coronel Frank Johnson. O Coronel Johnson desembarcara no aeroporto Leonardo da Vinci duas horas antes, mas no demonstrava 
qualquer sinal de fadiga.
- Pelo que sabemos at agora - Csar dizia -, Bellamy ainda se encontra em Roma. Recebemos mais de trinta informes sobre seu paradeiro.
- Algum foi confirmado?
- Nenhum.
O telefone tocou.
-  Luigi, coronel - disse a voz ao telefone. - Ns o encontramos. Estou em sua sute no Hotel Victoria. E tenho sua passagem de avio para Pequim. Ele planeja partir 
na sexta-feira.
A voz de Csar ficou impregnada de excitamento.
- Excelente! Fique a. Chegaremos num instante. - Ele desligou e virou-se para o Coronel Johnson. - Receio que tenha feito uma viagem por nada, coronel. J o pegamos. 
Ele se registrou no Hotel Victoria. Encontraram uma passagem de avio para Pequim, em seu nome, para sexta-feira.
O Coronel Johnson indagou, suavemente:
- Bellamy se registrou no hotel com seu prprio nome?
- Isso mesmo.
- E a passagem de avio tambm  em seu nome?
- , sim. - O Coronel Csar levantou-se. - Vamos at l. O Coronel Johnson sacudiu a cabea.
- No perca seu tempo.
- Como assim?
- Bellamy nunca...
O telefone tocou de novo. Csar atendeu.
- Al?
- Coronel? Aqui  Mrio. Localizamos Bellamy. Ele est no Hotel Valadier. Pegar um trem na segunda-feira para Budapeste. O que deseja que a gente faa?
- Voltarei a ligar para voc. - Csar olhou para o Coronel Johnson. - Encontraram uma passagem de trem para Budapeste, no nome de Bellamy. No compreendo o que...
O telefone tocou mais uma vez.
- Al?
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A voz de Csar se tornara um pouco mais estridente.
- Bruno falando, coronel. Localizamos Bellamy. Ele se registrou no Hotel Leonardo da Vinci. Planeja viajar no domingo para Miami. O que devo...?
- Volte para c! - berrou Csar. Ele bateu o telefone. - Mas qual  o jogo dele?
- Ele est dando um jeito para que voc desperdice bastante mo-de-obra, no  mesmo? - comentou o Coronel Johnson, num tom sombrio.
- O que faremos agora?
- Vamos encurralar o filho da puta.
Eles seguiam pela Via Cssia, perto de Olgiata, para o norte, na direo de Veneza. A polcia cobriria todas as principais sadas da Itlia, mas esperariam que ele 
fosse para oeste, na direo da Frana ou Sua. De Veneza, pensou Robert, posso pegar o hidroflio para Trieste, e seguir para a ustria. E depois . A voz de Pier 
interrompeu seus pensamentos:
- Estou com fome.
- Como?
- No tomamos o caf da manh nem almoamos.
- Desculpe. - Ele estava preocupado demais para pensar em comer. - Pararemos no primeiro restaurante.
Pier observou-o, enquanto ele guiava. Sentia-se mais espantada do que nunca. Vivia num mundo de cafetes e ladres... e traficantes de drogas. Aquele homem no era 
um criminoso.
Pararam na cidadezinha seguinte, na frente de uma pequena trattoria. Robert e Pier saltaram.
O restaurante estava lotado, barulhento com as conversas e o chocalhar da loua. Robert encontrou uma mesa encostada na parede, e sentou de frente para a porta. 
Um garom aproximou-se e entregou os cardpios.
Robert pensava: Susan deve estar no iate a esta altura. Talvez esta seja a minha ltima chance de falar com ela.
- D uma olhada no cardpio. - Robert levantou-se. - Voltarei num instante.
Pier observou-o se encaminhar para o telefone pblico perto da mesa. Ele ps uma moeda na fenda.
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- Eu gostaria de falar com a telefonista martima em Gibraltar. Obrigado.
Para quem ele est ligando em Gibraltar?, especulou Pier. Pretende fugir por l?
- Telefonista, quero fazer uma chamada a cobrar para o iate americano Halcyon, ao largo de Gibraltar. WS 337. Obrigado.
Uns poucos minutos passaram, enquanto as telefonistas falavam entre si, e sua ligao era aceita.
Robert ouviu a voz de Susan ao telefone.
- Susan...
- Robert! Voc est bem?
- Estou, sim. Eu s queria lhe dizer...
- Sei o que quer me dizer. J saiu em todas as emissoras de rdio e televiso. Por que a Interpol est  sua procura?
-  uma longa histria.
- No tenho pressa. Quero saber. Ele hesitou.
-  um problema poltico, Susan. Tenho provas de algo que alguns governos esto querendo suprimir.  por isso que a Interpol me procura.
Pier escutava atentamente o lado da conversa de Robert.
- Como posso ajudar? - perguntou Susan.
- No pode fazer nada, meu bem. S liguei para ouvir sua voz mais uma vez, no caso de... se eu no conseguir escapar.
- No diga isso. - Havia pnico na voz de Susan. - Pode me falar em que pas se encontra?
- Itlia.
Houve um breve silncio
- Muito bem. No estamos muito longe de voc. Navegamos ao largo da costa de Gibraltar. Podemos apanh-lo em qualquer lugar que indicar.
- No, eu...
- Tem de aceitar, Robert. Provavelmente  a sua nica chance de escapar.
- No posso deix-la fazer isso, Susan. Voc correria perigo. Monte entrara no salo a tempo de ouvir a ltima parte da
conversa.
- Deixe-me falar com ele, Susan.
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- Espere um instante, Robert. Monte quer falar com voc.
- Susan, eu no...
A voz de Monte entrou na linha:
- Robert, sei que se encontra numa tremenda encrenca. A grande descoberta do ano.
- Pode-se dizer assim.
- Gostaramos de ajud-lo. Eles no o procurariam num iate. Por que no nos deixa busc-lo?
- Obrigado, Monte, mas a resposta  no.
- Acho que est cometendo um erro. Ficaria mais seguro aqui.
Por que ele se mostra to ansioso em me ajudar?
- De qualquer forma, fico muito agradecido. Assumirei os riscos. Eu gostaria de falar de novo com Susan.
- Certo. - Monte entregou o telefone a Susan. - Fale com ele.
Ela voltou  linha.
- Por favor, Robert, deixe-nos ajud-lo.
- J me ajudou, Susan. - Ele teve de fazer uma pausa. - Voc  a melhor parte de minha vida. S queria que soubesse que sempre a amarei. - Robert soltou uma risada. 
- Embora o sempre talvez no represente mais muito tempo
- Vai me ligar de novo?
- Se eu puder.
- Prometa.
- Est bem, eu prometo.
Robert reps o fone no gancho, lentamente. Por que fiz isso com ela? Por que fiz isso comigo mesmo? Voc  um idiota sentimental, Bellamy. Ele voltou  mesa.
- Vamos comer, Per. Pediram a comida.
- Ouvi sua conversa. A polcia est  sua procura, no ? Robert ficou tenso. Descuidado. Ela podia criar problemas.
-  apenas um mal-entendido. Eu...
- No me trate como uma imbecil. Quero ajud-lo. Ele a observou, cauteloso.
- Por que haveria de me ajudar? Pier inclinou-se para a frente.
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- Porque tem sido generoso comigo. E eu odeio a polcia. No sabe o que  ficar pelas ruas, perseguida pela polcia, tratada como lixo. Prendem-me por prostituio, 
mas me levam para os quartos dos fundos das delegacias, sou passada de mo em mo. So verdadeiros animais. Eu faria qualquer coisa para me vingar. Qualquer coisa 
mesmo. Posso ajud-lo.
- Pier, no h nada que voc...
- A polcia o pegaria com a maior facilidade em Veneza. Se ficar num hotel, eles o encontraro. Se tentar embarcar num barco, eles o prendero. Mas conheo um lugar 
em que voc estaria seguro. Minha me e meu irmo vivem em Npoles. Poderamos ficar na casa deles. A polcia nunca o procuraria ali.
Robert permaneceu em silncio por um momento, pensando a respeito. Fazia sentido o que Pier dissera. Uma casa particular seria mais segura do que qualquer outro 
lugar, e Npoles era um porto grande. Seria mais fcil pegar um navio para sair de l. Mas ele hesitou antes de responder. No queria expor Pier a qualquer perigo.
- Se a polcia me descobrir, Pier, as ordens so para me matar. E voc seria considerada cmplice. Pode estar se metendo numa encrenca.
-  muito simples. - Pier sorriu. - No deixaremos que a polcia o descubra.
Robert retribuiu o sorriso; e tomou sua deciso.
- Est certo. E agora vamos almoar. Depois, seguiremos para Npoles.
O Coronel Frank Johnson indagou:
- Seus homens no tm a menor idia da direo que ele seguiu?
Francesco Csar suspirou.
- No no momento. Mas  apenas uma questo de tempo antes que...
- No temos tempo. J verificou o paradeiro da ex-esposa?
- Da ex-esposa? No. E no vejo o que isso...
- Pois ento no fez o seu trabalho direito - disse rispidamente o Coronel Johnson. - Ela est casada com um homem chamado Monte Banks. Sugiro que os localize. E 
depressa.
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Captulo Trinta e Oito
E,
la foi andando pelo largo bulevar, mal consciente do rumo que seguia. Quantos dias j haviam transcorrido desde o terrvel acidente? Perdera a conta. Sentia-se to 
cansada que era difcil se concentrar. Precisava desesperadamente de gua; no a gua poluda que os terrqueos bebiam, mas gua de chuva, pura e fresca. Precisava 
de gua para recuperar sua essncia vital, adquirindo foras para encontrar o cristal. Estava morrendo.
Cambaleou e esbarrou num homem.
- Ei, tome mais cuidado! - O vendedor americano examinou mais atentamente a mulher e sorriu. - Oi. Imagine s esbarrar numa coisinha como voc.
Que boneca!
- Posso imaginar.
- De onde voc , meu bem?
- Do stimo sol das Pliades. Ele riu.
- Gosto de uma garota com senso de humor. Para onde ia? Ela sacudiu a cabea.
- No sei. Sou estranha aqui.
Puxa, acho que tem alguma coisa para mim aqui!
- J jantou?
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- No. No posso comer os seus alimentos.  daquele tipo esquisito. Mas uma beleza.
- Onde est hospedada?
- Em lugar nenhum.
- No tem um hotel?
- Um hotel? - Ela lembrou: Caixas para estranhos viajantes. - No. Preciso encontrar um lugar para dormir. Estou muito cansada.
O sorriso do homem se alargou.
- O papai aqui pode cuidar disso. Por que no vamos para o meu quarto no hotel? Tenho uma cama grande e confortvel ali. No gostaria?
- Gostaria muito.
Ele no podia acreditar em sua sorte.
- Maravilhoso!
Aposto que ela  sensacional no mato! Ela fitou-o, perplexa.
- Sua cama  feita de mato? Ele ficou surpreso.
- Como? No, no... Gosta de piadinhas, hem? Ela mal conseguia manter os olhos abertos.
- Podemos ir para a cama agora? Ele esfregou as mos.
- Pode apostar que sim! Meu hotel fica logo depois da esquina.
O homem pegou a chave na recepo, subiram no elevador para seu andar. Ao entrarem na sala da sute, ele perguntou:
- No gostaria de tomar um drinque?
Vamos relax-la um pouco. Ela queria beber, desesperadamente, mas no os lquidos que os terrqueos tinham a oferecer.
- No. Onde est a cama? Ei, que garota quente!
-  por aqui, meu bem. - Ele levou-a para o quarto. - Tem certeza que no gostaria de tomar um drinque?
- Tenho certeza. Ele lambeu os lbios.
- Ento por que voc no... ahn... tira as roupas?
Ela acenou com a cabea. Era um costume terrqueo. Tirou
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 o vestido que usava. No tinha nada por baixo. Seu corpo era deslumbrante. O homem fitou-a, aturdido e feliz, murmurou:
- Esta  a minha noite de sorte, meu bem. A sua tambm. Voufoder voc como nunca foi fodida antes. Ele tirou as
roupas to depressa quanto podia, pulou na cama, ao lado dela.
- E agora vou lhe mostrar o que  ao, meu bem! - Ele olhou. - Oh, droga, esqueci a luz acesa!
Ele comeou a se levantar.
- No se preocupe - disse ela, sonolenta. - Eu apago para voc.
E enquanto o americano observava, ela estendeu o brao, que foi se esticando e esticando, os dedos se transformaram em gavinhas verdes cheias de folhas, ao roarem 
no interruptor de luz.
Ele estava sozinho no escuro com ela. E gritou.
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Captulo Trinta e Nove
viajavam em alta velocidade pela Autostrada dei Sole, que leva a Npoles. H meia hora que se mantinham em silncio, cada um absorvido em seus pensamentos. Foi Per 
quem rompeu o silncio:
- Quanto tempo gostaria de ficar na casa de minha me?
- Trs ou quatro dias, se no for problema.
- No ser.
Robert no tinha inteno de permanecer por mais de uma noite, duas no mximo. Mas no revelou seus planos. Assim que encontrasse um navio que fosse seguro, ele 
sairia da Itlia.
- Estou ansiosa em rever minha famlia - comentou Pier.
- Tem s um irmo?
- Isso mesmo. Cario.  mais moo do que eu.
- Fale-me de sua famlia, Pier. Ela deu de ombros.
- No h muito para contar. Meu pai trabalhou no cais do porto durante toda a sua vida. Um guindaste caiu em cima dele e matou-o quando eu tinha quinze anos. Minha 
me era doente, tive de sustent-la e a Cario. Tinha um amigo nos estdios de Cinecitt, e ele me arrumava pequenos papis. Pagavam muito pouco, eu era obrigada 
a ir para a cama com o assistente do diretor. Conclu que poderia ganhar mais dinheiro nas ruas. Agora, fao um pouco das duas coisas.
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No havia autocompaixo em sua voz.
- Tem certeza que sua me no vai protestar por voc levar um estranho para casa, Pier?
- Tenho, sim. Somos muito ligadas. Mame ficar feliz em me ver. Voc a ama muito?
Robert lanou um olhar para ela, aturdido.
- Sua me?
- A mulher com quem falou pelo telefone no restaurante... Susan.
- O que a faz pensar que eu a amo?
- O tom de sua voz. Quem  ela?
- Uma amiga.
- Ela tem muita sorte. Eu gostaria que algum se importasse comigo assim. Robert Bellamy  o seu nome verdadeiro?
- , sim.
- E  mesmo um comandante? Isso era mais difcil de responder.
- No tenho certeza, Pier. J fui.
- Pode me contar por que a Interpol est atrs de voc? Robert respondeu com o maior cuidado:
-  melhor que eu no lhe diga coisa alguma. J pode ter problemas suficientes s de estar comigo. Quanto menos souber, melhor.
- Est bem, Robert.
Ele pensou nas estranhas circunstncias que haviam reunido os dois.
- Quero lhe fazer uma pergunta. Se soubesse que aliengenas estavam descendo para a Terra, em espaonaves, voc entraria em pnico?
Pier estudou-o por um momento.
- Fala srio?
- E muito.
Ela sacudiu a cabea.
- No. Acho que seria emocionante. Acredita que essas coisas existem?
- H uma possibilidade - disse Robert, cauteloso. O rosto de Pier se iluminou.
-  mesmo? E eles tm... so iguais aos homens?
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Robert riu.
- No sei.
- Isso tem alguma coisa a ver com o motivo pelo qual a polcia est atrs de voc?
- No. Nada a ver.
- Se eu lhe disser uma coisa, promete que no ficar zangado comigo?
- Prometo.
Quando ela voltou a falar, sua voz era to baixa que Robert mal conseguiu ouvir:
- Acho que estou me apaixonando por voc.
- Pier...
- J sei. Estou sendo uma tola. Mas nunca disse isso a ningum antes. Queria que soubesse.
- E me sinto lisonjeado, Pier.
- No est rindo de mim?
- No, no estou. - Robert olhou para o mostrador de gasolina. -  melhor pararmos num posto.
Alcanaram um posto quinze minutos depois.
- Vamos encher o tanque aqui - disse Robert.
- Certo. - Pier sorriu. - Posso ligar para casa e avisar a mame que estou levando um lindo estranho.
Robert parou ao lado da bomba e disse ao atendente:
- II pieno, perfavore.
- Si, signore.
Pier inclinou-se e deu um beijo no rosto de Robert.
- Voltarei num instante.
Robert observou-a entrar no escritrio e trocar uma nota por moedas para o telefone. Ela  sem dvida muito bonita, pensou Robert. E inteligente. Devo tomar cuidado 
para no mago-la.
Dentro do escritrio, Pier estava discando. Virou-se, sorrindo e acenando para Robert. Quando a telefonista atendeu. Pier pediu:
- Ligue-me com a Interpol. Sbito.
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Captulo Quarenta
desde o momento em que vira a notcia sobre Robert Bellamy, Pier compreendera que ia ficar rica. Se a Interpol, a fora de polcia criminal internacional, estava 
 procura de Robert, deveria haver uma vultosa recompensa para quem o entregasse. E ela era a nica que sabia onde ele se encontrava! A recompensa seria toda sua. 
Persuadi-lo a ir para Npoles, onde poderia vigi-lo, fora um golpe de gnio. Uma voz de homem disse ao telefone:
- Interpol. Em que posso ajudar?
O corao de Pier batia forte. Olhou pela janela para se certificar de que Robert continuava ao lado da bomba.
- No esto procurando por um homem chamado Comandante Robert Bellamy?
Houve um momento de silncio.
- Quem est falando, por favor?
- O nome no importa. Esto procurando por ele ou no?
- Vou transferir sua ligao para outra pessoa. Quer esperar um momento na linha, por favor? - Ele virou-se para seu assistente. - Acione o rastreamento desta ligao. 
Pronto.
Trinta segundos depois, Pier estava falando com um superior.
- Pois no, signora. Posso ajud-la?
No, seu idiota, eu  que estou tentando ajud-lo!
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- Sei onde est o Comandante Robert Bellamy. Vocs o procuram ou no?
- Claro que procuramos, signora. E sabe onde ele se encontra?
- Isso mesmo. Ele est comigo agora. Quanto vale para vocs?
- Est falando de uma recompensa?
- Claro que estou falando de uma recompensa!
Pier tornou a olhar pela janela. Como eles podem ser to burros? O homem fez sinal para que seu assistente trabalhasse mais depressa.
- Ainda no fixamos um preo para ele, signora. Por isso...
- Pois fixem um preo agora. Estou com pressa.
- Espera uma recompensa de quanto?
- No sei. - Pier pensou por um momento. - Cinqenta mil dlares no seria um preo justo?
- Cinqenta mil dlares  muito dinheiro. Se me disser onde est, poderemos ir ao seu encontro e negociar um acordo que...
Ele deve pensar que sou uma imbecil.
- No. Ou voc concorda em pagar o que eu quero agora, ou... - Pier olhou pela janela, e viu Robert se aproximando do escritrio. - Depressa! Sim ou no?
- Est bem, signora. Sim. Concordamos em pagar... Robert passou pela porta. Pier disse ao telefone:
- Devemos chegar a a tempo para o jantar, mame. Vai gostar dele.  muito simptico. timo. Voltaremos a conversar quando eu chegar. Chao.
Ela reps o fone no gancho e virou-se para Robert.
- Mame est ansiosa em conhec-lo.
No quartel-general da Interpol, o alto funcionrio perguntou:
- Conseguiram rastrear a ligao?
- Conseguimos. Foi feita de um posto de gasolina na Autostrada dei Sole. Parece que eles esto seguindo para Npoles.
O Coronel Francesco Csar e o Coronel Frank Johnson estudavam um mapa na parede, no gabinete de Csar.
- Npoles  uma cidade grande - comentou o Coronel
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Csar. - H lugares ali em que ele poderia se esconder.
- E a mulher?
- No temos a menor idia de quem seja.
- Por que no descobrimos? Csar fitou-o, perplexo.
- Como?
- Se Bellamy precisava da companhia de uma mulher s pressas, como uma cobertura, o que faria?
- Provavelmente pegaria uma prostituta.
- Isso mesmo. Por onde comeamos?
- Tor di Ounto.
Eles passaram pela Passeggiata Archeologica, observando as mulheres que ofereciam suas mercadorias nas caladas. No carro, junto com o Coronel Csar e o Coronel 
Johnson, seguia o Capito Bellini, o supervisor policial do distrito.
- No vai ser fcil - garantiu Bellini. - H uma grande concorrncia entre elas, mas se tornam irms de sangue na hora de enfrentar a polcia. No vo falar.
- Veremos - murmurou o Coronel Johnson.
Bellini ordenou que o motorista encostasse no meio-fio. Os trs homens saltaram do carro. As prostitutas observaram-nos, cautelosas. Bellini aproximou-se de uma 
mulher.
- Boa tarde, Maria. Como esto os negcios?
- Ficaro melhores depois que vocs forem embora.
- No planejamos ficar. Procuramos um americano que pegou uma das garotas ontem  noite. Achamos que esto viajando juntos. Queremos saber quem ela . Pode nos ajudar?
Ele mostrou uma fotografia de Robert. Vrias outras prostitutas haviam se aproximado para escutar a conversa.
- No posso ajudar - respondeu Maria -, mas conheo algum que pode.
Bellini balanou a cabea, com uma expresso de aprovao.
- timo. Quem?
Maria apontou para uma loja no outro lado da rua. Um cartaz na vitrine dizia: Adivinha - Quiromante. "Madame Lcia pode ajudar voc."
As mulheres desataram a rir. O Capito Bellini fitou-as.
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- Gostam de brincadeiras, nem? Pois vamos fazer uma brincadeira que acho que vocs vo adorar. Estes dois cavalheiros esto ansiosos para descobrir o nome da garota 
que foi com o americano. Se no souberem quem ela , sugiro que falem com suas amigas, descubram quem a conhece, e me telefonem quando souberem a resposta.
- Por que deveramos? - indagou uma mulher, em tom de desafio.
- Vo descobrir.
Uma hora depois, as prostitutas de Roma descobriram-se sitiadas. Cambures percorreram a cidade, recolhendo todas as prostitutas que trabalhavam nas ruas e seus 
cafetes. Houve gritos de protesto.
- No podem fazer isso... Pago proteo  polcia...
- Este  o meu ponto h cinco anos...
- Tenho dado a voc e seus amigos de graa. Onde est sua gratido?
- Para que eu lhe pago proteo?
No dia seguinte, as ruas se achavam virtualmente vazias de prostitutas, e as cadeias lotadas. Csar e o Coronel Johnson estavam sentados no gabinete do Capito Bellini.
- Vai ser difcil mant-las na cadeia - advertiu Bellini. - E posso tambm acrescentar que isso  pssimo para o turismo.
- No se preocupe - disse o Coronel Johnson. - Algum vai falar. Basta manter a presso.
O resultado veio ao final da tarde. A secretria do Capito Bellini informou:
- H um certo sr. Lorenzo aqui que deseja lhe falar.
- Mande-o entrar.
O sr. Lorenzo vestia um terno caro e usava anis de diamantes em trs dedos. O sr. Lorenzo era um cafeto.
- O que posso fazer por voc? - perguntou Bellini. Lorenzo sorriu.
- O importante  o que eu posso fazer por vocs, cavalheiros. Alguns de meus associados me informaram que esto procurando por uma jovem trabalhadora especfica, 
que deixou a cidade com um americano. Como estamos sempre ansiosos em cooperar com as autoridades, achei que poderia lhes dar o nome da moa.
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- Quem  ela? - indagou o Coronel Johnson. Lorenzo ignorou a pergunta.
- Naturalmente, tenho certeza que gostariam de demonstrar seu reconhecimento com a libertao de meus associados e suas amigas.
- No estamos interessados em nenhuma de suas putas - declarou o Coronel Csar. - Tudo o que queremos  o nome da garota.
-  uma notcia que me enche de satisfao, senhor.  sempre um prazer lidar com homens compreensivos. Sei que...
- O nome, Lorenzo.
- Claro, claro. O nome  Pier. Per Valli. O americano passou a noite com ela no Hotel L'Incrocio, e partiram na manh seguinte. Ela no  uma das minhas garotas. 
Se me permitem dizer...
Bellini j estava ao telefone.
- Traga-me a ficha de Pier Valli. Sbito.
- Espero que os cavalheiros demonstrem sua gratido com...
Bellini fitou-o, e acrescentou ao telefone:
- E pode cancelar a Operao Puttana. Lorenzo ficou radiante.
- Grazie.
A ficha de Pier Valli estava na mesa de Bellini cinco minutos depois.
- Ela caiu na vida quando tinha quinze anos. Foi presa uma dzia de vezes desde ento e...
- De onde ela vem? - perguntou o Coronel Johnson.
- Npoles. - Os dois homens trocaram um olhar. - Tem me e irmo vivendo l.
- Pode descobrir onde?
- Vou verificar.
- Pois ento faa isso. Agora.
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Captulo Quarenta e Um

Estavam passando pelos subrbios de Npoles. Velhos prdios de apartamentos margeavam as ruas estreitas, com roupa lavada pendurada em quase todas as janelas, fazendo 
com que parecessem montanhas de concreto em que tremulavam bandeiras coloridas.
- J esteve alguma vez em Npoles? - perguntou Pier.
- Uma vez.
A voz de Robert era tensa. Susan sentava ao seu lado, rindo. Ouvi dizer que Npoles  uma cidade depravada. Podemos fazer coisas depravadas aqui, querido?
Vamos inventar algumas coisas novas, prometeu Robert.
Pier observava-o.
- Voc est bem?
Robert trouxe a mente de volta ao presente.
- Estou, sim.
Passavam agora pela beira da enseada, onde ficava o Castel delTOvo, o velho castelo abandonado, perto da gua. Ao chegarem  Via Toledo, Pier disse, excitada:
- Vire aqui.
Aproximavam-se de Spaccanapoli, a parte antiga da cidade. Pier informou:
-  logo  frente. Vire  esquerda, na Via Benedetto Croce.
289

Robert virou. O trfego ali era mais intenso, o barulho das buzinas ensurdecedor. Ele esquecera como Npoles podia ser barulhenta. Teve de diminuir a velocidade 
para no atropelar os pedestres e cachorros que corriam pela frente do carro, como se fossem abenoados por alguma espcie de imortalidade.
- Vire  direita aqui - orientou Per -, para a Piazza dei Plebiscito.
O trfego era ainda pior ali, a rea mais decadente.
- Pare! - gritou Per.
Robert encostou no meio-fo. Estavam na frente de uma srie de lojas miserveis. Robert olhou ao redor.
-  aqui que sua me mora?
- No - respondeu Pier. - Claro que no.
Ela inclinou-se e apertou a buzina. Um momento depois, uma moa saiu de uma das lojas. Pier saltou do carro e correu para cumpriment-la. Abraaram-se.
- Voc est maravilhosa! - exclamou a mulher. - Deve andar muito bem de vida!
-  verdade. - Pier estendeu o pulso. - Olhe s a minha pulseira nova!
- So esmeraldas verdadeiras?
- Claro!
A mulher gritou para algum dentro da loja:
- Anna! Venha ver quem est aqui! Robert observava a cena, incrdulo.
- Pier...
- S um minuto, querido. Tenho de dar um al para minhas amigas.
Em poucos minutos, meia dzia de mulheres se agrupavam em torno de Pier, admirando sua pulseira, enquanto Robert permanecia sentado no carro, impotente, rangendo 
os dentes.
- Ele  louco por mim - anunciou Pier. Ela virou-se para Robert. - No , carol
Robert sentia vontade de estrangul-la, mas no havia nada que pudesse fazer.
- , sim. Podemos ir agora, Pier?
- S mais um minuto.
- Agora!
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- Oh, est bem. - Pier virou-se para as mulheres. - Devemos ir agora. Temos um encontro muito importante. Ciao!
- Ciao!
Pier tornou a sentar no carro, as mulheres ficaram paradas na calada, observando-os se afastarem. Pier comentou, feliz:
- So todas velhas amigas.
- Isso  timo. Onde fica a casa de sua me?
- Ela no mora na cidade.
- O qu?
- Ela mora fora da cidade, num pequeno stio, a meia hora daqui.
Era ao sul de Npoles, uma velha casa de pedra, afastada da estrada.
- A est! - exclamou Pier. - No  linda?
- , sim.
Robert gostou do fato da casa ser longe do centro da cidade. No haveria motivos para que algum viesse procur-lo ali. Pier tinha razo.  uma casa absolutamente 
segura.
Subiram para a porta da frente. Antes que pudessem alcanla, a porta foi aberta e a me de Pier apareceu, sorrindo. Era uma verso mais velha da filha, magra e 
grisalha, com o rosto vincado pela preocupao.
- Pier, cara! Mi sei mancata!
- Tambm senti saudade, mame. Este  o amigo que avisei pelo telefone que traria para casa.
A me no perdeu a pose.
- Ahn? Si, seja bem-vindo, sr.
- Jones - respondeu Robert.
- Entre, entre.
Entraram na sala de estar. Era grande, confortvel, aconchegante, atulhada de mveis.
Um rapaz de vinte e poucos anos entrou na sala. Era baixo e moreno, o rosto fino e mal-humorado, os olhos castanhos soturnos. Usava jeans e um bluso com o nome 
Diavoli Rossi costurado. O rosto se iluminou ao ver a irm.
- Pier!
- Ol, Cario.
291

Abraaram-se.
- O que est fazendo aqui?
- Viemos passar alguns dias. - Ela virou-se para Robert. - Este  meu irmo, Cario. Cario, este  o sr. Jones.
- Ol, Cario.
Cario estava avaliando Robert.
- Ol.
A me interveio:
- Arrumarei um lindo quarto para os pombinhos l nos fundos.
- Se no se importa... isto , se tiver um quarto extra, eu preferia ficar sozinho - disse Robert.
Houve uma pausa constrangida. Os trs olhavam espantados para Robert. Mama virou-se para Pier.
- Omosessuale?
Pier deu de ombros. No sei. Mas ela tinha certeza que ele no era um homossexual. Mama olhou para Robert.
- Como quiser. - Ela tornou a abraar Pier. - No imagina como estou feliz em ver voc. Vamos para a cozinha. Farei um caf.
Na cozinha, Mama exclamou:
- Benissimo! Como o conheceu? Ele parece muito rico. E essa pulseira que voc est usando... Deve ter custado uma fortuna. Esta noite farei um grande jantar. Convidarei 
todos os vizinhos, para que possam conhecer seu...
- No, Mama, no deve fazer isso.
- Mas por que no espalhar a notcia de sua boa sorte, cara! Todos os nossos amigos ficaro to satisfeitos...
- Mama, o sr. Jones quer apenas descansar por alguns dias. Sem festa. Sem vizinhos.
Mama suspirou.
- Est bem. Como quiser.
Darei um jeito para que ele seja preso longe de casa, afim de no perturbar mame.
Cario tambm notara a pulseira.
- Aquela pulseira... so esmeraldas verdadeiras, no ? Comprou-a para minha irm?
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Havia alguma coisa na atitude do rapaz que no agradava a Robert.
- Pergunte a ela.
Pier e Mama vieram da cozinha. Mama olhou para Robert.
- Tem certeza que no quer dormir com Pier? Robert ficou embaraado.
- No, obrigado.
- Vou mostrar seu quarto - disse Pier.
Ela levou-o para um quarto grande e confortvel, com uma cama de casal, nos fundos da casa.
- Tem medo do que Mama pode pensar se dormirmos juntos, Robert? Ela sabe o que eu fao.
- No  isso.  que eu... - No havia como ele pudesse explicar. - Sinto muito, mas...
A voz de Pier soou fria:
- No importa.
Ela sentia-se irracionalmente ofendida. Era a segunda vez que ele a rejeitava. Ser uma lio bem merecida quando eu o entregar  polcia, pensou ela. E, no entanto, 
um sentimento de culpa a atormentava. Ele era muito simptico, mas... cinqenta mil dlares eram cinqenta mil dlares.
Mama falou muito durante o jantar, mas Pier, Robert e Cario se mantiveram em silncio, preocupados.
Robert concentrava-se em definir seu plano de fuga. Amanh, pensou ele, irei s docas e encontrarei um navio para sair daqui.
Pier pensava no telefonema que pretendia dar. Ligarei da cidade, para que a polcia no possa localizar a casa.
Cario estudava o estrangeiro que a irm trouxera para casa. Ele deve ser uma presa fcil.
Terminado o jantar, as duas mulheres foram para a cozinha. Robert ficou a ss com Cario.
- Voc  o primeiro homem que minha irm j trouxe para casa - comentou Cario. - Ela deve gostar muito de voc.
- Eu gosto muito dela.
-  mesmo? E vai cuidar dela?
- Acho que sua irm sabe cuidar de si mesma.
293

Cario sorriu.
- Sei disso.
O estrangeiro sentado no outro lado da mesa estava bemvestido, era obviamente rico. Por que ele ficava na casa, quando poderia se hospedar num hotel de luxo? Cario 
s podia pensar num motivo para isso: o homem estava se escondendo. O que levantava uma questo interessante. Quando um homem rico se escondia, por qualquer motivo, 
sempre se podia ganhar algum dinheiro com a situao.
- De onde voc ? - perguntou Cario.
- De nenhum lugar em particular - respondeu Robert, jovialmente. - Viajo muito.
Cario balanou a cabea.
- Entendo...
Descobrirei com Per quem ele . Algum provavelmente estar disposto a pagar um bom dinheiro por ele, Per e eu poderemos dividir.
- Trabalha em qu? - perguntou Cario.
- Estou aposentado.
No seria difcil obrigar esse homem falar, refletiu Cario. Lucca, o lder dos Diavoli Rossi, poderia for-lo a abrir o bico num instante.
- Quanto tempo ficar conosco?
-  difcil prever.
A curiosidade do rapaz comeava a dar nos nervos de Robert. Pier e a me voltaram da cozinha.
- Gostaria de tomar mais caf? - perguntou Mama.
- No, obrigado. Foi um jantar delicioso. Mama sorriu.
- No foi nada. Amanh farei um banquete para voc.
- timo. - A esta altura, ele j teria ido embora. Robert levantou-se. - Se no se importam, gostaria de ir me deitar agora, pois estou bastante cansado.
- Claro que no nos importamos - respondeu Mama. - Boa noite.
- Boa noite.
Todos ficaram olhando Robert se encaminhar para o quarto. Cario sorriu.
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- O homem acha que voc no  bastante boa para dormir com ele, hem?
O comentrio deixou Pier irritada, como era a inteno. No se importaria se Robert fosse homossexual, mas ouvira-o conversar com Susan, e sabia que a verdade era 
outra. Mostrarei ao stronzo.
Deitado na cama de casal, Robert ficou pensando em seu prximo movimento. Lanar uma pista falsa com o transmissor de sinais oculto no carto de crdito devia ter 
lhe proporcionado algum tempo, mas no estava contando muito com isso. Provavelmente j deviam ter encontrado o caminho vermelho. Os homens em seu encalo eram 
implacveis e eficientes. Os lderes de governos estariam mesmo envolvidos naquela macia operao de cobertura?, especulou Robert. Ou haveria uma organizao dentro 
de uma organizao, uma cabala na comunidade de informaes, agindo ilegalmente, por conta prpria? Quanto mais Robert pensava a respeito, mais vivel parecia que 
os chefes de estado pudessem estar alheios ao que acontecia. E um pensamento ocorreu-lhe. Sempre lhe parecera estranho que o Almirante Whittaker fosse subitamente 
removido do ONI e transferido para alguma Sibria burocrtica. Mas se algum o forara a sair, porque sabiam que ele nunca participaria de uma conspirao, ento 
comeava a fazer sentido. Tenho de entrar em contato com o almirante, pensou Robert. Ele era o nico em quem podia confiar para descobrir a verdade do que estava 
acontecendo .^Amanh, pensou Robert. Amanh. Ele fechou os olhos e dormiu.
O rangido da porta do quarto despertou-o. Sentou na cama, alerta no mesmo instante. Algum se aproximava da cama. Robert se contraiu, pronto para entrar em ao. 
Farejou o perfume de Pier, sentiu quando ela se meteu na cama, ao seu lado.
- Pier, o que voc...?
- Psiu. - Ela comprimiu-se contra Robert. Estava nua. - Eu me sentia muito sozinha.
Ela se aconchegou contra ele.
- Desculpe, Pier, mas... no posso fazer nada por voc.
- No? Ento deixe que eu faa por voc. A voz era insinuante.
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no adianta. No pode fazer nada. Robert experimentava uma profunda frustrao. Queria pouco constrangimento do que no ia acontecer.
no gosta de mim, Robert? Acha que no tenho um corpo... 
claro que tem.
 verdade. Robert podia sentir o calor daquele corpo comprimido contra o seu. Pier o acariciava, gentilmente, passando os dedos por seu peito, para cima e para baixo, 
descendo cada vez mais  - Ele precisava det-la antes que o  gesto se repetisse.
^ no posso fazer amor. No fui capaz de fazer nada com uma mulher desde que... h muito tempo. no precisa fazer nada, Robert. S quero me divertir cunsigo. - No 
gosta de ser acariciado?
nada sentia. Maldita Susan! Ela levara mais do que ao deix-lo, levara uma parte de sua virilidade. Pier por seu corpo agora. Vire-se, Robert. -no adianta, Pier. 
Eu...
virou-o, e Robert ficou estendido ali, amaldioando Susan atraioando sua impotncia. Podia sentir a lngua de Pier deslocando Por suas costas> em crculos pequenos 
e delicados, cada vez mais Para baixo. Os dedos dela roavam gentilmente
a si
fier... -v. siu.
Ele sentia a lngua em espiral, cada vez mais profunda, -j um princpio de excitamento. Comeou a se mexer. - fique quieto.
A lngua era macia e quente, Robert sentia os seios se comprimindo contra sua Pele - Sua pulsao acelerou. Sim!, pensou ele- o  pnis foi inchando, at ficar duro 
como pedra; no Podia suportar por mais tempo, agarrou Pier e
Virou-se.
sentiu-o e murmurou: puxa, como voc est grande! Quero tudo isso dentro
de mim; um momento depois Robert penetrou-a, arremeteu e arre-
296
meteu, como se tivesse renascido. Pier era hbil e ardente, Robert se deleitou na caverna escura de sua macieza aveludada. Fizeram amor trs vezes naquela noite, 
antes de finalmente adormecerem.
Dia Dezoito Npoles, Itlia
Pela manh, quando uma plida claridade entrava pela janela, Robert acordou. Abraou Pier e sussurrou:
- Obrigado.
Ela sorriu, maliciosa.
- Como se sente?
- Maravilhosamente bem.
E era verdade. Pier aconchegou-se contra ele.
- Voc  um verdadeiro animal! Robert sorriu.
- E voc  tima para meu ego. Pier sentou e perguntou, muito sria:
- Voc no  um traficante de txicos, no  mesmo? Era uma pergunta ingnua.
- No.
- Mas a Interpol est  sua procura. Era mais perto do alvo.
- Est, sim.
O rosto de Pier se iluminou de repente.
- J sei!  um espio!
Ela ficou excitada como uma criana. Robert no pde deixar de rir. 
- Sou? '
E ele pensou: Da boca das crianas. .
- Confesse - insistiu Pier. -  um espio, no ?
- Isso mesmo - declarou Robert, solene. - Sou um espio.
- Eu sabia! - Os olhos de Pier faiscavam. - Pode me contar alguns segredos?
297

- Que tipo de segredos?
- Sabe qual, segredos de espies... cdigos e coisas assim. Adoro ler romances de espionagem. Leio essas histrias sempre.
-  mesmo?
- , sim. Mas so apenas histrias inventadas. Voc conhece as coisas de verdade, no ? Como os sinais que os espies usam. Tem permisso para me revelar algum?
Robert disse, muito srio:
- No deveria, mas acho que um s no faria mal algum. - O que posso lhe dizer que ela acreditar? - H o velho truque da persiana da janela.
Per estava com os olhos arregalados.
- O velho truque da persiana da janela?
- Isso mesmo. - Robert apontou para uma janela no quarto. - Se tudo se encontra sob controle, voc deixa a persiana levantada. Mas se houver problemas, basta arriar 
uma persiana.  o sinal para alertar seu companheiro a no se aproximar.
- Mas  maravilhoso! - exclamou Pier, excitada. - Nunca li isso em nenhum livro!
- Nem vai ler.  um segredo.
- No contarei a ningum - prometeu Pier. - Que mais? Que mais? Robert pensou por um momento.
- H tambm o truque do telefone. Pier aconchegou-se contra ele.
- Conte como .
- Hum... digamos que um espio seu colega telefona para saber se est tudo bem. Perguntar por Pier. Se estiver tudo bem, voc dir " Pier quem est falando". Mas 
se houver algum problema, voc diz "Discou o nmero errado".
- Isso  maravilhoso! - exclamou Pier.
Meus instrutores na Fazenda teriam um infarto se me ouvissem dizer essas bobagens.
- Pode me contar mais alguma coisa, Robert? Ele riu.
- Acho que j revelei segredos suficientes por uma manh.
- Est bem.
Pier roou o corpo contra o dele.
- No gostaria de tomar um banho de chuveiro, Robert?
298
- Adoraria.
Ensaboaram um ao outro sob a gua quente. Quando Pier abriu as pernas de Robert e comeou a ensabo-lo ali, ele ficou duro outra vez.
E fizeram amor debaixo do chuveiro.
Enquanto Robert se vestia, Pier ps um roupo e disse:
- Vou preparar nosso caf da manh.
Cario esperava-a na sala de jantar.
- Fale-me de seu amigo, Pier.
- O que h com ele?
- Onde o conheceu?
- Em Roma.
- Ele deve ser muito rico para lhe comprar aquela pulseira de esmeraldas.
Pier deu de ombros.
- Ele gosta de mim.
- Sabe o que eu penso? Acho que seu amigo est fugindo de alguma coisa. Se contarmos  parte certa, poderemos ganhar uma grande recompensa.
Pier avanou para o irmo, os olhos ardendo em fria.
- No se meta nisso, Cario!
- Ento  verdade, ele est mesmo fugindo.
- Escute aqui, seu pequeno piscialeto, vou lhe avisar... cuide apenas de sua prpria vida!
Ela no tinha a menor inteno de partilhar a recompensa com quem quer que fosse. Cario disse, em tom de censura:
- Ora, irmzinha, est querendo tudo s para voc.
- No  isso. Voc no entende, Cario.
- No?
- Est bem, direi a verdade. O sr. Jones est fugindo da esposa. Ela contratou um detetive para encontr-lo. E isso  tudo.
Cario sorriu.
- Por que no me falou antes? Isso no tem nada demais. Vou esquecer o caso.
- Ainda bem.
E Cario pensou: Preciso descobrir quem ele  realmente.
299

Janus estava ao telefone.
- J tem alguma notcia?
- Sabemos que o Comandante Bellamy est em Npoles.
- E h gente nossa l?
- H, sim. Esto  sua procura agora. Temos uma pista. Ele viajou com uma prostituta cuja famlia vive em Npoles. Achamos que podem ter ido para l. Estamos investigando.
- Mantenha-me informado.
Em Npoles, o servio municipal de habitao se empenhava em descobrir o endereo da me de Pier Valli.
Uma dzia de agentes de segurana e a fora policial napolitana vasculhavam a cidade,  procura de Robert.
Cario se ocupava em formular seus planos para Robert.
E Pier se preparava para fazer outra ligao para a Interpol.
300
Captulo Quarenta e Dois
o
perigo no ar era quase palpvel, e Robert experimentava a sensao de que bastava estender a mo para toc-lo. O cais do porto era uma colmeia de atividade, com 
incontveis cargueiros carregando e descarregando. Mas outro elemento fora acrescentado: Havia carros da plcia cruzando para um lado e outro do cais, guardas uniformizados 
e detetives  paisana bvios interrogando os estivadores e marinheiros. A caada humana concentrada foi uma surpresa total para Robert. Era quase como se soubessem 
que ele se encontrava em Npoles, pois seria impossvel conduzirem uma busca to intensa em todas as principais cidades da Itlia. Ele nem mesmo se deu ao trabalho 
de sair do carro. Fez a volta e afastou-se do cais. O que ele julgara um plano fcil - embarcar num cargueiro seguindo para a Frana - tornara-se agora perigoso 
demais. De alguma forma, haviam conseguido descobrir que ele estava na cidade. Robert tornou a repassar suas opes. Viajar por qualquer distncia de carro era muito 
arriscado. A esta altura, j haveria bloqueios nas estradas em torno da cidade. O porto era vigiado. O que significava que a estao ferroviria e o aeroporto tambm 
se achavam sob rigorosa vigilncia. Ele estava no meio de um torno, apertando cada vez mais. Robert pensou na oferta de Susan. "Navegamos ao largo
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da costa de Gibraltar. Podemos apanh-lo em qualquer lugar que indicar. Provavelmente  a sua nica chance de escapar." Ele relutava em envolver Susan no perigo 
que corria, mas apesar disso no podia pensar em nenhuma alternativa. Era a nica maneira de escapar da armadilha em que se encontrava. No o procurariam num iate 
particular. Se eu puder encontrar uma maneira de alcanar o Halcyon, pensou Robert, eles poderiam me deixar perto da costa de Marselha, e eu chegaria em terra sozinho. 
Desse modo, eles no correriam qualquer perigo.
Ele estacionou o carro na frente de uma pequena tratora, e entrou para telefonar. A ligao para o Halcyon foi completada em cinco minutos.
- A sra. Banks, por favor.
- Quem deseja falar?
Monte tem a porra de um mordomo para atender o telefone no iate.
- Basta dizer a ela que  um velho amigo. Um minuto depois, ele ouviu a voz de Susan:
- Robert...  voc?
- Em pessoa.
- Eles... no o prenderam, no ?
- No, Susan. - Era difcil para ele fazer a pergunta. - Sua oferta ainda est de p?
- Claro que sim. Quando...?
- Podem alcanar Npoles ainda esta noite? Susan hesitou.
- No sei. Espere um instante. - Robert ouviu-a falar com algum. Logo ela voltou  linha. - Monte diz que temos um problema com o motor, mas podemos chegar em Npoles 
dentro de dois dias.
Droga! Cada dia que passava ali aumentava o risco de ser descoberto.
- Est bem.
- Como o encontraremos?
- Entrarei em contato com voc.
- Por favor, Robert, tenha cuidado.
- Estou tentando. Juro que estou.
- No vai deixar que lhe acontea qualquer coisa ruim?
302
- No, Susan, no deixarei que nada de ruim me acontea. Nem a voc.
No iate, Susan desligou, virou-se para o marido e sorriu.
- Ele vir para o iate.
Uma hora depois, em Roma, Francesco Csar entregou um telegrama ao Coronel Frank Johnson. Era do Halcyon, e dizia: BEL
LAMY EMBARCAR NO HALCYON. MANTEREI VOCS
INFORMADOS. No tinha assinatura.
- J tomei todas as providncias para grampear as comunicaes para e do Halcyon - disse Csar. - Assim que Bellamy embarcar, ns o pegaremos.
303

Captulo Quarenta e Trs
quanto mais pensava a respeito, mais Cario Valli se convencia de que poderia dar um grande golpe. A histria de Pier, de que o americano fugia da esposa, era uma 
piada. O sr. Jones fugia, sem a menor dvida, mas da polcia. Provavelmente havia uma recompensa pelo homem. Talvez uma recompensa grande. O caso tinha de ser conduzido 
com o maior cuidado. Cario decidiu discutir o problema com Mrio Lucca, o lder dos Diavoli Rossi.
No incio da manh, Cario montou em sua Vespa e seguiu para a Via Sorcella, por trs da Piazza Garibaldi. Parou na frente de um prdio caindo aos pedaos, apertou 
a campainha ao lado da caixa de correspondncia com o nome "Lucca". Um minuto depois, uma voz gritou:
- Quem est a?
- Cario. Preciso falar com voc, Mrio.
-  melhor que seja algo muito bom para me incomodar a esta hora da manh. Suba.
A campainha da porta tocou, Cario entrou no prdio e subiu. Mrio Lucca estava esperando na porta aberta, completamente nu. Cario pde divisar l no fundo uma mulher 
na cama.
- Che cosa? Por que levantou to cedo?
- Eu me sentia to excitado que no consegui dormir, Mrio. Acho que esbarrei em algo muito grande.
-  mesmo? Entre.
Cario entrou no pequeno apartamento, sujo e desarrumado.
304
- Ontem  noite minha irm levou um cara para casa
- E da? Pier  uma puta. Ela...
- Mas acontece que esse cara  rico. E est se escondendo
- De quem ele est se escondendo?
- No sei. Vou descobrir. Haver uma recompensa.
- Por que no pergunta  sua irm? Cario franziu o rosto.
- Pier quer ficar com tudo. Devia ver a pulseira que o cara comprou para ela... de esmeraldas.
- Uma pulseira, hem? Quanto vale?
- Eu direi a voc mais tarde. Vou vend-la esta manh. Lucca ficou imvel por um momento, pensativo.
- J sei o que vamos fazer. Por que no conversamos com o amiguinho de sua irm? Podemos lev-lo para o clube esta manh.
O clube era um armazm vazio no Quartiere Sanit, onde havia uma sala  prova de som. Cario sorriu.
- Bene. Posso lev-lo at l sem a menor dificuldade.
- Estaremos  espera. Teremos uma conversinha com ele. Toro para que tenha uma boa voz, pois vai cantar para a gente.
Ao voltar para casa, Cario descobriu que o sr. Jones fora embora. Cario entrou em pnico.
- Para onde foi seu amigo? - ele perguntou a Pier.
- Dar uma volta pela cidade. Deve estar voltando. Por qu? Cario forou um sorriso.
- S curiosidade.
Ele esperou at que a me e a irm fossem para a cozinha, a fim de fazerem o almoo, depois entrou no quarto de Pier. Encontrou a pulseira escondida por baixo da 
lingerie, numa gaveta da cmoda. Guardou-a no bolso e j estava saindo quando a me veio da cozinha.
- Cario, no vai ficar para o almoo?
- No, Mama. Tenho um encontro. Voltarei mais tarde.
Ele tornou a montar em sua Vespa e seguiu para o Quartiere Spagnolo. Talvez a pulseira seja falsa, pensou Cario. Pode ser de fantasia. Espero no bancar o idiota 
com Lucca. Ele parou a Vespa na frente de uma pequena joalheria, que tinha uma placa com a palavra "Orologia". O proprietrio, Gambino, era um velho encarquilhado, 
com uma peruca preta desajustada e
305

dentadura postia. Levantou os olhos quando Cario entrou.
- Bom dia, Cario. Levantou cedo hoje.
-  isso a.
- O que tem para mim hoje?
Cario tirou a pulseira do bolso e ps em cima do balco.
- Isto.
Gambino pegou-a. Seus olhos se arregalaram assim que comeou a examin-la.
- Onde conseguiu isto?
- Uma tia rica morreu e deixou para mim. Tem valor?
- Talvez - respondeu Gambino, cauteloso.
- No tente me sacanear. Gambino pareceu ficar magoado.
- Alguma vez o enganei?
- Todas as vezes.
- Vocs, garotos, esto sempre com idias erradas. Vou lhe dizer o que farei, Cario. No tenho certeza se posso cuidar desta pulseira.  muito valiosa.
O corao de Cario disparou.
-  mesmo?
- Preciso verificar se posso descarreg-la com algum. Ligarei para voc esta noite.
- Est bem. - Cario pegou a pulseira. - Ficarei com isto at voc me dar notcias.
Cario deixou a loja andando nas nuvens. Ento ele estava certo! O otrio era rico, e tambm maluco. A no ser que fosse doido, por que algum daria uma pulseira 
to cara a uma puta?
Na loja, Gambino ficou observando Cario se afastar. E pensou: Em que esses idiotas se meteram? Ele pegou em baixo do balco uma circular que fora enviada a todas 
as lojas de penhores. Tinha uma descrio da pulseira que ele acabara de ver, mas no fundo, em vez do telefone habitual da polcia, havia um aviso especial: "Notifique 
o SIFAR imediatamente." Gambino teria ignorado uma circular comum da polcia, como j fizera centenas de vezes no passado, mas conhecia o bastante do SIFAR para 
saber que nunca se podia tra-los. Detestava perder o lucro que poderia obter com aquela pulseira, mas no tencionava meter seu pescoo no lao do carrasco. Relutante, 
ele pegou o telefone e discou o nmero indicado na circular.
306
Captulo Quarenta e Quatro

foi  a estao do medo, das sombras turbilhonantes e mortferas. Anos antes, Robert fora enviado numa misso a Bornu, e se embrenhara pelo fundo da selva, no encalo 
de um traidor. Fora em outubro, durante a musim takoot, a tradicional temporada de caa de cabeas, quando os nativos da selva viviam sob o terror de Balli Salang, 
o esprito que caava humanos por seu sangue. Era a temporada de assassinatos, e agora, para Robert, Npoles se transformara de repente na selva de Bornu. A morte 
pairava no ar. No se entregue gentilmente, pensou Robert. Eles tero de me apanhar primeiro. Como haviam-no descoberto? Pier. Fora lo calizado atravs de Pier. 
Tenho de voltar  casa e avis-la, pensou Robert. Mas primeiro preciso encontrar uma maneira de sair daqui.
Ele seguiu para os arredores da cidade, onde a auto-estrada comeava, na esperana de que pudesse estar livre, por algum milagre. Quinhentos metros antes de alcanar 
a entrada da autoestrada, ele avistou a barreira policial. Fez a volta, e seguiu para o centro da cidade.
Guiava devagar, concentrado, procurando pensar como seus perseguidores. J deveriam ter bloqueado todas as sadas da Itlia. Cada navio que deixasse o pas seria 
revistado. E, subitamente, ocorreu-lhe um plano. No teriam motivos para revistar navios
307

que no sassem da Itlia.  uma possibilidade, concluiu Robert. Ele retornou ao porto.
A sineta por cima da porta da joalheria tocou, e Gambino levantou os olhos. Dois homens de terno escuro entraram. No eram fregueses.
- Em que posso servi-los?
- Sr. Gambino?
Ele exibiu a dentadura postia.
- Sou eu.
- Telefonou para avisar sobre uma pulseira de esmeraldas. SIFAR. Ele os esperava. Desta vez, porm, estava do lado
dos anjos.
- Isso mesmo. Como patriota, achei que era meu dever...
- Corte a merda. Quem a trouxe?
- Um rapaz chamado Cario. .
- Ele deixou a pulseira?
- No.
- Qual  o sobrenome de Cario? Gambino deu de ombros.
- No sei.  um dos rapazes dos Diavoli Rossi, uma das gangues locais.  liderada por um garoto chamado Lucca.
- Sabe onde podemos encontrar esse Lucca?
Gambino hesitou. Se Lucca descobrisse que ele falara, teria sua lngua cortada. Mas se no contasse queles homens o que queriam saber, teria seu crnio arrebentado.
- Ele mora na Via Sorcella, por trs da Piazza Garibaldi.
- Obrigado, sr. Gambino. Foi muito prestativo.
- Fico sempre feliz em cooperar com... Os homens j haviam se retirado.
Lucca se encontrava na cama com a namorada quando os dois homens arrombaram a porta do apartamento. Lucca saltou da cama.
- Mas que negcio  esse? Quem so vocs?
Um dos homens tirou uma identificao do bolso. SIFAR! Lucca engoliu em seco.
- Ei, no fiz nada de errado! Sou um cidado respeitador das leis que...
308
- Sabemos disso, Lucca. No estamos interessados em voc. Procuramos um garoto chamado Cario.
Cario! Ento era isso! A porra daquela pulseira! Em que encrenca Cario teria se metido? O SIFAR no mandava homens em busca de jias roubadas.
- E ento... voc o conhece ou no?
- Talvez conhea.
- Se no tem certeza, podemos refrescar sua memria no quartel-general.
- Esperem! Estou lembrando agora. Devem estar se referindo a Cario Valli. O que h com ele?
- Queremos ter uma conversinha com Cario. Onde ele mora? Todos os membros dos Diavoli Rossi tinham de prestar um
juramento de sangue de lealdade, um juramento de que morreriam antes de trarem um companheiro. Era o que fazia com que os Diavoli Rossi fossem uma turma sensacional. 
Permaneciam unidos. Um por todos, todos por um.
- Prefere dar um passeio ao centro, Lucca?
- Para qu?
Lucca deu de ombros. E informou o endereo de Cario.
Trinta minutos depois, Pier abriu a porta para deparar com dois estranhos.
- Signorina Valli? Aquilo era encrenca na certa.
- Sou eu.
- Podemos entrar?
Ela sentiu vontade de dizer no, mas no se atreveu.
- Quem so vocs?
Um dos homens tirou a carteira do bolso e mostrou o carto de identificao. SIFAR. No eram aquelas as pessoas com quem ela negociara. Pier sentiu pnico pela perspectiva 
de perder sua recompensa.
- O que querem comigo?
- Gostaramos de lhe fazer algumas perguntas.
- Podem fazer. No tenho nada a esconder.
Graas a Deus que Robert saiu!, pensou Pier. Ainda posso negociar.
309

- Saiu de carro de Roma ontem, no  mesmo? Era uma declarao, no uma pergunta.
- Sa, sim. Isso  contra a lei? Ultrapassei o limite de velocidade?
O homem sorriu. O que em nada contribuiu para mudar sua expresso.
- Havia algum com voc?
Per tornou-se ainda mais cautelosa.
- Havia.
- Quem era, signorinal Ela deu de ombros.
- Um homem que apanhei na estrada. Ele queria uma carona para Npoles.
O segundo homem perguntou:
- Ele est aqui com voc agora?
- No sei onde ele est. Deixei-o quando chegamos  cidade, e ele desapareceu.
- O nome de seu passageiro era Robert Bellamy? Ela franziu a testa em concentrao.
- Bellamy? No sei. Acho que ele no me disse seu nome.
- Achamos que disse. Ele pegou voc no Tor di Ounto, passaram a noite no Hotel L'Incrocio, e na manh seguinte ele lhe comprou uma pulseira de esmeraldas. Mandou-a 
a alguns hotis, com passagens de avio e trem, voc alugou um carro e veio para Npoles, certo?
Eles sabem de tudo. Pier assentiu, o medo aflorando em seus olhos.
- Seu amigo vai voltar, ou deixou Npoles?
Ela hesitou, procurando decidir qual era a melhor resposta. Se lhes dissesse que Robert deixara a cidade, no iriam mesmo acreditar. Esperariam na casa, e quando 
ele retornasse poderiam acus-la de mentir para ajud-lo, seria presa como cmplice. Ela concluiu que a verdade era mais conveniente.
- Ele voltar.
- Logo?
- No sei.
- Pois ento ficaremos  vontade para esperar. No se importa se dermos uma olhada por a, no ?
310
Os homens haviam aberto seus palets, mostrando as armas
- No.
Eles foram revistar a casa. Mama veio da cozinha.
- Quem so esses homens?
- So amigos do sr. Jones - respondeu Pier. - Vieram v-lo.
Mama ficou radiante.
- Um homem to simptico! No querem almoar?
- Claro, Mama - respondeu um dos homens. - O que vamos ter?
A mente de Pier estava em turbilho. Tenho de ligar de novo para a Interpol, pensou ela. Disseram que me pagariam cinqenta mil dlares. Enquanto isso, precisava 
manter Robert longe da casa, at acertar tudo para entreg-lo. Mas como? E de repente ela lembrou a conversa naquela manh. "Se houver problemas, basta arriar a 
persiana... para manter a pessoa a distncia." Os dois homens estavam sentados  mesa de jantar, comendo uma tigela de capellini.
- Est muito claro aqui - murmurou Pier.
Ela se levantou, foi at a sala de estar, baixou a persiana. E voltou  mesa. Espero que Robert se lembre do sinal de advertncia.
Robert voltava para a casa, analisando seu plano de fuga. No  perfeito, pensou ele, mas pelo menos deve despist-los pelo tempo suficiente para eu poder respirar. 
Estava se aproximando da casa. Ao chegar perto, diminuiu a velocidade e olhou ao redor. Tudo parecia normal. Avisaria a Pier para sair dali, e depois iria embora. 
Quando j ia parar na frente da casa, algo lhe pareceu estranho. Uma persiana estava abaixada, as outras levantadas. Provavelmente era uma coincidncia, mas... Uma 
campainha de alarme soou. Pier teria levado a srio seu pequeno jogo? Aquilo representaria uma advertncia? Robert pisou no acelerador e continuou em frente. No 
podia correr qualquer risco, por mais remoto que fosse. Parou num bar um quilmetro e meio adiante, entrou para telefonar.
Estavam todos sentados  mesa de jantar quando o telefone
311

 tocou. Os homens ficaram tensos. Um deles comeou a se levantar.
- Bellamy telefonaria para c? Pier lanou-lhe um olhar desdenhoso.
- Claro que no. Por que deveria? Ela se levantou e foi atender.
- Al?
- Pier? Vi a persiana arriada e...
Bastava ela dizer que estava tudo bem, e Robert voltaria para a casa. Os homens o prenderiam, ela poderia exigir sua recompensa. Mas ser que se limitariam a prend-lo? 
Ela podia ouvir a voz de Robert dizendo: "Se a policia me encontrar, tem ordens para me matar."
Os homens  mesa observavam-na. Havia muita coisa que ela poderia fazer com cinqenta mil dlares. Compraria lindas roupas, viajaria, teria um pequeno apartamento 
em Roma... E Robert estaria morto. Alm do mais, ela odiava a polcia. Pier disse ao telefone:
- Discou o nmero errado.
Robert ouviu o estalo do telefone e ficou imvel, atordoado. Pier acreditara em suas histrias e, com isso, provavelmente salvara sua vida. Abenoada seja.
Ele afastou-se da casa, voltando ao porto. Mas em vez de ir para a parte principal, que servia aos cargueiros e navios de passageiros deixando a Itlia, foi para 
o outro lado, passando por Santa Lcia, at um pequeno per, onde uma placa por cima de um quiosque dizia "Capri e Ischia". Robert estacionou o carro onde poderia 
ser facilmente avistado, foi at o bilheteiro.
- Quando parte o prximo hidroflio para Ischia?
- Dentro de trinta minutos.
- E para Capri?
- Em cinco minutos.
- D-me uma passagem s de ida para Capri.
- Si, signore.
- Que merda  essa de "si signore'*! - berrou Robert. - Por que vocs no falam ingls como todo mundo?
Os olhos do homem se arregalaram em choque.
- Vocs, carcamanos, so todos iguais! Estpidos!
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Robert estendeu algum dinheiro para o homem, pegou a passagem, e encaminhou-se para o hidroflio.
Trs minutos depois, estava a caminho da ilha de Capri. O barco comeou devagar, avanando cautelosamente pelo canal. Ao chegar aos limites externos, arremeteu para 
a frente, elevando-se acima da gua, como uma graciosa toninha. Havia a bordo uma poro de turistas, de diversos pases, conversando felizes, em diferentes lnguas. 
Ningum prestava ateno a Robert. Ele foi para o pequeno bar em que serviam drinques. Disse ao bartender:
- Quero uma vodca com tnica.
- Pois no, senhor.
Ele ficou observando o bartender misturar o drinque.
- Aqui est, signore.
Robert pegou o copo e tomou um gole. Bateu com o copo em cima do balco.
- Chama essa porcaria de um drinque? Tem um gosto pior do que mijo de cavalo! Qual  o problema com a porra dos italianos?
Pessoas ao redor se viraram para olhar. O bartender disse, muito tenso:
- Desculpe, signore. Usamos o melhor...
- No me venha com essa merda! Um ingls prximo protestou:
- H mulheres aqui. Modere a linguagem.
- No tenho que moderar porra nenhuma! - berrou Robert. - Sabe quem eu sou? Pois fique sabendo que sou o Comandante Robert Bellamy! E chamam isso de barco? No passa 
de uma bosta flutuante!
Ele foi para a popa e sentou. Podia sentir os olhos dos outros passageiros a observarem-no. Seu corao estava disparado, mas a farsa ainda no terminara.
Quando o hidroflio atracou em Capri, Robert foi at a bilheteria na entrada do funicolare. Um homem idoso vendia as passagens.
- Uma passagem! - berrou ele. - E depressa! No tenho o dia inteiro! Alm do mais, voc  muito velho para vender passagens. Deveria ficar em casa. Sua mulher provavelmente 
est trepando com todos os vizinhos.
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O velho comeou a se levantar, dominado pela raiva. Os transeuntes lanavam olhares furiosos para Robert. Ele pegou a passagem e embarcou no funicolare lotado, pensando 
sombriamente: No esquecero de mim. Estava deixando uma trilha que seria impossvel perder.
Assim que o funicolare parou, Robert abriu caminho aos empurres pela multido. Subiu a p pela sinuosa Via Vittorio Emanuele, at o Hotel Quisisana.
- Preciso de um quarto - disse Robert ao recepcionista.
- Lamento, mas estamos lotados. H... Robert entregou-lhe sessenta mil liras.
- Qualquer quarto serve.
- Neste caso, acho que podemos acomod-lo, signore. Quer preencher o registro, por favor?
Robert assinou seu nome: Comandante Robert Bellamy.
- Por quanto tempo pretende ficar conosco, comandante?
- Uma semana.
- No tem problema. Pode me mostrar seu passaporte, por favor?
- Est na minha bagagem. Chegar aqui dentro de poucos minutos.
- Mandarei um funcionrio lev-lo ao quarto.
- No agora. Preciso sair por alguns minutos. Volto logo.
Robert atravessou o saguo e saiu para a rua. As lembranas o atingiam como uma lufada de ar frio. Caminhara por ali com Susan, explorando as pequenas ruas transversais, 
descendo pela Via Ignazio Cerio e a Via Li Campo. Fora uma poca de magia. Visitaram a Grotta Azzurra, tomaram o caf da manh na Piazza Umberto. Subiram pelo funicolare 
at Anacapri, foram montados em burros  Villa Jovis, em que Tibrio residira, nadaram nas guas de um verde-esmeralda da Marina Piccola. Fizeram compras na Via 
Vittorio Emanuele, subiram nas cadeirinhas at o Monte Solaro, os ps roando nas folhas das videiras e copas das rvores.  direita, podiam contemplar as casas 
na encosta, descendo at o mar, flores amarelas cobrindo o solo, uma viagem de onze minutos por uma terra de fantasia, de muito verde, casas brancas, o mar azul 
a distncia. L no alto, tomaram caf no Ristorante Barbarossa, depois foram  pequena igreja em Anacapri
314
para agradecer a Deus por todas as suas bnos, e um pelo outro. Robert pensara na ocasio que a magia era Capri. Estava enganado. A magia era Susan, que sara 
de cena.
Robert voltou  estao do funicolare na Piazza Umberto e desceu, misturado discretamente com os outros passageiros. Quando o funicolare chegou l embaixo, ele desembarcou, 
contornou com todo cuidado o bilheteiro. Foi at o quiosque no cais, e perguntou, num sotaque espanhol carregado:
- A qu hora sole ei barco a Ischia?
- Sale en treinta minutos.
- Grazas.
Robert comprou uma passagem. Foi at um bar  beira da praia, sentou no fundo, tomando um scotch. quela altura, j haviam com certeza encontrado o carro, e a caada 
se estreitaria. Ele desdobrou o mapa da Europa em sua mente. O mais lgico seria agora seguir para a Inglaterra, e encontrar um jeito de voltar aos Estados Unidos. 
No faria sentido retornar  Frana. Portanto, ser a Frana, pensou Robert. Um porto movimentado para deixar a Itlia. Civitavecchia. Preciso chegar a Civitavecchia. 
O Halcyon.
Ele pegou algumas moedas com o dono do bai e usou o te lefone. A telefonista martima levou dez minutos para completar a ligao. Susan entrou na linha quase que 
no mesmo instante.
- Ns aguardvamos ansiosos uma notcia sua. Ns. Ele achou interessante.
- O motor est consertado - acrescentou Susan. - Podemos chegar a Npoles no incio da manh. Onde devemos recolh-lo?
Era arriscado demais para o Halcyon vir at ali.
- Lembra do palndromo? Estivemos l na lua-de-mel.
- Lembro o qu?
- Fiz uma piada a respeito, porque me sentia exausto. Houve um momento de silncio no outro lado da linha, antes que Susan murmurasse:
- Lembro.
- O Halcyon pode me encontrar ali amanh?
- Espere um instante.
Ele esperou. Susan voltou ao telefone.
315

- Podemos.
- timo. - Robert hesitou. Pensou em todas as pessoas inocentes que j haviam morrido. - Estou lhe pedindo muito. Se algum dia descobrirem que me ajudou, pode correr 
um terrvel perigo.
- No se preocupe. Vamos encontr-lo l. Tome cuidado.
- Obrigado.
A ligao foi cortada. Susan virou-se para Monte Banks.
- Ele est vindo.
No quartel-general do SIFAR, em Roma, escutaram a conversa na sala de comunicaes. Havia quatro homens ali. O radiooperador disse:
- Gravamos tudo, se quiser escutar de novo, senhor.
O Coronel Csar lanou um olhar inquisitivo para o Coronel Johnson.
- Quero ouvir, sim. Estou muito interessado naquela parte sobre o lugar em que vo se encontrar. Parece que ele disse Palndromo. Existe algum lugar com esse nome 
na Itlia?
O Coronel Csar sacudiu a cabea.
- Nunca ouvi falar. Vamos verificar. - Ele virou-se para seu assessor. - Procure no mapa. E continue a monitorar todas as transmisses do e para o Halcyon.
- Certo, senhor.
Na casa da famlia Valli, em Npoles, o telefone tocou. Per comeou a se levantar para atender.
- Fique onde est - disse um dos homens. Ele foi at o telefone e atendeu. - Al?
Escutou por um momento, depois desligou, virou-se para teu companheiro e informou:
- Bellamy pegou o hidroflio para Capri. Vamos embora! Pier observou os dois homens sarem apressados e pensou:
Seja como for, Deus nunca tencionou que eu tivesse tanto dinheiro. Espero que ele consiga escapar.
Quando a barca para Ischia chegou, Robert misturou-se com a multido que embarcava. Manteve-se isolado, evitando qualquer
316
contato visual. Trinta minutos depois, quando a barca atracou em Ischia, ele desembarcou, encaminhou-se para a bilheteria no per. Uma placa avisava que a barca 
para Sorrento partiria dentro de dez minutos.
- Uma passagem de ida e volta para Sorrento - pediu Robert.
Dez minutos depois, ele seguia para Sorrento, de volta ao territrio continental. Com um pouco de sorte, a busca estar concentrada em Capri, pensou ele. Com um 
pouco de sorte.
A feira livre em Sorrento estava apinhada, camponeses da regio ao redor vendiam frutas e legumes frescos, havia barracas de carne. A rua estava ocupada por vendedores 
ambulantes e compradores. Robert aproximou-se de um homem corpulento, com um avental manchado, carregando um caminho.
- Pardon, monsieur - disse ele, com um sotaque francs perfeito. - Estou procurando um transporte para Civitavecchia. Por acaso vai para l?
- No. Vou para Salerno. - Ele apontou para um homem ali perto, carregando outro caminho. - Giuseppe talvez possa ajud-lo.
- Merci.
Robert foi at o outro caminho.
- Monsieur, por acaso vai para Civitavecchia? O homem respondeu em tom neutro:
- Talvez.
- Eu teria o maior prazer em pagar pelo transporte.
- Quanto?
Robert entregou cem mil liras ao homem.
- Poderia comprar uma passagem de avio para Roma com esse dinheiro, no ?
Robert percebeu seu erro no mesmo instante. Olhou ao redor, aparentando nervosismo.
- A verdade  que tenho alguns credores vigiando o aeroporto. Prefiro ir de caminho.
O homem balanou a cabea.
- Posso entender. Muito bem, pode embarcar. J estamos partindo.
317

Robert bocejou.
- Estou trs fatigue. Como  mesmo que vocs dizem? Cansado? Ser que se importaria se eu dormisse na traseira?
- H muitos buracos na estrada, mas pode ir como preferir.
- Merci.
A traseira do caminho estava cheia de caixotes e engradados vazios. Giuseppe observou Robert embarcar, depois levantou a porteira. L dentro, Robert escondeu-se 
por trs de alguns caixotes. Compreendeu subitamente como se sentia mesmo exausto. A perseguio comeava a desgast-lo. H quanto tempo no dormia? Pensou em Pier, 
como ela o procurara durante a noite, fazendo-o sentir-se inteiro de novo, um homem outra vez. Esperava que Pier estivesse certa. E Robert dormiu.
Na cabine do caminho, Giuseppe pensava em seu passageiro. J se espalhara a notcia sobre um americano que as autoridades procuravam. Seu passageiro tinha um sotaque 
francs, mas parecia um americano, vestia-se como um americano. Valia a pena conferir. Poderia haver uma boa recompensa.
Uma hora depois, numa parada de caminhes,  beira da estrada, Giuseppe parou na frente de uma bomba de gasolina.
- Encha o tanque - disse ele.
Giuseppe deu a volta para a traseira do caminho, deu uma espiada no interior. O passageiro dormia.
Giuseppe entrou no restaurante e telefonou para a polcia local.
318
Captulo Quarenta e Cinco
A
ligao foi transferida para o Coronel Csar.
- Tudo indica que  mesmo o nosso homem - disse ele a Giuseppe. - Preste ateno. Ele  perigoso, por isso quero que faa exatamente o que eu mandar. Est me entendendo?
- Sim, senhor.
- Onde voc se encontra neste momento?
- Num posto de servio para caminhes da AGIP, a caminho de Civitavecchia.
- E ele est na traseira de seu caminho?
- Isso mesmo, senhor.
A conversa estava deixando o motorista nervoso. Talvez fosse melhor se eu cuidasse apenas de minha prpria vida.
- No faa nada que possa deix-lo desconfiado. D-me o nmero de sua placa e uma descrio do caminho.
Giuseppe deu.
- timo. Cuidaremos de tudo. E agora trate de seguir viagem.
O Coronel Csar virou-se para o Coronel Johnson e acenou com a cabea.
- Ns o pegamos. Montarei um bloqueio na estrada. Podemos chegar l, de helicptero, em trinta minutos.
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- Pois ento vamos embora.
Ao desligar, Giuseppe enxugou as palmas suadas na camisa e voltou ao caminho. Espero que no haja um tiroteio. Maria me mataria. Por outro lado, se a recompensa 
for bastante grande... Ele subiu na cabine do caminho e continuou a viagem para Civitavecchia.
Trinta e cinco minutos depois, Giuseppe ouviu o barulho de um helicptero por cima do caminho. Deu uma olhada. Tinha os registros da polcia.  sua frente, na estrada, 
ele avistou dois carros da polcia, atravessados na pista, formando uma barreira. Por trs dos carros, havia policiais com armas automticas. O helicptero pousou 
ao lado da estrada, Csar e o Coronel Frank Johnson desembarcaram.
Ao se aproximar da barreira, Giuseppe diminuiu a velocidade. Parou em seguida, desligou o caminho e saltou, correndo para os policiais,, enquanto gritava:
- Ele est l atrs! Csar berrou:
- Fechem o cerco!
Os policiais convergiram para o caminho, as armas prontas para entrarem em ao.
- No atiram! - ordenou o Coronel Johnson. - Eu o pegarei!
Ele se encaminhou para a traseira do caminho e disse:
- Pode sair, Robert. Est tudo acabado. No houve resposta.
- Robert, voc tem cinco segundos.
Silncio. Eles esperaram. Csar virou-se para seus homens e acenou com a cabea.
- No! - berrou o Coronel Johnson. Mas j era tarde demais.
A polcia comeou a disparar para a traseira do caminho. O barulho do fogo automtico era ensurdecedor. Lascas de caixotes voavam para todos os lados. Depois de 
dez segundos, o fogo cessou. O Coronel Frank Johnson subiu na traseira do caminho, afastou os caixotes e engradados. Depois, virou-se para Csar.
- Ele no est aqui.
320
Dia Dezenove Civitavecchia, Itlia
Civitavecchia  o antigo porto martimo para Roma, guardada por um enorme forte, concludo por Michelangelo em 1537. O porto  um dos mais movimentados da Europa, 
atendendo a todo o trfego martimo de e para Roma e Sardenha. Era o incio da manh, mas o porto j fervilhava de atividade barulhenta. Robert passou pelos *rilhoa 
ferrovirios e entrou numa pequena trattoria, impregnada de odores penetrantes de comida, pediu o caf da manh.
O Halcyon estaria  sua espera no lugar combinado, Elba. Ele sentia-se grato por Susan ter se lembrado. Em sua lua-demel, haviam permanecido no quarto de hotel ali, 
fazendo amor, por trs dias e noites. Susan indagara:
- No quer sair para um banho de mar, querido? Robert sacudira a cabea.
- No. No posso me mexer. - E ele acrescentara o verso em ingls: - "Able was I, ere I saw Elba."
"Capaz eu era, antes de ver Elba." E abenoada seja Susan, por ter se lembrado do palndromo.
Agora, ele s precisava encontrar um barco para lev-lo a Elba. Desceu pelas ruas que levavam ao porto. A atividade martima ali era intensa, a enseada estava apinhada 
de cargueiros, lanchas e iates. Havia um atracadouro para barcas. Os olhos de Robert se iluminaram ao v-lo. Seria o lugar mais seguro do mundo para se chegar a 
Elba. Ele poderia se esconder no meio da multido.
Ao se encaminhar para a estao das barcas, Robert notou um seda escuro, sem qualquer identificao, estacionado a meio quarteiro de distncia. Ele parou no mesmo 
instante. O carro tinha placas oficiais. Havia dois homens no interior, observando as docas. Robert virou-se e caminhou na outra direo.
Espalhados entre os trabalhadores e turistas, ele avistou policiais  paisana, tentando parecer discretos. Sobressaam como faris. O corao de Robert disparou. 
Como podiam ter descoberto sua presena ali? E depois ele compreendeu o que aconte-
321

cera. Essa no! Eu disse ao motorista do caminho para onde ia! Que estupidez! Devia estar muito cansado.
Adormecera no caminho, mas a ausncia de movimento o despertara. Levantara-se para olhar, vira Giuseppe entrar no posto para telefonar. Robert saltara, subira na 
traseira de outro caminho, que seguia para o norte, na direo de Civitavecchia.
Ele prprio se metera numa armadilha. Procuravam-no ali. A poucas centenas de metros, havia dezenas de barcos que poderiam lhe proporcionar a fuga. O que agora se 
tornara impossvel.
Robert afastou-se do porto, seguiu para a cidade. Passou por um prdio em que havia um enorme cartaz colorido na parede, dizendo: Venha para a Terra da Fantasia. 
Diverso Para Todos! Comida! Jogos! Passeios! Assista  Grande Corrida! Ele parou, ficou olhando.
Encontrara o caminho para a fuga.
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Captulo Quarenta e Seis
No parque de diverses, oito quilmetros alm da cidade, havia diversos bales, enormes e coloridos, espalhados pelo campo, parecendo arcos-ris redondos. Estavam 
presos a caminhes, enquanto equipes de terra se empenhavam em ench-los com ar frio. Meia dzia de carros de rastreamento aguardavam nas proximidades, prontos para 
seguirem os bales, dois homens em cada um, o motorista e o observador. Robert aproximou-se do homem que parecia estar no comando.
- Esto se preparando para a grande corrida, no ? - indagou Robert.
- Isso mesmo. J andou num balo?
- No.
Sobrevoavam o lago Como, e ele baixou o balo at quase encostarem na gua.
- Vamos cair! - gritou Susan. Ele sorriu.
- No vamos, no.
O fundo do balo danava sobre as ondas. Ele jogou fora um saco de areia, o balo tornou a subir. Susan riu, abraou-o e disse..
O homem estava falando:
323

- Deveria experimentar algum dia.  um grande esporte.
- Deve ser. Para onde vai a corrida?
- Iugoslvia. Temos um bom vento de leste. Partiremos dentro de poucos minutos.  melhor voar no incio da manh, quando o vento  frio.
-  mesmo? - murmurou Robert, polidamente. " Ele teve um sbito lampejo de um dia de vero na Iugoslvia. "Temos quatro pessoas para tirar daqui, comandante. Devemos 
esperar at que o ar se torne mais frio. Um balo que pode levar quatro pessoas no ar de inverno, s consegue transportar duas pessoas no ar do vero."
Robert notou que as equipes j haviam quase terminado de encher os bales com ar, e comeavam a acender os enormes maaricos de gs propano, apontando a chama para 
a abertura, a fim de esquentar o ar no interior. Os bales, deitados de lado, comearam a subir, at que os cestos ficaram de p.
- Importa-se se eu der uma olhada? - indagou Robert.
- Claro que no. Basta apenas no atrapalhar ningum.
- Certo.
Robert foi at um balo amarelo e vermelho, cheio de gs propano. A nica coisa que o retinha no cho era uma corda amarrada a um caminho.
O homem que trabalhava no balo afastara-se por um momento, para falar com algum. No havia nenhuma pessoa por perto.
Robert subiu no cesto do balo. O enorme envelope parecia preencher todo o cu por cima. Ele verificou as cordas e os equipamentos, o altmetro, as cartas, um pirmetro 
para controlar a temperatura do envelope, um indicador do ndice de subida, o estojo de ferramentas. Tudo estava em ordem. Robert abriu o estojo de ferramentas e 
tirou uma faca. Cortou a corda de atracao, e um momento depois o balo comeou a subir.
- Ei, o que est acontecendo? - berrou Robert. - Baixem esse negcio!
O homem com quem ele falara pouco antes olhava aturdido para o balo fugitivo.
- Figlio d'una mignotta! - gritou ele. - No entre em pnico. H um altmetro a bordo. Use o lastro e permanea a
324
trezentos metros. Ns o encontraremos na Iugoslvia. Pode me ouvir?
- Estou ouvindo!
O balo subia mais e mais, levando-o para leste, para longe de Elba, que ficava a oeste. Mas Robert no estava preocupado. O vento mudava de direo em altitudes 
variveis. Nenhum dos outros bales decolar at agora. Ele avistou um dos carros de rastreamento partir para acompanh-lo. Largou um pouco de lastro e observou 
o altmetro subir. Duzentos metros... duzentos e cinquenta... trezentos e trinta...
O vento comeou a diminuir a 450 metros. O balo se encontrava quase estacionrio agora. Robert largou mais lastro. Usou a tcnica de escada, parando em diferentes 
altitudes para verificar a direo do vento.
A seiscentos metros, Robert sentiu que o vento comeava a mudar. O balo balanou no ar turbulento por um momento, e depois, lentamente, comeou a mudar de direo, 
seguindo para oeste.
A distncia, l embaixo, Robert podia avistar os outros bales subindo e seguindo para leste, na direo da Iugoslvia. No havia qualquer outro som alm do sussurro 
do vento. " to sereno aqui, Robert... Parece at que estamos voando numa nuvem. Eu gostaria que pudssemos ficar aqui em cima para sempre. " Susan o abraara ternamente. 
"J fez amor num balo?", murmurara ela. "Pois vamos experimentar."
E mais tarde: "Aposto que somos as nicas pessoas do mundo que j fizeram amor num balo, querido."
Robert estava agora sobre o mar Tirreno, seguindo para noroeste, na direo da costa da Toscana. L embaixo, uma fieira de ilhas estendia-se num crculo, ao largo 
da costa, sendo Elba a maior.
Napoleo esteve exilado aqui, pensou Robert, e provavelmente escolheu Elba porque num dia claro podia avistar sua amada Crsega, onde nasceu. No exlio, o nico 
pensamento de Napoleo era como escapar e retornar  Frana. O meu tambm. S que Napoleo no tinha Susan e o Halcyon para salv-lo.
A distncia, o monte Capanne surgiu de repente, elevando-se pelo cu por mais de mil metros. Robert puxou o cabo de se-
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gurana que abria a vlvula no topo do balo, para permitir que o ar quente escapasse. O balo comeou a descer. L embaixo, Robert podia contemplar a exuberncia 
rosa e verde de Elba, o rosa que vinha dos afloramentos de granito e casas toscanas, e o verde das densas florestas. Praias brancas imaculadas estendiam-se pelas 
beiras da ilha.
Ele pousou o balo na base da montanha, longe da cidade, a fim de atrair o mnimo de ateno possvel. Havia uma estrada no muito longe do lugar em que pousara, 
ele foi a p at l, ficou esperando que um carro passasse.
- Pode me dar uma carona at a cidade? - perguntou Robert.
~- Claro. Entre.
O motorista parecia estar na casa dos oitenta anos, com um rosto encarquilhado.
- Eu seria capaz de jurar que avistei um balo no cu ainda h pouco. Voc tambm viu?
- No.
- Visitando a ilha?
- S de passagem. Estou a caminho de Roma. O motorista balanou a cabea.
- J estive l uma vez.
O resto da viagem foi em silncio. Quando chegaram a Portoferraio, a capital e nica cidade de Elba, Robert saltou do carro.
- Tenha um bom dia - disse o motorista, em ingls. Essa no!, pensou Robert. Os californianos j passaram por
aqui.
Robert foi andando pela Via Garibaldi, a rua principal, apinhada de turistas, quase todos famlias, e era como se o tempo tivesse parado. Nada mudara; exceto que 
eu perdi Susan e metade dos governos do mundo esto tentando me assassinar. Afora isso, pensou Robert, amargurado, tudo continua como antes.
Ele comprou um binculo, foi at a beira do mar, onde sentou a uma mesa no restaurante Estrela do Mar, de onde tinha uma viso ampla da enseada. No havia carros 
suspeitos, nem barcos da polcia ou guardas  vista. Ainda pensavam que ele se encontrava encurralado no territrio continental. Seria mais
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seguro para ele embarcar no Halcyon. Tudo o que tinha de fazer agora era esperar sua chegada.
Ele ficou sentado ali, tomando procanico, o delicado vinho branco local, atento  chegada do Halcyon. Repassou seu plano mais uma vez. O iate o deixaria perto da 
costa de Marselha, e seguiria para Paris, onde tinha um amigo, Li P, que o ajudaria. O que era irnico. Podia ouvir a voz de Francesco Csar dizendo: "Soube que 
voc fez um acordo com os chineses-."
Sabia que Li Po o ajudaria por um motivo muito simples: uma ocasio Li salvara a sua vida, e assim, segundo a antiga tradio chinesa, tornara-se responsvel pela 
vida de Robert. Era uma questo de win yu - uma questo de honra.
Li P era do Guojia Anquanbu, o ministrio da segurana do estado chins, que lidava com espionagem. Anos antes, Robert fora descoberto quando tentava tirar um dissidente 
da China. Fora enviado para Qincheng, a priso de segurana mxima, em Pequim. Li P era um agente duplo que j trabalhara com Robert antes. Providenciara a fuga 
de Robert. Na fronteira chinesa, Robert dissera:
- Voc deve cair fora disso enquanto ainda est vivo, Li. Sua sorte no vai durar para sempre.
Li P sorrira.
- Tenho ren... a capacidade de resistir, de sobreviver. Um ano depois, Li P fora transferido para a embaixada
chinesa em Paris.
Robert decidiu que estava na hora de fazer seu primeiro movimento. Deixou o restaurante e desceu at o cais. Havia uma poro de embarcaes grandes e pequenas ancoradas 
em Portoferraio.
Robert aproximou-se de um homem que polia o casco de uma lancha. Era uma Donzi, com um motor de centro V-8, de
351 cavalos.
- Bela lancha - comentou Robert. O homem acenou com a cabea.
- Merci.
- Eu gostaria de saber se poderia alug-la e dara um passeio pela enseada.
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O homem parou o que estava fazendo e estudou Robert.
-  possvel. Conhece lanchas?
- Conheo. Tenho uma Donzi em casa.
O homem balanou a cabea em aprovao.
- De onde voc ?
- Oregon.
- Vai lhe custar quatrocentos francos por hora. Robert sorriu.
- Certo.
- E um depsito,  claro.
- No tem problema.
- A lancha est pronta. Gostaria de sair agora?
- No. Tenho de fazer algumas coisas antes. Pensei em dar o passeio amanh de manh.
- A que horas?
- Eu o avisarei.
Robert entregou algum dinheiro ao homem. 
- Aqui est um depsito parcial. Voltaremos a nos falar amanh.
Ele conclura que seria perigoso deixar o Halcyon entrar no porto. Havia formalidades. A capitania do porto emitia uma autorizzazione para cada iate, e registrava 
sua estadia. Robert queria que o Halcyon se envolvesse o menos possvel com ele, e por isso tencionava encontr-lo no mar.
No escritrio do ministrio martimo francs, o Coronel Csar e o Coronel Johnson falavam com o operador de comunicaes martimas..
- Tem certeza de que no houve mais nenhuma comunicao com o Halcyorf
- No, senhor, desde a ltima conversa que comuniquei.
- Continue escutando. - O Coronel Csar virou-se para o Coronel Johnson, sorrindo. - No se preocupe. Saberemos no momento em que o Comandante Bellamy embarcar no 
Halcyon.
- Mas quero apanh-lo antes que ele esteja a bordo. O operador interveio na conversa:
- Coronel Csar, no h nenhum Palndromo relacionado no mapa da Itlia. Mas creio que descobrimos do que se trata.
328
- E onde fica?
- No  um lugar, senhor.  uma palavra.
- O qu?
- Isso mesmo, senhor. Palndromo  uma palavra ou frase que pode ser lida da direita para a esquerda ou vice-versa, da mesma forma. Por exemplo, "orava o avaro". 
Passamos algumas palavras por nossos computadores.
O Coronel Csar e o Coronel Johnson examinaram a lista de palavras. "Deed... bib... bob... dad... eve... gag... mom... non... Otto... pop... tot... toot..." Csar 
levantou os olhos.
- No ajuda grande coisa, hem?
- Concordo, senhor.  evidente que eles usavam alguma espcie de cdigo. E um dos palndromos mais famosos  de um verso em ingls, segundo o qual Napoleo teria 
dito: "Able was I, ere I saw Elba."
O Coronel Csar e o Coronel Johnson se olharam.
- Elba!  l que ele est!
Dia Vinte
A Ilha de Elba
Surgiu primeiro como uma pequena mancha no horizonte, logo foi aumentando,  primeira claridade do amanhecer. Atravs do binculo, Robert observou se materializar 
o Halcyon. No havia como se equivocar em relao ao iate. No havia muitos assim nos mares.
Robert desceu apressado para a praia, onde combinara o aluguel da lancha.
- Bom dia.
O dono da lancha levantou os olhos.
- Bonjour, monsieur. Est pronto para o seu passeio? Robert acenou com a cabea.
- Estou, sim
- Por quanto tempo vai querer?
- No mais que uma ou duas horas.
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Ele entregou ao homem o resto do depsito e desceu para a lancha.
- Cuide bem dela - recomendou o homem.
- No se preocupe - respondeu Robert. - Cuidarei muito bem.
O dono soltou o cabo de atracao, e um momento depois a lancha corria para o mar, na direo do Halcyon. Robert levou dez minutos para alcanar o iate. Ao se aproximar, 
avistou Susan e Monte Banks no convs. Susan acenou para ele, que pde perceber a ansiedade em seu rosto. Robert manobrou a lancha para ficar de lado para o iate, 
jogou um cabo para um marujo.
- Quer que icemos a lancha para bordo, senhor? - perguntou o marujo.
- No. Pode deix-la  deriva.
O dono da lancha logo a recuperaria, pensou Robert. Ele subiu pela escada para o impecvel convs de teca. Uma ocasio Susan descrevera o Halcyon para Robert, que 
ficara impressionado. Visto pessoalmente, porm, o iate era ainda mais impressionante. Tinha 280 ps de comprimento, com um luxuoso camarote para o proprietrio, 
oito sutes para convidados, e alojamentos para uma tripulao de dezesseis homens. Tinha ainda uma sala de estar, uma sala de jantar, um escritrio, um salo de 
jogos, e uma piscina.
O Halcyon era impulsionado por dois motores a diesel Caterpillar D399, com 1.250 cavalos, e carregava seis pequenas lanchas para se ir a terra. A decorao do interior 
fora feita na Itlia, por Luigi Surchio. Era um verdadeiro palcio flutuante.
- Fico contente que voc tenha conseguido chegar - disse Susan.
E Robert teve a impresso de que ela se sentia constrangida, que havia algo errado. Ou seria apenas o seu nervosismo?
Susan estava absolutamente linda, mas por algum motivo ele se sentiu desapontado. O que eu esperava? Que ela se mostrasse plida e angustiada? Ele virou-se para 
Monte.
- Quero que saiba quanto me sinto grato por sua ajuda. Monte deu de ombros.
-  um prazer ajud-lo. O homem era um santo.
330
- Qual  o seu plano?
- Eu gostaria de seguir na direo de Marselha. Pode me deixar ao largo da costa e...
Um homem num uniforme branco impecvel aproximou-se. Tinha cinqenta e poucos anos, era corpulento, a barba aparada com perfeio.
- Este  o Capito Simpson. E este ... Monte olhou para Robert, pedindo ajuda.
- Smith... Tom Smith.
- Vamos seguir para Marselha, capito - disse Monte.
- No vamos entrar em Elba?
- No.
- Est bem.
O Capito Simpson parecia surpreso. Robert esquadrinhou o horizonte. Tudo limpo.
- Acho melhor descermos - sugeriu Monte.
Depois que os trs sentaram no salo, Monte perguntou:
- No acha que nos deve uma explicao?
- Devo, sim, mas no vou dar. Quanto menos souberem sobre o que est acontecendo, melhor. S posso lhes dizer que sou inocente. Estou envolvido numa situao poltica. 
Sei demais, e estou sendo caado. Se eles me descobrirem, vo me matar.
Susan e Monte trocaram um olhar.
- Eles no tm motivos para me ligarem com o Halcyon - continuou Robert. - Pode estar certo, Monte, de que se houvesse algum outro meio de fuga, eu no teria incomodado 
vocs.
Robert pensou em todas as pessoas que haviam sido mortas porque ele as localizara. No podia suportar que acontecesse alguma coisa com Susan. Tentou manter um tom 
descontrado quando acrescentou:
- Eu agradeceria, para o prprio bem de vocs, se nunca mencionassem que estive a bordo deste iate.
- Claro que no diremos a ningum - garantiu Monte. O iate fizera a volta lentamente, agora seguia para oeste.
- Se me do licena, agora preciso falar com o capito.
O jantar foi um momento de constrangimento. Havia estranhas correntes de tenso que Robert no entendia, uma tenso que
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era quase concreta. Seria por causa de sua presena? Ou haveria algo mais? Alguma coisa entre os dois? Quanto mais cedo eu sair daqui, melhor, pensou Robert.
Estavam no salo, tomando um drinque depois do jantar, quando o Capito Simpson entrou.
- Quando chegaremos a Marselha? - perguntou Robert.
- Se o tempo se mantiver bom, deveremos estar l amanh de tarde, sr. Smith.
Havia alguma coisa no comportamento do Capito Simpson que irritava Robert. O capito se mostrava rspido, quase ao ponto da grosseria. Mas ele deve ser bom, pensou 
Robert, ou Monte no o teria contratado. Susan merece este iate. Merece o melhor de tudo.
s onze horas, Monte olhou para o relgio e disse a Susan:
- Acho que  melhor nos recolhermos, querida. Susan olhou para Robert.
- Est bem.
Os trs se levantaram. Monte acrescentou:
- Vai encontrar roupas limpas em seu camarote. Somos mais ou menos do mesmo tamanho.
- Obrigado.
- Boa noite, Robert.
- Boa noite, Susan.
Robert ficou parado, observando a mulher que ele amava ir para a cama com seu rival. Rival? A quem estou querendo enganar? Ele  o vencedor. Eu sou o perdedor.
O sono era uma sombra esquiva, danando logo alm de seu alcance. Deitado na cama, Robert pensou que no outro lado da parede, a poucos metros de distncia, estava 
a mulher que ele amava mais do que a qualquer outra pessoa no mundo. E pensou em Susan estendida na cama, nua - ela nunca usou uma camisola - e sentiu que comeava 
a ter uma ereo. Monte estaria fazendo amor com ela naquele momento, ou Susan se encontrava sozinha?... E pensaria nele, recordando todos os momentos maravilhosos 
que haviam passado juntos? Provavelmente no. Mas muito em breve ele sairia da vida de Susan.
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E era bem provvel que nunca mais tornasse a v-la. J estava amanhecendo quando ele fechou os olhos.
Na sala de comunicaes, no SIFAR, o radar rastreava o Halcyon. O Coronel Csar virou-se para o Coronel Johnson e disse: - Foi uma pena que no pudssemos intercept-lo 
em Elba, mas agora vamos peg-lo. Temos um cruzador  espera. S esperamos um aviso do Halcyon para efetuar a abordagem.
Dia Vinte e Um
No incio da manh, Robert estava no tombadilho, esquadrinhando o mar sereno. O Capito Simpson aproximou-se.
- Bom dia. Parece que o tempo vai se manter bom, sr. Smith.
- Tem razo.
- Estaremos em Marselha s trs horas. Ficaremos muito tempo ali?
- No sei - respondeu Robert, jovialmente. - Veremos.
- No tem problema, senhor.
Robert observou Simpson se afastar. O que h com esse homem?
Robert foi at a popa do iate e estudou o horizonte. No podia avistar nada, mas... No passado, o instinto salvara sua vida mais de uma vez. H muito que aprendera 
a confiar nele. Havia algo errado ali.
Fora de vista, alm do horizonte, o cruzador Stromboli, da marinha italiana, espreitava o Halcyon.
Quando apareceu para o caf da manh, Susan exibia um rosto plido e contrado.
- Dormiu bem, querida? - perguntou Monte.
- Muito bem.
Ento eles no partilhavam o mesmo camarote! Robert 
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experimentou um sentimento de prazer irracional por esse conhecimento. Ele e Susan sempre haviam dormido na mesma cama, ela nua, o corpo sensual se aconchegando 
contra o dele. Tenho de parar de pensar nisso!
 frente do Halcyon, a boreste da proa, havia um barco de pesca de Marselha, transportando a colheita recente.
- Gostariam de comer peixe no almoo? - perguntou Susan.
Os dois homens acenaram com a cabea.
- Seria timo.
Estavam quase emparelhando com o barco de pesca. O Capito Simpson passou por ali, e Robert perguntou:
- A que horas  nossa chegada prevista em Marselha?
- Estaremos l dentro de duas horas, sr. Smith. Marselha  um porto interessante. J esteve l alguma vez?
-  mesmo um porto interessante - murmurou Robert.
Na sala de comunicaes no SIFAR, os dois coronis leram a mensagem que acabara de chegar do Halcyon. Dizia apenas: "Agora."
- Qual  a posio do Halcyonl - berrou o Coronel Csar.
- Esto a duas horas de Marselha, seguindo para o porto.
- Mande que o Sromboli o alcance e efetue imediatamente a abordagem.
Trinta minutos depois, o cruzador Stromboli, da marinha italiana, aproximava-se do Halcyon. Susan e Monte se encontravam no tombadilho do iate, observando o navio 
de guerra se aproximar a toda velocidade. Uma voz saiu pelos altofalantes do cruzador:
-  de bordo, Halcyon. Parem. Vamos abord-los. Susan e Monte trocaram um olhar. O Capito Simpson
aproximou-se apressado.
- Sr. Banks...
- Eu ouvi. Faa o que eles esto mandando. Pare os motores.
- Est bem, senhor.
Um minuto depois, a vibrao dos motores cessou, e o iate
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ficou parado no mar. Susan e o marido observaram quando marinheiros armados do cruzador italiano foram baixados numa lancha.
Dez minutos depois, uma dzia de marinheiros subia pela escada do Halcyon. O oficial no comando, um capito-decorveta, anunciou:
- Desculpe incomod-lo, sr. Banks, mas o governo italiano tem motivos para acreditar que est abrigando um fugitivo Temos ordens para revistar seu iate.
Susan permaneceu onde estava, enquanto os marinheiros comeavam a se espalhar, descendo para procurar nos camarotes
- No diga nada.
- Mas...
- Nem uma s palavra.
Ficaram parados no convs, em silncio, enquanto a busca se desenvolvia. Trinta minutos depois, todos estavam reunidos outra vez no tombadilho.
- No h nenhum sinal dele, comandante - comunicou o marujo.
- Tem certeza?
- Absoluta, senhor. No h passageiros a bordo, e identificamos todos os tripulantes.
O comandante ficou imvel por um momento, frustrado. Seus superiores haviam cometido um grave erro. Ele virou-se para Monte, Susan e o Capito Simpson, dizendo:
- Devo desculpas. Lamento profundamente a inconvenincia que causei. Vamos embora agora.
Ele virou-se.
- Comandante...
- Pois no?
- O homem que procuram escapou num barco de pesca, h meia hora. No devero ter dificuldades para apanh-lo.
Cinco minutos depois, o Stromboli seguia a toda velocidade para Marselha. O capito-de-corveta tinha todos os motivos para se sentir satisfeito consigo mesmo. Os 
governos do mundo estavam perseguindo o Comandante Robert Bellamy, e fora ele quem o encontrara. Pode haver uma boa promoo nessa misso, pensou
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 ele. Da ponte de comando, o oficial de navegao chamou:
- Comandante, pode vir at aqui, por favor?
Ser que j tinham avistado o barco de pesca? O capitode-corveta subiu apressado para a ponte.
- Olhe s, senhor!
O comandante deu uma olhada, e sentiu um frio no corao. A distncia, cobrindo o horizonte, podia avistar toda a frota pesqueira de Marselha, uma centena de barcos 
idnticos, voltando para o porto. No havia a menor possibilidade de se identificar o barco em que viajava o Comandante Bellamy.
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Captulo Quarenta e Sete

ele roubou um carro em Marselha. Era um Fiat 1800 Spider, conversvel, estacionado numa escura rua transversal. Estava trancado, e no havia chave na ignio. O 
que no era problema. Olhando ao redor, para se certificar de que ningum o observava, Robert rasgou a capota de lona, enfiando a mo pela abertura para destrancar 
a porta. Entrou no carro, enfiou as mos por baixo do painel, puxou todos os fios da ignio. Segurou o fio vermelho grosso numa das mos, enquanto com a outra encostou 
nele os demais fios, um a um, at encontrar o que acendia o painel. Ligou ento esses dois fios, e encostou os restantes nos dois, at que o motor comeou a virar. 
Puxou o afogador e o motor pegou. Um momento depois, Robert estava a caminho de Paris.
Sua primeira prioridade era fazer contato com Li P. Ao chegar aos subrbios de Paris, parou numa cabine telefnica. Ligou para o apartamento de Li e ouviu a voz 
familiar na secretria eletrnica:
- Zao, ms amis... Je regrette queje ne sois ps chez mi, mais U n'y aps du danger queje reponde ps  votre coup de tlphone. Prenez garde que vous attendiez 
l signal de 1'appareil
Uma pausa e depois a repetio em ingls:
- Bom dia. Lamento no estar em casa, mas no hperigo
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 de que eu no responda  sua ligao. Tome o cuidado de esperar pelo sinal do aparelho.
Robert contou as palavras no cdigo particular que eles usavam. As palavras-chaves eram: Lamento... perigo... cuidado...
O telefone estava grampeado. Li esperava sua ligao, e aquela era a sua maneira de alertar Robert. Precisava encontrlo o mais depressa possvel. Ele usaria outro 
cdigo que haviam empregado no passado.
Robert foi andando pela Rue du Faubourg St. Honor. J passeara por aquela rua com Susan. Ela parar na frente de uma loja, fizera uma pose de manequim. "Gostaria 
de me ver naquele vestido, Robert?" No, prefiro v-la sem vestido." E visitaram o Louvre, Susan parara fascinada na frente da Mona Lisa, os olhos marejados de lgrimas...
Robert seguiu para a sede de L Main. No quarteiro do prdio, ele abordou um adolescente.
- Gostaria de ganhar cinqenta francos? O garoto fitou-o com um ar desconfiado.
- Para fazer o qu?
Robert escreveu alguma coisa num pedao de papel e entregou ao garoto, com uma nota de cinqenta francos.
- Basta levar isso ao balco de anncios classificados de L Matin.
- Bon, d'accord.
Robert observou o garoto entrar no prdio. O anncio entraria a tempo para a edio da manh seguinte. Dizia: "Tilly. Papai muito doente. Precisa de voc. Por favor, 
encontre-se com ele logo. Mame."
No havia nada para fazer agora, a no ser esperar. Ele no se atrevia a ir para um hotel, porque todos estariam alertados. Paris era como uma bomba-relgio.
Robert embarcou num nibus de excurso lotado e sentou no fundo, mantendo-se calado, sem querer chamar a ateno de ningum. A excurso foi aos jardins do Luxemburgo, 
Louvre, o tmulo de Napoleo em Ls Invalides, e uma dzia de outros monumentos. E Robert sempre dava um jeito de sumir no meio da multido.
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Dia Vinte e Dois Paris, Frana
Ele comprou um ingresso para o show da meia-noite no Moulin Rouge, como participante de outro grupo de excurso. O show comeou s duas horas da madrugada. Quando 
acabou, ocupou o resto da noite circulando por Montmartre, indo de bar em bar.
Os jornais matutinos no sairiam s ruas antes de cinco horas. Poucos minutos antes das cinco, Robert estava parado perto de uma banca de jornais, esperando. Um 
caminho vermelho parou, um garoto jogou uma pilha de jornais na calada. Robert pegou o primeiro. Procurou na seo de classificados. Seu anncio estava ali. Agora, 
tinha de esperar.
Ao meio-dia, Robert entrou numa pequena tabacaria, onde havia dezenas de mensagens pessoais pregadas num quadro. Havia anncios de pedido de ajuda, aluguel de apartamentos, 
estudantes procurando companheiros de quarto, bicicletas  venda. No meio do quadro, Robert encontrou a mensagem que procurava: "Tilly ansiosa em ver voc. Ligue 
para 50 41 26 45."
Li P atendeu ao primeiro toque da campainha.
- Robert?
- Zao, Li.
- Por Deus, homem, o que est acontecendo?
- Eu esperava que voc pudesse me dizer.
- Meu amigo, voc est atraindo mais ateno do que o Presidente da Frana. Os telegramas s falam em voc. O que andou fazendo? No, no me diga. O que quer que 
seja, est metido numa tremenda encrenca. Grampearam meus telefones, na embaixada chinesa e em casa, esto vigiando meu apartamento. E me fizeram uma poro de perguntas 
a seu respeito.
- Li, voc tem alguma idia do que tudo isso...?
- No pelo telefone. Lembra onde fica o apartamento de Sung?
A namorada de Li.
- Claro.
- Eu o encontrarei l dentro de meia hora.
- Obrigado.
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Robert estava plenamente consciente do risco que Li P assumia. Lembrou o que acontecera com Al Traynor, seu amigo no FBI. SOU mesmo um cara que traz azar. Todas 
as pessoas de quem me aproximo, acabam morrendo.
O apartamento ficava na Rue Bnouville, num bairro tranqilo de Paris. Quando Robert chegou ao prdio, o cu estava carregado de nuvens de chuva, podia-se ouvir 
o rumor distante de trovoadas. Ele atravessou o saguo e foi tocar a campainha do apartamento. Li P abriu a porta no mesmo instante.
- Entre, Robert. Depressa.
Ele fechou e trancou a porta assim que Robert entrou. Li P no mudara desde a ltima vez em que Robert o vira. Continuava alto, magro e de idade indefinida.
Os dois homens trocaram um aperto de mo.
- Li, sabe o que est acontecendo?
- Sente-se, Robert.
Robert sentou. Li estudou-o por um momento.
- J ouviu falar na Operao Juzo Final? Robert franziu o rosto.
- No. Tem alguma coisa a ver com os OVNIs?
- Tem tudo a ver com os OVNIs. O mundo se defronta com o desastre, Robert.
Li Po ps-se a andar de um lado para outro.
- H aliengenas chegando  Terra para nos destruir. Pousaram aqui h trs anos, reuniram-se com autoridades governamentais, exigiram que todas as potncias industriais 
fechassem suas Businas nucleares e parassem de queimar combustvel fssil.
Robert ficou escutando em silncio, perplexo.
- Exigiram a suspenso da produo de petrleo, compostos petroqumicos, borracha, plsticos. Isso acarretaria o fechamento de milhares de fbricas no mundo inteiro. 
As fbricas de automveis e usinas siderrgicas seriam paralisadas. A economia mundial sofreria um colapso.
- Por que eles...?
- Alegam que estamos poluindo o universo, destruindo a terra e os mares... Querem que suspendamos a fabricao de armas, que paremos de travar guerras.
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- Li...
- Um grupo de homens poderosos, de doze pases, reuniu-se... os mais importantes industriais dos Estados Unidos, Japo, Rssia, China... Um homem com o codinome 
de Janus organizou os servios secretos do mundo inteiro para cooperarem com a Operao Juzo Final, com a inteno de deter os aliengenas.
- Ele virou-se para Robert. - J ouviu falar do SDI?
- Guerra nas Estrelas. O sistema de satlites para derrubar os msseis balsticos intercontinentais dos soviticos.
Li sacudiu a cabea.
- No. Isso era uma cobertura. O SDI no foi criado para combater os russos. Seu propsito especfico  derrubar os OVNIs.  a nica possibilidade existente de det-los.
Robert permaneceu num silncio atordoado, tentando absorver o que Li P dizia, enquanto os estrondos das trovoadas se tornavam mais altos.
- Est querendo dizer que os governos esto por trs...?
- Digamos que h cabalas dentro de cada governo. A Operao Juzo Final est sendo dirigida em termos particulares. Compreende agora?
- Santo Deus! Quer dizer que os governos no sabem que...
- Ele levantou os olhos para o amigo. - Como sabe de tudo isso, -Li?
-  muito simples, Robert. Sou a conexo chinesa. Havia uma Beretta na mo de Li. Robert olhou aturdido
para a arma.
- l!
* Li apertou o gatilho, e o estampido do tiro misturou-se com o sbito e ensurdecedor estrondo de uma trovoada e o claro de um relmpago entrando pela janela.
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Captulo Quarenta e Oito
AS
_ __ primeiras gotas da gua pura da chuva despertaram-na. Estava deitada num banco de parque, exausta demais para se mexer. Durante os dois ltimos dias, sentira 
que sua energia vital se esvaa. Vou morrer aqui, neste planeta. E ela mergulhou no que julgava ser seu ltimo sono. E depois a chuva chegou. A chuva abenoada. 
Mal podia acreditar. Levantou a cabea para o cu, sentiu as gotas frias escorrerem pelo rosto. A chuva foi se tornando mais e mais forte. Lquido puro e fresco. 
Ela se levantou, ergueu as mos bem alto, deixando a gua cair por seu corpo, proporcionando-lhe novas foras, levando-a de volta  vida. Deixou que a gua da chuva 
enchesse seu corpo, absorvendo-a em sua prpria essncia, at sentir o cansao desaparecer. Tornava-se cada vez mais forte, e finalmente pensou: Estou pronta. Posso 
pensar com toda lucidez. Sei quem pode me ajudar a encontrar o caminho de volta. Ela pegou o pequeno transmissor, fechou os olhos, comeou a se concentrar.
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Captulo Quarenta e Nove
foi o relmpago que salvou a vida de Robert. No instante em que Li Po comeava a puxar o gatilho, o sbito claro alm da janela distraiu-o por uma frao de segundo. 
Robert se moveu e a bala acertou-o no ombro direito, em vez do peito.
Quando Li virou a arma para disparar de novo, Robert desferiu um chute de lado, arrancando a Beretta de sua mo. Li adiantou-se e deu um soco com toda fora no ombro 
ferido de Robert. A dor era terrvel. O palet de Robert ficou encharcado de sangue. Ele acertou um golpe com o cotovelo para a frente. Li soltou um grunhido de 
dor. Reagiu com uma mortfera cutilada" shuto contra o pescoo, mas Robert se esquivou. Os dois se puseram a circular, de frente um para o outro, a respirao ofegante, 
 procura de uma abertura. Era uma luta silenciosa, num ritual mortal mais antigo do que o tempo, e ambos sabiam que s um sairia vivo do combate. Robert perdia 
as foras pouco a pouco. A dor no ombro se tornava mais e mais intensa, ele podia ver seu sangue pingando no cho.
O tempo era aliado de Li Po. Preciso acabar com isso o mais depressa possvel, pensou Robert. Ele atacou com um chute frontal. Em vez de se esquivar, Li absorveu 
todo o impacto, s para chegar perto o bastante para acertar seu cotovelo no ombro de
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Robert, que cambaleou. Li atacou com um giro e um chute desferido para trs, fazendo Robert tropear. E Li partiu para um ataque implacvel, golpeando vrias vezes 
o ombro de Robert, empurrando-o atravs da sala. Robert estava fraco demais para deter a saraivada de golpes terrveis. Seus olhos comearam a ficar turvos. Ele 
caiu contra Li, agarrando-o, e os dois foram ao cho, quebrando uma mesinha de vidro. Robert ficou estendido no cho, impotente, incapaz de fazer qualquer movimento. 
Acabou, pensou Robert. Eles venceram.
Ele permaneceu cado, meio inconsciente, esperando que Li o liquidasse. Nada aconteceu. Devagar, com dores atrozes, Robert levantou a cabea. Li estava estendido 
no cho, ao seu lado, os olhos arregalados fixados no teto. Um enorme caco de vidro se projetava de seu peito, como uma adaga transparente.
Robert fez um grande esforo para sentar. Estava muito fraco da perda de sangue. Seu ombro era um oceano de dor. Preciso encontrar um mdico, pensou ele. Havia um 
nome... algum que a agncia usava em Paris... algum no Hospital Americano. Hilsinger. Era isso mesmo. Leon Hilsinger.
O dr. Hilsinger j ia deixar seu consultrio, ao final do expediente, quando o telefone tocou. A enfermeira j fora embora, por isso ele atendeu. A voz no outro 
lado da linha estava engrolada.
- Dr. Hilsinger?
- Pois no?
- Aqui  Robert Bellamy... Preciso de sua ajuda. Fui gravemente ferido. Pode me ajudar?
- Claro. Onde voc est?
- No importa. Eu o encontrarei no Hospital Americano dentro de meia hora.
- Certo. V direto para a sala de emergncia.
- Doutor, no mencione meu chamado para ningum.
- Tem minha palavra.
A linha ficou muda. O dr. Hilsinger discou um nmero.
- Acabo de receber uma ligao do Comandante Bellamy. Devo me encontrar com ele no Hospital Americano daqui a meia hora.
- Obrigado, doutor.
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O dr. Hilsinger desligou. Ouviu a porta de sua sala ser aberta e olhou. Robert Bellamy se encontrava parado ali, com uma arma na mo.
- Pensando bem, doutor - disse Robert -, achei que seria melhor se me tratasse aqui.
O mdico tentou esconder sua surpresa.
- Voc... deveria estar no hospital.
- Ficaria perto demais do necrotrio. Pode cuidar de mim aqui mesmo... e depressa.
Era difcil falar. O dr. Hilsinger ainda fez meno de protestar, mas mudou de idia.
- Est certo. Como quiser.  melhor eu lhe dar um anestsico. Vai...
- Nem pense nisso. Nada de truques. - Robert segurava a arma com a mo esquerda. - Se eu no sair daqui vivo, voc tambm no sair. Alguma pergunta?
Ele sentia que estava prestes a perder os sentidos. O mdico engoliu em seco.
- No.
- Ento comece a trabalhar...
O dr. Hilsinger levou Robert para a sala de exame ao lado, cheia de equipamentos mdicos. Devagar, com todo cuidado, Robert tirou o palet. Sempre segurando a arma, 
sentou na mesa de exame. O dr. Hilsinger tinha um bisturi na mo. O dedo de Robert no gatilho se contraiu.
- Relaxe - murmurou o dr. Hilsinger, bastante nervoso. - S vou cortar sua camisa.
O ferimento estava em carne viva, o sangue ainda escorria.
- A bala continua a dentro - disse o mdico. - No vai suportar a dor se eu no lhe der...
- No! - Ele no se deixaria drogar. - Trate apenas de tirar a bala.
- Como quiser.
Robert observou o mdico ir at uma unidade de esterilizao e pegar um frceps. Ajeitou-se na beira da mesa, lutando contra a vertigem, que ameaava engolf-lo. 
Fechou os olhos por um momento, e o dr. Hilsinger veio se postar na sua frente, empunhando o frceps.
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- Agora.
Ele empurrou o frceps pelo ferimento. Robert soltou um berro de dor. Clares intensos espoucaram diante de seus olhos. E comeou a perder a conscincia.
- J saiu - anunciou o dr. Hilsinger.
Robert permaneceu em silncio por um momento, tremendo todo, respirando fundo, fazendo um esforo para recuperar o controle. O mdico observava-o atentamente.
- Voc est bem?
Robert ainda demorou um instante para recuperar o uso da voz
- Estou... E agora faa o curativo.
O dr. Hilsinger despejou gua oxigenada no ferimento, e Robert quase desmaiou outra vez. Rangeu os dentes. Agente firme. J estamos quase terminando. E, felizmente, 
o pior passou. O mdico ps uma atadura no ombro de Robert.
- Passe meu palet - disse Robert. O dr. Hilsinger fitou-o nos olhos.
- No pode sair agora. Nem mesmo consegue andar.
- Pegue meu palet.
A voz era to fraca que ele mal conseguia falar. Observou o mdico atravessar a sala para buscar o palet, e a impresso era de que havia dois homens ali
- Perdeu muito sangue - advertiu o dr. Hilsinger. - Seria perigoso sair daqui.
 ainda mais perigoso para mim ficar aqui, pensou Robert. Com o maior cuidado, ele vestiu o palet, tentou ficar de p. As pernas comearam a vergar. Teve de se 
segurar na beira da mesa.
- No vai conseguir - insistiu o mdico.
Robert levantou os olhos para o vulto indistinto  sua frente.
- Vou, sim.
Mas ele sabia que o dr. Hilsinger tornaria a usar o telefone no instante em que se retirasse. Seus olhos focalizaram o rolo de adesivo cirrgico que o dr. Hilsinger 
usara.
- Sente na cadeira.
A voz estava engrolada.
- Por qu? O que pretende...?
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Robert levantou a arma.
- Sente-se.
O dr. Hilsinger sentou. Robert pegou o rolo de fita. Era difcil, porque ele s podia usar uma das mos. Soltou a ponta do adesivo, comeou a desenrol-lo. Aproximou-se 
do mdico.
- Fique quieto e no sair machucado.
Prendeu a extremidade do esparadrapo no brao da cadeira, passou a enrol-lo em torno das mos do mdico.
- Isso no  necessrio - protestou o dr. Hilsinger. - Eu no vou...
- Cale-se.
Robert continuou a prender o mdico na cadeira. O esforo provocava pontadas de dor intensa. Ele olhou para o mdico e murmurou:
- No vou desmaiar. E desmaiou.
Estava flutuando no espao,  deriva, sem peso, atravs de nuvens brancas, em paz. Acorde. Ele no queria acordar. Queria que aquela sensao maravilhosa continuasse 
para sempre. Acorde. Algo duro comprimia-se contra seu flanco. Algo no bolso do palet. Com os olhos ainda fechados, Robert estendeu a mo e pegou-o. Era o cristal. 
Ele resvalou de volta  inconscincia.
Robert. Era uma voz de mulher, suave, tranqilizante. Ele se encontrava numa adorvel campina verde, o ar se achava impregnado de msica, havia luzes intensas no 
cu. Uma mulher se aproximava. Era alta e bela, o rosto oval e gentil, uma pele quase translcida. Usava um vestido branco como a neve. A voz era gentil.
"Ningum vai mais machuc-lo, Robert. Venha para mim. Estou aqui  sua espera."
Lentamente, Robert abriu os olhos. Continuou estendido no cho por um longo momento, depois sentou, dominado por um sbito excitamento. Sabia agora quem era a dcima 
primeira testemunha, e sabia onde encontr-la.
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Captulo Cinqenta
Dia Vinte e Trs Paris, Frana

fie telefonou para o Almirante Whittaker do consultrio do mdico.
- Almirante? Sou eu, Robert.
- Robert! O que est acontecendo? Eles me disseram...
- Isso no importa agora. Preciso de sua ajuda, almirante. J ouviu falar no nome Janus?
O Almirante Whittaker disse lentamente:
- Janus? No. Nunca ouvi falar nele.
- Pois descobri que ele dirige uma espcie de organizao secreta que andou matando pessoas inocentes, e agora tenta me matar tambm. Precisamos det-lo.
- Como posso ajudar?
- Preciso falar com o Presidente dos Estados Unidos. Pode arrumar o encontro?
Houve um momento de silncio.
- Tenho certeza que posso.
- H mais. O General Hilliard est envolvido.
- O qu? Como?
- E h outros. A maioria dos servios secretos da Europa
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tambm participa da conspirao. No posso explicar mais nada agora. Mas quero que fale com Hilliard. Diga a ele que descobri uma dcima primeira testemunha.
- No estou entendendo. Uma dcima primeira testemunha do qu?
- Desculpe, almirante, mas no posso lhe contar. Hilliard saber. Quero que ele se encontre comigo na Sua.
- Sua?
- Diga a ele que sou o nico que sabe onde se encontra essa dcima primeira testemunha. Se ele fizer um s movimento em falso, o negcio est cancelado. Mande que 
ele v ao Dolder Grand, em Zurique. Haver um bilhete  sua espera na recepo. Avise tambm que quero Janus na Sua... em pessoa.
- Tem certeza que sabe o que est fazendo, Robert?
- No, senhor, no tenho. Mas esta  a minha nica chance. Quero que diga a ele que minhas condies no so negociveis. Primeiro, quero um salvo-conduto para a 
Sua. Segundo, quero que o General Hilliard e Janus se encontrem comigo l. Terceiro, depois disso, quero uma reunio com o Presidente dos Estados Unidos.
- Farei tudo o que puder, Robert. Como poderei entrar em contato com voc?
- Ligarei de novo. Quanto tempo vai precisar para providenciar tudo?
- D-me uma hora.
- Certo.
- E Robert...
Ele podia perceber a angstia na voz do velho.
-  que , senhor?
- Tome cuidado.
- No se preocupe, senhor. Sou um sobrevivente. Lembra-se?
Uma hora depois, Robert estava falando outra vez com o Almirante Whittaker.
- Tudo acertado, Robert. O General Hilliard ficou abalado com a notcia de outra testemunha. Deu-me sua palavra que voc no ser molestado. Suas condies foram 
aceitas. Ele voar para Zurique, e estar na cidade amanh de manh.
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- E Janus?
- Janus seguir no mesmo avio.
Robert experimentou uma sensao de alvio.
- Obrigado, almirante. E o Presidente?
- Falei com ele pessoalmente. Seus assessores marcaro a reunio assim que voc estiver pronto.
Graas a Deus!
- O General Hilliard providenciou um avio para lev-lo...
- De jeito nenhum! - Ele no deixaria que o atrassem para um avio. - Estou em Paris. Quero um carro e eu mesmo guiarei. O carro deve ser deixado na frente do Hotel 
Littr, em Montparnasse, dentro de meia hora.
- Pode deixar que providenciarei.
- Almirante...
- O que , Robert?
Era difcil manter a voz firme.
- Obrigado.
Ele foi andando pela Rue Littr, devagar, por causa da dor. Aproximou-se do hotel com a maior cautela. Bem na frente do prdio estava estacionado um seda Mercedes 
preto. No havia ningum l dentro. No outro lado da rua havia um carro da polcia, com um guarda uniformizado ao volante. Na calada, dois policiais  paisana observaram 
Robert se aproximar. Servio secreto francs.
Robert descobriu que tinha dificuldade para respirar. O corao batia forte. Estaria caindo numa armadilha? Seu nico seguro era a dcima primeira testemunha. Hilliard 
acreditara nele? E isso seria suficiente?
Ele encaminhou-se para o Mercedes, esperando que os homens fizessem algum movimento. Eles permaneceram onde estavam, observando-o, em silncio.
Robert foi para o lado do motorista do seda e deu uma espiada l dentro. As chaves estavam na ignio. Podia sentir os olhos dos homens vigiando-o atentamente, enquanto 
abria a porta e sentava ao volante. Ficou imvel ali por um momento, olhando para a ignio. Se o General Hilliard tivesse trado o Almirante Whittaker, aquele era 
o momento em que tudo acabaria numa violenta exploso,
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 agora! Robert respirou fundo, estendeu a mo esquerda, e girou a chave na ignio. O motor pegou. Os agentes secretos apenas observaram-no partir. Quando Robert 
se aproximou do cruzamento, um carro da polcia surgiu na sua frente. Por um momento, ele pensou que seria detido. Em vez disso, o carro da polcia acendeu a luz 
vermelha, e todo o trfego pareceu sair da frente. Eles esto me proporcionando a porra de uma escolta!
Robert ouviu o barulho de um helicptero por cima. Levantou os olhos. No lado do helicptero pde avistar as insgnias da polcia federal francesa. O General Hilliard 
fazia tudo o que era possvel para que ele chegasse so e salvo  Sua. E depois que eu lhe mostrar a ltima testemunha, pensou Robert, ele pensa que poder me 
matar. Mas uma grande surpresa aguarda o general.
Robert alcanou a fronteira sua s quatro horas da tarde. Ali, o carro da polcia francesa ficou para trs, e um carro da polcia sua assumiu a escolta. Pela 
primeira vez desde que tudo comeara, Robert passou a relaxar um pouco. Graas a Deus que o Almirante Whittaker tinha amigos nos altos escales. Com o Presidente 
dos Estados Unidos aguardando uma reunio com Robert, o General Hilliard no ousaria lhe fazer qualquer coisa. Sua mente concentrou-se na mulher de branco, e nesse 
instante ele ouviu sua voz. O som reverberou pelo carro.
"Depressa, Robert. Estamos todos  sua espera." Todos? H mais que uma? Descobrirei em breve, pensou Robert.
Em Zurique, Robert parou no Hotel Dolder Grand e escreveu um bilhete para o general.
- O General Hilliard perguntar por mim - disse Robert ao recepcionista. - Por favor, entregue-lhe este bilhete.
- Pois no, senhor.
Saindo do hotel, ele foi at o carro da polcia que o escoltara. Inclinou-se para o motorista.
- Daqui por diante, irei sozinho. O motorista hesitou.
- Est bem, comandante.
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Robert voltou a seu carro, partiu na direo de Uetendorf e do local em que o OVNI cara. Enquanto guiava, pensou em todas as tragdias que haviam ocorrido por causa 
disso, em todas as vidas que haviam sido ceifadas. Hans Beckerman e Padre Patrni;LeslieMothershede WilliamMann; Daniel WayneeOtto Schmidt; Laslo Bushfekete e Frtz 
Mandei; Olga Romanchanko e Kevin Parker. Mortos. Todos mortos.
Quero ver a cara de Janus, pensou Robert, e olhar em seus olhos.
As aldeias pareciam passar em disparada pelo carro, e a beleza imaculada dos Alpes era uma contradio a todo o derramamento de sangue e terror que haviam comeado 
ali. Robert aproximou-se de Thun, e sentiu que a adrenalina flua com uma intensidade crescente.  sua frente estava o campo em que ele e Beckerman encontraram o 
balo meteorolgico, onde se iniciara o pesadelo. Robert parou o carro no acostamento e desligou-o. Fez uma prece silenciosa. Saltou e atravessou a estrada, foi 
avanando pelo campo.
Mil recordaes afloraram em sua mente. O telefonema s quatro horas da madrugada: "Deve se apresentar ao General Hilliard, na Agncia de Segurana Nacional, emForMeade, 
asseis horas desta manh. Mensagem entendida, comandante?"
Como ele sabia to pouco na ocasio! Recordou as palavras do General Hilliard: "Deve encontrar essas testemunhas. Todas elas. "E a busca o levara de Zurique a Berna, 
Londres, Munique, Roma e Orvieto; de Waco a Fort Smith; de Kiev a Washington e Budapeste. Mas finalmente a trilha sangrenta chegava ao fim, ali, onde tudo comeara.
Ela o esperava, como Robert tinha certeza que aconteceria, e parecia exatamente como surgira em seu sonho. Avanaram um para o outro, ela parecia flutuar, com um 
sorriso radiante.
"Obrigada por ter vindo, Robert."
Ele a ouvira falar, ou apenas ouvia seus pensamentos? Como se falava com uma aliengena?
- Eu tinha de vir - disse ele, simplesmente.
A cena parecia totalmente irreal. Estou parado aqui, falando
352
 com algum de outro mundo! Deveria estar apavorado, mas nunca me senti to em paz em toda a minha vida.
- Mas tenho de avis-la - acrescentou. - Esto vindo para c alguns homens que querem lhe fazer mal. Seria melhor que voc partisse antes da chegada deles.
"No posso partir."
E Robert compreendeu. Enfiou a mo esquerda no bolso e tirou o pequeno pedao de metal que continha o cristal. O rosto da mulher se iluminou.
"Obrigada, Robert."
Ele entregou e observou-a ajust-lo na pea que tinha em sua mo.
- O que acontece agora? - perguntou Robert. "Agora posso me comunicar com meus amigos. Eles viro
me buscar."
Haveria algo de sinistro nessa frase? Robert recordou as palavras do General Hilliard: "Eles tencionam dominar este planeta, e nos transformar em escravos." E se 
o General Hilliard estivesse certo? E se os aliengenas tencionassem conquistar a Terra? Quem poderia det-los? Robert olhou para o relgio. Estava quase na hora 
do General Hilliard e Janus chegarem. No instante mesmo em que pensou isso, Robert ouviu o rudo de um enorme helicptero Huey se aproximando, do norte.
"Seus amigos chegaram."
Amigos. Eram seus inimigos mortais, e ele estava decidido a denunci-los como assassinos, a destru-los.
A relva e as flores no campo balanaram violentamente, enquanto o helicptero descia para o pouso.
Ele estava prestes a se encontrar cara a cara com Janus. O pensamento fez"aflorar uma raiva assassina. A porta do helicptero se abriu.
E Susan saltou.

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Captulo Cinqenta e Um
la nave-me, flutuando muito acima da Terra, havia grande alegria. Todas as luzes no painel faiscavam verdes.
"Ns a encontramos!"
"Devemos nos apressar."
A imensa nave comeou a seguir a toda velocidade para o planeta l embaixo.
154
Captulo Cinqenta e Dois
por um nico instante, o tempo ficou parado, e depois se desintegrou em mil pedaos. Robert ficou olhando, atordoado, enquanto Susan descia do helicptero. Ela parou 
ali, por um segundo, e depois se encaminhou para Robert, mas Monte Banks, que desembarcou logo atrs, segurou-a.
- Fuja, Robert! Fuja! Eles vo mat-lo!
Robert deu um passo em sua direo, e nesse momento o General Hilliard e o Coronel Frank Johnson saltaram do helicptero. O General Hilliard disse:
- Estou aqui, comandante. Cumpri minha parte do acordo. - Ele aproximou-se de Robert e da mulher de branco. - Presumo que esta  a dcima primeira testemunha. A 
aliengena desaparecida. Tenho certeza de que a acharemos muito interessante. Portanto, finalmente acabou.
- Ainda no. Voc disse que traria Janus.
- Ah, sim. Janus insistiu em vir para v-lo.
Robert olhou para o helicptero. O Almirante Whittaker estava parado na porta.
- Pediu para falar comigo, Robert?
Robert fitou-o, incrdulo, havia uma pelcula vermelha diante de seus olhos. Era como se o mundo tivesse desmoronado.
- No! Por qu...? Em nome de Deus, por qu?
355

O almirante avanou em sua direo.
- Voc no compreende, no  mesmo? Jamais compreendeu. Preocupa-se com umas poucas vidas insignificantes. Ns estamos preocupados em salvar nosso mundo. Este planeta 
nos pertence, para fazermos o que quisermos.
Ele virou-se para olhar a mulher de branco.
- Se vocs, criaturas, querem guerra, ento tero a guerra. E ns venceremos! - O almirante tornou a se virar para Robert. - Voc me traiu. Era meu filho. Deixei 
que tomasse o lugar de Edward. Dei-lhe uma oportunidade de servir a seu pas. E como me retribuiu? Veio ganindo para mim, suplicando que eu o deixasse ficar em casa, 
para fazer companhia  sua esposa. - A voz estava impregnada de desprezo. - Nenhum filho meu jamais faria isso. Eu deveria ter percebido como seus valores eram distorcidos.
Robert sentia-se paralisado, chocado demais para falar.
- Rompi seu casamento, porque tinha f em voc, mas...
- Rompeu meu...?
- Lembra quando a CIA o mandou atrs do Raposa? Fui ew quem arrumou tudo. Esperava que isso o fizesse recuperar o bom senso. Voc fracassou porque no havia nenhum 
Raposa. Pensei que o tinha endireitado, que passara a ser um dos nossos. E de repente voc me disse que ia largar a agncia. Foi quando compreendi que no era um 
patriota, que precisava ser eliminado, destrudo. Mas primeiro devia nos ajudar em nossa misso.
- Sua misso! Matar aquelas pessoas inocentes? Est louco!
- Precisavam ser mortas para impedir que espalhassem o pnico. Estamos prontos agora para os aliengenas. S precisvamos de mais algum tempo, e voc nos deu.
A mulher de branco ficara escutando, sem dizer nada, mas seus pensamentos se infiltraram nas mentes dos que se encontravam no campo.
"Viemos aqui para evitar que vocs destruam seu planeta. Somos todos parte de um s universo. Olhem para cima."
Todos olharam para o cu. Havia l em cima uma enorme nuvem branca, que mudou diante de seus olhos. Era uma viso da calota polar, que comeou a se derreter enquanto 
a observavam, a gua despejando-se pelos rios e oceanos do mundo, inundando Londres e Los Angeles, Nova York e Tquio, as cidades costeiras de
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todo o planeta, numa superposio de imagens vertiginosa. A viso mudou para uma paisagem desolada de terras agrcolas, as colheitas queimadas at as cinzas por 
um sol ardente e implacvel, cadveres de animais por toda parte. A cena tornou a mudar, e eles viram distrbios na China, a fome na ndia, e uma devastadora guerra 
nuclear, e finalmente pessoas vivendo em cavernas. A viso sumiu lentamente. Houve um momento de silncio assustador. " esse o futuro de vocs, se continuarem como 
esto." O Almirante Whittaker foi o primeiro a se recuperar.
- Hipnose coletiva - disse ele, bruscamente. - Tenho certeza que pode nos mostrar outros truques interessantes.
Ele avanou para a aliengena.
- Vou lev-la para Washington. Temos informaes para arrancar de voc. - O almirante olhou para Robert. - Est liquidado.
Ele virou-se para Frank Johnson e ordenou:
- Cuide dele.
O Coronel Johnson tirou a pistola do coldre. Susan desvencilhou-se de Monte e correu para Robert.
- No! - gritou ela.
- Mate-o! - disse o Almirante Whittaker.
O Coronel Johnson apontou a arma para o almirante.
- Almirante, considere-se preso.
O Almirante Whittaker fitou-o aturdido.
- O que... o que est dizendo? Eu mandei mat-lo. Voc  um dos nossos.
- Est enganado. Nunca fui. Infiltrei-me em sua organizao h muito tempo. Procurava o Comandante Bellamy para salv-lo, no para mat-lo. - Ele olhou para Robert. 
- Lamento no ter conseguido alcan-lo antes.
O rosto do Almirante Whittaker estava branco.
- Ento voc ser destrudo tambm. Ningum pode se interpor em nosso caminho. Nossa organizao...
- No tem mais nenhuma organizao. Neste momento, todos os membros esto sendo presos. Acabou, almirante.
Por cima deles, o cu parecia vibrar de luz e som. A imensa nave-me descia na direo deles, luzes verdes faiscando em seu interior. Todos observaram o pouso, intimidados. 
Uma espaonave menor surgiu, depois outra, mais duas e mais duas, at que
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o cu parecia ocupado por elas. Houve um tremendo estrondo no ar, transformado em msica gloriosa, ressoando pelas montanhas. A porta da nave-me se abriu e um aliengena 
apareceu. A mulher de branco virou-se para Robert.
"Estou partindo agora."
Ela se aproximou do Almirante Whittaker, General Hilliard e Monte Banks.
"Vocs iro comigo."
O Almirante Whittaker recuou.
- No! No irei de jeito nenhum! "Ir, sim. No vamos lhe fazer mal."
Ela estendeu a mo. Por um instante, nada aconteceu. Depois, enquanto os outros observavam, os trs homens se encaminharam, lentos e atordoados, para a espaonave. 
O Almirante Whittaker ainda gritou:
- No!
E continuava a gritar quando os trs desapareceram no interior da espaonave. A mulher de branco virou-se para os outros.
"Eles nada sofrero. Tm muito que aprender. Depois que aprenderem, sero trazidos de volta."
Susan abraava Robert.
"Diga s pessoas que devem parar de matar o planeta, Robert. Faa com que compreendam."
- Sou apenas um homem.
"H milhares como voc. Todos os dias seus nmeros aumentam. Um dia haver milhes, e todos devem falar com uma s voz forte. Far isso?
- Tentarei. Juro que tentarei.
"Estamos partindo agora. Mas continuaremos a observlos. E voltaremos."
A mulher de branco virou-se e entrou na nave-me. As luzes internas se tornaram ainda mais intensas, at que pareciam iluminar todo o cu. E de repente a nave-me 
decolou, seguida pelas naves menores, at que todas desapareceram.
"Diga s pessoas para no matarem o planeta." Certo, pensou Robert. Sei agora o que vou fazer pelo resto de minha vida.
Ele olhou para Susan e sorriu.
O Princpio
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NOTA DO AUTOR
Na
 pesquisa para este romance, li numerosos livros, artigos de revistas e jornais citando astronautas que supostamente tiveram experincias com extraterrestres: o
Coronel Frank Borman, da Gemini 7, teria tirado fotos de um OVNI que teria seguido sua cpsula. Neil Armstrong, naApollo U, avistou duas espaonaves no-identificadas 
quando pousou na lua. Buzz Aldrin fotografou espaonaves noidentificadas na lua. O Coronel L. Gordon Cooper encontrou um enorme OVNI num vo do Projeto Mercury, 
sobre Perth, Austrlia, e gravou vozes falando uma lngua que mais tarde se constatou no ser nenhuma das lnguas conhecidas da Terra.
Conversei com esses homens, e tambm com outros astronautas, e todos me asseguraram que as histrias eram apcrifas, em vez de apocalpticas, que no tiveram experincias 
de qualquer tipo com OVNIs. Poucos dias depois de minha conversa pelo telefone com o Coronel Gordon Cooper, ele tornou a me ligar. Respondi  sua chamada, mas ele 
se tornou subitamente inacessvel. Um ano depois, consegui obter uma carta escrita por ele, datada de 9 de novembro de 1978, discorrendo sobre os OVNIs.
Telefonei outra vez para o Coronel Cooper, a fim de indagar se a carta era autntica. Desta vez, ele foi mais franco. Confirmou que era de fato autntica, e que 
testemunhara pessoalmente, em suas viagens pelo espao, vrios vos de OVNIs.
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Tambm mencionou que outros astronautas tiveram experincias similares, mas foram advertidos a no coment-las.
J li uma dzia de livros que provam de maneira conclusiva que os discos voadores existem. J li uma dzia de livros que provam de maneira conclusiva que os discos 
voadores no existem. J assisti videoteipes supostamente de discos voadores, j conversei com terapeutas nos Estados Unidos e no exterior que se especializam em 
hipnotizar pessoas que alegam terem sido levadas para bordo de OVNIs. Os terapeutas informam que cuidaram de centenas de casos em que os detalhes das experincias 
das vtimas so surpreendentemente similares, inclusive marcas idnticas e inexplicveis em seus corpos.
Um general da fora area no comando do Projeto Blue Book - um grupo formado pelo governo dos Estados Unidos para investigar discos voadores - assegurou-me que nunca 
houve qualquer prova concreta de discos voadores ou aliengenas.
Contudo, no prefcio ao extraordinrio livro de Timothy Good, Above Top Secret: The Worldmde UFO Cover-Up, Lorde Hill-Norton, almirante-de-esquadra e chefe do estado-maior 
da defesa britnico de 1971 a 1973, escreve:
As provas de que h objetos que foram vistos em nossa atmosfera, ou mesmo em terra firme, que no podem ser explicados como objetos fabricados pelo homem, ou como 
qualquer fora ou efeito fsico conhecidos por nossos cientistas, parecem-me ser inegveis. ... Uma grande quantidade de contatos visuais desse tipo so garantidos 
por pessoas com uma credibilidade que parece ser incontestvel.  espantoso que tantos observadores treinados, como agentes policiais, pilotos comerciais e militares...
Em 1933, o 4? Corpo Areo sueco iniciou a investigao sobre uma misteriosa aeronave sem qualquer identificao que sobrevoava a Escandinvia. No dia 30 de abril 
de 1934, o General Erik Reuterswaerd emitiu a seguinte declarao  imprensa:
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As comparaes desses relatos demonstram que no pode haver qualquer dvida a respeito do trfego areo ilegal sobre nossas reas militares secretas. H muitos relatos 
de pessoas confiveis que descrevem a observao prxima da enigmtica aeronave. Em todos os casos, h uma constatao comum: nenhuma insgnia ou marca de identificao 
 visvel nas mquinas. ... A questo  a seguinte: Quem ou o que so, e por que tm invadido o nosso espao areo?
Em 1947, o Professor Paul Santorini, um eminente cientista grego, foi convidado a investigar os msseis que sobrevoavam a Grcia. Sua pesquisa, no entanto, foi reduzida: 
"Logo determinamos que no eram msseis. Mas antes que pudssemos fazer mais alguma coisa, o exrcito, depois de conferenciar com autoridades estrangeiras, ordenou 
que a investigao fosse suspensa. Cientistas estrangeiros voaram  Grcia para conversas secretas comigo." (nfase acrescentada.)
O professor confirmou que "um manto internacional de sigilo" encobria a questo dos OVNIs, porque as autoridades, entre outros motivos, relutavam em admitir a existncia 
de uma fora contra a qual no havia "nenhuma possibilidade de defesa".
De 1947 a 1952, o ATIC (Air Technical Intelligence Center - Centro de Informaes Tcnicas Areas) recebeu cerca de 1.500 relatrios oficiais sobre esses contatos 
visuais. Desses, a fora area considera que vinte por cento so inexplicveis.
O Marechal-do-ar Lorde Dowding, comandante do Comando de Caas da RAF durante a Batalha da Inglaterra, em 1940, escreveu:
Mais de dez mil contatos visuais foram comunicados, a maioria dos quais no pode ser esclarecida por qualquer "explicao cientfica". Foram rastreados em telas 
de radar... e as velocidades observadas foram de at quinze mil quilmetros horrios. ... Estou convencido de que esses objetos existem
361

e que no so fabricados por qualquer nao da Terra. (nfase acrescentada.) Por isso, no posso ver alternativa  teoria de que vm de uma fonte extraterrestre.
Recentemente, em Elmwood, Winsconsin, nos Estados Unidos, a cidade inteira assistiu a discos voadores se deslocando pelo cu, durante vrios dias.
O General Lionel Max Chassin, que foi comandante da fora area francesa e serviu como coordenador da defesa area das foras aliadas da OTAN na Europa Central, 
escreveu:
O fato de que coisas estranhas tm sido avistadas  agora indubitvel. ... O nmero de pessoas instrudas, inteligentes e ponderadas, em plena posse de suas faculdades 
mentais, que "viu alguma coisa" e descreveu o contato aumenta a cada dia.
H tambm o famoso Incidente Roswell, em 1947. Segundo relatos de testemunhas, ao anoitecer do dia 2 de julho um objeto brilhante, em forma de disco, foi avistado 
sobre Roswell, Novo Mxico. No dia seguinte, destroos amplamente dispersos foram encontrados pelo gerente de um rancho local e seus dois filhos. As autoridades 
foram alertadas, e um comunicado oficial foi divulgado, confirmando que haviam sido recuperados os destroos de um disco voador.
Um segundo comunicado  imprensa foi distribudo logo em seguida, informando que os destroos no passavam dos remanescentes de um balo meteorolgico, que foram 
exibidos numa entrevista coletiva. Enquanto isso, os verdadeiros destroos foram enviados para Wright Field. Os corpos foram descritos por uma testemunha como
parecendo humanos, mas no eram humanos. As cabeas eram redondas, os olhos pequenos, e no tinham cabelos. Os olhos eram bastante separados Eram pequenos por nossos 
padres e as cabeas
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maiores em proporo aos corpos. As roupas pareciam inteirias, de cor cinza. Davam a impresso de serem todos homens, e havia vrios. ... Os militares assumiram 
o controle da situao, e fomos advertidos a deixar a rea e no falar com ningum sobre o que havamos visto.
Segundo um documento obtido de uma fonte da comunidade de informaes em 1984, um comit secreto, com o codinome Majestic 12, ou MJ-12, foi criado pelo Presidente 
Truman, em 1947, para investigar os OVNIs e relatar suas descobertas diretamente ao presidente. O documento, datado de 18 de novembro de 1952 e classificado como 
ultra-secreto, teria sido preparado pelo Almirante Hillenkoetter para o presidente americano eleito, Dwight Eisenhower, e inclui a espantosa declarao de que quatro 
corpos de aliengenas foram encontrados a trs quilmetros do local do acidente em Roswell.
Cinco anos depois de sua criao, o comit escreveu um memorando para o presidente eleito Eisenhower sobre o projeto OVNI e a necessidade de sigilo:
As implicaes para a segurana nacional so de permanente importncia, j que os motivos e intenes finais desses visitantes permanecem completamente desconhecidos.... 
 por esses motivos, como tambm pelas consideraes tecnolgicas internacionais bvias e pela suprema necessidade de evitar um pnico pblico a qualquer custo, 
que o Grupo Majestic 12 formula a opinio unnime de que se deve manter o mais absoluto sigilo, sem interrupo na nova administrao.
A explicao oficial de contestao  a de que a autenticidade do documento  duvidosa.
A Agncia de Segurana Nacional estaria retendo mais de uma centena de documentos relacionados com os OVNIs; a CIA, cerca de cinqenta; e a DIA, seis.
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O Major Donald Keyhoe, um ex-assessor de Charles Lindbergh, acusou publicamente o governo dos Estados Unidos de negar a existncia dos OVNIs, a fim de evitar o pnico 
pblico.
Em agosto de 1948, quando uma Avaliao de Situao ultra-secreta do ATIC apresentou a opinio de que os OVNIs eram visitantes interplanetrios, o General Vandenberg, 
chefe do estado-maior da fora area na ocasio, ordenou que o documento fosse queimado.
H uma conspirao internacional de governos para esconder a verdade do pblico?
No breve perodo de seis anos, vinte e trs cientistas ingleses, que trabalhavam em projetos do tipo Guerra nas Estrelas, morreram em circunstncias estranhas. Todos
haviam trabalhado em reas diferentes da guerra eletrnica, que inclui a pesquisa de OVNIs. Aqui est uma lista dos mortos, e as datas e circunstncias de suas mortes:
1. 1982. Professor Keith Bowden: morto em acidente de automvel.
2. Julho de 1982. Jack Wolfenden: morto em acidente de planador.
3. Novembro de 1982. Ernest Brockway: suicdio.
4. 1983. Stephen Drinkwater: suicdio por asfixia.
5. Abril de 1983. Tenente-coronel Anthony Godley: desaparecido, declarado morto.
6. Abril de 1984. George Franks: suicdio por enforcamento.
7. 198S. Stephen Oke: suicdio por enforcamento.
8. Novembro de 1985. Jonathan Wash: suicdio pulando do alto de um prdio.
9. 1986. Dr. John Brittan: suicdio por envenenamento com monxido de carbono.
10. Outubro de 1986. Arshad Sharif: suicdio pondo uma corda em volta de seu pescoo, amarrando a outra ponta a uma rvore, e depois dando a partida em seu carro 
a toda velocidade.
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Ocorreu em Bristol, a 160 quilmetros de sua casa, em Londres.
11. Outubro de 1986. Vimal Dajibhai: suicdio pulando de uma ponte em Bristol, a 160 quilmetros de sua casa, em Londres.
12. Janeiro de 1987. Avtar Singh-Gida: desaparecido, declarado morto.
13. Fevereiro de 1987. Peter Peapell: suicdio e arrastado para baixo do carro na garagem.
14. Maro de 1987. David Sands: suicdio lanando o carro em alta velocidade contra um caf.
15. Abril de 1987. Mark Wisner: morte por autoasfixia.
16. 10 de abril de 1987. Stuart Gooding: morto em Chipre.
17. 10 de abril de 1987. David Geenhalgh: caiu de uma ponte.
18. Abril de 1987. Shani Warren: suicdio por afogamento.
19. Maio de 1987. Michael Baker: morto em acidente de automvel.
20. Maio de 1988. Trevor Knight: suicdio.
21. Agosto de 1988. Alistair Beckham: suicdio por auto-eletrocusso.
22. Agosto de 1988. Brigadeiro Peter Ferry: suicdio por auto-eletrocusso.
23. Data desconhecida. Victor Moore: suicdio.
Coincidncias?
Nas ltimas trs dcadas, houve pelo menos setenta mil relatos de objetos misteriosos no cu, e incontveis mais contatos visuais, talvez dez vezes mais, que no 
foram registrados.
Os relatos sobre OVNIs vm de dezenas de pases do mundo inteiro. Na Espanha, os OVNIs so chamados de objetos foladores no identificados; na Alemanha, fliegende 
Untertassen; Na Frana, soucoupes volantes; na Tchecoslovquia, letajici talue.
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O eminente astrnomo Carl Sagan calculou que s a nossa galxia, a Via Lctea, pode conter cerca de 250 bilhes de estrelas. Cerca de um milho dessas estrelas, 
ele acredita, podem ter planetas capazes de sustentar alguma forma de civilizao.
O governo americano nega a existncia de qualquer inteligncia extraterrestre, mas no Dia de Colombo, em 1992, na Califrnia e Porto Rico, a NASA ativar radiotelescpios 
equipados com receptores especiais e computadores capazes de analisar dezenas de milhes de canais de rdio ao mesmo tempo, em busca de sinais de vida inteligente 
no universo.
A NASA deu o nome de misso MOP, para Microwave Observing Project, Projeto de Observao de Microondas, mas os astrnomos chamam de SETI, para Search Extraterrestrial 
Intelligence (Busca de Inteligncia Extraterrestre).
Perguntei a dois ex-presidentes dos Estados Unidos se tm qualquer conhecimento de OVNIs ou aliengenas, e suas respostas foram negativas. Mas teriam me falado se 
tivessem tais informaes? Tendo em vista o manto de sigilo que envolve o assunto, creio que no.
Os discos voadores realmente existem? Estamos sendo visitados por aliengenas de outro planeta? Com a nova tecnologia sondando mais e mais o universo, procurando 
por sinais de vida inteligente no espao, talvez tenhamos a resposta muito mais cedo do que esperamos.
H muitas pessoas trabalhando na explorao espacial, astronomia e cosmologia que no se contentam em esperar por essa resposta, e fazem suas prprias predies. 
Jill Tartar, astrofsica e cientista do projeto SETI, no Centro de Pesquisas Ames, em Ames, lowa,  uma delas.
H quatrocentos bilhes de estrelas na galxia. Somos feitos de poeira de estrela, uma matria bastante comum. Num universo repleto de poeira de estrela,  difcil 
acreditar que sejamos as nicas criaturas que podem existir.
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9 de novembro de 1978
Embaixador Griffith
Misso de Granada na Organizao das Naes Unidas
866 Second Avenue
Sute 502
Nova York, Nova York 10017
Prezado Embaixador Griffith:
Quero transmitir minhas opinies sobre nossos visitantes extraterrestres, popularmente conhecidos como "OVNIs", e sugerir o que se pode fazer para tratar com eles.
Creio que esses veculos extraterrestres e suas tripulaes esto visitando este planeta de outros planetas, que obviamente so um pouco mais avanados tecnicamente 
do que somos aqui na Terra. Acho que precisamos ter um programa coordenado de alto nvel para coletar e analisar cientificamente os dados de toda a Terra referentes 
a qualquer tipo de contato, e determinar a melhor maneira de lidar com esses visitantes, de uma maneira amistosa. Talvez primeiro tenhamos de demonstrar a eles que 
aprendemos a resolver nossos problemas por meios pacficos, em vez da guerra, antes de sermos aceitos como membros plenamente qualificados da comunidade universal. 
Essa aceitao traria tremendas possibilidades de progresso para o nosso mundo, em todas as reas. Sendo assim, parece-me que a ONU tem um interesse indiscutvel 
de cuidar desse assunto da maneira apropriada e rpida.
Devo ressaltar que no sou um experiente pesquisador profissional de OVNIs. Ainda no tive o privilgio de voar num OVNI, nem de conhecer a tripulao de algum. 
Acho que tenho alguma qualificao para discuti-los, j que estive nas margens das vastas reas em que eles viajam. Tambm tive a oportunidade,
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em 1951, durante dois dias, de observar muitos vos deles, de diferentes tamanhos, voando em formao de combate, em"geral de leste para oeste, sobre a Europa. Estavam 
numa altitude superior  que podamos alcanar com nossos caas a jato naquela poca.
Tambm gostaria de ressaltar que a maioria dos astronautas reluta at em discutir os OVNIs por causa do grande nmero de pessoas que indiscriminadamente venderam 
falsas histrias e documentos forjados, abusando de seus nomes e reputaes sem a menor hesitao. Os poucos astronautas que continuaram a ter uma participao na 
rea dos OVNIs sempre atuaram com a maior cautela. H vrios de ns que acreditam nos OVNIs, e que j tiveram a oportunidade de avistar um OVNI no solo, ou de um 
avio.
Se a ONU concordar em prosseguir nesse projeto, emprestando-lhe sua credibilidade, talvez mais pessoas qualificadas concordem em se apresentar para prestar ajuda 
e informaes.
Aguardo ansioso a oportunidade de encontr-lo pessoalmente em breve.
Cordialmente,
L. Gordon Cooper Coronel USAF (Reformado) Astronauta

fim
